O Brasil completou com êxito as
primeiras quatro avaliações do Acordo "Stand By" (SBA) de
três anos com o Fundo Monetário Internacional (o Fundo)
aprovado
pela Diretoria Executiva do Fundo em 2 de dezembro de 1998. Este
Memorando de Política Econômica (MPE) sucintamente avalia o
desempenho da economia brasileira em 1999 e
a partir da análise das
perspectivas políticas e econômicas para o ano de 2000
apresenta
uma proposta de atualização do marco do programa para este ano.
DESEMPENHO
ECONÔMICO EM 1999
O desempenho econômico do Brasil no
programa foi significativamente melhor do que o previsto. O PIB
para
o qual se projetava uma queda considerável em 1999
começou a se
recuperar já no primeiro trimestre e registrou crescimento a maior
parte do ano
apresentando aceleração durante o quarto trimestre e
terminando 1999 com taxa de crescimento próxima de 1 por cento para o
conjunto do ano. O emprego cresceu acima de 2
5 por cento e a taxa de
desemprego nacional declinou ligeiramente para 7
53 por cento
contra
7
60 em 1998. A estabilidade salarial
juntamente com a recuperação
do produto
contribuiu
certamente
para sustentar o crescimento do
emprego.
A inflação registrada nos preços
ao consumidor mostrou-se moderada
com o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) subindo menos de 9 por cento em 1999 - dentro do
intervalo de tolerância definido pelo governo
entre 6 e 10 por cento
ao ano – a despeito de quase 50 por cento de desvalorização nominal
do Real
de choques de oferta – como a seca – e de significativos
ajustes nos preços internos dos produtos derivados do petróleo e de
outros preços administrados. O Índice Geral de Preços (IGP-DI)
no
qual os preços dos bens comercializáveis têm um peso muito maior do
que no IPCA
subiu 20 por cento durante o ano. A condução firme das
políticas fiscal e monetária e a ausência de mecanismos de indexação
foram fundamentais para conter o repasse do aumento dos preços dos bens
comercializáveis para os preços ao consumidor.
O saldo da balança comercial melhorou
porém situou-se abaixo do nível originalmente projetado
devido a
uma perda inesperadamente forte nos termos de troca (mais de 13 por
cento)
reflexo do aumento dos preços internacionais do petróleo e
da redução dos preços dos produtos exportados
especialmente agrícolas
ademais da retração econômica na região. Além disso
a resposta
do volume de exportações à desvalorização cambial foi mais lenta
do que se esperava inicialmente
devendo-se notar
todavia
que o
desempenho das exportações fortaleceu-se progressivamente ao longo
do ano
com o volume de exportações subindo quase 23 por cento no
quarto trimestre de 1999
se comparado ao mesmo período no ano
anterior. A melhoria substancial da competitividade externa
evidenciou-se também na substituição de importações
com o volume
de importações caindo
em média
cerca de 15 por cento ao longo do
ano
frente ao crescimento positivo
embora modesto
da produção doméstica.
No conjunto
o déficit comercial declinou significativamente para US$
1
2 bilhão em 1999
contra US$ 6
6 bilhões em 1998
e já próximo
ao final do ano o saldo comercial
sazonalmente ajustado
apresentou
reversão
passando a mostrar-se superavitário. Essa melhora
continuou a ser observada nos primeiros meses de 2000.
A melhoria do saldo da balança
comercial em 1999 foi acompanhada pela redução do déficit da conta
de serviços
apesar do aumento de mais de US$ 3 bilhões no item
pagamento de juros líquidos ao exterior. Dessa forma
o déficit em
conta corrente do balanço de pagamentos diminuiu consideravelmente
de US$ 33
6 bilhões em 1998 para US$ 24
4 bilhões (4
4 por cento do
PIB) em 1999. Esse déficit foi mais do que integralmente financiado
por investimentos estrangeiros diretos líquidos (IEDs)
que alcançaram
nível recorde de cerca de US$ 30 bilhões (5
4 por cento do PIB)
não
obstante alguma redução no ritmo das privatizações.
