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Os credores da Eucatex, controlada pela família Maluf, aprovaram o plano de recuperação judicial da companhia em assembléia realizada ontem. O processo, que envolveu cerca de R$ 300 milhões em créditos, corre na 3ª Vara Cível de Salto (SP).
De acordo com a proposta aceita, a Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) e o Bradesco se tornarão sócios da a fabricante de chapas de madeira e aglomerado, com cerca de 7% do capital da empresa. Isso porque ambos detêm debêntures da Eucatex conversíveis em ações.
O Valor apurou que a Petros ficou insatisfeita com o resultado da assembléia. A fundação, que votou contra o plano, considerou desigual o tratamento dado aos credores. Segundo fonte qualificada do fundo, estão sendo estudadas medidas que possam ser tomadas para tentar equacionar a situação.
O Bradesco informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que suas debêntures eram conversíveis em ações. Com os papéis em mãos, o banco irá analisar a melhor forma de colocá-los no mercado.
Os demais credores sem garantias receberão de forma diferente. Parte do pagamento será feita com fazendas de plantação de pinus da empresa. O restante será dado em dinheiro, parcelado em até dez anos. Itaú BBA, Unibanco e Deutsche são algumas das instituições financeiras com recursos a receber.
Já os fornecedores da companhia serão pagos à vista.
De acordo com Ricardo Tosto, advogado da Eucatex, um credor deixou de votar ontem para estudar a melhor forma de receber seu pagamento. Trata-se da Progus, uma empresa de consultoria e investimentos que comprou com deságio créditos da Eucatex de mais de mil fornecedores, o que representa cerca de R$ 40 milhões.
"Ainda está em análise, mas a Progus pode vir a se tornar sócia da Eucatex", disse Tosto. A consultoria pertence a Marcos Vieira Mantovani. Procurado, o executivo não retornou o pedido de entrevista do Valor.
A fabricante de chapas de madeira pediu concordata em abril de 2003. Inicialmente, o processo não incluía os valores que os bancos tinham a receber. Em agosto do ano passado, a Eucatex optou por migrar para a recuperação judicial quando viu que a Justiça poderia incluir as instituições financeiras entre os credores. Caso os bancos entrassem na relação, a Eucatex não teria dinheiro para quitar suas dívidas e poderia vir à falência. Com a recuperação judicial, a empresa ganhou mais tempo de negociação. "Agora, a Eucatex sai sem dívidas, o que prova a inteligência da nova Lei de Falências", afirmou Tosto.
No primeiro semestre de 2006, a Eucatex faturou R$ 338,7 milhões, estável na comparação com 2005. O prejuízo foi de R$ 27,1 milhões, igual ao ano passado. (Colaborou Catherine Vieira, do Rio)
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