Plano Real

Desempenho do setor externo

 

A corrente de comércio (exportação + importação), em 1995, atingiu US$ 96,169 bilhões. Trata-se de montante 85% acima do registrado em 1990 (US$ 52,075 bilhões). No ano passado, as exportações físicas acumularam receita de US$ 46,506 bilhões. As importações físicas absorveram US$ 49,663 bilhões. Houve, portanto, um déficit de US$ 3,157 bilhões.

 

Balança Comercial
(Resultado físico)
tabela

(2) As exportações físicas representam o valor do produto efetivamente embarcado
(3) As importações físicas representam o valor relativo ao ingresso físico do produto
* Nos dois últimos dias úteis de março (28 e 29), o Siscomex sofreu parada técnica

 

A balança comercial acusou déficits de novembro de 1994 a junho de 1995 como conseqüência da abertura comercial, processo acelerado ao final de 1994 e do maior ritmo de crescimento da economia. Em função das medidas tomadas no planos interno e externo, a balança comercial já apresentou equilíbrio (pequeno superávit de US$ 3 milhões) em julho do ano passado e superávits em agosto de US$ 328 milhões; em setembro de US$ 481 milhões e em outubro de US$ 334 milhões. Em novembro, houve um pequeno superávit de US$ 15 milhões, sendo que, em dezembro, a balança registrou um pequeno déficit de US$ 51 milhões.

As exportações físicas de agosto de 1995 alcançaram US$ 4,558 bilhões, o valor mais elevado já registrado no Brasil em um só mês. As de setembro somaram US$ 4,167 bilhões, cabendo ressaltar que a média diária das exportações naquele mês havia sido até então a mais alta já registrada no País: US$ 208,3 milhões. As exportações de outubro, US$ 4,405 bilhões, constituíram o segundo maior valor já alcançado em um só mês, sendo que a média diária de embarques de US$ 209,8 milhões ultrapassou a de setembro último, passando a ser novo recorde histórico. As exportações físicas de novembro e dezembro alcançaram US$ 4,048 bilhões e US$ 3,875 bilhões, recordes para aqueles dois meses. As exportações físicas, no ano de 1995, atingiram US$ 46,506 bilhões, montante 6,8% superior ao verificado em 1994, constituindo recorde histórico anual.

Durante o ano de 1996, no primeiro semestre observaram-se exportações de US$ 22,919 bilhões, ou US$ 1,470 bilhões superiores ao mesmo período de 1995, o que representou um aumento de 6,85%. Do lado das importações o valor foi de US$ 23,215 bilhões, sendo US$ 2,501 bilhões a menos do que no ano passado, ou uma queda de 9,73%. Com isso o déficit de US$ 4,267 bilhões acumulado no primeiro semestre de 1995 foi reduzido em 93,06%, para US$ 296 milhões acumulados no ano em curso.

O nível das importações durante o mês de junho, US$ 4,167 bilhões, situou-se em um patamar previsível e confirmou uma tendência de aumento moderado no longo prazo. Nos últimos doze meses o montante de US$ 47,162 bilhões foi 3,7% superior ao observado no período julho94/junho/95. Um aspecto importante a notar foi o crescimento positivo de 25,2% das compras de bens de capital, cuja participação na pauta brasileira saltou de 20,7% para 24,9%.

Quanto às exportações, o valor de US$ 3,840 bilhões alcançado em junho fivou abaixo do que se poderia, em tese, esperar por uma confluência de razões: o fato de aquele mês haver apresentado somente 19 dias úteis, comparativamente a 21 em junho de 1995, o que significa eliminar uma possibilidade de vendas externas de cerca de US$ 400 milhões (a média de exportações diárias em junho/96 foi de US$ 202,1 milhões); a parada técnica do alto forno da CSN, o que prejudicou a exportação de aços laminados; o atraso por motivos climáticos nos embarques de soja no Paraná, entre outros. De qualquer forma, o acumulado das exportações nos últimos doze meses ficou 6,9% acima do observado no período julho/94-junho/95, ou seja US$ 47,976 bilhões, comparados com US$ 44,893 bilhões, o que demonstra uma tendência salutar de longo prazo.