O fortalecimento da confiança do
mercado no desempenho econômico do Brasil durante o ano de 1999 está
refletido não apenas no aumento do fluxo dos IEDs
mas também na
recuperação do acesso doméstico ao financiamento externo
com a
emissão de dívidas de médio e longo prazos alcançando o
equivalente a mais de US$ 17 bilhões para a ano de 1999 como um todo
e linhas de crédito externo interbancárias sendo progressivamente
disponibilizadas ao longo do ano. A dívida externa total permaneceu
praticamente estável
próxima de US$ 242 bilhões (43 por cento do
PIB)
ao fim de 1999. Menos de 11 por cento dessa dívida se refere a
títulos com maturidade inicial igual ou inferior a um ano. Todas as
metas do programa para a dívida externa do setor público não-financeiro
foram cumpridas com folga.
Depois de apresentar considerável déficit
(mais de US$ 10 bilhões) no primeiro trimestre do ano
o saldo do
balanço de pagamentos permaneceu em relativo equilíbrio durante o
restante de 1999. As reservas internacionais líquidas (RIL) – que não
consideram os recursos dos empréstimos do FMI e dos empréstimos
concedidos pelo BIS e o Japão – totalizaram US$ 24 bilhões ao
final do ano (US$ 3
7 bilhões acima da meta do programa) e
continuaram a crescer em 2000
atingindo o valor atual de US$ 27
1
bilhões (US$ 5
3 bilhões acima do piso estipulado no programa para o
final de abril de 2000). Após o pagamento integral
antecipado em
parte
do empréstimo da Supplemental Reserve Facility (SRL) do FMI
do BIS e do Japão
as reservas internacionais brutas representam hoje
cerca de US$ 29 bilhões
o que corresponde a mais de 5 1/2 meses de
importações de bens e serviços não-fatores
ou ainda a 47 por
cento da dívida externa a vencer no curto prazo (da qual 48 por cento
representam linhas de crédito comerciais).
O ano de 1999 marcou uma importante
virada no desempenho fiscal do Brasil. A variação implícita na meta
primária do setor público consolidado
partindo de uma situação de
quase equilíbrio em 1998 para um superávit equivalente a 3
1 por
cento do PIB em 1999
foi atingida em meio a um cenário de queda da
demanda interna e das importações. O governo também obteve
progressos significativos em sua agenda de reformas estruturais de
ordem fiscal
fato essencial para assegurar a sustentabilidade do
ajuste fiscal no longo prazo. A meta de superávit primário do setor
público consolidado (R$ 30
2 bilhões) para 1999 foi de fato cumprida
com certa margem
tendo em vista que o superávit observado foi de R$
31
1 bilhões para o ano. O déficit nominal do setor público (que
considera o impacto da desvalorização cambial sobre a dívida pública
interna) atingiu 9
5 por cento do PIB (significativamente abaixo do
previsto no programa: 10
8 por cento do PIB). A dívida pública líquida
aumentou para R$ 516
6 bilhões
correspondendo a 47 por cento do PIB
estimado para o fim de 1999
ligeiramente acima da meta indicativa
definida para o ano final do programa (2001).
O superávit primário do governo
central – que inclui as contas do Tesouro
do sistema de previdência
social e do Banco Central (BCB) – aumentou o equivalente a 1
7 por
cento do PIB entre 1998 e 1999. Esta melhoria foi reflexo não somente
do conjunto de medidas de política e de administração tributária
(detalhadas em MPEs anteriores)
que contribuíram para o aumento do
total das receitas tributárias em valor equivalente a 0
7 por cento
do PIB
mas também do esforço considerável na contenção de
despesas não financeiras
que caíram cerca de 1 ponto percentual em
relação ao PIB. A redução das despesas primárias foi viabilizada
em parte pelo impacto fiscal positivo da primeira rodada de reformas
do sistema de previdência social
aprovadas em 1998
assim como pelas
iniciativas no sentido de racionalizar a administração pública e
priorizar os programas de gastos públicos. O governo esforçou-se
ainda para proteger os gastos com educação
saúde e programas
sociais prioritários dessa rígida restrição no orçamento público.
