Plano Real

Desempenho Econômico e Social

 

O Plano Real trouxe, também, uma nova perspectiva para a economia brasileira em termos de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o IBGE, expandiu-se 5,8% em 1994, tendo os setores industrial e agropecuário apresentado crescimento de 6,9% e 8,1%, respectivamente. O setor de serviços cresceu a taxa menor, 4,1%, em função, em boa parte, do desaparecimento do ganho inflacionário que contribuía para o grande movimento de dinheiro no sistema financeiro.

 

Variação Real do PIB em 1994 (%)
tabela


A economia manteve-se em expansão nos primeiros três meses de 1995, contrariando aqueles que, de antemão, qualificavam o plano de estabilização como recessivo. A taxa de crescimento ajustada sazonalmente do primeiro trimestre foi de 10,1% e 3,0%, em relação a igual período e aos últimos três meses de 1994.

Segundo o IBGE, entre julho de 1994 e junho de 1995, ou seja, durante o primeiro ano do Real, o PIB, em termos dessazonalizados, cresceu 7,7%, em relação aos doze meses anteriores. A produção industrial, no mesmo período, cresceu 9,6%. O setor de transformação liderou o crescimento industrial, acumulando expansão de 10,7%. O PIB "per capita" aumentou 6,5%, o maior incremento verificado nos últimos quinze anos.

Dados do comércio no Estado de São Paulo indicam que foi extremamente expressivo o impacto do plano de estabilização sobre o consumo. O crescimento acumulado do faturamento real, de julho de 1994 a junho de 1995, foi de 16,4%.

Ciente da característica expansionista que normalmente acompanha os planos de estabilização, o Governo adotou medidas de controle da demanda já quando do próprio lançamento do Real, em primeiro de julho de 1994. O objetivo era prevenir as pressões de consumo que poderiam acarretar o superaquecimento da economia, com os conseqüentes expectativas de aumento da inflação e de desequilíbrio no balanço de pagamentos.

Logo de início, foram indroduzidos recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista, depósitos a prazo e depósitos de poupança para evitar um crescimento fora de controle da oferta de crédito. Ao longo de todo o segundo semestre de 1994, foram adotadas novas medidas na mesma linha. Nos primeiros meses de 1995, o nível de demanda, contudo, continuou crescendo, o que levou o Governo, visando à consolidação do Real, a tomar medidas adicionais de restrição ao consumo, sempre com o cuidado de não provocar uma recessão.


tabela

 

A partir de meados de 1995, começaram a surgir sinais claros de diminuição no ritmo de crescimento da economia. As medidas restritivas passaram desde então, ainda que de forma gradual e cautelosa, a serem revertidas. A história das decisões do Governo neste área é a de uma flexibilização antecipada. Os juros baixaram e continuarão baixando, paulatinamente. A velocidade e o momento desse relaxamento dependem, em larga medida, de progressos no campo fiscal e da reforma do Estado, mas a trajetória no sentido da flexibilização é clara.

A taxa básica nominal efetiva de juros da economia (Selic), que se situava no pico extremamente elevado de 4,26% ao mês, em março de 1995, diminuiu para cerca de 2,3% ao mês, em fevereiro de 1996. Houve, portanto, nesse período, uma queda nominal de aproximadamente 40%. As taxas para tomadores de empréstimos vêm também caindo e continuarão com essa tendência, em razão, em boa parte, da significativa redução e, em alguns casos, até mesmo a eliminação, dos compulsórios. Como de nenhuma forma haverá tabelamento de juros, a queda das taxas dependerá da redução da inadimplência e da carga fiscal - que já vêm ocorrendo - e de uma atitude menos conservadora por parte dos bancos na concessão de crédito ou na exigência de menor prêmio de risco. Os problemas nessa área estarão sendo resolvidos ao longo de 1996.


tabela

 

Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 4,2% em 1995. Todos os setores apresentaram expansão: o agropecuário 5,9%, o de serviços 5,7% e o industrial 2%.


