Desempenho da
atividade econômica
A economia brasileira cresceu 4,2% em 1993,
5,8% em 1994 e 4,2% em 1995 , segundo o IBGE, e deverá crescer cerca de
3,5% em 1996 e mais de 4,5% em 1997 e 1998. O Brasil deverá, assim,
experimentar seis anos consecutivos de crescimento do PIB e do produto
"per capita" ", sinalizando claramente o término de um período
de estagnação e empobrecimento.
A taxa média de expansão do PIB foi de 4,7%
no triênio 1993-1995, contrastando com os - 1,6% do triênio anterior
(1990-1992) e sendo significativamente superior aos 2% dos dez anos prévios
(1983-1992) e aos 3% dos anos 80. De 1980 a 1992, o Brasil passou por sete
anos de queda no produto "per capita" (1981, 1982, 1983, 1988,
1990, 1991 e 1992).

Taxas de crescimento muito superiores à média
anual do último triênio (4,7%) exigiriam nível mais elevado de poupança
interna (pública e privada) do que o verificado atualmente. Para tanto, a
maior contribuição que o Governo poderá dar é a redução do déficit público.
Os chamados tigres asiáticos e a China, que vêm crescendo 7% ou mais ao
ano, têm taxas de poupança da ordem de 30 a 35% do PIB, enquanto a
brasileira é da ordem de 17% atualmente, já tendo sido de 24% no final dos
anos 60 e início dos anos 70, quando a nossa economia vinha crescendo a
taxas superiores às atuais.
Cabe ressaltar que, de acordo com o IBGE, em
1995, quando a economia brasileira cresceu 4,2%, todos os setores
apresentaram expansão: o agropecuário 5,9%, o de serviços 5,7% e o
industrial 2%.
Taxa de Variação
Real do PIB Total
4º trimestre de 1994 ao 4º trimestre de 1995 (%)
A economia experimentou uma desaceleração
no ritmo de crescimento no decorrer do ano passado. O Ipea previu queda de
1,9% e 1,7 % no PIB para os primeiros trimestre e semestre de 1996. A base
de comparação é, entretanto, o mesmo período do ano passado, quando a
economia estava claramente superaquecida. Em 1996, o comportamento do PIB
será o inverso do verificado em 1995. Ou seja, a taxa de expansão aumentará
ao longo de 1996, principalmente no segundo semestre.

A partir de meados de 1995, começaram a
surgir sinais claros de diminuição no ritmo de crescimento da economia. As
medidas monetárias e creditícias - que vinham até então sedo tomadas
para reduzir o superaquecimento, com todo o cuidado para não provocar uma
recessão - passaram a ser revertidas, ainda que de forma gradual e
cautelosa. Desde agosto/setembro de 1995, a história das decisões do
Governo nesta área é a crônica de uma flexibilização pré-anunciada. Os
juros baixaram e continuarão baixando, paulatinamente. A velocidade e o
momento desse relaxamento dependem, em larga medida, de progressos no campo
fiscal e da reforma do Estado, mas a trajetória no sentido da flexibilização
é clara.
Taxa de
Juros Básicas
A taxa básica nominal efetiva de juros da
economia (Selic) - que, aliás, é a relevante para a avaliação do custo
do serviço da dívida pública interna - situava-se no pico extremamente
elevado de 4,26% ao mês, em março de 1995, diminuiu para 2,02% ao mês, em
abril de 1996, mais de 2 pontos percentuais. Houve, portanto, nesse período,
uma queda nominal de mais de 50%.
As taxas para tomadores de empréstimos vêm
também caindo e continuarão com essa tendência, em razão, em boa parte,
da significativa redução e, em alguns casos, até mesmo a eliminação,
dos compulsórios. Como de nenhuma forma haverá tabelamento de juros, a
queda das taxas dependerá da redução da inadimplência e da carga fiscal
- que já vêm ocorrendo - e de uma atitude menos conservadora por parte dos
bancos na concessão de crédito ou na exigência de menor prêmio de risco.
O Governo, em suma, tem como objetivo que a
economia brasileira cresça em ritmo que se possa sustentar ao longo do
tempo e não esvaia numa bolha de crescimento excessivo e incompatível com
o nível de poupança interna, que acabaria acarretando uma crise de balanço
de pagamentos e o retorno da espiral inflacionária.
Desempenho social
A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME)
estima que, em seis regiões metropolitanas, o número de pessoas ocupadas
em dezembro de 1995 tenha aumentado 0,3% (+ 41 mil postos de trabalho), em
relação a novembro último; 1,9% (+ 306 mil postos de trabalho),
relativamente a dezembro de 1994; e 5,6% (+ 856 mil postos de trabalho)
desde a implantação do Plano Real, ou seja, em comparação com junho de
1994.
