Desempenho social
A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE
(PME) estima que, em seis
regiões metropolitanas, o número de pessoas ocupadas em dezembro
de 1995 tenha aumentado 0,3% (+ 52 mil postos de trabalho), em relação
a novembro último; 2,0% (+ 316 mil postos de trabalho),
relativamente a dezembro de 1994; e 6,3% (+ 958 mil postos de
trabalho) desde a implantação do Plano Real, ou seja, em comparação
com junho de 1994.
De acordo com as estimativas da PME, o rendimento médio real das
pessoas ocupadas, em dezembro de 1995, cresceu 5,2%, em relação a
novembro daquele ano; 12,3%, relativamente a dezembro de 1994; e
29,8%, em comparação com o mês base da pesquisa (julho de 1994).
O rendimento médio dos empregados com carteira de trabalho assinada
aumentou 7,9%, 11,1% e 24,5%, nesses respectivos períodos. O dos
empregados sem carteira, por sua vez, teve incremento de 0,7%, 7,8%
e 35,4%.
A PME acusou, em janeiro de 1996 sobre dezembro do ano passado,
diminuição de 1,1% (- 181 mil postos de trabalho) no número de
pessoas ocupadas; e um aumento de 1,8% (+ 286 mil postos de
trabalho), relativamente a janeiro de 1995. Em fevereiro do corrente
ano, a estimativa da PME é que tenha havido, sobre janeiro último,
uma redução de 0,8% (- 125 mil postos de trabalho) no número de
pessoas ocupadas; e uma elevação de 0,8% (+ 119 mil postos de
trabalho), em comparação com fevereiro de 1995. Em março, teria
havido um incremento de 0,8% (+ 126 mil postos de trabalho) sobre o
mês anterior; de 1,2% (+ 189 mil postos de trabalho) em relação a
março do ano passado. A estimativa da PME é que, em abril, tenha
ocorrido um aumento de 0,8% (+ 133 mil postos de trabalho)
relativamente ao mês anterior; de 1,6% (+ 249 mil postos de
trabalho) sobre abril do ano passado; e de 4,9% (+ 758 mil postos de
trabalho) desde a implantação do Plano Real, ou seja, em comparação
com junho de 1994.
Ainda de acordo com as estimativas da
PME, o rendimento médio
real das pessoas ocupadas, em março de 1996, diminuiu 0,4% sobre
fevereiro último; 8,5% relativamente a março de 1994; e 23,7% em
comparação com o mês base da pesquisa (julho de 1994). O
rendimento médio dos empregados com carteira de trabalho assinada
apresentou as seguintes variações: -1,0%, +9,0% e +14,5%, nesses
respectivos períodos. O dos empregados sem carteira, por sua vez,
experimentou as seguintes variações: -1,9%, +8,8% e +29,6%. Ou
seja, desde a implantação do Plano Real, o rendimento médio dos
empregados com e o dos sem carteira de trabalho assinada tiveram
incremento real de 14,5% e 29,6%, respectivamente.
A taxa média anual de desemprego, calculada pelo IBGE com base
na PME, vem seguindo uma trajetória de queda, estimando-se que
teria passado de 5,3% em 1993 e 5,1% em 1994 para 4,7% em 1995. A
comparação com o triênio anterior (4,3% em 1990; 4,8% em 1991 e
5,8% em 1992) está visível no quadro abaixo.

As estimativas do IBGE acima mencionadas, relativas a emprego e
rendimento, seguem a metodologia determinada pela Organização
Internacional do Trabalho.
Nos primeiros meses de 1996, está havendo um aumento na taxa de
desemprego calculada pela PME que resulta não da diminuição do número
de postos de trabalho - que, ao contrário, vem experimentando elevação
- mas do crescimento da população economicamente ativa, ou seja,
do ingresso de novas pessoas no mercado de trabalho. No início de
cada ano, isto tende a ocorrer em razão da chegada dos recém-formados
ao mercado, evidenciando a presença de fator sazonal.
Cumpre sublinhar que está ocorrendo uma transferência de
emprego da grande indústria para os setores de serviços e de comércio.
Trata-se de tendência que teve início, na verdade, nos anos 80.
Análises recentes sobre o comportamento do nível de emprego têm
utilizado a evolução do emprego industrial paulista calculado pela
Fiesp e extrapolam para a situação do emprego como um todo no
Brasil, traçando um quadro pouco animador.
O indicador de emprego industrial da Fiesp cumpre papel
importante mas muito específico: mostrar o desempenho do emprego
formal na indústria na Grande São Paulo (que tem evolução
semelhante ao do Estado de São Paulo como um todo). Não é correto
avaliar o comportamento do emprego no conjunto do setor industrial e
na economia brasileira a partir de indicador relativo ao emprego
formal no setor industrial de uma única região.
Emprego
industrial em São Paulo
O indicador de emprego da Fiesp resulta não apenas de fatores
conjunturais, como também de estruturais, que precisam ser realçados
e que, por vezes, não são mencionados: ganhos de produtividade
derivados de inovações tecnológicas, realocação geográfica da
indústria, informalização e terceirização. Tal indicador,
ademais, capta apenas o comportamento do emprego formal,
considerando a terceirização e a informalização como queda do
emprego.