Taxa de Variação Real do PIB Total

A economia brasileira cresceu 4,2% em 1993, 5,8% em 1994 e 4,2% em 1995 e crescerá cerca de 4% em 1996 e mais ainda em 1997 e 1998. O Brasil deverá, assim, experimentar seis anos consecutivos de crescimento do PIB e do produto "per capita" ", sinalizando claramente o término de um período de estagnação e empobrecimento. A taxa média de expansão do PIB foi de 4,7% no triênio 1993-1995, contrastando com os - 1,6% do triênio anterior (1990-1992) e sendo significativamente superior aos 2% dos dez anos prévios (1983-1992) e aos 3% dos anos 80. De 1980 a 1992, o Brasil passou por sete anos de queda no produto "per capita" (1981, 1982, 1983, 1988, 1990, 1991 e 1992).

 

tabela

 

Os chamados tigres asiáticos e a China, que vêm crescendo 7% ou mais ao ano, têm taxas de poupança superiores a 30-35% do PIB, enquanto a brasileira é da ordem de 17% atualmente, já tendo sido de 24% no final dos anos 60 e início dos anos 70, quando a nossa economia vinha crescendo a taxas superiores às atuais.

O Governo, em suma, tem como objetivo que a economia brasileira cresça em ritmo que se possa sustentar ao longo do tempo. Uma taxa sustentada maior exigiria nível de poupança interna privada e pública como proporção do PIB superior ao existente atualmente. Para tanto, é essencial, entre outros fatores, a diminuição do déficit público.

A Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME) estima que, em seis regiões metropolitanas, o número de pessoas ocupadas em dezembro de 1995 tenha aumentado 0,3% (+ 41 mil postos de trabalho), em relação a novembro último; 1,9% (+ 306 mil postos de trabalho), relativamente a dezembro de 1994; e 5,6% (+ 856 mil postos de trabalho) desde a implantação do Plano Real, ou seja, em comparação com junho de 1994.

Por conta de fatores sazonais vinculados ao período pós-natalino, a PME acusou, em janeiro de 1996 sobre dezembro do ano passado, diminuição de 1,1% (-180 mil postos de trabalho na população economicamente ocupada). Vale ressaltar, nesse contexto, que, relativamente a janeiro de 1995, o crescimento foi de 1,7% (+ 270 mil postos de trabalho).

Ainda de acordo com as estimativas de PME, o rendimento médio real das pessoas ocupadas, em dezembro de 1995, cresceu 5,2%, em relação a novembro daquele ano; 12,2%, relativamente a dezembro de 1994; e 29,7%, em comparação com o mês base da pesquisa (julho de 1994). O rendimento médio dos empregados com carteira de trabalho assinada aumentou: 7,9%, 11,1% e 24,4%, nesses respectivos períodos. O dos empregados sem carteira, por sua vez, teve incremento de: 0,7%, 7,8% e 35,4%.

A taxa de desemprego, segundo o IBGE, vem seguindo uma trajetória de queda nos últimos anos, estimando-se que teria passado de 5,3% em 1993 e 5,1% em 1994 para 4,7% em 1995. O problema do emprego no Brasil está mais relacionado com a qualidade e não com a quantidade.


tabela


As estimativas do IBGE acima mencionadas, relativas a emprego e rendimento, seguem a metodologia determinada pela Organização Internacional do Trabalho, servindo, portanto, de base para comparações em nível mundial.


tabela


Cumpre sublinhar que está ocorrendo uma transferência de emprego da grande indústria para os setores de serviços e de comércio. Trata-se de tendência que teve início, na verdade, nos anos 80.

Análises recentes sobre o comportamento do nível de emprego têm utilizado a evolução do emprego industrial paulista calculado pela Fiesp e extrapolam para a situação do emprego como um todo no Brasil, traçando um quadro pouco animador.

O indicador de emprego industrial da Fiesp cumpre papel importante mas muito específico: mostrar o desempenho do emprego formal na indústria na Grande São Paulo (que tem evolução semelhante ao do Estado de São Paulo como um todo). Não é correto avaliar o comportamento do emprego no conjunto do setor industrial e na economia brasileira a partir de indicador relativo ao emprego formal no setor industrial de uma única região.

 

tabela


O indicador de emprego da Fiesp resulta não apenas de fatores conjunturais, como também de estruturais, que precisam ser realçados e que, por vezes, não são mencionados: ganhos de produtividade derivados de inovações tecnológicas, realocação geográfica da indústria, informalização e terceirização. Tal indicador, ademais, capta apenas o comportamento do emprego formal, considerando a terceirização e a informalização como queda do emprego.

