Brasil -
Memorando de Política Econômica
20/06/2002
Após superar os
graves choques externos e internos do ano passado
a economia brasileira
experimentou um período de relativa tranqüilidade durante o primeiro
trimestre de 2002
com a atividade econômica dando sinais de expansão
moderada
as variáveis financeiras mantendo-se estáveis
e as
empresas
bem como o governo
continuando a dispor de um bom acesso aos
mercados internacionais de capital. Todavia
riscos relativos à
retomada econômica permanecem presentes
reforçando a importância da
manutenção de políticas macroeconômicas sólidas e da continuidade
do processo de reformas estruturais.
I.
DESEMPENHO RECENTE DA ECONOMIA BRASILEIRA
1. A atividade econômica
recuperou-se gradualmente dos níveis mais baixos do segundo semestre de
2001
mas a demanda agregada ainda permanece desaquecida. A atividade
industrial subiu firmemente entre outubro de 2001 e fevereiro deste
ano
antes de declinar em março. Durante o primeiro trimestre
a produção
industrial (sazonalmente ajustada) foi 2
8 por cento maior que a do quarto
trimestre de 2001. O último levantamento da produção agrícola
indica uma relativa estabilidade das culturas de grãos em 2002
a
despeito dos efeitos negativos do clima; continuam existindo
porém
melhores perspectivas para a pecuária e para as culturas permanentes como
o café e a cana de açúcar. Como resultado
o PIB do primeiro trimestre
caiu apenas 0
7 por cento em relação ao mesmo período do último ano
muito menos do que o esperado. Comparado ao último trimestre de 2001
o
PIB do primeiro trimestre (sazonalmente ajustado) cresceu 1
3 por cento.
No primeiro trimestre
as vendas no varejo na área metropolitana
de São Paulo cresceram 2
4 por cento (sazonalmente ajustadas e em relação
ao trimestre anterior). Os dados para abril indicam uma queda de 1
4 por
cento em relação a março. Todavia
as vendas de bens duráveis
aumentaram 1
7 por cento em abril após um crescimento de 1
1 por cento em
março. O volume das exportações e importações no primeiro
trimestre de 2002 caiu cerca de 5
7 por cento e 25
5 por cento
respectivamente
a partir dos níveis observados no primeiro trimestre de
2001. Essa brusca queda das importações é devida
em parte
a um pico
das importações de bens de capitais que ocorreu durante o primeiro
trimestre de 2001 (em resposta a um corte temporário de tarifas de
importação sobre estes bens)
mas reflete também a significativa
substituição de importações que ocorreu em resposta à depreciação
do real no ano passado.
2. O desenvolvimento do
mercado de trabalho já começa a refletir a recuperação da atividade
econômica. A taxa de desemprego
sazonalmente ajustada
decresceu
0
3 pontos percentuais em março
a despeito do crescimento da força de
trabalho. O emprego em março aumentou 1
3 por cento em relação a
fevereiro e situou-se 2
9 por cento acima da taxa de março de 2001.
Entretanto
não estão sendo observadas pressões sobre salários
e a média
dos rendimentos reais em fevereiro declinou 0
26 por cento
(sazonalmente ajustada) em relação ao mês anterior nas seis regiões
metropolitanas pesquisadas pelo IBGE.
3. A inflação dos preços
ao consumidor permaneceu alta em 2002 devido
em parte
ao carry-over
da inflação do ano passado e também em virtude dos aumentos nos preços
da gasolina e da energia. A inflação mensal medida pelo IPCA alcançou
0
6 por cento em março
interrompendo uma série de quatro meses
consecutivos de queda e empurrando a taxa de doze meses para 7
8 por
cento
acima da banda de consulta acordada com o Fundo no âmbito do
Acordo Stand-By. A inflação mensal subiu para 0
8 por cento em
abril
empurrando a taxa de doze meses para 8
0 por cento. Não obstante
o índice geral de preços aumentou substancialmente menos do que o IPCA
durante o primeiro trimestre de 2002.
4. O desempenho do balanço
de pagamentos melhorou significativamente. A conta corrente registrou
déficit de US$3
2 bilhões no primeiro trimestre de 2002
menos da metade
daquele registrado no mesmo período de 2001
refletindo principalmente
uma melhora de US$1
7 bilhões na balança comercial
além do declínio
na remessa de lucros e no pagamento de juros. O déficit acumulado em doze
meses da conta corrente atingiu US$19
8 bilhões em março
o nível mais
baixo desde outubro de 1996. Os Investimentos Diretos Estrangeiros
(IDEs) atingiram US$4
7 bilhões no primeiro trimestre de 2002
virtualmente o mesmo nível observado em igual período do ano passado. De
fato
o ingresso líquido acumulado em doze meses dos IDEs é novamente
superior ao déficit acumulado em doze meses da conta corrente.
