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28/11/2000
Memorando de Política
Econômica
O Brasil completou com êxito as cinco
primeiras avaliações do Acordo "Stand By" (SBA) de três anos
com o Fundo Monetário Internacional (o Fundo)
o qual foi aprovado pela
Diretoria Executiva do Fundo em 2 de dezembro de 1998. Este Memorando de
Política Econômica (MPE) avalia o desempenho da economia brasileira até
o presente momento no ano de 2000
e apresenta
à luz da análise das
recentes perspectivas da conjuntura e políticas econômicas
uma proposta
do marco do programa para o restante do ano.
DESEMPENHO ECONÔMICO EM
2000
A economia brasileira continua com um
desempenho vigoroso até o momento no ano 2000
com a recuperação econômica
se acelerando
a inflação declinante
as contas externas melhorando e o
desempenho fiscal se fortalecendo ainda mais. O Produto Interno Bruto (PIB)
cresceu a uma taxa média de 3
6 por cento no primeiro semestre de 2000
em comparação com o mesmo período de 1999
refletindo um crescimento
anualizado
sazonalmente ajustado
de 4
8 por cento
em relação ao
segundo semestre de 1999. O emprego expandiu 5
1 por cento nos últimos 12
meses até setembro de 2000. Devido a uma significativa melhoria da
perspectiva de se encontrar trabalho
o aumento do emprego foi acompanhado
por fortes ingressos no mercado de trabalho. Não obstante
a taxa de
desemprego caiu de 7
4 por cento em setembro de 1999 para 6
7 por cento em
setembro de 2000.
A inflação permaneceu contida
com os preços
ao consumidor
medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
que constitui o parâmetro para o regime de metas de inflação
crescendo
apenas 1
6 por cento no primeiro semestre do ano. Houve uma aceleração
temporária da inflação em julho e agosto
refletindo aumentos dos preços
administrados e efeitos adversos das condições climáticas sobre os preços
dos alimentos
mas esta já retomou uma clara tendência de queda desde
setembro. A taxa de variação acumulada em 12 meses do IPCA caiu de 8
9
por cento em dezembro de 1999 para 6
5 por cento em junho de 2000 –
consideravelmente abaixo da meta de 7 por cento para aquele mês
contemplada no programa – elevou-se em julho-agosto
mas reduziu-se
novamente em setembro para 7
7 por cento
– 0
2 pontos percentuais acima
do limite superior da banda estreita do programa. O índice geral de preços
(IGP-DI)
no qual os preços dos bens comercializáveis têm um peso
consideravelmente maior do que no IPCA
cresceu 8
1 por cento nos nove
primeiros meses de 2000
refletindo ainda algum aumento dos preços
relativos daqueles bens.
O desempenho do comércio exterior do
Brasil continua melhorando
embora em um ritmo mais lento do que aquele
inicialmente projetado. O saldo da balança comercial passou a um superávit
de US$0
7 bilhão nos primeiros três trimestres de 2000
em relação a
um déficit de US$0
8 bilhão durante o mesmo período de 1999
com o
valor das exportações aumentando 18
2 por cento
bem acima dos 13
6 por
cento de aumento das importações durante o mesmo período. O vigoroso
desempenho das exportações foi liderado pelas exportações de produtos
manufaturados
cujo volume cresceu quase 23 por cento de janeiro a
setembro de 2000
comparado ao mesmo período de 1999. Os preços médios
das exportações cresceu 2
6 por cento sobre o mesmo período de 1999. O
recente aumento das importações refletiu principalmente um forte repique
dos volumes das importações de bens intermediários e dos altos preços
internacionais do petróleo
que responde por mais de 10 por cento do
total das importações. Em contrapartida
o volume das importações de
bens de consumo e de bens de capital declinou nos primeiros nove meses de
2000
comparado ao mesmo período de 1999
apontando para uma continuada
substituição de importações.
