Plano Real

Desempenho fiscal

A queda abrupta da inflação acarretada pelo Plano Real provocou incremento na arrecadação. A receita líquida do Governo Federal (Tesouro, Previdência e Banco Central), a preços de dezembro de 1995, aumentou 29,6% em 1994, em termos reais, trazendo a arrecadação para o valor de R$ 92,5 bilhões. Em 1993, esta receita foi de R$ 71,4 bilhões.

Resultado Primário do Governo Federal
(Conceito de Liberação)


O Governo Federal acusou, em 1994, superávit primário de US$ 12,7 bilhões, a preços de dezembro de 1995. Isto correspondeu a incremento de 67,9%, em relação ao resultado de 1993. A nível das necessidades de financiamento do setor público, que mede o desempenho pelo lado da variação da dívida junto ao mercado financeiro, houve melhora substancial no resultado de 1994, quando comparado com os três anos anteriores. O Governo Federal foi o que mais contribuiu para esse desempenho positivo, alcançando superávit operacional de 1,25% do PIB.

Em 1995, o desempenho da arrecadação continuou melhorando. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a receita líquida total totalizou R$ 106,2 bilhões, a preços de dezembro, experimentando elevação de 14,7%, em relação ao mesmo período de 1994, sendo que as receitas do Tesouro cresceram 15,0% e as da Previdência 24,4%.

Três fatores contribuíram, especialmente, para o melhor desempenho da receita líquida do Governo Federal: a queda da inflação (que possibilitou a manutenção do valor real da base de cálculo dos impostos e contribuições), o crescimento econômico e a maior eficiência no sistema de arrecadação, inclusive no que diz respeito ao combate à sonegação.

No ano de 1995, o Governo Federal apresentou, a preços de dezembro, superávit primário de R$ 5,3 bilhões, montante 58,3% inferior ao verificado em 1994. Em contrapartida ao incremento de receita, as despesas do Governo Federal, a preços de dezembro último, aumentaram 25,0% em 1995, em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo R$ 102,1 bilhões. Isto decorreu sobretudo da elevação dos gastos com pessoal e encargos sociais e com benefícios previdenciários. As demais despesas correntes e de capital - em que o Governo Federal detém maior poder de controle nas liberações - tiveram crescimento real inferior ao da variação da receita, o que traduz o esforço que a União vem desenvolvendo para a consecução do almejado equilíbrio das contas públicas.

 

tabela

 

Em 1995, a execução orçamentária do setor público consolidado (Governo Federal, Governos Estadual e Municipal, Previdência Social e Empresas Estatais) gerou superávit primário de 0,41% do PIB, graças ao Governo Federal que obteve superávit de 0,63%. Os Estados e Municípios e as empresas estatais, por sua vez, apresentaram déficit de 0,18% e 0,04%, respectivamente. Segundo o conceito operacional, que considera as despesas líquidas com juros, o setor público consolidado gerou déficit de 5,01%. Para o resultado operacional negativo, em 1995, contribuiu, principalmente, o déficit de 2,45% dos Estados e Municípios. O Governo Federal e as empresas estatais registraram déficits operacionais menores: 1,68% e 0,88%, respectivamente.


Necessidades de Financiamento do Setor Público
(conceito abaixo da linha)

tabela

 

Com a forte redução da inflação, analistas econômicos propõem que sejam retomados os resultados nominais como referência para a análise do desempenho do Setor Público. Sugestões nesse sentido são compreensíveis, não podendo, aliás, deixar de ser interpretadas como mais uma conseqüência do êxito do Plano Real. O Governo, além de utilizar os desempenhos primário e operacional, está passando a trabalhar também com os resultados nominais. Em 1995, as necessidades de financiamento do setor público acumularam, segundo estimativas preliminares, déficit nominal de 7,42% do PIB.

Nos dois primeiros meses de 1996, o setor público consolidado teve um déficit primário equivalente a 0,68% do PIB, de acordo com o conceito de necessidades de financiamento. As empresas estatais apresentaram superávit de 0,64%, ao passo que o Governo Federal e os Estados e Municípios incorreram em déficits de 0,75% e 0,57%, respectivamente. O setor público consolidado teve um déficit de 5,41% e 7,97% em termos operacionais e nominais, respectivamente.

Espera-se um melhor desempenho fiscal do setor público consolidado em 1996. Um total de 17 Estados já se inscreveu no Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal dos Estados, lançado pelo Governo Federal. O êxito desta iniciativa significará o início de um novo padrão de relacionamento no plano fiscal entre os Governos Federal e os Estaduais. Estes últimos deverão dar uma contribuição significativa para a melhor performance fiscal do setor público como um todo no corrente ano. O Governo Federal terá também uma performance fiscal consideravelmente melhor em 1996, em virtude, entre outros fatores, da aceleração da atividade econômica e da queda das taxas de juros.

A dívida líquida do setor público (interna e externa), em fevereiro de 1996, alcançou R$ 220,1 bilhões, equivalentes a 32,9% do PIB. Este endividamento, por esfera de governo, tem a seguinte distribuição, em relação ao PIB: Governo Federal 14,5%; Estados e Municípios 11,4% e empresas estatais 7,0%. O endividamento do setor público como proporção do PIB é relativamente reduzido e plenamente compatível com a dimensão da economia brasileira.

O Plano Real abriu o caminho para a estabilidade. Esta, no entanto, só se consolidará se formos capazes de reduzir de forma significativa e continuada o expressivo desequilíbrio fiscal do setor público como um todo. Isto significa basicamente agir sobre os gastos do Governo Federal, dos Governos Estaduais e Municipais, da Previdência e das Estatais Federais e Estaduais (além de aumentar a eficiência das respectivas máquinas arrecadadoras). É fundamental que os resultados fiscais consolidados melhorem crescentemente ao longo de 1996, 1997 e 1998.

 
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