Uma melhoria significativa foi também
registrada no resultado primário dos estados
que passaram de um déficit
equivalente a 0
4 por cento do PIB em 1998 para um superávit de 0
15
por cento do PIB em 1999. Essa melhoria refletiu a observância dos
limites de endividamento por parte dos estados
assim como dos acordos
de reestruturação das dívidas estaduais junto ao governo federal
fatores esses que haviam sido mencionados nos MPEs anteriores. O
governo estendeu
em 1999
a renegociação da dívida a alguns municípios
maiores
que estavam enfrentando problemas com o excessivo peso de
suas dívidas
com o objetivo de permitir que os mesmos pudessem
reiniciar o pagamento regular do serviço financeiro correspondente
fato que exigirá desses municípios a consecução de superávites
primários significativos nos próximos anos. As empresas estatais
também registraram melhoria considerável – equivalente a quase 1
por cento do PIB – em 1999
refletindo não apenas o aumento da
receita – particularmente no caso da Petrobrás
devido à alta do
preço do petróleo – mas também os esforços voltados para a
contenção de despesas.
O governo obteve progressos
significativos nas reformas estruturais de ordem fiscal em 1999.
Conseguiu no Congresso a aprovação das emendas constitucionais para
a reforma administrativa e para grande parte da legislação necessária
à sua implementação. O governo obteve também a aprovação no
Congresso de sua proposta de reforma do sistema de previdência social
para os trabalhadores do setor privado
que introduziu princípios
atuariais no atual regime previdenciário de repartição
vinculando
os benefícios da aposentadoria à idade e ao histórico de contribuição
de cada trabalhador. Essa reforma deverá ajudar a minorar o déficit
do sistema de previdência social no médio prazo. Uma contestação
à constitucionalidade dessa importante reforma foi recentemente
rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. O governo também submeteu ao
Congresso três Projetos de Lei regulamentando os planos públicos e
privados de aposentadoria complementar
os quais deverão assumir
importância crescente
ao longo do tempo
na política de provisão
de serviços de previdência social. Finalmente
o governo apresentou
ao Congresso o Projeto de Lei de responsabilidade fiscal
abrangendo
todos os níveis de governo
que estabeleceu limites para o dispêndio
e para o endividamento públicos
e aumentou a transparência fiscal.
Após exaustivo debate público e numerosas audiências no Congresso
o Projeto de Lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados
estando
atualmente em discussão no Senado Federal. A sua aprovação está
prevista para o mês de abril.
Depois da mudança para o regime de câmbio
flutuante
o BCB vem executando com êxito o seu programa de política
monetária voltada para a consecução de metas inflacionárias
objetivando ancorar as expectativas referentes aos preços em uma
trajetória gradual de inflação declinante. Dessa forma
o BCB vem
seguindo com cautela sua política de juros
tendo interrompido a redução
da taxa de juros overnight (SELIC) até estar confiante de que a inflação
esperada situava-se
com segurança
dentro do intervalo de tolerância
da meta fixada para o final do ano 2000. Essa política de taxa de
juros contribuiu – juntamente com a melhoria da tendência das
contas fiscais e externas - para o fortalecimento da taxa de câmbio.
