Plano Real

Considerações finais

 

As reformas constitucionais e a implementação do programa de privatizações criarão condições para o lançamento da verdadeira âncora de qualquer programa de estabilização bem sucedido a longo prazo - a diminuição progressiva e significativa do déficit nas finanças públicas -, sendo, assim, essenciais à consolidação do Plano Real.

Eventuais reveses são compreensíveis, dados os interesses em jogo e a complexidade da matéria, sobretudo numa democracia plena como a que existe no Brasil, e de nenhuma forma indicam fracassos ou derrotas. Ressaltam, principalmente, a necessidade de negociações e entendimentos adicionais.

O importante é não perder o sentido de direção e de propósito do processo iniciado com a implantação do plano de estabilização, procurando, ao mesmo tempo, aproveitar toda a energia da nossa sociedade e, em particular, da nossa classe política para fazermos algo realmente construtivo e que atenda aos interesses da nossa nação como um todo e não apenas de um único Governo.

O que está em jogo com o Plano Real é a possibilidade de o Brasil começar o próximo milênio com um PIB da ordem de US$ 1 trilhão, com uma estável inflação anual de um dígito e com um quadro social menos desigual e mais justo.

Em 1995, o Poder Legislativo sinalizou sua disposição de contribuir para a consolidação do Plano Real, ao aprovar as propostas de emendas constitucionais relacionadas com a Ordem Econômica, destinadas à diminuição do papel do Estado na economia. Foram aprovadas, por exemplo, a emenda que terminou com a discriminação entre empresas brasileiras de capital nacional e estrangeiro e a que abriu ao setor privado - nacional e estrangeiro - a possibilidade de investimentos em telecomunicações, energia, gás, transportes, petróleo e mineração.

Cabe ressaltar, uma vez mais, nesse contexto, que o atual Governo de nenhuma forma tem como única meta a curto prazo a preservação da inflação em trajetória de queda gradual, embora esta seja uma condição essencial para a consecução de outros importantes objetivos da agenda do Governo, como a criação das condições para um crescimento alto e sustentado da economia, do investimento e do emprego, e o equacionamento progressivo da nossa grave questão social.

Não é preciso, desejável nem aceitável, esperar a consolidação da estabilidade e a obtenção do crescimento sustentado para traçar e iniciar a implementação de políticas públicas eficazes e não-demagógicas na área social que tenham ênfase no investimento em pessoas, em particular no que diz respeito à educação básica e profissional, à saúde, ao saneamento, ao emprego e à modernização das relações de trabalho.

Não é realista, porém, imaginar que, em uma única Administração, seja possível eliminar a fome e a miséria, bem como alterar, de forma radical, a distribuição extremamente desigual da renda e da riqueza no Brasil. Essa é uma questão cujo equacionamento virá a longo prazo e para o qual diversos outros governos deverão contribuir. O problema social brasileiro, porém, existe, é da maior gravidade e, de certa forma, nos envergonha perante o resto do mundo e deveria envergonhar a todos os brasileiros. Não se pode perder mais tempo. É fundamental o seu enfrentamento desde já - como o Governo vem fazendo - por meio de programas coerentes e consistentes que obedeçam a uma estratégia de médio e longo prazos.

A Administração Fernando Henrique Cardoso não medirá esforços para assegurar o êxito do Plano Real, que colocará o Brasil definitivamente no caminho da estabilidade, do crescimento econômico auto-sustentado e da justiça social, e, ao mesmo tempo, permitirá ao País uma inserção competitiva e dinâmica numa economia mundial globalizada.

 
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