De acordo com as estimativas de PME, o
rendimento médio real das pessoas ocupadas, em dezembro de 1995, cresceu
5,2%, em relação a novembro daquele ano; 12,2%, relativamente a dezembro
de 1994; e 29,7%, em comparação com o mês base da pesquisa (julho de
1994). O rendimento médio dos empregados com carteira de trabalho assinada
aumentou: 7,9%, 11,1% e 24,4%, nesses respectivos períodos. O dos
empregados sem carteira, por sua vez, teve incremento de: 0,7%, 7,8% e
35,4%.
A PME acusou, em janeiro de 1996 sobre
dezembro do ano passado, diminuição de 1,1% (-180 mil postos de trabalho)
no número de pessoas ocupadas; e um aumento de 1,7% (+270 mil postos de
trabalho) , relativamente a janeiro de 1995. Em fevereiro do corrente ano, a
estimativa da PME é que tenha havido, sobre janeiro último, uma redução
de -0,8% (-125 mil postos de trabalho) no número de pessoas ocupadas; uma
elevação de 0,7% (+110 mil postos de trabalho), em comparação com
fevereiro de 1995; e um aumento de 3,6%, em relação a junho de 1994, ou
seja, desde a implantação do Plano Real.
Ainda de acordo com as estimativas da PME, o
rendimento médio real das pessoas ocupadas, em janeiro de 1996, diminuiu
-5,4%, sobre dezembro do ano passado; 12,3%, relativamente a janeiro de
1994; e 22,7%, em comparação com o mês base da pesquisa (julho de 1994).
O rendimento médio dos empregados com carteira de trabalho assinada
apresentou as seguintes variações: -8,7%, 12,5% e 13,6%, nesses
respectivos períodos. O dos empregados sem carteira, por sua vez,
experimentou as seguintes variações: -3,4%, 13,7% e 30,1%.
Nos primeiros meses de cada ano, os
resultados da PME são influenciados negativamente por fatores sazonais.
Cabe ressaltar, nesse contexto, que as estimativas de janeiro e fevereiro de
1996, em comparação com as dos mesmos meses do ano passado, apresentam
melhora no que se refere tanto à criação de postos de trabalho quanto ao
comportamento do rendimento médio real das pessoas ocupadas.
A taxa de desemprego, segundo o IBGE, vem
seguindo uma trajetória de queda nos últimos anos, estimando-se que teria
passado de 5,3% em 1993 e 5,1% em 1994 para 4,7% em 1995. A comparação com
o triênio anterior (4,3% em 1990; 4,8% em 1991 e 5,8% em 1992) está visível
no quadro abaixo.

As estimativas do IBGE acima mencionadas,
relativas a emprego e rendimento, seguem a metodologia determinada pela
Organização Internacional do Trabalho, servindo, portanto, de base para
comparações em nível mundial.
Taxa de
Desemprego comparativa
Cumpre sublinhar que está ocorrendo uma
transferência de emprego da grande indústria para os setores de serviços
e de comércio. Trata-se de tendência que teve início, na verdade, nos
anos 80.
Análises recentes sobre o comportamento do nível
de emprego têm utilizado a evolução do emprego industrial paulista
calculado pela Fiesp e extrapolam para a situação do emprego como um todo
no Brasil, traçando um quadro pouco animador.
O indicador de emprego industrial da Fiesp
cumpre papel importante mas muito específico: mostrar o desempenho do
emprego formal na indústria na Grande São Paulo (que tem evolução
semelhante ao do Estado de São Paulo como um todo). Não é correto avaliar
o comportamento do emprego no conjunto do setor industrial e na economia
brasileira a partir de indicador relativo ao emprego formal no setor
industrial de uma única região.

O indicador de emprego da Fiesp resulta não
apenas de fatores conjunturais, como também de estruturais, que precisam
ser realçados e que, por vezes, não são mencionados: ganhos de
produtividade derivados de inovações tecnológicas, realocação geográfica
da indústria, informalização e terceirização. Tal indicador, ademais,
capta apenas o comportamento do emprego formal, considerando a terceirização
e a informalização como queda do emprego.
As pesquisas do IBGE e da Seade/Dieese, por
sua vez, por serem domiciliares, registram tanto o emprego formal quanto o
informal na indústria e refletem a presença daqueles dois fatores de forma
distinta, apresentando um quadro mais alentador sobre o emprego.
Em suma, a questão do emprego no Brasil é
de tal forma complexa que não pode ser explicada a partir da observação
de um indicador de uma região metropolitana que capta tão somente um
segmento específico do mercado de trabalho.