Ao mesmo tempo
o BCB vem desenvolvendo
esforços no sentido de melhorar o funcionamento dos mercados de crédito
e de estreitar as margens de spread bancário
ainda relativamente
altas
por meio de uma série de medidas (ver detalhamento no MPE
anterior)
incluindo a redução progressiva do volume de reservas
bancárias exigidas. Essas medidas – juntamente com a perspectiva de
melhora do cenário econômico
além da queda observada de 1 ponto
percentual na participação dos empréstimos não-pagos em relação
aos empréstimos totais (redução para 8
5 por cento durante o ano de
1999) – permitiram a recuperação progressiva do crédito para o
setor privado nos meses recentes. O BCB fez também progressos
adicionais no fortalecimento do marco regulatório de risco para os
bancos
mediante a definição de nova regulamentação relativa à
exigência de capital para operações de risco e à implantação de
um novo sistema de classificação de empréstimos. O BCB prosseguiu
em seu esforço de melhorar a supervisão bancária
iniciando inspeções
globais consolidadas (IGCs) dos bancos
já tendo completando um
primeiro ciclo de auditorias nos principais bancos federais. Além
disso
o BCB deu continuidade aos preparativos para a privatização
em 2000 e 2001
da maioria dos bancos estaduais ainda sob controle público.
Com a colaboração do Tesouro
o BCB
adotou medidas visando melhorar a gestão da dívida pública e o
funcionamento do mercado secundário dos títulos que compõem a dívida.
Como reflexo dessas medidas
bem como do aumento da confiança na
estabilidade econômica e na inflação declinante
o vencimento médio
do total da dívida pública no mercado subiu para 8
6 meses ao final
de fevereiro de 2000 (e a participação de títulos com taxa pré-fixada
no total da dívida federal securitizada aumentou de 1 por cento em
março de 1999 para 11 por cento ao final de fevereiro de 2000).
PERSPECTIVAS
E POLÍTICAS PARA O ANO 2000
O conjunto da política econômica em
2000 tem por objetivos: consolidar a recuperação do produto e a redução
do desemprego; alcançar a meta de queda da inflação; fortalecer
ainda mais as contas externas; e continuar o processo de modernização
e integração da economia brasileira na economia global por meio de
reformas estruturais
da privatização e da promoção da concorrência.
O programa econômico do governo para 2000
que foi endossado pelo
Fundo em novembro de 1999
funda-se nos seguintes pilares: ajuste
fiscal continuado
que prevê o aumento do superávit primário do
setor público equivalente a 3
25 por cento do PIB; política monetária
direcionada para reduzir a inflação do IPCA para 6 por cento no
final do ano
com intervalo de tolerância de 2 pontos percentuais em
torno da meta; e a política exterior voltada para a obtenção de uma
trajetória sustentável da conta corrente e para a manutenção de um
nível confortável das reservas internacionais.
O fortalecimento da recuperação econômica
nos meses recentes oferece confiança de que
na ausência de graves
choques externos adversos
o crescimento médio do PIB atinja 4 por
cento em 2000. Supondo a continuidade da tendência de ajustes
salariais moderados
essa intensidade de crescimento do PIB deverá
refletir-se em maior crescimento sustentado do emprego.
A taxa de crescimento dos preços ao
consumidor – que se havia acelerado no último trimestre de 1999
devido a fatores sazonais
aos choques de oferta mencionados acima e
ao enfraquecimento do Real – passou a apresentar uma tendência
declinante desde o início do ano
ajudada pela estabilização da
taxa de câmbio e pela cuidadosa gestão da política monetária.
Supondo a inexistência de novos choques de oferta substanciais e a
gradual estabilização
em níveis moderados
dos preços
internacionais do petróleo durante o ano
a taxa de inflação dos
preços ao consumidor
acumulada em 12 meses
deverá permanecer
dentro de um intervalo de 1 ponto percentual em torno da trajetória
definida no programa
a qual prevê um suave declínio da inflação
resultando em taxa anual de 6 por cento ao final de 2000. Espera-se
ainda uma maior convergência entre as trajetórias da inflação dos
preços ao consumidor e do índice geral de preços (IGP-DI)
refletindo
no ano
a estabilização esperada da relação entre preços
de bens comercializáveis e preços de bens não-comercializáveis.