 

tabela

 

Assim, apesar do déficit acumulado de US$296 milhões no primeiro semestre, ainda é perfeitamente realista esperar um resultado equilibrado da balança comercial em 1996, ou mesmo um pequeno superávit.

A política cambial brasileira continuará sendo guiada pelas premissas definidas quando da elaboração do Plano Real. O Governo optou por um regime explícito e flexível de bandas cambiais, que continuará inalterado: uma banda larga com intervenções intrabanda por meio de leilões de "spread", já totalmente assimiladas pelo mercado. A banda larga foi redefinida em três oportunidades desde sua implantação, encontrando-se no momento entre 0,97 e 1,06 centavos de Real por dólar dos Estados Unidos. As reduzidas taxas de inflação, somadas ao fato de as exportações estarem crescendo de forma expressiva, sugerem o acerto do regime cambial adotado.

Desde novembro de 1995, o Real passou a ser negociado em contratos futuros e de opções na Bolsa de Mercadorias de Chicago, o que constituiu mais um sinal das expectativas favoráveis em relação não só à economia brasileira no cenário internacional, como também, em particular, ao nosso regime cambial. Não se cogita de retorno à política do passado (indexação diária à taxa de inflação corrente), que, de certa forma, compensava as ineficiências do nosso sistema econômico. A fim de aumentar a competitividade do setor exportador, teremos doravante de reduzir nossos custos de produção.

A consolidação definitiva da estabilização, a modernização do setor público, a implementação do programa de privatizações, a participação do setor privado em investimentos em infra-estrutura, a diminuição da dívida pública interna, a desburocratização, a desregulamentação, a maior eficiência na gestão pública, a redução do custo da mão de obra, a desoneração tributária das exportações e a consecução de outros objetivos da agenda econômica do Plano de Governo resultarão justamente na diminuição do custo de produção de bens e serviços no País e na elevação do nível de produtividade média da nossa economia.

É absolutamente crucial que possamos, em 1996 e adiante, fazer maiores progressos do que fomos capazes em 1995 na redução do Custo Brasil, com ênfase nas áreas de infra-estrutura e de desoneração tributária das exportações. É a redução do Custo Brasil que, em última instância, possibilitará um ingresso crescente de investimentos diretos e de novas tecnologias no País, além de um aumento expressivo nas nossas exportações de bens e serviços, criando, dessa forma, melhores condições para a continuidade do processo de integração da economia brasileira à internacional e, em particular, à dos países do Mercosul.

No mercado de câmbio, onde são feitas as operações bancárias, os contratos de exportação acumularam receita de US$ 53,142 bilhões entre janeiro e dezembro de 1995. Os contratos de fechamento de câmbio para importações totalizaram, no período, US$ 41,546 bilhões. Dessa forma, o saldo cambial do movimento do comércio exterior, no ano passado, foi de US$ 11,596 bilhões. Cabe ressaltar que esta rubrica apresentou saldos positivos em todos os meses de 1995.

No segmento financeiro, onde são efetuadas as operações cambiais relativas ao movimento de capitais, houve ingresso acumulado, entre janeiro e dezembro de 1995, de US$ 49,804 bilhões, com saídas no valor de US$ 47,748 bilhões. O superávit, nesse período, foi de US$ 2,056 bilhões.

Dessa forma, o movimento de câmbio, em 1995, apresentou um saldo global de US$ 13,652 bilhões (US$ 11,596 bilhões e US$ 2,056 bilhões relativos aos segmentos comercial e financeiro, respectivamente).

Nos sete primeiros meses de 1996, os contratos cambiais de exportação e de importação atingiram US$ 29,330 bilhões e US$ 22,156 bilhões, registrando-se um saldo de US$ 7,174 bilhões. As compras e as vendas financeiras, por sua vez, alcançaram US$ 38,831 bilhões e US$ 30,666 bilhões, tendo ocorrido um saldo de US$ 8,165 bilhões. Houve um saldo global de US$ 15,333 bilhões. Durante o mês de agosto, até dia 08, o segmento comercial registrou superávit de US$ 323 milhões, enquanto o seguimento financeiro apresentou um déficit de US$ 16 milhões, configurando um resultado positivo de US$ 307 milhões.

