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Plano
Real
Desempenho dos Índices de Preços
No dia primeiro de março de 1996, a Unidade Referencial de Valor
(URV), que preparou o
caminho para o lançamento da nova moeda - o Real -, e o plano de estabilização mais
bem-sucedido dentre todos os até aqui implementados no Brasil estarão completando,
respectivamente, dois anos de criação e o vigésimo mês de existência.
Índices de Preços (%)
* Terceira quadrissemana do mês
A inflação encontra-se, atualmente, entre 1 e 1,7% ao mês. Sua média mensal -
medida pelos quatro índices de preços mais utilizados - foi de 1,45% ao longo de 1995;
0,91% em outubro, 1,30% em novembro e 0,96% em dezembro do ano passado; e 1, 70% em
janeiro de 1996.
Inflação
Acumulada e Média Mensal Anualizada (%)
A situação presente contrasta com a de junho de 1994, ou seja, com a do mês que
antecedeu o lançamento do Plano Real. A inflação média acumulada havia alcançado
758,77% no primeiro semestre de 1994, que representa uma inflação média mensal de
47,70%, equivalente a uma taxa anual de 7.274,8%.
Inflação
Média Anual -Tabela
No segundo semestre de 1994, a inflação acumulada, considerando-se os quatro índices
mais conhecidos, foi de 17,90%, com uma média mensal de 2,78%. Deve-se ter em mente, no
entanto, ao analisar a evolução das taxas, que os índices de julho e agosto de 1994
ainda estavam "contaminados" pela inflação do Cruzeiro Real observada nos dois
meses anteriores (maio e junho).
A inflação acumulada em julho e agosto de 1994 foi de 9,05%, com um taxa mensal
média de 4,43 %, não refletindo, porém, com precisão, o que aconteceu com o poder
aquisitivo nos dois meses iniciais do plano. Somente a partir de setembro de 1994 é que
se passou a dispor da primeira inflação "descontaminada" do efeito
estatístico: a taxa acumulada do último quadrimestre de 1994 foi de 8,11%, com uma taxa
média mensal de 1,97%.
Nos primeiros seis meses de 1995, a taxa acumulada média dos quatro índices de
preços caiu para 10,52%, equivalendo a uma inflação média mensal de 1,68 %. No segundo
semestre, a taxa acumulada média atingiu 7,47%, com uma taxa média mensal de 1,21%. A
inflação, dessa forma, conquanto possa ter oscilado mensalmente, apresentou uma nítida
tendência de queda nos três últimos semestres.
Levando-se em conta as séries históricas para o
IGP-DI, a inflação acumulada de
1995 (14,78%) foi a mais baixa em igual período desde 1957. Desde 1973, o IPC-FIPE não
exibia inflação de janeiro a dezembro tão baixa quanto a verificada no corrente ano:
21,70%. Vale ressaltar que o IPC-FIPE de setembro (0,74%) foi, por sua vez, o mais baixo
já registrado desde dezembro de 1972. O INPC, calculado desde 1979, nunca registrou uma
inflação acumulada anual tão reduzida quanto os 21,98% verificados em 1995. O mesmo se
pode dizer em relação aos 15,25% do IGP-M, introduzido em 1989.
A inflação de 1995 foi, assim, a mais baixa desde o final dos anos 50, de acordo com
o IGP-DI - que atribui maior peso aos preços no atacado -, ou desde o início dos anos
70, conforme o índice de preços ao consumidor calculado pelo IPC-FIPE.
A questão relevante que se coloca para o Governo e para os mercados - que operam
sempre olhando para frente - diz respeito à tendência futura da inflação.
Para fevereiro de 1996, o IGP-M de 0,97% e a terceira quadrissemana do IPC-FIPE de
0,38% sinalizam um inflação média mensal bastante abaixo do 1,70% de janeiro. Em
relação ao IGP-M, o comportamento dos preços agrícolas no atacado determinou a
tendência do índice geral; e, quanto ao IPC-FIPE, a queda foi provocada pelos itens
alimentação, tarifas de serviços públicos residenciais e mensalidades escolares,
exatamente aqueles que elevaram excepcionalmente o índice de janeiro.
Verifica-se, atualmente, virtual ausência de grandes desequilíbrios na estrutura de
preços. O aluguel residencial e os serviços, que vinham apresentando até há pouco
tempo variação muito superior aos demais componentes dos índices, começaram a
convergir gradualmente para a média da inflação mensal. Para os próximos meses, os
índices serão consideravelmente baixos.
Média
mensal dos índices de inflação
No passado recente, sempre que um determinado índice de preços mostrava uma taxa
mensal mais elevada do que no mês imediatamente anterior, alguns analistas projetavam
tendência altista de inflação que acabava não se confirmando. A desindexação
gradual da economia desvinculou, em grande medida, a inflação futura da passada.
Importantes medidas nesse sentido já foram implementadas no campo dos salários, preços
públicos, taxa de câmbio e juros. Outros fatores, como o sazonal e eventuais correções
de preços públicos, começaram a desempenhar papel preponderante, fazendo com que a
inflação, embora seja baixa e tenda nitidamente a convergir para níveis cada vez mais
reduzidos, possa vir a oscilar de um mês para outro.
Os índices negativos de inflação no atacado, registrados em setembro de 1995 pelo
IGP-DI e pelo IGP-M, decorreram sobretudo de questões metodológicas. De nenhuma forma
traduziram a existência de uma deflação, que traduz uma queda generalizada de preços.
Os IGP-DI e IGP-M de outubro e novembro confirmaram a veracidade dessa afirmação. O
índice de setembro havia captado retração exagerada de determinados preços agrícolas
com ponderação móvel excessiva. É sintomático que a Fundação Getúlio Vargas, tal
como havia anunciado previamente, tenha passado a utilizar ponderações fixas, a partir
de janeiro de 1996.
Pode dizer-se, assim, que o êxito do Plano Real está fazendo aflorar determinadas
distorções metodológicas de índices habituados a refletir da forma mais acurada
possível taxas inflacionárias extremamente elevadas.
A inflação média dos quatro índices mais utilizados foi, em 1995, de 18,79%,
devendo, segundo todos os analistas independentes, ser, em 1996, ainda menor do que a
verificada no ano passado. A expectativa é que a tendência declinante seja mantida nos
anos seguintes e que se possa alcançar a inflação de um dígito a partir de 1998. Não
se devem tomar tais projeções como uma meta do Governo, mas como um objetivo plausível
cuja consecução dependerá da continuidade da implementação do Plano Real, da
desindexação da economia e das reformas estruturais necessárias à consolidação da
estabilidade.
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