Balanço dos 22
meses do Real
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Introdução
O Plano Real, lançado no dia primeiro de
julho de 1994, entrou, em primeiro de maio, no seu vigésimo terceiro mês
de existência, dezessete dos quais durante o Governo do Presidente Fernando
Henrique Cardoso. Trata-se do plano de estabilização mais exitoso já
implementado no Brasil. As tentativas anteriores tiveram poucos meses de
duração, sequer conseguindo chegar ao primeiro aniversário. Há cerca de
35 anos não se registravam taxas tão reduzidas de inflação como as
verificadas atualmente no País.
A continuidade da trajetória declinante da
taxa de inflação, ainda que de forma gradual, constitui um dos objetivos
fundamentais do Governo Fernando Henrique Cardoso. Não é o único, porque
não é um objetivo que se esgote em si mesmo; apresenta-se, porém, como
uma condição necessária embora não suficiente para que os outros
objetivos da atual Administração possam ser alcançados. Vale lembrá-los.
Um segundo objetivo é a preservação de um
crescimento sustentado ao longo do tempo do produto, do investimento, do
emprego e da produtividade média da economia. O Governo, por si só, não
gera este crescimento mas pode e deve contribuir para a criação das condições
que permitam sua ocorrência. O Governo não está interessado em uma bolha
de crescimento que não se sustente. Deseja é assegurar um crescimento
continuado no decorrer dos anos. Isto definitivamente não ocorreu no período
1981-1992, marcado por nada menos que sete anos de queda do produto
"per capita" e por uma inflação que passou de menos de 100% para
mais de 1.000% ao ano. No triênio 1993-1995, o crescimento médio foi
superior a 4,7% ao ano com uma inflação pós-Real que o País não
experimentava há décadas.
Vale repetir que a consolidação dos ganhos
obtidos até o momento no que diz respeito à inflação, bem como o empenho
na criação das condições que possibilitem taxas mais altas de
crescimento em bases sustentadas, não são definitivamente os únicos
objetivos do Governo Fernando Henrique Cardoso. Ambos são condições
necessárias - ainda que não suficientes - para que o País possa enfrentar
de forma eficaz, madura e responsável aquilo que efetivamente importa que
é a redução significativa e continuada de nossas ainda enormes mazelas ,
injustiças e desequilíbrios sociais.
Este é, na verdade, o grande desafio: fazer
do Brasil um país mais justo do ponto de vista social. Isto não é uma
responsabilidade apenas do Governo Federal nem apenas da atual Administração.
Enfrentar este desafio é uma responsabilidade do Executivo, do Legislativo,
do Judiciário, dos Governos Estaduais e Municipais, dos partidos políticos
e da sociedade brasileira.
O atual Governo, contudo, está convicto de
que caminhar decisivamente e de maneira eficaz nesta direção requer a
modernização do Estado, a reforma da Administração Pública, a consolidação
fiscal e o uso mais eficiente de recursos públicos na área social.
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