Desempenho dos índices de preços
Nos últimos seis meses, a nossa taxa média mensal de inflação -
medida pelos quatro índices de preços mais utilizados - oscilou entre um mínimo
de 0,3% e um máximo de 1,7% ao mês. A média mensal foi de 1,5% para o ano
de 1995 como um todo, tendo ficado em 1,04% no primeiro semestre de 1996.
Índices de Preços (%)

Fonte:SPE
* Média Anualizada
Levando-se em conta as séries históricas para o IGP-DI, a inflação
acumulada de 1995 (14,8%) foi a mais baixa desde 1957. O IPC-Fipe não
exibia inflação tão baixa quanto os 23,2% verificados no ano passado,
desde 1973. O INPC, calculado desde 1979, nunca registrou uma inflação
acumulada anual tão reduzida quanto os 22,0% de 1995. O mesmo se pode dizer
em relação aos 15,2% do IGP-M, índice introduzido em 1989.
Inflação acumulada e média atualizada (%)

A inflação de 1995 foi, assim, a mais baixa desde o final dos anos 50,
de acordo com o IGP-DI - que atribui maior peso aos preços no atacado -, ou
desde o início dos anos 70, conforme o índice de preços ao consumidor
calculado pelo IPC-Fipe.
No primeiro semestre de 1996, a inflação média acumulada foi de 6,45%.
O IGP-DI (6,53%) e o IPC-Fipe (7%) registraram suas taxas mais baixas para o
período desde 1955 e 1950, respectivamente. O IGP-M (6,13%) e o INPC
(6,14%) - de criação mais recente - nunca acusaram taxas tão reduzidas de
inflação acumulada nos primeiros seis meses do ano.
A questão relevante que se coloca para o Governo e para os mercados -
que operam sempre olhando para frente - diz respeito à tendência futura da
inflação.
A inflação apresentou uma nítida tendência de queda nos três últimos
semestres, que deverá manter-se doravante. No segundo semestre de 1994, a
inflação acumulada, considerando-se os quatro índices mais conhecidos,
foi de 17,9%, com uma média mensal de 2,8%. Nos primeiros seis meses de
1995, caiu para 10,5%, com uma média mensal de 1,7 %. No segundo semestre,
atingiu 7,5%, com uma média mensal de 1,2%. No primeiro semestre de 1996, a
inflação média acumulada foi de 6,45% e a mensal de 1,04%.

Verifica-se, atualmente, virtual ausência de grandes desequilíbrios na
estrutura de preços relativos. O aluguel residencial e os serviços, que
vinham apresentando até há pouco tempo variação muito superior aos
demais componentes dos índices, começaram a convergir gradualmente para a
média da inflação mensal. Para os próximos meses, a média dos quatro
principais índices de preços continuará sob controle.
A desindexação gradual da economia vem desvinculando, em grande parte,
a inflação futura da passada. Importantes medidas nesse sentido têm sido
implementadas no campo dos preços públicos, taxa de câmbio, taxa de juros
e salários. Outros fatores, como o sazonal e eventuais correções de preços
públicos, começaram a desempenhar papel preponderante, fazendo com que a
inflação possa oscilar de um mês para outro.
Em suma, a tendência é que a inflação, conquanto possa oscilar, se
mantenha baixa e tenda gradualmente a convergir para níveis mais reduzidos.
É sintomático que os índices de inflação acumulada nos últimos doze
meses - tal como o IGP-DI, por exemplo - venham diminuindo mensalmente, de
forma constante, desde a implantação do Plano Real. O IGP-DI acumulado nos
últimos doze meses até junho/96 foi de 11,14%.

Em 1995, a inflação média dos quatro índices mais utilizados foi de
18,8%, devendo ser, em 1996, segundo todos os analistas independentes, ainda
menor do que a verificada no ano passado, situando-se em torno de 13%. Com
efeito, a inflação anualizada com base na média acumulada no primeiro
semestre do corrente ano ficou em 13,32%. A expectativa é que a tendência
declinante seja mantida em 1997 e 1998.
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