Prevê-se que o saldo da balança
comercial continue a apresentar melhora durante o ano
atingindo
no
final de 2000
superávit próximo de US$ 4 bilhões. Isso será
reflexo do crescimento sustentado dos volumes exportados
o qual
embora possivelmente venha a se desacelerar durante o segundo semestre
do ano
deverá mais do que compensar o impacto da retomada prevista
das importações resultante do aumento da demanda interna. Espera-se
que os volumes das importações aumentem mais moderadamente do que em
fases cíclicas semelhantes anteriores
devido à melhoria da
competitividade da indústria nacional. Esse ganho de competitividade
é resultado da desvalorização real da taxa de câmbio
bem como da
modernização e substituição por produção doméstica
associadas
aos maiores fluxos de IEDs. Com base na suposição acima
de que os
preços internacionais do petróleo cairão em relação a seus
elevados níveis recentes
bem como na já observada
mas incipiente
recuperação dos preços das commodities de exportação
espera-se
uma melhoria gradual dos termos de troca ao longo de 2000. A evolução
dos termos de troca durante os próximos meses do ano permanece
todavia
como um fator de vulnerabilidade que condiciona o desempenho
da balança comercial. A melhoria do saldo em conta corrente do balanço
de pagamentos em 2000
deverá ser moderada em virtude dos crescentes
pagamentos de juros e lucros feitos ao exterior. Portanto
projeta-se
uma queda do déficit em conta corrente para aproximadamente US$ 23
bilhões (cerca de 3
5 por cento do PIB). Uma vez mais
este déficit
deverá ser mais do que inteiramente financiado pelos IEDs líquidos.
Estima-se que o influxo de capitais de médio
e longo prazos (MLP)
excluindo-se os IEDs
registre substancial saldo
líquido positivo
devido
em especial
à queda das amortizações de
dívidas de MLP – de quase US$ 50 bilhões em 1999 para US$ 30 bilhões
em 2000 – ao contínuo e significativo influxo líquido de recursos
provenientes de bancos de desenvolvimento multilaterais
às emissões
programadas da dívida externa soberana com valor em torno de US$ 6
bilhões (das quais mais de US$ 3
4 bilhões já foram realizadas
durante o primeiro trimestre do ano) e à melhoria do acesso de outros
tomadores brasileiros aos mercados externos de capitais. Os limites
previstos no programa para a dívida externa pública
bem como para a
dívida sob o aval do Estado
e para seus componentes de curto prazo
foram definidos de acordo com essas perspectivas.
Refletindo a evolução prevista nessas
projeções e o contínuo aumento das linhas de crédito interbancário
vinculadas ao comércio exterior
projeta-se que o saldo do balanço
de pagamentos registre considerável superávit em 2000
permitindo a
recomposição das reservas internacionais ao longo do ano
com a
projeção das RILs situando-se confortavelmente acima do piso
estabelecido pelo programa
detalhado no MTE em anexo. As reservas
internacionais brutas
no final de 2000
estão estimadas em nível
equivalente a seis meses de importações
ou quase 52 por cento da dívida
a vencer no curto prazo
considerando que
de acordo com a intenção
do governo
não ocorrerão novos saques no âmbito do Acordo "Stand
By" (SBA).
Conforme especificado no MPE referente
à quarta avaliação do programa
o governo submeteu ao Congresso
em
agosto de 1999
proposta orçamentária para 2000 prevendo superávit
primário para o governo central equivalente a 2
6 por cento do PIB
projetado naquela ocasião
em conformidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) aprovada pelo Congresso anteriormente
em junho de 1999. Ao
mesmo tempo
o governo apresentou ao Congresso proposta de emenda
constitucional que reduz a vinculação das receitas federais
medida
essa que deverá facilitar enormemente a contenção dos gastos primários
previstos no orçamento. A aprovação dessa emenda pelo Congresso
concluída somente em meados de março
era um pré-requisito para a
aprovação do orçamento de 2000
cuja sanção
na forma de lei
está
prevista para meados de abril. Nesse meio tempo
os dispêndios
federais primários não compulsórios foram limitados a 2/12 das dotações
orçamentárias
como determina a LDO. Esse fato
conjugado com o contínuo
crescimento das receitas tributárias e outras melhorias nas finanças
da previdência social
tem contribuído para superávits primários
substanciais do governo federal nos dois primeiros meses de 2000.