A conta de serviços do balanço de
pagamentos registrou um déficit acumulado de US$l8
0 bilhões nos
primeiros três trimestres de 2000
ligeiramente abaixo do déficit
registrado no mesmo período de 1999
com um pequeno aumento do pagamento
de juros líquidos ao exterior e uma redução nas transferências líquidas
sendo mais do que compensados pelas menores remessas de lucros e
dividendos. Como resultado
o déficit em conta corrente do balanço de
pagamentos caiu para US$15
9 bilhões no período janeiro-setembro de
2000
em relação a US$17
3 bilhões no mesmo período do ano passado. O
déficit foi mais do que integralmente financiado pelos investimentos
estrangeiros diretos líquidos (IED)
que alcançaram US$21
3 bilhões nos
primeiros nove meses de 2000
a despeito de uma retração no ritmo das
privatizações.
O continuado fortalecimento da confiança
do mercado no desempenho econômico do Brasil refletiu-se também em uma
melhora do acesso aos financiamentos externos
com emissões líquidas de
dívida de médio e longo-prazos atingindo um total de cerca de US$5
7
bilhões até setembro. As emissões de dívida soberana nos mercados de
capitais internacionais
cujos diferenciais de taxas de juros (spreads)
foram decrescentes
alcançaram US$11
4 bilhões durante os três
primeiros trimestres do ano
dos quais uma parcela de US$6
1 bilhão
representou a troca de títulos da dívida reestruturada (bônus Brady). A
dívida externa total caiu para US$232 bilhões (40
8 por cento do PIB) em
agosto de 2000
em comparação com cerca de US$241 bilhões (45
6 por
cento do PIB) ao final de 1999
refletindo também o pagamento
(parcialmente antecipado) da maior parte do acordo de ajuda internacional
de 1998. Apenas 12 por cento dessa dívida
representando principalmente
financiamentos comerciais
tem prazo original menor ou igual a um ano.
Todos os tetos trimestrais do programa referentes à dívida externa do
setor público não-financeiro foram cumpridos com ampla folga.
O desempenho fiscal nos três níveis de
governo nos primeiros nove meses deste ano tem sido consideravelmente
melhor do que o programado. O superávit primário do setor público
consolidado acumulado durante o período de janeiro-setembro de 2000
atingiu R$35
3 bilhões (4
4 por cento do PIB estimado para o período).
No acumulado em 12 meses até setembro
o superávit primário alcançou
um recorde de R$35
8 bilhões (3
4 por cento do PIB estimado para o período)
comparado com a meta do programa para o ano como um todo de R$36
7 bilhões
equivalente a 3
4 por cento do PIB. Como resultado do considerável superávit
primário
da tendência declinante das taxa dos juros domésticos e da
relativa estabilidade da taxa de câmbio
a necessidade de financiamento
do setor público (NFSP) caiu de 10 por cento do PIB em 1999 para 3
8 por
cento do PIB no acumulado em 12 meses até setembro de 2000. A dívida pública
líquida ao final de setembro registrava R$548 bilhões (48
5 por cento do
PIB estimado)
ligeiramente acima da meta indicativa do programa.
No nível do governo central — cuja
definição inclui o tesouro
o sistema de seguridade social e o banco
central (BCB) — o forte desempenho nos nove primeiros meses do ano (um
superávit primário
medido acima da linha
equivalente a 2
6 por cento
do PIB estimado para o período) refletiu principalmente a manutenção de
rígidos limites às despesas discricionárias. Apesar do continuado
crescimento conjunto das receitas tributárias e das contribuições da
seguridade social
houve uma redução das receitas totais do governo
central como proporção do PIB
refletindo
entre outros fatores
a redução
das receitas de concessões
reduções da alíquota da CPMF e a ausência
de superávit na conta petróleo do Tesouro. A fim de estancar a erosão
do superávit da conta petróleo
o governo aumentou em julho os preços
da gasolina e do óleo diesel na refinaria em 15 por cento e reduziu o
subsídio ao gás liqüefeito (GLP). O déficit do sistema público de
previdência social para os trabalhadores do setor privado (INSS)
estabilizou-se em termos nominais nos nove primeiros meses de 2000
em
comparação com o mesmo período de 1999
refletindo o impacto favorável
do forte crescimento do emprego formal sobre as contribuições da previdência
a melhoria no cumprimento da legislação
e os efeitos iniciais das
reformas da previdência aprovada nos anos recentes.