As pesquisas do IBGE e da Seade/Dieese, por sua vez, por serem
domiciliares, registram tanto o emprego formal quanto o informal na
indústria e refletem a presença daqueles dois fatores de forma
distinta, apresentando um quadro mais alentador sobre o emprego.
Em suma, a questão do emprego no Brasil é de tal forma complexa
que não pode ser explicada a partir da observação de um indicador
de uma região metropolitana que capta tão somente um segmento
específico do mercado de trabalho.
As classes de renda mais baixa foram beneficiadas pelo incremento
real expressivo nos salários em geral e, em particular, pela elevação
de 73% no valor do salário mínimo (que passou de R$ 64,79 em julho
de 1994 para R$ 112,00 em maio do corrente ano), bem como pelo muito
reduzido crescimento do valor da cesta básica desde o lançamento
do Plano Real. O valor da cesta, de acordo como o Procon/Dieese,
teve pequena variação. Era, em primeiro de julho de 1994, de R$
106,95, sendo que, em primeiro de maio de 1996, se situava em R$
109,95 A combinação desses fatores redundou em expressivo aumento
do poder aquisitivo dos trabalhadores de menor renda, especialmente
sobre os produtos da cesta básica.
Valor da
cesta básica
A inflação baixa tem profundo sentido social, trazendo um
substancial ganho para o trabalhador em termos não só de oferta de
emprego como também de poder aquisitivo, notadamente ao retirar o
peso do imposto inflacionário dos ombros daqueles que menos têm
condições de dele se defender. O Plano Real já acarretou
significativa redistribuição de renda em favor dos segmentos menos
favorecidos da população, revertendo uma tendência de deterioração
no seu padrão de vida decorrente das altas taxas inflacionárias e
da estagnação econômica.
Existe uma correlação entre inflação baixa e crescimento
econômico,
de um lado, e melhor distribuição de renda e redução da pobreza,
de outro.
Segundo estudo recente do Ipea - elaborado com base em informações
da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE e da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD) -, o lançamento do Plano Real, ao
reduzir drasticamente a inflação, acarretou uma mudança radical
no quadro de crescente desigualdade social e de constante diminuição
no bem-estar da população. O Real possibilitou não somente a
manutenção do crescimento da renda "per capita"
observado em 1993, como também a realização de forte redistribuição
de renda de 1994 a 1995, em favor das classes menos favorecidas: os
50% mais pobres ganharam 1,2 ponto percentual, ao passo que os 20%
mais ricos perderam 2,3 pontos percentuais de sua participação na
renda nacional.
Desigualdade social no Brasil (1960-1995)
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD) abrange o
País em seu conjunto e contempla toda forma de rendimento - mostra
também significativa concentração de renda no período pré-Real.
Em 1993, os 10% das pessoas mais ricas ficaram com quase 50% (49,8%)
do total da renda nacional contra 46,1% em 1992 e 48,1% em 1983,
tendo um ganho de 3,7 e 1,7 pontos percentuais, respectivamente. Os
10% mais pobres, em 1993, ficaram com 0,7% do total contra 0,9% em
1983, tendo perda de 0,2 ponto percentual.
Quanto à situação da classe média, é preciso ter em mente
que, em todo processo de estabilização, os preços dos produtos
afetados pela concorrência internacional (os chamados bens
comercializáveis) convergem rapidamente para patamares reduzidos de
inflação. Este, contudo, não é caso dos preços dos serviços
(como aluguéis, mensalidades escolares, etc), que têm maior incidência
no orçamento familiar da classe média. Diferentemente, os
segmentos mais pobres da população gastam a maior parte de sua
renda em alimentação. A classe média pode, assim, num primeiro
momento, sentir-se penalizada. Este sentimento é, porém,
passageiro, já que, com o passar do tempo, os preços dos serviços
começam também a convergir para os níveis mais reduzidos de inflação.
Essa defasagem ocorreu quando da implementação de planos de
estabilização em outro países - como em Israel, Chile e Argentina
- e não deixaria de acontecer no Brasil, onde os preços dos serviços,
igualmente, já começaram a convergir para os patamares mais baixos
de inflação.
A estabilidade de preços não é um objetivo em si mesmo, mas
visa a permitir que o Brasil venha a ter condições efetivas para
um crescimento econômico sustentado e para tratar de forma
permanente, madura e responsável aquilo que realmente importa e que
vai definir o que seremos ou não a longo prazo como nação e como
sociedade, qual seja: a diminuição significativa dos nossos
enormes problemas sociais.
A estabilidade e o crescimento sustentado são contribuições
que o Governo pode dar para a melhora da situação social. Na
verdade, como já foi dito na introdução a este documento, são
condições necessárias - ainda que não suficientes - para
programas públicos eficazes na área social. Entre estes, cabe
ressaltar o recente lançamento de um programa de R$ 6 bilhões que
deverá criar no decorrer dos próximos três anos pelo menos três
milhões de empregos. Os recursos serão destinados aos setores mais
afetados pelo desemprego, como os setores bancário, têxtil e
calçadista,
bem como a setores intensivos em mão-de-obra, como turismo e
construção civil. Este programa permitirá também a finalização
de obras públicas inacabadas.
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