Brasil -
Memorando de Política Econômica
26/03/2002
A manutenção da
disciplina na condução das políticas monetária e fiscal e o contínuo
progresso na agenda de reformas estruturais permitiram à economia
brasileira resistir a uma série de choques econômicos em 2001
e ao
mesmo tempo preservar a confiança externa. Sinais de uma incipiente
recuperação da demanda interna estão emergindo
indicando que essa
recuperação deve acelerar-se ao longo de 2002. Todavia
o ambiente
externo continua volátil e as políticas macroeconômicas devem
permanecer cautelosas.
I.
DESEMPENHO RECENTE DA ECONOMIA BRASILEIRA
1. Os dados divulgados
desde a elaboração do Memorando de Política Econômica (MPE) em
novembro de 2001 sugerem que a desaceleração da atividade econômica
durante o segundo e terceiro trimestres de 2001 chegou ao seu final
já
surgindo indicações de que uma suave recuperação da demanda esteja a
caminho. A produção industrial cresceu 1
5 por cento em novembro (sazonalmente
ajustada em relação ao mês anterior)
registrando o primeiro aumento
desde fevereiro de 2001
com destaque para o crescimento particularmente
acentuado da produção de bens duráveis
e cresceu 1 por cento em
dezembro. Para o ano como um todo
a produção industrial cresceu 1
5
por cento
com os bens de capital registrando crescimento de 12
8 por
cento. Além disso
levantamentos feitos junto a empresas indicam que os
estoques — que se encontravam em níveis relativamente altos no
segundo e terceiro trimestres — declinaram no quarto trimestre
alcançando
níveis semelhantes àqueles do quarto trimestre de 2000. Os dados da
Sondagem Industrial
levantamento conduzido pela Confederação Nacional
da Indústria
também demonstram que no quarto trimestre de 2001 a
maioria dos empresários encontrava-se otimista quanto à atual
conjuntura econômica e às perspectivas futuras
em ambos os casos pela
primeira vez desde o primeiro trimestre de 2001. As vendas reais no
varejo na área metropolitana de São Paulo subiram em novembro pelo
quarto mês consecutivo (sazonalmente ajustadas). Em dezembro
caíram
1
6 por cento
sendo que os dados preliminares para janeiro já estão
indicando nova recuperação. Além disso
a confiança do consumidor
(medida pelo Índice de Intenções do Consumidor) cresceu
acentuadamente em janeiro (o terceiro aumento mensal consecutivo). A
confiança do consumidor situa-se atualmente no nível mais alto desde
maio de 2001.
2. A evolução do
mercado de trabalho também tem se mostrado positiva ultimamente. A taxa
de desemprego aberto nas seis áreas metropolitanas pesquisadas pelo
IBGE caiu de 6
4 por cento em novembro para 5
6 por cento em dezembro
embora permaneça praticamente constante quando sazonalmente ajustada. O
emprego formal continuou em sua firme trajetória de crescimento em
novembro (sazonalmente ajustado)
registrando elevação de 2
9 por
cento no acumulado do ano quando comparado com o mesmo período do ano
anterior
e correspondendo a um aumento de 845.000 empregos no setor
formal da economia.
3. O sucesso do programa
de racionamento de energia do governo
aliado a melhorias na estrutura
regulatória
bem como significativos investimentos do setor privado
contribuíram para minimizar o impacto da crise de energia sobre a
atividade econômica. As medidas de racionalização do consumo de
energia adotadas por famílias e empresas resultarão em economia
permanente de energia. Isso
juntamente com o nível pluviométrico
satisfatório observado nos últimos meses
além da realocação mais
eficiente de eletricidade pelas diferentes regiões
permitiram o
aumento do nível dos reservatórios e a suspensão do programa de
racionamento em 1º de março deste ano.
