Plano Real

Desempenho Fiscal

 

A queda abrupta da inflação acarretada pelo Plano Real provocou incremento na arrecadação. A receita líquida do Governo Federal (Tesouro, Previdência e Banco Central), a preços de dezembro de 1995, aumentou 23,8% em 1994, em termos reais, trazendo a arrecadação para o valor de R$ 97,6 bilhões. Em 1993, esta receita foi de R$ 86,3 bilhões.

 

Resultado Primário do Governo Central
tabela

Obs: (+) = Déficit e (-) = Superávit

 

O Governo Federal acusou, em 1994, superávit primário de US$ 11,1 bilhões, a preços de dezembro de 1995. Isto correspondeu a incremento de mais de 100%, em relação ao resultado de 1993. A nível das necessidades de financiamento do setor público, que mede o déficit pelo lado dos empréstimos tomados no mercado financeiro, houve melhora substancial no resultado de 1994, quando comparado com os três anos anteriores. O Governo Federal foi o que mais contribuiu para esse desempenho positivo, alcançando superávit operacional de 1,5% do PIB.

O desempenho da arrecadação continua melhorando. Entre janeiro e dezembro de 1995, a receita líquida total totalizou R$ 125,4 bilhões, a preços de dezembro, experimentando elevação de 17,4%, em relação ao mesmo período de 1994, sendo que as receitas do Tesouro cresceram 15,0% e as da Previdência 24,4%.

Três fatores contribuíram, especialmente, para o melhor desempenho da receita líquida do Governo Federal: a queda da inflação (que possibilitou a manutenção do valor real da base de cálculo dos impostos e contribuições), o crescimento econômico e a maior eficiência no sistema de arrecadação, inclusive no que diz respeito ao combate à sonegação.

No ano de 1995, o Governo Federal apresentou, a preços de dezembro, superávit primário de R$ 5,3 bilhões, montante 58,3% inferior ao verificado em 1994. Em contrapartida ao incremento de receita, as despesas do Governo Federal, a preços de dezembro, aumentaram 25% em 1995, atingindo R$ 102,1 bilhões, em relação ao mesmo período do ano anterior, em função sobretudo da elevação dos gastos com pessoal e encargos e com benefícios previdenciários, assim como da necessidade de maiores liberações de recursos para a saúde. As demais despesas correntes e de capital - em que o Governo Federal detém maior poder de controle nas liberações - tiveram crescimento real inferior ao da variação da receita, o que traduz o esforço que a União vem desenvolvendo para a consecução do almejado o equilíbrio das contas públicas.

 

tabela

 

Dados preliminares indicam que, em 1995, a dívida líquida do setor público (interna e externa) alcançou R$ 207,5 bilhões, equivalentes a 31,6% do PIB. O endividamento, por esfera de governo, teve a seguinte distribuição, em relação ao PIB: Governo Federal 13,7%; Estados e Municípios 11% e empresas estatais 6,9%. O endividamento do setor público como proporção do PIB é relativamente reduzido e plenamente compatível com a dimensão da economia brasileira.

Em 1995, a execução orçamentária do setor público consolidado gerou superávit primário de 0,45%, graças ao Governo Federal que obteve superávit de 0,63%. Os Estados e Municípios e as empresas estatais, por sua vez, apresentaram déficit de 0,16% e 0,03%, respectivamente. Segundo o conceito operacional, que considera as despesas líquidas com juros, o setor público consolidado gerou déficit de 4,95%. Para o resultado operacional negativo, em 1995, contribuíram principalmente o déficit de 2,43% dos Estados e Municípios. O Governo Federal e as empresas estatais registraram déficit menor: 1,66% e 0,87%, respectivamente.

 

Necessidades de Financiamento do Setor Público
(conceito abaixo da linha)
tabela


Com a forte redução da inflação, alguns analistas econômicos propuseram que sejam retomados os resultados nominais como referência para a análise do desempenho do Setor Público. Sugestões nesse sentido são compreensíveis, não podendo, aliás, deixar de ser interpretadas como mais uma conseqüência do êxito do Plano Real. O Governo, além de utilizar os desempenhos primário e operacional, está passando a trabalhar também com os resultados nominais. Em 1995, as necessidades de financiamento do setor público acumularam, segundo estimativas preliminares, déficit nominal de 7,35% do PIB.

O Governo Federal apresentou, em janeiro de 1996, déficit primário de R$ 421 milhões, no conceito de Necessidades de Financiamento Líquido. Daquele total, a Previdência foi responsável por um déficit primário de R$ 451 milhões, enquanto o Tesouro gerou superávit de R$ 34 milhões.

Para 1996, espera-se um melhor desempenho do setor público consolidado, em virtude da queda das taxas de juros, da execução do Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal dos Estados lançado pelo Governo Federal e do reajuste da tarifas públicas no final do ano passado.

O Plano Real abriu o caminho para a estabilidade. Esta, entretanto, só se consolidará quando se atingir o equilíbrio fiscal: a verdadeira âncora de qualquer plano de estabilização bem sucedido a longo prazo. Para tanto, são essenciais a continuidade da implementação do programa de privatizações e a aprovação das mudanças propostas no processo de revisão constitucional, notadamente no contexto das reformas do sistema tributário, da administração pública e do sistema previdenciário. Enquanto isto não ocorrer, a existência do Fundo de Estabilização Fiscal continuará sendo fundamental.

 

Carga Tributária (% do PIB)
tabela

 

É preciso dotar os Governos Federal, Estadual e Municipal dos instrumentos necessários à consecução do saneamento de suas finanças de forma permanente. O que importa é o orçamento consolidado do setor público. Como há limites claros ao endividamento e ao aumento de receitas e da base de tributação, a solução consiste no controle do volume e do crescimento dos gastos, a par da maximização na eficiência do dispêndio público.

 
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