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Grandes indústrias e consumidores de energia, que não vão se beneficiar do preço baixo obtido no leilão da primeira hidrelétrica do rio Madeira, já pressionam por vantagens na licitação da próxima usina, Jirau, marcada para maio. Preocupados com a perspectiva de pagar preços entre 50% e 80% maiores quando forem renovar os contratos de fornecimento que vencem nos dois próximos anos, defendem que metade da potência da usina de Jirau, de 3.300 MW, seja reservada ao chamado mercado livre, no qual compram energia. O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, sugere que os grandes consumidores participem do próximo leilão. "Quem não participou do leilão [da usina de Santo Antônio] se arrependeu", disse. Segundo ele, a EPE ainda está distante de concluir os estudos para definir o preço máximo da energia a ser produzida pela hidrelétrica de Jirau, mas reiterou que o resultado de anteontem será levado em conta. Num único lance, o consórcio liderado pela empreiteira Norberto Odebrecht e pela estatal Furnas ganhou a concessão para construir e operar a usina por 30 anos por uma tarifa de R$ 78,87 por MWh, 35% abaixo do fixado pelo governo. O menor preço médio obtido antes disso foi no leilão de dezembro de 2005: R$ 106,95 por MWh. O custo chegou a R$ 137,44 por MWh em leilões com venda de energia destinada apenas às distribuidoras. O preço do último leilão não valerá para 30% da energia a ser produzida na usina a partir de 2012 e que será negociada no mercado livre, com um preço bem mais alto. Ontem, o porta-voz do consórcio vencedor, Irineu Meireles, disse que essa negociação não foi concluída, assim como o formato final do consórcio. Estão em curso negociações com dois grandes consumidores, segundo ele: a Vale e o grupo Votorantim. "O grande consumidor, se não tiver energia a preço competitivo, não tem condições de concorrer no mercado global", avalia Eduardo Spalding, vice-presidente da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia). Ele reclama do impacto do leilão de Santo Antônio nos preços do mercado livre: "Para nós foi péssimo. Para ganhar, o vencedor vendeu energia no mercado cativo a um preço baixo, que obriga a vender a parcela do mercado livre a um preço alto". As concessionárias de energia avaliam, no entanto, que o preço no mercado livre tende a se estabilizar quando aumentar a oferta. "Os 30% do mercado livre vão ser vendidos acima do preço do mercado cativo, mas acho difícil que chegue a R$ 150 por MWh. Mas o consumidor é livre, pode comprar ou não", avalia Silvia Calou, diretora-executiva da ABCE (Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica). Flávio Neiva, presidente da Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica), defendeu pressa na licitação da hidrelétrica de Belo Monte, de 11 mil MW, localizada no rio Xingu (PA) e ainda pendente de licença ambiental. "Isso é fundamental para equilibrar oferta e demanda no médio prazo."
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