4. Várias medidas foram
tomadas com a finalidade de atrair investimentos estrangeiros para o
setor de energia e garantir o aumento da oferta no médio e longo
prazos. Particularmente
o governo celebrou acordo com empresas de geração
e distribuição de energia com a finalidade de superar importantes
empecilhos que dificultavam o funcionamento eficiente do setor
de
recuperar perdas sofridas em decorrência do programa de racionamento e
de fortalecer a posição financeira dessas empresas e de sua capacidade
de investimento. Um novo e mais eficiente sistema de oferta de energia e
formação de preços balisará as operações do sistema elétrico no médio
prazo. O operador nacional de energia avaliará periodicamente a
capacidade de geração em um horizonte de dois anos
o que deverá
redundar em sinais de preços mais confiáveis a médio prazo. Além
disso
como um passo adicional rumo à liberalização do mercado
foi
elaborada regulamentação que dispõe que a energia hidrelétrica
produzida por geradoras públicas
cujos custos de produção são
menores do que aqueles verificados nas novas usinas que fazem uso de
fontes alternativas
será vendida através de leilões competitivos.
Isto aliviará as incertezas quanto aos preços futuros e os métodos de
comercialização da produção dessas empresas. As receitas auferidas
por estas empresas estatais e decorrentes dos leilões podem ser usadas
em parte
para financiar investimentos adicionais no sistema ou para
subsidiar o consumo de eletricidade das famílias de baixa renda.
5. A inflação foi mais
alta do que a esperada em 2001
alcançando 7
7 por cento no final do
ano
acima dos 6 por cento do limite superior da meta oficial
e dos 6
8
por cento do limite estabelecido pelo Acordo Stand-By para consultas com
os técnicos do FMI. Estima-se que mais de 1/3 da inflação observada
(2
9 pontos percentuais) reflita o repasse para os preços de quase 20
por cento da desvalorização (28
6 por cento em média) do real em 2001
e que cerca de 1/4 (1
7 pontos percentuais) tenha decorrido de ajustes
dos preços administrados (depois de excluir o impacto dos repasses das
taxas de câmbio e da inércia inflacionária de 2000 sobre estes preços).
Os aumentos do item eletricidade e dos preços do petróleo pesaram
significativamente sobre os índices de preços ao consumidor ao longo
do ano passado.
6. Em relação ao setor
externo
o saldo em conta corrente continuou a se fortalecer ao longo do
quarto trimestre
a despeito de uma modesta recuperação da demanda e
de uma apreciação significativa do real no final do ano. A balança
comercial registrou superávit de US$1
4 bilhão no quarto trimestre
com destaque para o superávit recorde de US$857 milhões em dezembro
totalizando no ano superávit de US$2
6 bilhões — o primeiro do
Brasil em sete anos —
comparado com um déficit de US$0
7 bilhão em
2000. A despeito de uma fraca demanda internacional
as exportações
cresceram quase 6 por cento em termos nominais (e 9
6 por cento em
volume) com a maior parte do crescimento devido às exportações de
bens primários. As importações caíram cerca de ½ ponto percentual
em termos nominais (embora tenham subido cerca de 3 por cento em
volume). O melhor resultado do comércio exterior brasileiro levou à
queda do déficit em conta corrente de US$24
7 bilhões em 2000 para
US$23
2 bilhões em 2001
não obstante o aumento das remessas líquidas
de lucros e dividendos (U$1
6 bilhão).
7. A conta de capitais
melhorou significativamente nos meses recentes
a despeito da crise na
Argentina. Os investimentos estrangeiros diretos (IEDs)
alcançaram
US$7
4 bilhões no quarto trimestre de 2001
incluindo um ingresso
excepcionalmente volumoso de US$3
9 bilhões em dezembro. Para o ano
como um todo
os IEDs líquidos alcançaram US$22
6 bilhões
abaixo dos
US$32
8 bilhões registrados em 2000
mas ainda assim igual a quase 98
por cento do déficit em conta corrente. Excluindo as privatizações
os IEDs líquidos alcançaram US$21
6 bilhões em 2001
comparados a
US$25
7 bilhões em 2000. Várias empresas brasileiras recorreram com
sucesso ao mercado internacional de capitais nos últimos meses
e em
janeiro
o governo seguiu o mesmo caminho
pela primeira vez desde julho
de 2001
captando US$1
13 bilhão (40 por cento das amortizações do
governo central para 2002) por meio da emissão de bônus de 10 anos.