O superávit consolidado dos estados e
municípios durante os nove primeiros meses de 2000 aumentou
consideravelmente
para o equivalente a 0
7 por cento do PIB estimado para
o período
comparado a 0
4 por cento do PIB durante o mesmo período de
1999. As restrições financeiras embutidas nos acordos de renegociação
das dívidas destes governos com o governo federal
além de uma forte
recuperação das receitas
contribuíram para uma melhora das finanças
dos estados. O governo federal concluiu recentemente acordos semelhantes
para a reestruturação de dívidas de 180 municípios
incluindo os
maiores do país. As empresas estatais também tiveram um desempenho
positivo durante os nove primeiros meses de 2000
registrando um superávit
primário equivalente a quase 0
9 por cento do PIB do período
lideradas
pelas empresas federais
particularmente a Petrobrás
a qual tem se
beneficiado dos altos preços internacionais do petróleo
uma vez que sua
produção equivale a três-quartos do consumo doméstico de produtos
derivados de petróleo.
O governo conseguiu também progressos
adicionais consideráveis na reforma estrutural da área fiscal. Como um
importante passo em direção à sustentabilidade fiscal
a Lei de
Responsabilidade Fiscal foi promulgada no início de maio
após ter sido
aprovada pelo Congresso Nacional por uma ampla maioria. Esta lei
entre
outras coisas
proíbe operações de ajuda financeira entre diferentes níveis
de governo; estabelece limites para as despesas de pessoal do governo
federal e dos governos municipais e estaduais; e requer ainda que limites
sejam fixados pelo Senado Federal
segundo proposta do Presidente
ao
endividamento de cada nível de governo. Estes limites já foram propostos
pelo Presidente. A lei também determina melhoras significativas no que se
refere à transparência e à responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
A legislação complementar sobre penalidades por violações dos
dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal por parte de autoridades públicas
(a lei de crimes fiscais) foi também aprovada pelo Congresso Nacional. Em
junho
o Senado Federal aprovou o Plano Plurianual para 2000-2003 (PPA)
que define a estratégia do governo para a alocação dos recursos do orçamento
federal para os diversos programas de despesas durante este período
objetivando maior previsibilidade
responsabilidade e eficiência nos
gastos federais.
Os esforços do governo para resguardar os
programas sociais básicos e melhorar a qualidade e a eficiência dos
gastos sociais nos últimos anos começaram a gerar frutos
conforme pode
ser observado pela melhoria dos indicadores sociais apresentados nos
resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio
de 1999 (PNAD-99)
divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) em julho de 2000. A PNAD-99 mostrou
entre outras
coisas
importantes progressos em educação e saúde
e alguma melhora na
distribuição da renda.
Nos últimos meses
a privatização das três
grandes empresas geradoras de eletricidade foi adiada em virtude da
necessidade de se modificar os seus respectivos modelos de privatização
assim como a privatização do Banco do Estado de São Paulo (BANESPA)
em
virtude de repetidas contestações judiciais. Todavia
várias empresas
estaduais de energia (CELPE
CEMAR)
uma empresa estadual de gás (Gás
Sul)
uma empresa estadual de saneamento (Manaus Saneamento) e o Banco dos
Estado do Paraná (BANESTADO) foram privatizados com sucesso este ano
gerando uma receita total de R$4
7 bilhões. Adicionalmente
obteve-se um
considerável envolvimento do setor privado na área de energia elétrica
por meio de empreendimentos conjuntos
com a participação minoritária
da Petrobrás e da Eletrobrás
em projetos de novas usinas de energia
termelétrica e linhas de transmissão de eletricidade. O governo realizou
também
dentro de sua programação
a venda de um lote de ações da
Petrobrás
pelo preço de R$7
2 bilhões.