 

tabela

 

O nível das reservas internacionais do País ultrapassou, em julho de 1995, o patamar verificado no final de 1994 - quando eclodiu a crise cambial mexicana que abalou o sistema financeiro internacional -, passando a equivaler, hoje em dia, a mais de quinze meses de importação de bens. Fecharam o ano de 1995, totalizando, respectivamente, US$ 50,449 bilhões e US$ 51,840 bilhões, para os conceitos de "caixa" e de "liquidez internacional". As reservas voltaram a subir em 1996, atingindo, em junho de 1996, os montantes de US$ 58,639 bilhões e US$ 59,997 bilhões, recordes históricos. As reservas internacionais brasileiras só são inferiores atualmente, em termos absolutos, às do Japão, EUA, Alemanha, China, Taiwan, Singapura e Hong Kong.

 

Reservas Internacionais

tabela


O conceito de caixa contempla haveres prontamente disponíveis .

O de liquidez internacional agrega ao caixa os haveres representados por títulos de exportação e outros de médio e longo prazos.

À medida que o Plano Real se consolida, o perfil dos investimentos estrangeiros tende a melhorar, ou seja, a modificar-se em favor daqueles com prazo maior de permanência no Brasil. Houve melhora significativa na qualidade dos recursos que estão ingressando no país desde a implantação do Plano Real. No início, verificou-se expressiva entrada de recursos de curto prazo que se beneficiavam do diferencial elevado entre as taxas de juros domésticas e internacional. Essa situação persistiu nos primeiros meses de 1995, devido à instabilidade nos mercados financeiros provocada pela crise mexicana. Tal situação se reverteu desde meados de 1995. As comparar-se o resultado de empréstimos e financiamentos no primeiro trimestre de 1995 com o mesmo período de 1996, observa-se que os recursos de médio e longo prazo representavam somente 18,3 % do total naquele momento e subiram para 61,1% no primeiro trimestre de 1996.

Por outro lado, no ano passado, a República Federativa do Brasil, depois de quinze anos, voltou a captar recursos diretamente no mercado financeiro mundial em duas operações muito bem sucedidas. A primeira, em maio, com o lançamento de bônus em ienes de dois anos de prazo, captou 80 bilhões de ienes, tendo sido considerada por observadores especializados internacionais a mais exitosa operação do gênero por parte de um "país emergente" em 1995. A segunda - efetuada em junho - captou um bilhão de marcos, com o lançamento de bônus de três anos de prazo. O Senado Federal autorizou, em novembro de 1995, o Tesouro Nacional a fazer, no exterior, novas emissões de bônus de até o total de US$ 5 bilhões de papéis da República Federativa do Brasil, com vistas à substituição de dívida mobiliária interna por dívida externa, a menores custos e maiores prazos. Em 1996, houve já três lançamentos de bônus oficiais no exterior: em março, 30 bilhões de ienes (cinco anos de prazo); em abril, 12 bilhões de escudos portugueses (três anos); e, recentemente, em maio, 100 milhões de libras esterlinas (três anos).

Tais captações e o recente acordo firmado com a família Dart e o Banco do Brasil sinalizam a abertura de novos espaços para o País no sistema financeiro internacional e a virada, em definitivo, da página da questão da nossa dívida externa. É sintomático que, desde março último, títulos da dívida externa brasileira passaram a ser negociados em contratos futuros e de opções na Bolsa de Mercadorias de Chicago.

Em 1995, houve déficits de US$ 3,2 bilhões na balança comercial e de US$ 17,8 bilhões em conta corrente. O ingresso líquido de capitais foi suficiente para financiar o déficit em conta corrente e, ainda, para propiciar acumulação muito significativa de reservas cambiais.

Em 1996, deverá haver um relativo equilíbrio na balança comercial e um déficit em conta corrente bem menor do que o verificado em 1995, o que permite prever para o corrente ano uma posição confortável em matéria de balanço de pagamentos.

Ao Governo brasileiro interessa estimular, ainda mais, o ingresso de capital estrangeiro de médio e longo prazos. Para tanto, são essenciais a existência de um quadro macroeconômico positivo, com inflação baixa e crescimento em nível que se possa sustentar ao longo do tempo, e a continuidade das expectativas favoráveis no plano internacional em relação às perspectivas de consolidação do Plano Real.

 
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