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Dívida Pública Federal cresce 0,26% em maio

Dívida Pública

Percentual de vencimentos em 12 meses cai para nível recorde e mercado volta a dar sinais de normalidade, diz Tesouro
publicado: 26/06/2017 12h55 última modificação: 26/06/2017 12h59
Gustavo Raniere/MF

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 0,26% em termos nominais em maio na comparação com abril, passando de R$ 3,244 trilhões para R$ 3,253 trilhões. O aumento resultou da apropriação positiva de juros no valor de R$ 28,26 bilhões, compensada em parte pelo resgate líquido de R$ 19,74 bilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 0,22%, passando de R$ 3,123 trilhões para R$ 3,130 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 1,31%, para R$ 122,87 bilhões, principalmente por causa da depreciação do real frente às principais moedas que compõem esse estoque.

Um dos destaques do mês foi o resgate, já previsto, de R$ 57,7 bilhões em NTN-Bs que venciam em 15 de maio. A operação contribuiu para que a parcela dos títulos atrelados a índices de preços recuasse de 32,20% em abril para 30,66% em maio, explicou o coordenador de operações da Dívida Pública do Tesouro, Leandro Secunho, ao apresentar os números nesta segunda-feira (26).

A parcela de títulos prefixados na DPF aumentou de 33,95% em abril para 34,97% em maio, enquanto a de papéis atrelados a taxa flutuante subiu de 29,99% para 30,47%. A participação dos papéis atrelados ao câmbio aumentou de 3,86% para 3,91%. Todos os percentuais ficaram dentro dos intervalos definidos pelo Plano Anual de Financiamento (PAF).

Atuação do Tesouro e buyback da dívida externa

O mês passado também foi marcado pela atuação do Tesouro para fornecer parâmetros de referências de preços e contribuir para um melhor funcionamento do mercado em momentos de volatilidade. Foram realizados três leilões de compra e venda de LTN, NTN-F e NTN-B, nos dias 19, 22 e 23 de maio, que resultaram no resgate líquido de R$ 2,11 bilhões.

“Os preços desses títulos no mercado já se estabilizaram”, disse Secunho. Ele apontou que um dos sinais dessa normalização são os spreads – a diferença entre as taxas de compra e venda –, que já estão em níveis próximos dos registrados no fim de abril. “O mercado já voltou para a estabilidade em junho, e essa normalidade já vai ser observada nos leilões tradicionais”, afirmou o coordenador.  

Além de realizar leilões de compra e venda para dar referência ao mercado, o Tesouro cancelou dois leilões de venda, nos dias 18 e 25 de maio, para não acrescentar volatilidade. Secunho calcula que cerca de R$ 20 bilhões teriam deixado de ser emitidos com essa decisão. “Isso é perfeitamente gerenciável, dado que no primeiro quadrimestre emitimos mais do que o esperado”, afirmou ele.

Secunho acrescentou que há bastante demanda por NTN-Fs, mas a estratégia do Tesouro é emitir menos que a procura para não pressionar o mercado. “A estratégia é voltar de forma gradual e utilizar as ferramentas que acumulamos ao longo do tempo em termos de caixa e de baixo volume de vencimentos no curtíssimo prazo”, afirmou ele.

Outro destaque, apontou Secunho, foi o “buyback”, ou as operações de recompra que o Tesouro faz de dívida externa no varejo. O balanço dessas operações é bimestral e virá no relatório do próximo mês, mas a atuação da instituição em maio foi “incisiva”, adiantou ele. “Houve um volume relevante de resgate antecipado de títulos em maio. Quando o preço cai, aproveitamos a oportunidade para dar saída ao investidor e para comprar títulos a preços mais favoráveis”, explicou.

Estrangeiros

A fatia dos não residentes na dívida interna diminuiu de 13,63% em abril para 13,42% em maio, com redução de R$ 5,69 bilhões de seu estoque. Secunho chamou atenção para o fato de que essa saída foi ordenada, com boa parte desse valor sendo vendida no mercado secundário, um sinal de sua profundidade.

Além disso, enquanto os não residentes resgataram cerca de R$ 17 bilhões em LTN, que são papéis mais curtos, eles aumentaram em R$ 13 bilhões sua posição em NTN-Fs, títulos mais longos. “Ou seja, houve também um alongamento da carteira desses investidores, aproveitando um nível de taxa mais elevada em relação ao que víamos em abril”, disse o coordenador.

O grupo Previdência continuou liderando a divisão por detentores, ampliando sua fatia de 26,02% em abril para 26,21% em maio. A participação das instituições financeiras aumentou de 21,87% para 22,16%, enquanto a de fundos de investimento recuou de 23,24% para 23,17% entre os dois meses.

Vencimentos, prazos e custos

O percentual dos vencimentos da DPF nos próximos 12 meses diminuiu de 16,45% em abril para 15,16% em maio, o menor da série histórica e abaixo até do intervalo definido pelo PAF, que vai de 16% a 19%.  “Esse é um ponto bastante positivo para maio”, destacou Secunho. O prazo médio recuou de 4,56 para 4,54 anos, ainda acima do limite de 4,40 anos, enquanto a vida média recuou de 6,32 para 6,30 anos.

O custo médio da DPF acumulado nos últimos 12 meses caiu de 11,57% ao ano em abril para 11,23% em maio. “Mês a mês esse indicador vem se reduzindo em função da queda da Selic, de índices de inflação e do câmbio”, afirmou Secunho. O custo médio das emissões de dívida interna também diminuiu, de 12,24% em abril para 12,05% em maio.

Tesouro Direto

O estoque do programa de venda de títulos públicos para pessoas físicas atingiu em maio R$ 45,6 bilhões, o maior da série histórica e 2,38% superior ao volume de abril. O total de investidores cadastrados cresceu 86,28% no acumulado dos últimos 12 meses, enquanto o de investidores ativos avançou 67,5%. A parcela de aplicações de até R$ 1 mil foi de 49,3%, um percentual recorde e sinal do maior acesso dos pequenos investidores ao Tesouro Direto.