O Banco Central do Brasil (BCB) continua
executando com sucesso o seu regime de metas de inflação como lastro
para a política monetária
com vista a ancorar as expectativas de preços
em uma trajetória de queda gradual da meta inflacionária. Conforme
divulgado no relatório trimestral de inflação do BCB de setembro de
2000
com base nas taxas de juros vigentes naquele período
a inflação
anual projetada era de 6
7 por cento para o final de 2000 (ligeiramente
acima da meta de 6 por cento
mas totalmente dentro do intervalo de 4-8
por cento definido a partir da meta para o final de 2000)
e de 3
7 por
cento para o final de 2001 (comparada com uma meta de 4 por cento). Para
minimizar os riscos de exceder a meta para o final de 2000
o BCB manteve
a taxa de juros básica (SELIC) inalterada em 16
5 por cento desde 19 de
julho de 2000.
O BCB continuou também com seus esforços
no sentido de melhorar o funcionamento dos mercados de crédito e
facilitar o estreitamento das margens de intermediação do sistema bancário.
De outubro de 1999 a setembro de 2000
as margens médias foram reduzidas
em mais de 15
5 pontos percentuais. Em parte
isso reflete uma redução
das exigências de reservas mínimas para depósitos à vista
de 65 por
cento em outubro de 1999 para 45 por cento em junho de 2000. Tal redução
provocou uma recuperação sustentada do crédito bancário para o setor
privado nos últimos meses. Além disso
o sistema de regulamentação
prudencial continuou sendo aperfeiçoado
particularmente por meio da
implementação de um sistema prospectivo de classificação de empréstimos
e de um novo sistema de encargos sobre o capital relacionado ao risco de
taxas de juros. A capitalização dos bancos nacionais foi também reforçada
fato este que vem ajudando a recuperação do crédito para o setor
privado nos últimos meses. O BCB
além do mais
reforçou a supervisão
bancária
com a criação de departamentos separados para as supervisões
in loco e à distância
e a contratação e treinamento de novos funcionários.
Os continuados esforços para melhorar a
gestão da dívida pública e o funcionamento do mercado secundário para
a dívida do governo
juntamente com o fortalecimento da confiança do
mercado e as expectativas de inflação declinante
vêm permitindo ao
governo aumentar o prazo médio da dívida federal interna securitizada
que alcançou 29
3 meses (14
3 meses para títulos colocados por meio de
leilões) ao final de agosto de 2000. O prazo médio dos novos títulos
aumentou também de 16
8 meses em fevereiro de 2000 para 24
8 meses em
agosto de 2000. Ao mesmo tempo
a participação dos títulos pré-fixados
aumentou de 9
2 por cento ao final de 1999 para 15 por cento ao final de
agosto de 2000.
PERSPECTIVAS
E POLÍTICAS PARA O RESTANTE DO ANO 2000
Em virtude da ampla e sustentada recuperação
da atividade econômica
espera-se que o crescimento do PIB atinja 4 por
cento
em média
no ano de 2000
e se acelere ainda mais em 2001. Supondo
ajustes moderados de salários
o vigoroso crescimento do produto deve se
refletir na continuidade do crescimento sustentado do emprego e num declínio
do desemprego durante o restante deste ano e no futuro. Em seguida à
aceleração temporária no terceiro trimestre
mencionada acima
espera-se que a taxa de inflação retome uma tendência de queda no
quarto trimestre de 2000
atingindo 6
5-6
75 por cento no final do ano.
Prevê-se que o saldo da balança comercial
termine o ano em relativo equilíbrio
na medida em que se espera que o
forte crescimento das exportações de manufaturados seja compensado pela
persistência dos elevados preços internacionais do petróleo
dos preços
relativamente deprimidos de alguns importantes produtos de exportação
agrícolas
e do crescimento das importações. O déficit em conta
corrente deverá crescer ligeiramente
em termos de valor
em relação à
cifra de US$25 bilhões registrada em 1999
mas deverá cair como proporção
do PIB
de 4
7 por cento do PIB em 1999 para menos de 4
5 por cento do PIB
em 2000. Esse déficit deverá ser integralmente financiado por
investimentos estrangeiros diretos (IED).