As classes de renda mais baixa foram
beneficiadas pelo incremento real expressivo nos salários em geral e, em
particular, pela elevação de 73% no valor do salário mínimo (que passou
de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 112,00 em maio do corrente ano), bem
como pelo muito reduzido crescimento do valor da cesta básica desde a o lançamento
do Plano Real. O valor da cesta, de acordo como o Procon/Dieese, teve, por
sua vez, pequena variação. Era, em primeiro de julho de 1994, de R$
106,95, sendo que, em primeiro de maio de 1996, se situava em R$ 109,95 A
combinação desses fatores redundou em expressivo aumento do poder
aquisitivo dos trabalhadores de menor renda, especialmente sobre os produtos
da cesta básica.
Valor da
Cesta Básica
A inflação baixa tem profundo sentido
social, trazendo um substancial ganho para o trabalhador em termos não só
de oferta de emprego como também de poder aquisitivo, notadamente ao
retirar o peso do imposto inflacionário dos ombros daqueles que menos têm
condições de dele se defender. O Plano Real já acarretou significativa
redistribuição de renda em favor das segmentos menos favorecidos da população,
revertendo uma tendência de deterioração no seu padrão de vida
decorrente das altas taxas inflacionárias e da estagnação econômica.
Existe uma correlação entre inflação
baixa e crescimento econômico, de um lado, e melhor distribuição de renda
e redução da pobreza, de outro.
Segundo estudo recente do Ipea (elaborado com
base em informações da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE que pesquisa os
rendimentos familiares do trabalho em seis regiões metropolitanas), o lançamento
do Plano Real, ao reduzir drasticamente a inflação, acarretou uma mudança
radical no quadro de crescente desigualdade social e de constante diminuição
no bem-estar da população. O Real possibilitou não somente a manutenção
do crescimento da renda "per capita" observado nos dois anos, como
também a realização de forte redistribuição de renda de 1994 a 1995, em
favor das classes menos favorecidas: os 50% mais pobres ganharam 1,2 ponto
percentual, ao passo que os 20% mais ricos perderam 2,3 pontos percentuais
de sua participação na renda nacional.
Desigualdade Social no
Brasil (1960-1995)
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD) - que acaba de ser divulgada pelo IBGE, abrange o País em seu
conjunto e contempla toda forma de rendimento - mostra também significativa
concentração de renda. Em 1993, os 10% das pessoas mais ricas ficaram com
quase 50% (49,8%) do total da renda nacional contra 46,1% em 1992 e 48,1% em
1983, tendo um ganho de 3,7 e 1,7 pontos percentuais, respectivamente. Os
10% mais pobres, em 1993, ficaram com 0,7% do total contra 0,9% em 1983,
tendo perda de 0,2 ponto percentual.
Quanto à situação da classe média, é
preciso ter em mente que, em todo processo de estabilização, os preços
dos produtos afetados pela concorrência internacional (os chamados bens
comercializáveis) convergem rapidamente para patamares reduzidos de inflação.
Este, contudo, não é caso dos preços dos serviços (como aluguéis,
mensalidades escolares, etc), que têm maior incidência no orçamento
familiar da classe média. Diferentemente, os segmentos mais pobres da
população gastam a maior parte de sua renda em alimentação. A classe média
pode, assim, num primeiro momento, sentir-se penalizada. Este sentimento é,
porém, passageiro, já que, com o passar do tempo, os preços dos serviços
começam também a convergir para os níveis mais reduzidos de inflação.
Essa defasagem ocorreu quando da implementação de planos de estabilização
em outro países - como em Israel, Chile e Argentina - e não deixaria de
acontecer no Brasil, onde os preços dos serviços, igualmente, já começaram
a convergir para patamares mais baixos de inflação.
A estabilidade de preços não é um objetivo
em si mesmo, mas visa a permitir que o Brasil venha a ter condições
efetivas para um crescimento econômico sustentado e para tratar de forma
permanente, madura e responsável aquilo que realmente importa e que vai
definir o que seremos ou não a longo prazo como nação e como sociedade,
qual seja: a diminuição significativa dos nossos enormes problemas
sociais.
A estabilidade e o crescimento sustentado são
contribuições que o Governo pode dar para a melhora da situação social.
Na verdade como já foi dito na introdução a este documento, são condições
necessárias - ainda que não suficientes - para programas públicos
eficazes na área social. Entre estes, cabe ressaltar o recente lançamento
de um programa de R$ 6 bilhões que deverá criar no decorrer dos próximos
três anos pelo menos três milhões de empregos. Os recursos serão
destinados aos setores mais afetados pelo desemprego, como os setores bancário,
têxtil e calçadista, bem como a setores intensivos em mão-de-obra, como
turismo e construção civil. Este programa permitirá também a finalização
de obras públicas inacabadas.
|