Projeções atualizadas para o conjunto
do ano sugerem que as receitas do governo federal podem ficar
ligeiramente abaixo – em relação ao PIB – dos valores
inicialmente projetados
devido à possibilidade de crescimento
inferior ao esperado de alguns componentes da base tributária. As
projeções de receita continuam assumindo um superávit da conta petróleo
do Tesouro equivalente a R$ 3
5 bilhões. A consecução desse superávit
poderá depender de novos reajustes dos preços internos dos produtos
derivados de petróleo ao longo do ano (que já foram aumentados 7 por
cento
ou mais
em março de 2000)
a depender da evolução dos preços
internacionais do petróleo e da taxa de câmbio. O governo está
comprometido com a plena implementação da liberalização do mercado
interno de derivados de petróleo o quanto antes possível e
com este
propósito
deverá apresentar
antes do final de junho de 2000
Projeto de Emenda Constitucional destinado a introduzir uma tributação
explícita sobre a maioria dos produtos derivados de petróleo
substituindo o atual sistema de subsídios cruzados que compõe a
conta petróleo do Tesouro. O governo trabalhará conjuntamente com o
Congresso
buscando aprovar esta emenda até o fim do ano 2000.
A consecução da meta de superávit
primário do governo central em 2000 exigirá um controle contínuo
dos dispêndios federais. Esse fato restringiu o espaço para o
aumento real do salário mínimo e dos benefícios da previdência
social e deverá exigir a limitação de compromissos referentes a
algumas despesas não compulsórias no âmbito das dotações orçamentárias.
Ao fixar o novo salário mínimo federal
o governo considerou
cuidadosamente os possíveis impactos adversos de uma excessiva elevação
do salário mínimo sobre o nível de emprego
particularmente no caso
dos trabalhadores de baixa qualificação do setor formal.
Os estados deverão beneficiar-se da
recuperação da atividade econômica e das transferências crescentes
do governo federal
além das maiores possibilidades de reduzir
despesas com pessoal em virtude da aprovação
em 1999
da reforma
administrativa. O governo pretende continuar a exigir com firmeza o
cumprimento dos acordos de reestruturação de dívida
assinados com
os estados e alguns municípios
o que
em conjunto com as limitações
impostas aos mesmos para a obtenção de novos financiamentos
os
obrigará a gerar superávits primários significativos. A expectativa
de continuidade na apuração de superávits substanciais (acima de
0
5 por cento do PIB) nas contas das empresas estatais
particularmente da Petrobrás
dá segurança de que a meta do superávit
primário para o setor público consolidado de 3
25 por cento do PIB
permaneça inteiramente exeqüível para o ano 2000.
Esse superávit parece consistente com
uma queda substancial do déficit do setor público pelo conceito
abaixo da linha para menos de 4 por cento do PIB em 2000
em relação
aos 9
5 por cento do PIB em 1999
acima mencionados
com base no
pressuposto de que a taxa de juros overnight deva cair moderadamente
ao longo do ano
e de que a taxa de câmbio deva permanecer estável
em torno do nível médio dos últimos meses. Neste cenário
a dívida
pública líquida deverá registrar novamente queda em relação ao
PIB
redução essa
todavia
que deverá ser atenuada pela securitização
programada de passivos públicos anteriormente não reconhecidos. O
governo pretende continuar empreendendo esforços no sentido de
aumentar a participação de títulos de taxa pré-fixada no total da
dívida pública interna
de elevar ainda mais a maturidade média da
dívida
à medida que as condições do mercado o permitirem
e de
reduzir paulatinamente a dívida indexada em moeda estrangeira.