Desde setembro de 2001
a taxa de rolagem das linhas de crédito tem
registrado média de 96 por cento
refletindo os pagamentos líquidos
dos créditos comerciais. A maior confiança dos investidores
estrangeiros no Brasil levaram à apreciação do real em relação às
cotações alcançadas depois dos ataques terroristas de 11 de setembro
e os spreads dos bônus brasileiros caíram significativamente
embora
permanecendo acima dos níveis do início de 2001.
8. As reservas
internacionais brutas (RIBs)
que alcançaram US$40
1 bilhões ao final
de setembro
caíram para US$35
9 bilhões ao final de dezembro
devido
principalmente ao impacto das vendas pré-programadas de moeda
estrangeira no mercado à vista. Os pagamentos dos juros e amortizações
da dívida pública foram parcialmente compensados com o recebimento em
novembro de US$2
5 bilhões provenientes da liquidação de dívida por
parte do governo da Polônia. Também ao final de dezembro
as reservas
brutas registravam 61 por cento da dívida vincenda de curto-prazo
comparadas com 69 por cento ao final de setembro
e 56 por cento ao
final de 2000. As reservas internacionais líquidas (RILs)
conforme
definido no Acordo "Stand-By"
totalizaram US$27
8 bilhões ao
final de 2001
ou seja
US$7
8 bilhões acima do piso previsto no
acordo.
9. Ao final de novembro
a dívida externa total (excluindo os empréstimos intercompanhias)
registrava US$211
7 bilhões (41
2 por cento do PIB estimado)
comparada
aos US$216
5 bilhões ao final de setembro. A parcela pública da dívida
também declinou para US$94
7 bilhões ao final de novembro
de um
patamar de US$97
4 bilhões ao final de setembro (embora ainda acima dos
US$92
4 bilhões registrados ao final de 2000
devido em parte
ao empréstimo
do Fundo). A dívida externa de curto prazo
mensurada com base na data
de vencimento dos títulos
caiu de US$27
4 bilhões ao final de 2000
para US$27
0 bilhões ao final de setembro de 2001
e US$26
1 bilhões
ao final de novembro
devido à extensão de prazos do empréstimo para
a Petrobrás e ao pagamento líquido de créditos comerciais. A dívida
externa do setor público não-financeiro
líquido da dívida com o
Fundo
situava-se em US$86
4 bilhões ao final de novembro
enquanto que
a dívida externa de curto-prazo do setor público não-financeiro
atingia de US$0
5 bilhão. Estes valores ficaram bem abaixo dos tetos do
final de dezembro estabelecidos no âmbito do Acordo Stand-By.
10. O desempenho fiscal
continuou robusto no quarto trimestre de 2001. Para o ano como um todo
o setor público consolidado registrou superávit primário de R$43
7
bilhões (3
7 por cento do PIB)
bem acima da meta de R$40
2 bilhões
(3
35 por cento do PIB) estabelecida pelo governo. A necessidade de
financiamento do setor público (NFSP)
em base harmonizada –
excluindo o impacto meramente contábil da variação cambial sobre o
estoque da dívida
e que não implica
portanto
em desembolso efetivo
durante o período em referência –
foi cerca de 3
6 por cento do PIB<1>.
A dívida pública líquida subiu para 53
3 por cento do PIB ao final de
2001
contra 49
4 por cento ao final de 2000
embora permanecesse abaixo
do teto da meta indicativa para a dívida pública líquida. Cerca de 1
ponto percentual dessa dívida representa o reconhecimento por parte do
governo de passivos anteriormente não-registrados
como parte do
programa de reestruturação nos bancos federais levado a cabo em 2001.