5. O acesso do Brasil ao mercado
internacional de bônus soberano continuou a melhorar em 2002
com
colocações da ordem de US$2
7 bilhões em março e abril realizadas em
condições relativamente favoráveis. A taxa de rolagem das linhas de créditos
interbancários foi
em média
de 100 por cento durante os três
primeiros meses do ano. As Reservas Internacionais Brutas
aumentaram de US$35
9 bilhões ao final de 2001 para US$36
7 bilhões ao
final de março
porém declinaram US$3
6 bilhões em abril
em virtude do
pré-pagamento pelo Brasil do total de recursos do Programa de Reservas
Suplementar — Supplemental Reserve Facility (SRF) — do FMI. O
Governo decidiu fazer esse pagamento devido à melhora no acesso do Brasil
aos mercados financeiros internacionais. As Reservas Internacionais Líquidas
(RILs)
conforme definidas no âmbito do Programa
permaneceram em US$28
9
bilhões ao final de abril
US$8
9 bilhões acima do piso estabelecido
pelo Programa.
6. Os indicadores da dívida
externa permaneceram virtualmente estáveis em janeiro
consolidando a
melhora modesta observada desde setembro de 2001. Ao final de janeiro
a dívida
externa total era de US$209 bilhões (cerca de 41 por cento do PIB
estimado)
comparada com US$217 bilhões em setembro de 2001. Em janeiro
quarenta e quatro por cento da dívida pertencia ao setor público não-financeiro
nível este ligeiramente menor do que o de setembro de 2001. O componente
de curto-prazo da dívida externa
medido com base na data de
vencimento dos títulos
que é quase em sua totalidade privada
aumentou
marginalmente em janeiro
para US$27
8 bilhões
representando cerca de 13
por cento do total da dívida.
7. O desempenho fiscal no
primeiro trimestre de 2002 continuou conforme previsto no Programa. O setor
público consolidado registrou superávit primário acumulado de 3
8
por cento do PIB no período (R$11
6 bilhões)
ligeiramente acima do Critério
de Desempenho (CD) no final de março. A Necessidade de Financiamento do
Setor Público (NFSP) situou-se em cerca 4
0 por cento do PIB (R$11
9 bilhões)
medido em base harmonizada que exclui o impacto das variações causadas
pela taxa de câmbio no valor do estoque da dívida acumulada e não paga
durante o período de referência. A dívida pública líquida
cresceu para 54
5 por cento do PIB ao final de março em comparação com
53
3 por cento ao final de 2001 (embora tenha permanecido abaixo do piso
da Meta Indicativa para a dívida pública líquida)
devido ao
reconhecimento dos passivos do fundo de pensão da empresa estatal de petróleo
— Petrobras — não registrados anteriormente
assim como ajustes de
estoques devido a mudanças da taxa de câmbio.
8. O forte desempenho do
governo central
assim como dos governos regionais (estados e municípios)
compensou o déficit primário das empresas públicas federais. O governo
central registrou um superávit primário de 3
8 por cento do PIB
durante o primeiro trimestre de 2002
contra 2
7 por cento do PIB no mesmo
período de 2001
devido
em parte
ao pagamento de passivos
relativos ao
imposto de renda
de responsabilidade dos fundos de pensão. Os estados
e municípios registraram um superávit primário combinado de 1
2 por
cento do PIB. O desempenho das receitas foi muito positivo
tanto no nível
do governo federal como no nível dos governos regionais; e a execução
das despesas permaneceu também sob controle. O déficit primário das
empresas públicas
de 1
2 por cento do PIB
deveu-se aos impactos dos preços
internacionais do petróleo sobre a receita da Petrobras
assim como às
transações entre essa empresa estatal e o governo central
decorrentes
de pagamentos de dividendos e pagamentos para o fundo de pensão dos
empregados daquela empresa.