A agenda congestionada do Congresso
provocou algumas demoras no cronograma das propostas de reforma
estrutural de ordem fiscal. O governo pretende continuar com os seus
esforços a fim de obter a aprovação da maioria das propostas
legislativas
antes das eleições municipais de outubro. Em
particular
o governo deverá buscar a aprovação no Congresso da
legislação pendente que regulamenta a reforma administrativa e da
lei de responsabilidade fiscal
antes do meio do ano
e da proposta da
contribuição previdenciária dos servidores públicos civis
aposentados
antes do fim do ano. O governo tem também trabalhado
ativamente com o objetivo de construir uma ampla base de consenso
quanto à reforma do sistema tributário
visando aperfeiçoar o
sistema de impostos indiretos
remover distorções e uniformizar
para todo o território nacional
a base do Imposto sobre Valor
Agregado (IVA)
de competência estadual. A aprovação dessa reforma
permanece sendo um item de alta prioridade do governo.
A política monetária continuará
conduzida dentro do sistema de metas inflacionárias. O BCB deverá
continuar com uma atuação prudente quanto à política de juros
com
novas mudanças na taxa de intervenção no mercado de overnight sendo
guiadas pelas perspectivas inflacionárias. O BCB deverá também
persistir em seus esforços no sentido de fortalecer ainda mais a
supervisão bancária
de procurar uma crescente cooperação com
outras autoridades de supervisão nacionais e estrangeiras
de
aumentar ainda mais a transparência de suas operações e de buscar o
aprimoramento do funcionamento dos mercados financeiros e de crédito.
O BCB acaba de iniciar uma segunda auditoria
mais profunda
dos
bancos federais
o que constituía pré-requisito para definir uma
estratégia mais adequada para a reestruturação e fortalecimento
desses bancos. A privatização do ex-banco estadual de São Paulo (BANESPA)
atualmente sob o controle federal
sofreu um pequeno atraso devido a
contestações legais
mas continua ainda prevista para ser realizada
até meados do ano 2000. As privatizações dos demais bancos
estaduais remanescentes
como o BANESTADO
BEA
BEG
BEP e BESC
deverão prosseguir ao longo de 2000 e 2001.
Nenhuma modificação substancial da política
de comércio exterior ocorreu desde a última avaliação do programa
porém alguns avanços foram obtidos no sentido de neutralizar as tensões
criadas e de promover um maior diálogo e uma melhor coordenação das
políticas financeiras e macroeconômicas no âmbito do Mercosul.
Representantes do setor privado da Argentina e do Brasil lograram
alcançar alguns acordos setoriais que já foram endossados pelos
respectivos governos. Continuam as negociações com a NAFTA e a CEE
sobre a redução de barreiras comerciais recíprocas. O governo
permanece comprometido com a abertura ainda maior da economia e com a
promoção de sua integração nos mercados financeiros
internacionais. A aceitação
em novembro de 1999
das obrigações
do Artigo VIII
Seção 2
3 e 4 do Acordo com o FMI
e a eliminação
em 1 de fevereiro de 2000
da última restrição remanescente no âmbito
do Artigo VIII (uma alíquota de IOF de mais de 2 por cento sobre
operações de câmbio relacionadas a pagamentos de despesas com cartões
de crédito realizadas no exterior) comprovam esse compromisso.
Em resumo
o desempenho do Brasil
durante o primeiro ano de vigência do programa apoiado pelo Fundo foi
significativamente melhor do que o esperado. O governo permanece
inteiramente comprometido com as políticas e as metas do programa
para este ano
porém está solicitando algumas modificações no
cronograma dos seus parâmetros estruturais
devido a alguns atrasos
geralmente fora do seu controle
em relação às reformas estruturais
propostas no âmbito do programa.