Plano Real

Balanço dos 26 meses do Real


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Introdução

O Plano Real, lançado no dia primeiro de julho de 1994, entrou, em primeiro de agosto, no seu vigésimo sexto mês de existência, vinte dos quais durante o Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Trata-se do plano de estabilização mais bem sucedido já implementado no Brasil. As tentativas anteriores tiveram poucos meses de duração, sequer conseguindo chegar ao primeiro aniversário. Há cerca de 35 anos não se registravam taxas tão reduzidas de inflação como as verificadas atualmente no País.

Inflação (%)

A continuidade da trajetória declinante da taxa de inflação, ainda que de forma gradual, constitui um dos objetivos fundamentais do Governo Fernando Henrique Cardoso. Não é o único, porque não se esgota em si mesmo; apresenta-se como uma condição necessária, embora não suficiente, para que os outros objetivos da atual Administração possam ser alcançados. Vale lembrá-los.

Um segundo objetivo é a preservação de um crescimento sustentado ao longo do tempo do produto, do investimento, do emprego e da produtividade média da economia. O Governo, por si só, não gera este crescimento mas pode e deve contribuir para a criação das condições que permitam sua ocorrência. O Governo não está interessado em uma bolha de crescimento que não se sustente. Deseja, antes, assegurar um crescimento continuado no decorrer dos anos. Isto definitivamente não ocorreu no período 1981-1992, marcado por nada menos que sete anos de queda do produto "per capita" e por uma inflação que passou de menos de 100% para mais de 1.000% ao ano. No triênio 1993-1995, o crescimento médio foi superior a 4,7% ao ano com uma inflação pós-Real que o País não experimentava há décadas.

Um terceiro objetivo - que é, aliás, o mais relevante entre todos os demais da atual Administração - consiste em lograr alcançar, de forma eficaz, madura e responsável, aquilo que efetivamente importa: a redução significativa e continuada de nossas enormes mazelas, injustiças e desequilíbrios sociais. Para tanto, contudo, são condições necessárias, ainda que não suficientes, a consolidação dos ganhos obtidos até o momento no que diz respeito à inflação, bem como o empenho na criação dos meios que possibilitem taxas mais altas de crescimento em bases sustentadas.

Este é, na verdade, o grande desafio: fazer do Brasil um país mais justo do ponto de vista social. Isto não é uma responsabilidade apenas do Governo Federal nem apenas da atual Administração. Enfrentar este desafio é uma responsabilidade do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, dos Governos Estaduais e Municipais, dos partidos políticos e da sociedade brasileira, e das próximas Administrações.

O atual Governo, contudo, está convicto de que caminhar decisivamente e de maneira eficaz nesta direção requer a modernização do Estado, a reforma da Administração Pública, a consolidação fiscal e o uso mais eficiente de recursos públicos na área social.

 
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