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Não é hora de fazer grandes movimentos, nem de assumir riscos, mas de ficar onde está. O alerta é do diretor de Tesouraria do Banif Banco de Investimentos, Rodrigo Boulos. Já quem tem dinheiro para investir, e não tem nervos de aço para suportar o sobe-e-desce dos mercados, o caminho é buscar proteção nos investimentos pós-fixados, acrescenta o sócio-gestor da Advisor Asset Management, Marcos Olmos. "A taxa Selic está em 13,75% ao ano e vai continuar subindo, o que garante um bom rendimento para a aplicação sem os sobressaltos da bolsa ou mesmo dos títulos prefixados", diz.
Os investidores encararam na semana passada os piores dias dos últimos anos, com o agravamento da crise internacional. Mas a tempestade não ficou para trás, com a manobra do governo americano para estancar o risco de quebra de bancos? Não há quem arrisque dizer que sim. A situação é inusitada e, por isso, a palavra é cautela, diz Boulos. "É a principal economia do mundo que está passando por problemas graves, não regiões periféricas como nas outras crises."
Boulos lembra que, mesmo que o pacote de socorro ao sistema financeiro consiga reverter o risco sistêmico, os bancos lá fora enfrentam um crise de confiança, o que é muito mais difícil de ser superado. Para Olmos, a euforia dos últimos pregões da semana é válida, mas há de se avaliar primeiro os efeitos da medida na economia. Até que se conheçam os detalhes do pacote, fica difícil dizer se ele será suficiente para segurar a crise e, mais do que isso, trazer de volta a liquidez para o sistema. "Será que os bancos voltarão a conceder empréstimos?", questiona o gestor.
Além disso, afirma Olmos, muita gente perdeu dinheiro, alguns bancos deixaram e deixarão de existir e a desaceleração global é realidade. "Vai levar algum tempo até que investidores globais retomem a confiança para arriscar mais (o que significa voltar a investir no Brasil)." Assim, o mercado brasileiro ainda poderá ser punido por um aumento da aversão ao risco como na semana passada, em que até mesmo fundos de renda fixa chegaram a registrar cota negativa.
No dia 17, dados do site Fortuna mostram que, de um total de 777 fundos de renda fixa, 239 tiveram perdas. As taxas futuras de juros subiram muito, com a saída de investidores estrangeiros, trazendo perdas para carteiras que tinham títulos prefixados ou indexados à inflação por conta da marcação a mercado do preço menor desses papéis. Uma LTN (título público prefixado) com vencimento em julho de 2010, por exemplo, que no início de setembro pagava 14,55%, oferecia 14,91% no dia 18. Na sexta-feira, no entanto, a taxa já estava menor, em 14,85%.
Uma taxa pré próxima de 15% ao ano é um retorno bem generoso, avalia Olmos, levando em conta que a desaceleração global significa menor pressão sobre preços, por conta da queda das commodities, e conseqüente alívio nas taxas de juros. Mas isso para quem é agressivo e não se importa em ver seu investimento oscilar, alerta.
Para os de estômago mais fraco, a sugestão é buscar a aplicação pós-fixada, já que os juros vão continuar subindo e garantindo um ganho real na faixa de 8%, 9% ao ano além da inflação, diz Luís Fernando Lopes, do Pátria Investimentos. Para ele, há oportunidades em CDBs de bancos de primeira linha, com taxas acima do CDI.
Boulos diz que o Brasil ficou barato em relação aos seus fundamentos, o que significa que há oportunidades em todos os segmentos. "Mas o mercado reage de forma irracional e, por enquanto, o risco é alto; o melhor é ficar no pós-fixado até tudo se acalmar."
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