11. Todas as esferas do
setor público contribuíram para a consecução da meta de superávit
primário em 2001. Para o ano como um todo
o governo central registrou
superávit primário de 1
9 por cento do PIB
os estados e municípios
registraram superávit primário conjunto de 0
9 por cento do PIB e as
empresas públicas registraram superávit de 1
0 por cento do PIB. O
desempenho da receita em todos os níveis foi robusto e o controle das
despesas permaneceu também firme.
12. A despeito da turbulência
nos mercados observada no ano passado
o governo conseguiu estender o
vencimento e aumentar a duração da dívida pública. O vencimento médio
da dívida federal competitiva securitizada subiu de 15
9 meses ao final
de 2000 para 25
5 meses ao final de 2001 (de 29
9 meses ao final de 2000
para 35
0 meses ao final de 2001 para o total da dívida federal
securitizada)
enquanto que a duração média cresceu de 6
4 para 10
5
meses durante o mesmo período. Melhoras na gestão da dívida
permitiram uma redução da participação da dívida pública de curto
prazo
definida como sendo o estoque da dívida com vencimento inferior
a 12 meses
para 25
6 por cento do estoque da dívida pública
securitizada
comparada aos 42
4 por cento ao final de 2000
e aos 27
1
por cento planejados pelo governo no início de 2001. Conforme
mencionado no último MPE
a depreciação da taxa de câmbio e colocações
adicionais de títulos indexados ao câmbio
particularmente devido às
circunstâncias excepcionais de setembro-outubro de 2001
levaram a um
aumento da participação deste tipo de dívida no total do estoque da dívida
federal securitizada em boa parte de 2001. Todavia
refletindo tanto a
apreciação do Real ao final de 2001
como o fato da rolagem destes
instrumentos ter sido limitada a 100 por cento desde o final de outubro
sua participação no estoque da dívida caiu a partir do final do
terceiro trimestre do ano passado — ao final de dezembro de 2001
a dívida
indexada à taxa de câmbio representava cerca de 28
6 por cento da dívida
federal securitizada
abaixo dos 32
9 por cento do final de outubro. Em
meses recentes
o Banco Central e o Tesouro Nacional procuraram estender
o vencimento médio da dívida indexada à taxa de câmbio e ajustar o
seu perfil de vencimento
trocando com sucesso os instrumentos com
vencimento em fevereiro-abril de 2002
para instrumentos com vencimentos
de 2 ou 3 anos.
13. O Banco Central
manteve a taxa de juros overnight SELIC em 19 por cento no período
posterior ao MPE de novembro. Entretanto
encontrando-se a inflação
prevista para o final de 2002 e 2003 confortavelmente dentro das metas
fixadas
o Banco Central em sua deliberação de fevereiro reduziu a
taxa SELIC em 25 pontos básicos. As taxas médias de empréstimo bancário
caíram de 62
9 por cento ao final de setembro para 60
2 por cento ao
final de dezembro. Os spreads médios também caíram de 44
0 por cento
ao final de setembro para 41
6 por cento ao final de dezembro. O crédito
bancário permaneceu inalterado no quarto trimestre relativamente ao seu
nível ao final de setembro. Para o ano como um todo
a concessão de
novos créditos subiu 11 por cento. A participação dos empréstimos
com pagamentos de juros em atraso superior a 120 dias subiu ligeiramente
no quarto trimestre e o total das provisões bancárias subiu para
R$22
9 bilhões ao final de dezembro
mais do que o necessário para o
cumprimento das exigências mínimas de aprovisionamento.