9. A aprovação pelo
Congresso da prorrogação da CPMF
cuja vigência tem seu fim em
17 de junho de 2002
foi postergada. A prorrogação da CPMF deveria ter
sido aprovada até 17 de março a fim de se evitar a queda de receitas em
virtude do período de espera de 90 dias após a aprovação do imposto
período esse que deve ser observado antes do início da nova vigência da
contribuição. Em virtude do fracasso de se prorrogar a CPMF
tempestivamente e com a finalidade de compensar a decorrente perda de
receita
estimada em cerca de R$4
9 bilhões
um novo decreto de execução
orçamentária foi expedido em 15 de maio
congelando R$5
3 bilhões de
despesas federais
apesar da possibilidade de não-aplicabilidade da
noventena na prorrogação do imposto. Em obediência à Lei de
Responsabilidade Fiscal
o novo decreto de execução orçamentária e o
aumento do imposto sobre operações financeiras (IOF)
cuja receita é
estimada em R$1
1 bilhões
visam também compensar a previsão do aumento
do déficit do sistema de previdência social de R$0
5 bilhões
devido
essencialmente à revisão
para baixo
das contribuições estimadas
e
do aumento de R$1
0 bilhão de despesas governamentais com pessoal.
10. A administração da dívida
permanece criteriosa e em conformidade com o Plano de Financiamento da Dívida
de 2002
anunciado em janeiro deste ano. O prazo médio e a duração
da dívida pública securitizada permanecem estáveis em cerca de 25 meses
e 10
5 meses
respectivamente
desde o final de 2001
depois do
substancial alongamento ocorrido em 2001. A participação da dívida pública
de curto-prazo
definida como sendo o estoque de dívida com
vencimento inferior a 12 meses
caiu para menos de 24 por cento do estoque
da dívida pública securitizada
o nível mais baixo desde o final de
1999. A participação dos títulos indexados à taxa cambial no
total do estoque da dívida declinou para menos de 29 por cento ao final
de março
abaixo do pico de cerca de 33 por cento em outubro de 2001. Um
novo mecanismo para a rolagem da dívida indexada à taxa de câmbio foi
introduzido com sucesso no final de março
o que permitiu separar o
componente de seguro cambial da dívida subjacente em moeda nacional.
Estima-se que os custos de rolagem nos leilões realizados por meio desse
mecanismo foram reduzidos em cerca de 250 pontos básicos anualmente
comparados aos custos de rolagem dos títulos indexados à taxa cambial
com vencimentos semelhantes
oferecidos imediatamente antes da introdução
desse novo mecanismo. Não obstante esses bons resultados
em maio
o
Banco Central decidiu aumentar ainda mais sua flexibilidade na rolagem da
dívida indexada à taxa de câmbio
oferecendo swaps em moeda
estrangeira independentemente da oferta de dívida denominada em moeda
nacional
sem aumentar a exposição do governo à moeda estrangeira.
- Observando que a dinâmica recente da
inflação foi impulsionada principalmente pela inércia dos preços
administrados e por o choques de oferta
enquanto o crescimento dos
preços competitivos e as pressões da demanda agregada permaneciam
sob controle
o Banco Central reduziu a taxa básica de juros (SELIC)
em um total de 50 pontos básicos
para 18
5 por cento
nas reuniões
do Comitê de Política Monetária realizadas em fevereiro e março.
Todavia
como a inflação continuou alta
o Banco Central manteve a
taxa SELIC inalterada nas reuniões de abril e maio.
- A redução da taxa SELIC em fevereiro e
março provocou uma queda modesta das taxas médias das operações
ativas de empréstimos bancários para 60
2 por cento em março
iguais aos níveis do final de 2001. Todavia
os spreads médios
aumentaram 2 pontos percentuais desde o final de 2001 em virtude da
queda dos custos das captações bancárias. A expansão dos créditos
bancários no segmento livre foi modesta no primeiro trimestre de
2002
com novas concessões de crédito aumentando 4
5 por
cento em relação ao mesmo período do ano passado. Desde o final de
dezembro
a participação dos empréstimos em atraso de mais de 120
dias aumentou ligeiramente
situando-se em 4
5 por cento no final de
março. Não obstante
o total das provisões bancárias
aumentou para R$25
4 bilhões ao final de março
atendendo
integralmente as exigências mínimas de provisões e o sistema bancário
permanece saudável.
- O Governo prossegue atuando junto ao
Congresso para a aprovação de importantes reformas estruturais.
