02/12/1999
Memorando de
Política Econômica
1. O Brasil completou com
êxito as três primeiras revisões no âmbito do acordo "standy by"
com o Fundo Monetário Internacional (o Fundo)
aprovado pela Diretoria
Executiva em 02 de dezembro de 1998. O governo brasileiro permanece
inteiramente comprometido com o núcleo dessa política
no contexto do
acordo "stand by" conforme emendado em março de 1999
para
adaptá-la ao regime de câmbio flutuante. Este memorando de política
econômica (MPE) apresenta uma atualização dos principais acontecimentos
econômicos desde o encerramento da terceira revisão
em julho de 1999
assim como o panorama previsto para o resto de 1999 e para o ano 2000. Além
disso
detalha as medidas que estão sendo tomadas para implementar o
programa econômico do governo brasileiro apoiado pelo Fundo (doravante
denominado o programa).
Desenvolvimentos
Recentes e Perspectiva para o restante de 1999
2. A evolução da
atividade econômica tem sido melhor do que aquela projetada no programa.
O PIB
que iniciou a reversão da sua queda no primeiro trimestre de 1999
principalmente em virtude de uma safra favorável
continuou a sua
recuperação no segundo trimestre
quando o produto industrial também
reagiu. O desempenho do PIB
acima das expectativas iniciais
reflete o
aumento da confiança
tanto interna como externamente
o que abrandou as
restrições financeiras e possibilitou a gradual redução das taxas de
juros. Salvo choques externos adicionais
o PIB provavelmente registrará
um crescimento médio ligeiramente positivo em 1999
ao invés de uma
queda de aproximadamente 1% projetada em julho
ou uma queda de 3
5% –
4
0% projetada no programa de março de 1999.
3. O melhor desempenho da
produção refletiu-se em uma pequena queda da taxa de desemprego nos 9
primeiros meses do ano. A taxa de desemprego média de 7 dias reduziu-se
de 7
9%
no período abril-setembro de 1998
para 7
7% no mesmo período
de 1999. Com a continuada recuperação da atividade econômica e tendo em
vista a sazonalidade favorável
espera-se que a taxa de desemprego
continue a declinar gradualmente durante o resto deste ano.
4. O desempenho da inflação
brasileira
como indica o crescimento acumulado em 6% do Índice de Preços
ao Consumidor Ampliado (IPCA) durante os nove primeiros meses de 1999
está
em conformidade com a meta do governo para o ano
estipulada em 8%. A
maior parte do aumento registrado durante o terceiro trimestre reflete os
ajustes efetuados nos preços administrados
especialmente das tarifas de
energia elétrica; excluindo-se esse impacto
a inflação registrada nos
preços ao consumidor permanece baixa. O índice geral de preços (IGP-DI)
no qual os bens comercializáveis têm um peso maior
projeta uma inflação
de cerca de 16% em 1999
refletindo o aumento dos preços relativos desses
bens. O repasse limitado da depreciação da taxa de câmbio para os preços
ao consumidor resulta da postura firme da política macroeconômica
da
ausência de mecanismos formais de indexação
e do ainda significativo
hiato do produto.
5. A evolução do saldo da
balança comercial até o momento tem sido menos favorável do que se
previa. O déficit comercial diminuiu para US$ 770 milhões durante o período
de janeiro-setembro de 1999
comparado a US$ 3
6 bilhões no mesmo período
de 1998. Esta melhora
relativamente modesta
reflete uma significativa
perda não prevista nas relações de troca do Brasil (cerca de 18%)
em
virtude do forte aumento dos preços internacionais do petróleo
das
quedas dos preços de algumas importantes commodities de exportação e
dos baixos preços das exportações de manufaturas
relacionados à fraca
demanda externa. Nos três primeiros trimestres de 1999
o saldo
real da balança comercial
medido a preços de 1998
melhorou o
equivalente a US$ 8 bilhões
principalmente em decorrência de uma contração
de 22% nas importações. As exportações
particularmente as de bens
manufaturados
têm sido afetadas adversamente pela recessão da região
mas têm mostrado claros sinais de recuperação nos meses recentes
crescendo 6% no terceiro trimestre de 1999
em relação ao mesmo período
do ano passado. Para o ano de 1999 como um todo
estima-se que a balança
comercial deva apresentar um déficit de cerca de US$ 1
0 bilhão
contra
um superávit de US$ 3
0 bilhões projetado no MPE de julho de 1999.