Estima-se que o influxo de capitais de médio
e longo-prazos (MLP) registre substancial saldo líquido positivo
devido
em especial
à queda das amortizações de dívidas de MLP e à melhoria
do acesso aos mercados de capitais internacionais
tanto por parte de
tomadores públicos quanto dos tomadores privados. No total
projeta-se
que a dívida externa pública no final do ano deva ficar bem abaixo do
limite de US$95
5 bilhões proposto no programa
dos quais no máximo
US$4
0 bilhões teriam prazos originais menores ou iguais a um ano.
O balanço de pagamentos deverá apresentar
um superávit moderado
permitindo alguma recomposição das reservas
internacionais líquidas (RIL)
as quais deverão dessa forma permanecer
durante o restante deste ano
em um confortável nível acima do piso
previsto no programa
de US$25 bilhões. Na hipótese de que
conforme
intenção do governo
não ocorram novos saques no âmbito do Acordo
"Stand-by" (SBA)
as reservas internacionais brutas no final de
2000
deverão ser equivalentes a 5
3 meses de importações de bens e
serviços não-fatores
ou 56 por cento da dívida a vencer no curto prazo
(subindo a 140 por cento desta dívida
ao se excluírem os financiamentos
comerciais).
Para 2000
o programa prevê um acréscimo
equivalente a cerca de 0
2 por cento do PIB do superávit primário do
setor público consolidado
em relação ao seu nível de 1999
(equivalente a 3
2 por cento do PIB). Foi proposto
portanto
que a meta
de superávit primário acumulado do programa para 2000 fosse estabelecida
em R$36
7 bilhões
o equivalente a cerca de 3
4 por cento do PIB. Dadas
as atuais perspectivas para as finanças dos governos estaduais e
municipais e suas empresas (vide abaixo)
esta meta parece estar
consistente com a revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2000
aprovada pelo Congresso Nacional em junho
a qual determina um superávit
primário conjunto do governo central e das empresas federais de pelo
menos R$30
5 bilhões para este ano.
As projeções atuais são de um superávit
primário do governo central de cerca de R$23
5 bilhões (2
2 por cento do
PIB). Uma redução das receitas fiscais como proporção do PIB —
parcialmente refletindo o término de receitas extraordinárias
registradas no ano passado — será largamente compensada pelos atuais
esforços de contenção e racionalização de gastos primários
concomitantemente com a preservação de programas prioritários
especialmente aqueles da área social. A queda do superávit primário do
governo central projetada para o restante deste ano reflete um conjunto de
fatores
particularmente a redução de 0
08 pontos percentuais na alíquota
da CPMF em junho; maiores gastos com as aposentadorias
após o ajuste do
piso das aposentadorias em abril e de outros benefícios em junho; e uma
aceleração das despesas correntes e de capital
após a aprovação do
orçamento em maio.
De uma forma geral
espera-se que o bom
desempenho das finanças dos estados e dos municípios até o presente em
2000 deva ser mantido durante o restante do ano
refletindo os efeitos dos
acordos de reestruturação de dívida acima mencionados
assim como o
contínuo fortalecimento das receitas. Projeções atuais situam o superávit
primário consolidado desses governos em cerca de R$5
6 bilhões (0
5 por
cento do PIB) em 2000. O desempenho fiscal das empresas estatais deverá
também permanecer expressivo
apresentando um superávit primário
projetado de cerca de R$7
6 bilhões (0
7 por cento do PIB) para o ano.
Isso reflete
em particular
o impacto favorável dos preços
internacionais do petróleo
ainda relativamente elevados
nas finanças
da Petrobrás. Consideradas em seu conjunto
essas projeções indicam a
confiança de que a meta de superávit primário para o setor público
consolidado em 2000 será alcançada.
Conforme os pressupostos de trabalho
de
uma ampla estabilização da taxa de juros básica e da taxa de câmbio ao
redor de seu nível atual
a necessidade de financiamento do setor público
(NFSP) deverá declinar para 4
6 por cento do PIB
e a dívida pública líquida
não deve exceder R$584
5 bilhões (cerca de 50 por cento do PIB)
depois
de consideradas as receitas das privatizações e o reconhecimento
programado dos passivos não-registrados anteriormente e outros ajustes
patrimoniais
conforme consta do Memorando Técnico de Entendimento (MTE).