Um esforço recente do governo para melhorar a eficiência do sistema
tributário
substituindo o PIS
um imposto federal em cascata
por um
imposto sobre o valor adicionado
foi bem recebido pelo Congresso
e
inclui medidas para se assegurar que não haverá perdas de receitas
durante a sua implantação. A execução bem-sucedida dessa medida
— que almeja ser neutra em termos da receita — deverá lançar as
bases para uma conversão semelhante do COFINS em 2003
avançando
assim
ainda mais
para remover os impedimentos à competitividade
causados por esses impostos. O governo também anunciou que um volume
significativo das ações do Banco do Brasil será oferecido ao público
por meio de um leilão previsto para o fim do ano
preparando
dessa
forma
o caminho para a colocação de ações no Novo Mercado da
BOVESPA
que é restrito às empresas com boas práticas de governança
corporativa.
II – POLÍTICAS
E PERSPECTIVAS PARA O RESTANTE DE 2002
14. A manutenção de políticas
macroeconômicas firmes permitiu que a economia brasileira emergisse dos
significativos choques externos e internos do ano passado posicionada para
a retomada do crescimento. No restante de 2002
e como tem sido o caso nos
últimos anos
o governo permanecerá comprometido com seu programa de
reformas econômicas e estruturais
conduzindo suas políticas com o
objetivo de manter a confiança do mercado e fortalecer as bases da
recuperação econômica em andamento.
15. As perspectivas
macroeconômicas para 2002 baseiam-se num crescimento real do produto
entre 2 e 2
5 por cento
impulsionado principalmente pela recuperação da
confiança de consumidores e empresários
assim como pela maior substituição
de importações conduzida pelo mercado. Projeta-se que o superávit
comercial será ampliado para cerca de US$5 bilhões
e o déficit
em conta corrente diminuirá para US$20
7 bilhões
reduzindo-se em
cerca de 0
8 por cento do PIB para 3
8 por cento do PIB. Estima-se
de
maneira conservadora
que os Investimentos Diretos Estrangeiros (IDEs)
atinjam US$18 bilhões
bem abaixo dos US$22
5 bilhões registrados no ano
passado
mas ainda iguais a 87 por cento do déficit em conta corrente
projetado. De modo geral
o balanço de pagamentos está projetado para
registrar um déficit de cerca de US$4
4 bilhões (em virtude inteiramente
de pagamentos feitos ao Fundo)
deixando as Reservas Brutas em US$31
5
bilhões e as Reservas Internacionais Líquidas (RILs) iguais a US$27
9
bilhões ao final do ano
comparadas com o piso de US$20 bilhões
estabelecido no âmbito do Acordo Stand-By.
16. A despeito da demora
imprevista na aprovação da prorrogação da vigência da CPMF
o governo
reafirma seu compromisso de obter um superávit primário do setor público
consolidado de 3
5 por cento do PIB neste ano e em 2003
em
conformidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentada ao
Congresso em abril. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de
Diretrizes Orçamentárias
reforçadas pelos acordos de reestruturação
de dívida firmados entre os governos estaduais e municipais e o Tesouro
Nacional
continuam fornecendo a base para assegurar que todos os
elementos do setor público contribuam para os esforços em prol da
consolidação fiscal. Os tetos de endividamento recentemente aprovados
pelo Senado
assim como os instrumentos da Lei de Responsabilidade Fiscal
que impõem maiores restrições à contratação de despesas discricionárias
em anos eleitorais
oferecem um marco institucional sólido com a
finalidade de proteger o desempenho fiscal do setor público no restante
do ano.
17. Refletindo o fato de
que as despesas de investimento das empresas do setor público
administradas em bases estritamente comerciais criam ativos com valor
financeiro
não reduzindo o patrimônio líquido do setor público nem
tampouco
colocando em perigo a sustentabilidade das finanças do setor público
ao longo do tempo
o governo está propondo modificações importantes no
Acordo Stand-By do Brasil com o FMI
afetando os Critérios de
Desempenho de 30 de setembro. Especificamente
para permitir que a
Petrobras possa implantar suas estratégias de investimento baseadas em
critérios de mercado sem colocar em risco o cumprimento da meta de superávit
primário do setor público
o governo propõe a introdução de um fator
de ajuste para a meta de superávit primário de setembro de 2002
conforme estabelecido no Memorando Técnico de Entendimento (MTE). O fator
de ajuste permite uma redução da meta de superávit primário por um
valor igual à despesa de investimento realizada pela Petrobras.