6. O déficit em conta
corrente declinou significativamente
de US$ 22
1 bilhões nos primeiros 9
meses de 1998 para US$ 16
8 bilhões no mesmo período deste ano. Isto
reflete
além da queda no déficit comercial
uma melhora no saldo dos
serviços de não-fatores (especialmente turismo) que tem compensado a
maior parte do aumento da carga dos juros. Para o ano como um todo
espera-se que o déficit em conta corrente atinja cerca de US$ 24
7 bilhões
(aproximadamente 4
5% do PIB)
comparado com US$ 33
6 bilhões em 1998.
7. A conta de capitais do
balanço de pagamentos continua a ser afetada pelas significativas
incertezas relativas ao ambiente externo. A exemplo de outras economias
emergentes
o Brasil não está imune a choques nos mercados financeiros
internacionais
mas o fortalecimento da política econômica
a mudança
para um regime de taxas de câmbio flutuante
e a reduzida dependência de
influxos de capitais de curto-prazo não relacionados ao comércio têm
reduzido significativamente esta vulnerabilidade. Nos três primeiros
trimestres de 1999
as entradas líquidas de capital (excluindo-se os
investimentos externos diretos líquidos – IED) foram significativamente
negativas
refletindo grandes saídas de capital nos primeiros meses do
ano
além de significativas amortizações de dívidas de médio e longo
prazos (perto de US$ 40 bilhões).
8. Os investimentos
externos diretos líquidos (IED)
que nos primeiros nove meses de 1999
alcançaram US$ 22
6 bilhões em relação aos US$ 17
7 bilhões
registrados no mesmo período de 1998
deverão exceder US$ 27 bilhões em
1999. Como resultado
estima-se que o déficit em conta corrente deste ano
será mais do que integralmente financiado pelos investimentos externos
diretos (IED)
não obstante o adiamento
para o ano 2000
de algumas
operações de privatização originalmente planejadas para o segundo
semestre de 1999.
9. A República e diversas
empresas públicas e privadas (inclusive bancos) voltaram ao mercado
internacional de capitais em meses recentes. Depois da bem-sucedida emissão
de US$3 bilhões em bônus globais no final de abril de 1999
em julho e
setembro o Brasil acessou o mercado de euro-bônus e efetuou mais duas
emissões soberanas que serviram para ajudar a refinanciar a dívida pública
externa vincenda
e estabelecer uma referência
ao longo da curva de
rendimentos
para emissões do setor privado. Em outubro
como parte de
sua política de administração de passivos
a República emitiu um bônus
global de 10 anos no valor de US$ 2 bilhões em troca de bônus Brady no
valor de US$ 2
9 bilhões
o que resultou em uma redução de US$ 205 milhões
no valor presente líquido da dívida
representando uma melhora no perfil
de amortização da dívida externa e promovendo uma liberação de
garantia da ordem de US$ 250 milhões.
10. O acordo voluntário
com os bancos privados em março de 1999 com vistas à manutenção de
linhas de crédito interbancário até o fim de agosto de 1999 foi
instrumental para o restabelecimento da confiança. A taxa de rolagem
dessas linhas atingiu uma média de 97% até o fim de setembro de 1999
permanecendo acima de 100% após o vencimento do acordo. A taxa de rolagem
dos créditos dos bancos a empresas também cresceu para mais de 100% nos
meses recentes.
11. Em seguimento a uma
forte depreciação após a flutuação do câmbio em meados de janeiro de
1999 e uma recuperação parcial durante o segundo trimestre
o Real
enfraqueceu-se no terceiro trimestre em mais de 15% em relação ao seu
primeiro pico pós-desvalorização (R$1
65 por dólar americano)
refletindo preocupações do mercado a respeito de desdobramentos internos
e externos e a melhora mais lenta do que o esperado na balança comercial.
Em conformidade com o seu compromisso com um regime de livre flutuação
do câmbio
o Banco Central (BCB)
tem evitado
em grande medida
intervir
diretamente no mercado de moeda estrangeira. Em consequência
as reservas
internacionais líquidas (RIL) no final de setembro de 1999 permaneceram
ao redor de US$ 24
5 bilhões
ficando US$ 2
6 bilhões acima do piso do
programa para aquele mês. Desde abril de 1999
o BCB também reduziu a
zero a sua posição aberta líquida no mercado futuro de câmbio. Durante
o terceiro trimestre
todavia
a fim de contrabalançar o que se
consideraram pressões temporárias sobre a taxa de câmbio
o BCB
aumentou a sua oferta de proteção ("hedge") para o mercado na
modalidade de títulos do Banco Central indexados ao dólar americano.