14. O governo continuou
progredindo em sua agenda de reformas estruturais durante o quarto
trimestre de 2001. A emenda constitucional que introduz a tributação
explícita sobre os produtos de petróleo no mercado interno foi
aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro e regulamentações foram
editadas com a finalidade de liberalizar plenamente os produtos de petróleo
no mercado interno em 2002
cumprindo dessa forma
parâmetro estrutural
estabelecido para o final de dezembro de 2001. O Banco Central está bem
adiantado no desenvolvimento de um sistema de classificação para os
bancos e pretende implementá-lo durante o segundo semestre de 2002.
Concluiu-se também a revisão
com equiparação aos padrões
internacionais
do plano de contas para as instituições financeiras.
Como resultado
dois parâmetros estruturais no âmbito do Acordo
Stand-By foram cumpridos. A elaboração do sistema de supervisão bancária
à distância
que não pôde ser concluída a tempo de cumprir com o
parâmetro estrutural previsto para o final de dezembro no âmbito do
Acordo Stand-By
foi concluída em janeiro de 2002 e o sistema já se
encontra em operação. Progressos foram também alcançados na
privatização dos bancos estaduais federalizados
com os leilões do
Banco do Estado de Goiás e do Banco do Estado do Amazonas realizados em
dezembro de 2001 e janeiro de 2002 respectivamente
e com a adoção de
medidas preliminares para o leilão dos 4 bancos estaduais federalizados
restantes.
II – POLÍTICAS
E PERSPECTIVAS PARA 2002
15. O cenário macroeconômico
para 2002 prevê crescimento real do produto de 2½ por cento
impulsionado por exportações e pela recuperação do consumo e do
investimento privado no decorrer do ano. A despeito das perspectivas de
recuperação do consumo doméstico e de um ambiente externo ainda
fraco
estima-se que o saldo comercial praticamente dobre este ano
atingindo superávit de cerca de US$5 bilhões
e o déficit em conta
corrente reduzir-se-á para cerca de US$20
6 bilhões
caindo assim em
torno de ¾ de ponto percentual
correspondendo a 3
8 por cento do PIB.
Os IEDs estão projetados para US$18
0 bilhões
abaixo dos US$22
6 bilhões
registrados no ano passado
mas ainda assim
eqüivalentes a 87 por
cento do déficit estimado em conta corrente. No geral
estima-se que o
balanço de pagamentos registre déficit de cerca de US$2
5 bilhões
compatíveis com reservas brutas de US$33
4 bilhões e RILs de US$27
8
bilhões ao final do ano
ou seja
US$7
8 bilhões acima do teto
previsto no Acordo "Stand-By".
16. O governo objetiva
alcançar superávit primário do setor público consolidado de 3
5 por
cento do PIB este ano (conforme definido no MTE – Memorando Técnico
de Entendimento). A política fiscal continua voltada para o cumprimento
dos parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei de Diretrizes
Orçamentárias
embasada nos acordos de reestruturação da dívida
entre os governos estaduais e municipais e o Tesouro Nacional. Todas as
esferas do setor público contribuirão para a consecução da meta do
superávit primário. Como no passado
o Governo Central permanece
comprometido com o monitoramento do desempenho fiscal dos governos
subnacionais e com a sintonia fina no ajuste de suas próprias metas
se
necessário
a fim de compensar possíveis dificuldades em outros níveis.
Em dezembro de 2001
o Congresso Nacional aprovou a Lei Orçamentária
para 2002
dentro do pressuposto da meta de superávit primário
consolidado de 3
5 por cento do PIB
e em 7 de fevereiro
o governo
emitiu o Decreto de Execução Orçamentária que propõe plano de
gastos para o exercício. O Decreto de Execução Orçamentária é
consistente com as alterações recentemente aprovadas na legislação
tributária que atualiza as faixas de rendimento do imposto de renda da
pessoa física
de deduções
e de limites de isenção
pela primeira
vez desde 1996. Modifica ainda
a tributação das empresas do setor de
serviços que optarem pela tributação sob o regime do lucro presumível
e introduz tratamento isonômico
para efeito do imposto de renda das
pessoas jurídicas
para fundos de pensão — abertos e fechados —
seguindo determinação do Supremo Tribunal Federal contrária à
imunidade tributária dos fundos de pensão.