Refletindo a intenção de usar esta flexibilidade unicamente para
aumentar o investimento
o fator de ajuste será reduzido em montante eqüivalente
à qualquer diferença para menos entre o saldo primário corrente
observado da Petrobras (isto é
receitas correntes menos despesas
correntes
exceto os pagamentos de juros) e o saldo primário corrente
presumido no âmbito do Programa. Além do mais
a fim de se evitar a
possibilidade de desvios em outras esferas do setor público
um novo Critério
de Desempenho será introduzido em setembro de 2002 para o superávit primário
do setor público consolidado
exceto a Petrobras. A Petrobras foi
selecionada para esse status especial no âmbito do programa
em
virtude de sua orientação claramente comercial
conforme evidenciado por
sua listagem nas principais bolsas de valores
sua elevada rentabilidade e
governança corporativa
bem como sua política de preços determinada
exclusivamente por critérios de mercado desde a liberação do mercado
doméstico de petróleo em janeiro. A modificação na metodologia
envolvida nesta proposta está em conformidade como o novo manual de Estatísticas
Financeiras Governamentais do FMI e representa um primeiro passo em direção
à implantação de suas recomendações.
18. A dívida líquida do
setor público está projetada para se estabilizar em cerca de 55 por
cento do PIB neste ano. Conforme consta do Plano de Financiamento da Dívida
para 2002
espera-se que as participações no estoque da dívida de títulos
indexados à taxa de câmbio e dos títulos pós-fixados declinem para os
intervalos de 25-30 por cento e 51-56 por cento
respectivamente. A
administração da dívida também procurará continuar o alongamento do
prazo médio da dívida securitizada e das novas emissões de dívidas
mantendo os níveis atuais da dívida de curto-prazo — definida como
aquela com vencimento inferior a 12 meses — entre 26-29 por cento do
estoque da dívida e reduzindo as taxas de rolagem sempre que as circunstâncias
assim o permitirem. O Tesouro Nacional continuará seus esforços para
aumentar a transparência da administração da dívida mediante a
continuação da política de anúncios antecipados do seu cronograma de
leilões.
19. Como apoio às políticas
fiscais
o governo permanece comprometido em promover novos avanços em
sua agenda legislativa fiscal
a despeito do tempo limitado
restante no calendário de atividades do Congresso antes das eleições de
outubro. Em particular
o governo continuará a buscar aprovação do
Congresso para a prorrogação da vigência da CPMF
juntamente com
medidas voltadas para mitigar o impacto dessa contribuição sobre o
mercado de capitais
incluindo a isenção das transações no mercado
acionário. O governo também buscará a aprovação de legislação que
permite a criação de fundos de previdência complementar para os
servidores públicos
assim como uma legislação que converta o PIS num
imposto sobre o valor adicionado. O governo está também trabalhando em
uma nova Lei de Falências
que pretende submeter ao Congresso ainda este
ano.
20. A política monetária
continuará a se guiar pela natureza prospectiva do regime de metas
inflacionárias. A inflação tem sido pressionada recentemente pelo
aumento dos preços internacionais do petróleo
o que tem se traduzido em
variações de preços acima do esperado no mercado doméstico de
derivados de petróleo
depois de sua liberação no início do ano. De
uma forma mais geral
o Banco Central calcula que os preços administrados
pelo governo ou sujeitos a contratos subam 7
2 por cento em 2002
contribuindo em 2
2 pontos percentuais para a inflação de 2002. De
acordo com as políticas atuais
o modelo estrutural do Banco Central
projeta uma inflação total ligeiramente superior a 5 por cento ao final
deste ano — ainda abaixo do limite superior de 5
5 por cento
estabelecido pelo regime de metas inflacionárias — e inferior aos 3
25
por cento em 2003
fixados como ponto central da meta.
21. Enquanto a política
monetária permanece
portanto
no caminho da obtenção de taxas de inflação
no intervalo estabelecido como meta para o final de 2002 e 2003
existe o
risco de que os limites superiores das bandas de consulta no segundo e
terceiro trimestres de 2002 possam ser ultrapassados. As perspectivas
inflacionárias continuarão sendo analisadas durante a quarta e última
revisão trimestral do programa e o Banco Central prosseguirá o intercâmbio
regular de opiniões com a equipe técnica do Fundo a respeito da evolução
da política monetária. O Banco Central continua pronto para reagir às
mudanças na inflação projetada com a finalidade de atingir as metas
inflacionárias.