Como resultado
o estoque total de títulos vinculados à taxa de câmbio
(incluindo também aqueles emitidos pelo Tesouro)
que declinara de um
pico equivalente a US$ 56
5 bilhões em meados de janeiro de 1999 para US$
53
5 bilhões no final de junho
subiu novamente para algo em torno de US$
57 bilhões no final de setembro. É intenção das autoridades
estabilizar o estoque desses títulos em torno deste nível nos próximos
meses. À luz das incertezas significativas quanto aos fluxos de capital
até o final deste ano
propõe-se que o piso das RIL para novembro e
dezembro de 1999 seja reduzido em US$ 2 bilhões abaixo do nível
estabelecido na terceira revisão do programa.
12. O compromisso do
governo com o ajuste e o esforço de consolidação fiscal reflete-se no
fato de que durante três trimestres consecutivos
findos em junho
as
metas fiscais do programa foram cumpridas com folga. Informações disponíveis
até esta data asseguram que as metas para o superávit primário do setor
público consolidado
acumulado no período janeiro-setembro de 1999 (R$
23
8 bilhões
ou cerca de 3
2 % do PIB)
foram igualmente cumpridas. O
Governo está inteiramente comprometido em assegurar que a meta de R$ 30
2
bilhões (3
1 % do PIB) de superávit primário para o ano de 1999 também
seja cumprida
e com esta finalidade continuará a monitorar de perto o
desempenho fiscal durante o quarto trimestre e a adotar as medidas
corretivas necessárias para neutralizar qualquer possível risco de
frustração.
13. Para assegurar que a
meta primária será rigorosamente cumprida
o governo já adotou medidas
corretivas em diversas ocasiões no decorrer de 1999. Algumas destas
medidas já foram detalhadas em MPEs anteriores. Especificamente
o
governo já: (i) combateu com êxito contestações judiciais relativas às
medidas de aumento de receita promulgadas no início do ano; (ii) obteve a
extensão da incidência da Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (COFINS) a atividades até então isentas; (iii) ampliou
esforços para arrecadar impostos atrasados em um valor estimado em R$ 4
5
bilhões até esta data em 1999; (iv) elevou os preços internos do petróleo
em uma média superior a 60% este ano
moderando a erosão do superávit
da conta petróleo do Tesouro decorrente do aumento dos preços
internacionais do petróleo e da depreciação da taxa de câmbio; (v)
resistiu com sucesso a pressões sobre os gastos públicos por parte de
diferentes grupos; e (vi) manteve firmeza no cumprimento dos acordos com
os Estados relacionados ao serviço de suas dívidas reestruturadas com o
Governo Federal. As restrições dos gastos discricionários têm sido
essenciais para assegurar o cumprimento da meta primária
mas
no âmbito
destas restrições
o governo tem se esforçado para salvaguardar os
gastos com educação e saúde e importantes programas de assistência
social.
14. O cumprimento da meta
do superávit primário para 1999 como um todo permitirá que as
necessidades de financiamento do setor público (NFSP) mantenham-se ao nível
projetado na revisão do programa de março. Todavia
a meta indicativa da
dívida líquida do setor público consolidado para o final de 1999
(ajustada em função da redução nas receitas de privatização
projetadas líquidas de dívida passada reconhecida) provavelmente será
excedida
em função da depreciação
maior que a projetada
da taxa de
câmbio
15. Desde julho de 1999
o Governo
instituiu um regime formal de metas de inflacão como moldura para a política
monetária
fixando as metas anuais de inflação para os preços ao
consumidor em 8% para 1999
6% em 2000 e 4% em 2001. O BCB ficou com a
responsabilidade de assegurar o cumprimento destas metas por meio da condução
da política monetária. Após a mudança
em meados de janeiro
para um
regime de taxa de câmbio flexível
a política monetária do BCB tem
sido exitosa em moderar o repasse da depreciação do Real aos preços dos
bens não-comercializáveis. Após um salto considerável da taxa de juros
de curto prazo no início de março
o Banco Central reduziu gradualmente
a taxa "overnight" (SELIC) para 19% no final de setembro
o nível
mais baixo desde o início do Plano Real
em meados de 1994.
16. Até agora
a política monetária tem
sido consistente com o critério de desempenho trimestral relativo aos
ativos domésticos líquidos (ADL) no BCB. Os tetos mensais de ADL para
julho a outubro de 1999 foram todos cumpridos; o teto de outubro foi
cumprido com uma margem de R$ 2
5 bilhões
a despeito de um excessivo
crescimento da base monetária em relação ao projetado no programa
o
que refletiu uma forte mudança de "portfólio" a favor de depósitos
à vista
em conexão com a reintrodução da Contribuição sobre
Movimentação Financeira (CPMF) em junho de 1999
e a introdução das
novas regras regulamentando os fundos de investimentos em agosto. O
crescimento mais rápido do que projetado da base monetária (levando em
consideração a redução das reservas requeridas sobre os depósitos à
vista que entrou em vigor em outubro) refletiu-se integralmente no excesso
das RIL em relação ao piso do programa. Foi acertado um teto indicativo
dos ADL de R$ 4
52 bilhões para o final de dezembro de 1999
baseado no
piso de R$ 21
3 bilhões para as RIL e no crescimento da base monetária
projetado em 17% para o final do ano. Deve-se notar que há incertezas
maiores do que as normais envolvendo esta projeção
em virtude dos possíveis
efeitos do Y2K (bug do milênio) sobre a demanda de moeda.