17. Com a taxa de câmbio
projetada praticamente estável durante o corrente ano
estima-se que a
necessidade de financiamento do setor público (em base não-harmonizada)
reduza acentuadamente para 4 por cento do PIB. Como resultado
projeta-se que a dívida líquida do setor público estabilize em cerca
de 54 por cento do PIB este ano. O governo divulgou o plano de gestão
da dívida para 2002
visando principalmente a melhoria da composição
da dívida pública interna
mantendo o estoque da dívida de títulos
indexados à taxa de câmbio e os títulos de taxa flutuante com
participação de 25 a 30 por cento e de 51 a 56 por cento
respectivamente. Esforços para se obter uma redução das participações
desses instrumentos no ano passado foram frustrados em virtude da
conjuntura externa. A gestão da dívida também procura estender o
vencimento médio da dívida securitizada e das novas emissões
mantendo os níveis atuais da dívida de curto prazo
definida como
sendo formada por títulos com vencimentos inferior a 12 meses
que
representam entre 26 e 29 por cento do estoque e reduzir as taxas de
rolagem para o final do ano e início de 2003. O Tesouro Nacional manterá
os seus esforços para aumentar a transparência da gestão da dívida
continuando a informar com antecedência o seu cronograma de leilões.
18. A despeito da limitação
no tempo que resta no calendário de atividades do Congresso Nacional
antes das eleições de outubro
o governo permanece comprometido em
alcançar novos progressos em sua agenda de reformas estruturais.
Especificamente o governo buscará a aprovação no Congresso da legislação
restante para a criação dos fundos de pensão complementar para os
trabalhadores do setor público. Além disso
buscará aprovação da
prorrogação da contribuição provisória sobre movimentação ou
transmissão de valores e de créditos e de direitos de natureza
financeira (CPMF)
juntamente com outras medidas para aliviar o impacto
dessa contribuição sobre o mercado de capitais
inclusive a isenção
dessa contribuição sobre as transações acionárias. Em termos mais
gerais
as importantes mudanças na regulamentação do setor elétrico
que foram anunciadas ao final de janeiro e início de fevereiro
serão
implementadas nos próximos meses.
19. A política monetária
continuará orientada segundo o modelo de metas inflacionárias.
Conforme mencionado anteriormente
os fortes choques experimentados no
ano passado levaram a inflação a exceder os 6 por cento do limite
superior da meta para 2001
mas a política permanece firme com a
finalidade de se alcançar taxas de inflação declinantes dentro das
metas previstas para este ano
e próximas ao ponto central em 2003. O
ponto central e as bandas de consulta estabelecidas no início do
Programa do Fundo para março
junho e setembro de 2002 (que se baseiam
na inflação de 12 meses) serão mantidas (vide MTE anexo). O
carry-over da inflação registrada no final de 2001
poderá provocar
taxas acima da banda superior de consulta com os técnicos do Fundo
particularmente em março. O comportamento da inflação será analisado
durante as revisões trimestrais do Programa e o Banco Central continuará
a manter contatos regulares com os técnicos do Fundo a respeito da
evolução da política monetária. O Banco Central permanece pronto
para reagir a quaisquer mudanças na trajetória esperada da inflação
em conformidade com os mecanismos preventivos da estrutura de metas
inflacionárias.
20. A experiência do ano
passado confirma a importância do regime de taxa de câmbio flutuante
para ajudar a economia a se proteger contra choques. Não obstante
a
magnitude e o escopo dos choques experimentados no ano passado
a alta
volatilidade e a baixa liquidez do mercado de moeda estrangeira
demandaram a intervenção do Banco Central através da emissão de títulos
indexados ao câmbio
assim como
através das vendas anunciadas com
antecedência de quantidades limitadas de moeda estrangeira no mercado
à vista. Com o abrandamento das pressões sobre a taxa de câmbio
o
Banco Central encerrou suas intervenções
diretas e indiretas
no
mercado de moeda estrangeira
confirmando sua convicção de que os
aumentos líquidos do estoque da dívida indexada à taxa de câmbio
devem ser restritos apenas a circunstâncias extraordinárias. Caso as
condições do mercado permitam
o Banco Central buscará a redução do
estoque desse instrumento em 2002.