O governo também pretende continuar os seus esforços para aumentar a
participação dos títulos de renda fixa no total da dívida pública
interna
prolongar ainda mais o prazo médio da dívida interna e
gradualmente reduzir o saldo restante da dívida indexada à variação
cambial. O governo está também melhorando a composição de sua dívida
externa
prolongando sua duração
suavizando seu perfil de amortização
e diversificando a combinação de moedas dessa dívida.
O governo pretende manter seus esforços
com relação à reforma estrutural da ordem fiscal no restante deste ano
e em 2001. O governo deverá prosseguir com os seus esforços para obter
o mais cedo possível
a aprovação das últimas duas partes da legislação
remanescente e necessária à implantação da reforma administrativa; dos
projetos pendentes para a regulamentação dos fundos de aposentadoria
complementar para trabalhadores públicos e privados; e da proposta para a
cobrança de contribuição previdenciária dos servidores públicos civis
aposentados.
O governo prossegue também com seus esforços
a fim de obter o apoio político necessário para as reformas do sistema
tributário. Essas reformas deverão incluir: (i) um anteprojeto para
modificar a atual legislação do sigilo bancário
com a finalidade de
facilitar o cumprimento das obrigações tributárias - esse anteprojeto já
foi aprovado no Senado Federal e está agora sendo debatido na Câmara dos
Deputados; (ii) um novo código tributário
incluindo dispositivos para
limitar a margem de evasão de impostos
a erosão da base tributária e o
excessivo litígio judicial tributário; (iii) um anteprojeto para
transformar a tributação sobre a propriedade rural em uma contribuição
especial para o financiamento da reforma agrária; e (iv) uma nova
proposta para a reforma do sistema de impostos indiretos
que prevê
entre outras coisas
a unificação
em todo o território nacional
da
base e da estrutura das alíquotas do ICMS
uma medida que deverá ajudar
a combater a atual proliferação de incentivos fiscais no âmbito desse
imposto; a substituição progressiva
durante um prazo de três anos
das
atuais contribuições sociais em cascata (COFINS e PIS-PASEP) por uma
contribuição monofásica; ou a introdução de deduções ou mecanismos
de crédito destinados a eliminar o efeito cascata e suas conseqüentes
distorções. O governo também já apresentou recentemente ao Congresso
Nacional uma proposta de emenda constitucional que estabelece um sistema
de taxação explícita para produtos derivados de petróleo
a fim de
substituir o atual esquema de subsídios cruzados incorporado na conta
petróleo do governo federal e compensar o potencial impacto adverso sobre
as receitas federais decorrente da liberalização do mercado de petróleo
prevista para o final de 2001.
A despeito dos adiamentos mencionados
acima
devidos em sua maior parte a fatores fora de seu controle
o
governo pretende continuar com seus esforços de privatização durante o
restante deste ano e durante o ano de 2001. Em especial
o governo deverá
envidar esforços para privatizar o BANESPA
cuja venda está programada
para 20 de novembro de 2000
e o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB)
e continuar preparando a privatização do restante dos bancos estaduais
em 2001 e a privatização das maiores empresas de geração de
eletricidade.
O governo apresentou ao Congresso Nacional
em agosto último
a proposta orçamentária para 2001 prevendo um superávit
primário do governo central de R$28
1 bilhões
o qual seria consistente
com um superávit primário do setor público consolidado equivalente a
pelo menos 3
0 por cento do PIB. Ao mesmo tempo
e para sinalizar o seu
compromisso com uma disciplina fiscal sustentada até o final da atual
administração
o governo anunciou uma meta de 2
7 por cento do PIB para
o superávit primário do setor público consolidado para 2002. O orçamento
proposto para 2001 permitirá ao governo federal atender às necessidades
de gastos prioritários
especialmente nas áreas sociais
salvaguardando
concomitantemente a sustentabilidade fiscal
com uma previsão de gradual
declínio da relação entre dívida líquida do setor público e o PIB.
Dentre as recentes iniciativas nessas áreas destacam-se os renovados
esforços a favor da saúde
da educação
dos programas de apoio à
renda em regiões com índices de desenvolvimento social abaixo da média
nacional (Programa Alavorada)
e de programas anti-crime e de segurança pública
(Plano Segurança).