As pesquisas do IBGE e da Seade/Dieese, por sua vez, por serem domiciliares, registram tanto o emprego formal quanto o informal na indústria e refletem a presença daqueles dois fatores de forma distinta, apresentando um quadro mais alentador sobre o emprego.

Em suma, a questão do emprego no Brasil é de tal forma complexa que não pode ser explicada a partir da observação de um indicador regional que capta tão somente um segmento específico do mercado de trabalho.

As classes de renda mais baixa foram beneficiadas pelo incremento real expressivo nos salários em geral e, em particular, pela elevação de 54% no valor do salário mínimo (que passou de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 100,00 em maio do ano passado), bem como pelo muito reduzido crescimento do valor da cesta básica desde a o lançamento do Plano Real. O valor da cesta, de acordo como o Procon/Dieese, era, em primeiro de julho de 1994, de R$ 106,95, sendo que, em primeiro fevereiro de 1996, se situava em R$ 107,29. A combinação desses fatores redundou em expressivo aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores de menor renda, especialmente sobre os produtos da cesta básica.


tabela

 

A inflação baixa tem profundo sentido social, trazendo um substancial ganho para o trabalhador em termos não só de oferta de emprego como também de poder aquisitivo, notadamente ao retirar o peso do imposto inflacionário dos ombros daqueles que menos têm condições de dele se defender. O Plano Real já acarretou significativa redistribuição de renda em favor das segmentos menos favorecidos da população, revertendo uma tendência de deterioração no seu padrão de vida decorrente das altas taxas inflacionárias e da estagnação econômica, nos anos 80 como um todo e no início da presente década. Existe uma correlação entre inflação baixa e crescimento econômico, de um lado, e melhor distribuição de renda e redução da pobreza, de outro.

A estabilidade de preços não é um objetivo em si mesmo, mas visa a permitir que o Brasil venha a ter condições efetivas para um crescimento econômico sustentado e para tratar de forma permanente, madura e responsável aquilo que realmente importa e que vai definir o que seremos ou não a longo prazo como nação e como sociedade, qual seja: a diminuição significativa dos nossos enormes problemas sociais. A estabilidade e o crescimento sustentado são os principais contribuições que o Governo pode dar para a melhora da situação social.

A Administração Fernando Henrique Cardoso de nenhuma forma tem como única meta a curto prazo a preservação da inflação em trajetória de queda gradual, embora esta seja uma condição essencial para a consecução de outros importantes objetivos da agenda do Governo, como a criação das condições para um crescimento alto e sustentado da economia, do investimento e do emprego, e o equacionamento definitivo da nossa grave questão social.

Não é preciso, desejável nem aceitável, esperar a consolidação da estabilidade e a obtenção do crescimento sustentado para traçar e iniciar a implementação de políticas públicas eficazes e não-demagógicas na área social que tenham ênfase no investimento em pessoas, em particular no que diz respeito à educação básica e profissional, à saúde, ao saneamento, ao emprego e à modernização das relações de trabalho.

Não é realista imaginar que, em uma única Administração, seja possível eliminar a fome e a miséria, bem como alterar, de forma radical, a distribuição extremamente desigual da renda e da riqueza no Brasil. Estes problemas, contudo, existem, são da maior gravidade e nos humilham e envergonham. Não se pode perder mais tempo. É fundamental o seu enfrentamento desde já - como o Governo vem fazendo - por meio de programas coerentes e consistentes que obedeçam a uma estratégia de médio e longo prazos.

 
 Pesquisa no sítio:

Serviços

 Carta de Serviços
 Cidadão
 Empresa
 Aduana
 Consulta Processo
 Custo Efetivo Total

Temas de Interesse

 Resultado do Tesouro
 Dívida Pública
 Responsabilidade Fiscal
 Invista no Tesouro Direto

 Concorrência

 Exportações
 Governo
 PNAFM

Invista no Tesouro Direto!





E-CAC: Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte.
Resenha Eletrônica

 

Ministério da Fazenda Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 70048-900 - Brasília - DF - Pabx: (61)412-2000/3000 - Fax: (061)226-9084