22. A experiência do ano
passado confirma a importância do regime de taxas de câmbio
flutuantes em facilitar a resposta da economia a choques. Não
obstante
conforme observado nos Memorandos de Política Econômica
anteriores
a magnitude e o escopo dos choques ocorridos no ano passado e
os efeitos inflacionários de uma continuada depreciação do real
exigiram que o Banco Central aliviasse parte da pressão sobre a taxa de câmbio
mediante a emissão de títulos indexados à taxa de câmbio e a venda no
mercado a vista de quantidades limitadas de moeda estrangeira. O Banco
Central interrompeu a intervenção direta e indireta nos mercados de câmbio
em 2002
confirmando sua convicção de que aumentos líquidos do estoque
de dívida indexado à taxa de câmbio
do mesmo modo que intervenções
no mercado à vista
devem se limitar apenas a circunstâncias extraordinárias.
Além disso
o Banco Central aproveitou a contínua apreciação e
estabilidade do real em meados de abril para interromper a rolagem dos
juros vincendos dos títulos indexados ao dólar. À medida que as condições
do mercado permitirem
o Banco Central procurará reduzir ainda mais a
sensibilidade da dívida interna às flutuações da taxa de câmbio.
23. O Banco Central
continuará seus esforços com a finalidade de ampliar a supervisão bancária
à distância e
nesse contexto
desenvolveu um sistema de monitoramento
sistemático dos limites de operações bancárias a partir de dados
fornecidos pelos próprios bancos ao departamento responsável pela
supervisão bancária à distância. A divulgação
com maior freqüência
dos relatórios de análise consolidada sobre a adequação do sistema
bancário aos limites estabelecidos para os ativos imobilizados e do índice
de requerimento de capital dos bancos ao estabelecido no Acordo da Basiléia
começará no segundo trimestre deste ano. Dessa forma
atende-se
com um
ligeiro atraso
um Parâmetro Estrutural estabelecido no âmbito do Acordo
Stand-By. Além disso
os regulamentos existentes relativos ao uso
de auditores externos independentes e à governança bancária estão
sendo avaliados e atualizados à luz da experiência internacional (vide o
Memorando Técnico de Entendimento — MTE anexo). O leilão dos bancos
estaduais federalizados restantes está previsto para ser concluído em
agosto deste ano. Em maio
a segunda missão do Programa de Avaliação do
Setor Financeiro reiniciou seu trabalho no Brasil.
24. Um novo sistema de
pagamentos (SPB)
operando um sistema de liquidação em tempo real (RTGS)
foi lançado em 22 de abril. O SPB objetiva promover a eficiência
a
segurança
a integridade e a confiança
mediante a adoção de padrões
e práticas internacionalmente aceitas no desenho e operação de sistemas
de pagamentos e liquidações.
25. O governo permanece
comprometido com o Mercosul e manterá seus mercados abertos para outros
países-membros. O governo permanece pronto para trabalhar com seus
parceiros para resolver questões de comércio e de pagamentos que possam
surgir em virtude das atuais dificuldades financeiras por que passam
alguns parceiros do Brasil. Além do mais
o governo continuará seus
esforços para reduzir as restrições dos países industriais às exportações
brasileiras
ao mesmo tempo em que procurará liberar ainda mais o seu próprio
regime de comércio
tanto nas negociações bilaterais como nas
multilaterais
como no âmbito do Mercosul.
26. Em síntese
a firme
administração das políticas macroeconômicas no contexto de regime de
taxas de câmbio flutuantes continuou a ser útil ao Brasil durante este
ano. O Brasil tem mantido um bom acesso aos mercados de capitais
internacionais e existem sinais de que uma recuperação econômica
gradual esteja em andamento. No entanto
o ambiente externo permanece volátil
existindo ainda incertezas normais associadas à mudança de governo no próximo
ano. A continuidade da disciplina na condução das políticas fiscais e
monetárias bem como das reformas estruturais mencionadas nesse MPE são
essenciais para salvaguardar a estabilidade econômica
fomentar a
recuperação da economia
e lançar as bases para a aceleração do
crescimento e outras melhorias no bem-estar econômico da população nos
anos vindouros. Em adição às medidas estabelecidas neste MPE
o governo
permanece pronto para ajustar suas políticas quando necessário para
assegurar a consecução dos objetivos de seu programa econômico
ao
mesmo tempo em que espera continuar seu estreito e construtivo diálogo
com o Fundo.
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