A política monetária continuará sendo
conduzida dentro do regime de metas de inflação
cuja base institucional
deverá ser fortalecida pelo governo no curso do próximo ano
através da
proposição ao Congresso Nacional da revisão da lei orgânica do BCB.
Nesse contexto
as ações do BCB e
em particular
as alterações da
taxa SELIC
deverão continuar a guiar-se pelo cenário de inflação. A
meta de inflação para 2002
anunciada em junho
prevê uma queda
adicional da inflação de preços ao consumidor
para 3
5 por cento
mais
uma vez com um intervalo de tolerância de mais ou menos 2 pontos
percentuais. Com base nas discussões periódicas entre o BCB e os técnicos
do Fundo
estes últimos deverão informar à Diretoria Executiva do Fundo
sobre a condução da política monetária
avaliando-a a cada revisão
prevista do programa. Essas discussões deverão suplementar o mecanismo
de consulta sobre os desvios em relação à atual trajetória da meta da
taxa de inflação acumulada em 12 meses
estabelecida dentro do contexto
da quarta avaliação do programa
substituindo os tetos tradicionais do
programa para os ativos internos líquidos (AIL) junto ao BCB.
O BCB está montando um sistema de liquidações
brutas em tempo real com a finalidade de melhorar o sistema de pagamentos
e reduzir significativamente o risco de inadimplência neste sistema. O
BCB deverá ainda manter os seus esforços para fortalecer ainda mais suas
funções de supervisão bancária
em cooperação com as diversas
autoridades de supervisão
melhorando o funcionamento dos mercados
financeiros e de capitais domésticos
e intensificando cada vez mais a
transparência de suas próprias operações. O BCB está conduzindo também
uma profunda auditoria dos bancos federais
após uma avaliação levada a
cabo por consultores externos e disponibilizada ao público; estes insumos
deverão ser usados para definir
tão logo quanto possível
uma estratégia
apropriada para o fortalecimento desses bancos.
Outros avanços foram também alcançados
na promoção do diálogo
e no fortalecimento da convergência macroeconômica
e de políticas no âmbito do Mercosul. Considera-se a eliminação da
sobretaxa temporária de 3 por cento sobre a tarifa externa comum em 2001
acordada em 1997
e vários itens que têm permanecido nas listas de exceções
deverão convergir para a tarifa externa comum. Apenas um grupo limitado
de itens permanecerá nas listas de exceções e a convergência total
ocorrerá gradualmente até 2005. Como um primeiro passo no sentido de
melhorar a coordenação macroeconômica com a região
esforços estão
sendo desenvolvidos pelos membros do Mercosul com a finalidade de
harmonizar as suas principais estatísticas macroeconômicas e fiscais. Os
países membros do Mercosul também já concordaram em anunciar metas
fiscais harmonizadas até Março de 2001. O governo permanece comprometido
com uma maior liberalização do comércio multilateral
no contexto de
negociações que incluam os produtos agrícolas. O Governo já está
buscando novos diálogos com alguns países e blocos regionais visando a
redução mútua de barreiras ao comércio.
Avanços continuam sendo feitos na melhoria
das estatísticas necessárias para que o Brasil se torne signatário do
Padrão Especial de Disseminação de Dados (PEDD)
o que está previsto
para o final do ano 2000. A publicação
pela primeira vez no início de
outubro
das estimativas trimestrais do PIB nominal até o segundo
semestre do ano de 2000 representa um importante passo nesta direção;
estas estimativas trimestrais serão atualizadas a cada trimestre.
Em resumo
o Brasil manteve o seu
desempenho exitoso durante o segundo ano do programa. O governo permanece
inteiramente comprometido com as políticas e metas do programa para este
ano
porém está solicitando algumas modificações no cronograma para
certos parâmetros estruturais
devido a atrasos
geralmente fora do seu
controle
em relação a algumas reformas estruturais e ao programa de
privatização. As políticas e metas para o terceiro ano do programa
no
âmbito do Acordo "Stand By"
serão discutidas no início de
2001.
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