(Bloomberg) -- O governo estuda a possibilidade de pedir à Organização Mundial do Comércio para avaliar possíveis medidas para evitar que países desvalorizem suas moedas para ganhar mercado, disse o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey.
“Se você tem o câmbio fora de lugar ou fatores que influenciam inadequadamente o câmbio, pode funcionar como espécie de subsídio à exportação”, disse Cozendey em entrevista hoje em Brasília. “O problema é real e não fui eu que criei o problema. Afeta o comércio.”
O governo da presidente Dilma Rousseff está estudando as normas da OMC para decidir o destino dessas discussões sobre o impacto do câmbio no comércio internacional, disse Cozendey. Segundo o secretário, os comentários não se referem a nenhuma moeda ou país específico.
A iniciativa é tomada depois de autoridades brasileiras terem demonstrado preocupação com o atrelamento da moeda da China, o yuan, ao dólar e também com a perda de competitividade das exportações do País. Nos últimos dois anos, o real valorizou-se 39 por cento em relação ao dólar, o que estimulou o aumento das importações nesse período.
Cozendey disse que ainda é cedo para dizer se a OMC vai decidir questões que envolvam câmbio e o comércio internacional.
“A discussão pode ir para vários lados ou pode gerar discussão que corrija as fontes do problema,” disse o secretário.
O superávit comercial brasileiro pode cair para US$ 9 bilhões em 2011, segundo o que indicou a pesquisa Focus do Banco Central, realizada em 14 de janeiro. Se for confirmada a previsão, o saldo ficaria abaixo da metade do resultado de US$ 20 bilhões em 2010.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em 4 de janeiro o governo tomará todas as medidas necessárias para evitar a valorização excessiva do real.
Editores: Helder Marinho, José Sergio Osse
Fonte: Bloomberg