21. Como na área fiscal
o governo perseguirá novos progressos nas reformas estruturais do setor
financeiro no que ainda resta do calendário parlamentar. O governo
trabalhará com o Congresso Nacional para conseguir a aprovação da
nova Lei de Falências
a fim de reduzir os custos econômicos e sociais
das falências
assim como diminuir os custos do crédito. O Banco
Central aumentará seus esforços para ampliar o sistema de supervisão
bancária à distância e fortalecer a gestão das instituições
financeiras (vide MTE anexo). Vale a pena mencionar
dentro do contexto
das atuais preocupações internacionais relacionadas a procedimentos
contábeis
de auditoria e de divulgação de informações
que o
Brasil introduziu
desde 1996
a exigência de rodízio nos serviços de
auditoria
a cada 4 anos para isntituições do sistema financeiro (e
desde 1999
a cada 5 anos
para empresas não-financeiras)
procedimento
esse
que
acreditamos
melhorará a qualidade dos padrões de
auditoria. Além disso
espera-se que os leilões dos últimos 4 bancos
estaduais federalizados estarão concluídos em junho deste ano. Em março
a primeira das duas missões do Programa de Avaliação do Setor
Financeiro
iniciará seus trabalhos no Brasil.
22. O governo permanece
comprometido com o Mercosul e nos últimos meses vem trabalhando com
seus parceiros do bloco comercial a fim de resolver questões pendentes
resultantes da implementação das medidas comerciais de emergência na
Argentina. Outrossim
o governo intensificará suas ações voltadas
para a redução das restrições não-tarifárias dos países
industrializados contra as exportações brasileiras
e ao mesmo tempo
continuará seu trabalho para liberalizar
ainda mais
o próprio regime
comercial do Brasil
tanto através de negociações bilaterais e
multilaterais
como no contexto do Mercosul. A esse respeito
em
janeiro
a sobretaxa do Mercosul foi reduzida em 1 ponto percentual.
23. Em resumo
a firme
gestão das políticas macroeconômicas dentro de um contexto de regime
de taxa de câmbio flutuante permitiu ao Brasil proteger-se contra os
fortes choques que atingiram as economias dos mercados emergentes no ano
passado. As condições do mercado financeiro acalmaram-se
consideravelmente nos últimos meses e existem sinais de que a demanda
interna já esteja iniciando recuperação após a retração observada
no segundo trimestre de 2001. Não obstante
o ambiente externo
permanece ainda volátil
e é muito cedo para se afirmar que os riscos
abrandaram-se. A continuidade da condução firme das políticas monetária
e fiscal e o prosseguimento das reformas estruturais
conforme exposto
neste MPE
são portanto essenciais para salvaguardar a estabilidade
econômica
proteger a recuperação que se inicia
estabelecer os
alicerces da aceleração do crescimento e das melhoras adicionais
necessárias ao bem-estar econômico da população durante os anos
vindouros. Além das medidas definidas neste MPE
o governo se encontra
pronto para quaisquer ajustes em suas políticas
caso necessário
com
a finalidade de assegurar a consecução dos objetivos do seu programa
econômico
e manifesta-se no sentido de continuar a usufruir de um contínuo
estreito e construtivo diálogo com o Fundo.
<1> Em
uma base não-harmonizada
a NFSP alcançou 5
2 por cento do PIB (R$62
0
bilhões)
comparada com 4
5 por cento do PIB em 2000
refletindo
predominantemente a depreciação da taxa de câmbio e a política monetária
restritiva.
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