17. Segundo consta do MPE
anterior
as evidências disponíveis sugerem que
em geral
o sistema
bancário suportou bem o impacto da crise econômica do início do ano.
Depois de subir para 9
5% do total de empréstimos bancários no final de
1998
a participação de créditos em atraso e em liquidação duvidosa
caiu para 8
8 % ao final de agosto de 1999
e o total de provisões
correspondem a 130 % desses créditos.
18. Em meados de outubro
o
governo anunciou um amplo elenco de medidas destinadas a promover uma redução
nas margens de intermediação financeira e o custo dos créditos bancários
os quais permanecem muito altos
especialmente para pequenas e médias
empresas e para as famílias. O pacote inclui: (a) uma redução
de 10%
para zero
do compulsório em títulos sobre os depósitos a prazo
o que
ao se reduzir a obrigatoriedade da retenção de títulos do governo
deverá ajudar os bancos a diversificarem os seus ativos; (b) uma redução
do imposto sobre operações financeiras (IOF) para empréstimos pessoais
de 6% para 1
5% (a mesma taxa utilizada em empréstimos a empresas); (c)
proposta de mudanças legais para que as instituições emprestadoras
possam executar mais facilmente as garantias de empréstimos não pagos
o
que deverá reduzir o risco dos empréstimos e
consequentemente
o custo
final do crédito; (d) mudanças para estimular a competição entre
instituições financeiras
incluindo a divulgação diária
no site do
BCB na Internet
das taxas cobradas pelos bancos para alguns tipos de empréstimos-padrão;
(e) criação de um "cadastro de bons tomadores de empréstimos";
e (f) diretrizes para aumentar a transparência dos demonstrativos contábeis
dos bancos.
POLÍTICAS E
PERSPECTIVAS PARA O ANO 2000
19. O desenho da política
estrutural e macroeconômica para a ano 2000 visa a promover a retomada do
crescimento do PIB para cerca de 4%
facilitando desta forma uma maior
redução do desemprego e a melhora do padrão de vida da população;
assim como assegurar a continuação do declínio da inflação nos preços
ao consumidor
para cerca de 6%
além de um ajuste continuado no balanço
de pagamentos. O Governo considera que progressos adicionais na consolidação
fiscal e nas reformas estruturais são essenciais para a consecução
desses objetivos. Com este propósito
apresentou o orçamento para o ano
2000 estipulando um aumento do superávit primário do governo federal e
em conjunto com os outros níveis de governo e com as empresas públicas
tem procurado consolidar as melhoras registradas em 1999. A sua agenda de
reforma fiscal também tem progredido no Congresso. O BCB
por seu turno
continuará a gerir a política monetária com o propósito de atingir a
meta inflacionária do governo.
20. A proposta orçamentária
para o ano 2000
apresentada ao Congresso no fim de agosto
fixa um superávit
primário para o Governo Federal equivalente a cerca de 2
65% do PIB
em
conformidade com os preceitos da Lei de Diretrizes Orçamentárias
já
aprovada pelo Congresso
e
ainda
em conformidade com o superávit primário
de 3
25% do PIB para o setor público consolidado
fixado no programa de
março de 1999. O orçamento proposto depende apenas minimamente de novas
medidas tributárias dado que a estimativa de forte crescimento das
receitas tributárias (mais de 13%)
reflete principalmente
a retomada do
crescimento do PIB
o impacto integral (12 meses) das medidas
implementadas ao longo de 1999 e esforços continuados para se fazer
cumprir a legislação tributária. O esperado declínio das receitas não
tributárias (especialmente derivadas de concessões públicas) deverá
exigir
todavia
uma moderação continuada dos gastos primários
os
quais deverão apresentar pequena redução em relação ao PIB (18
7%)
conforme está expresso na proposta orçamentária. Dentre os gastos
o orçamento
continua a dar prioridade às despesas com educação e saúde
além de
salvaguardar os programas básicos de assistência social.
21. A proposta orçamentária
para o ano 2000 é plenamente consistente com o plano plurianual para
2000-2003 (Avança Brasil)
também submetido ao Congresso no final de
agosto de 1999. Este plano identifica os programas de despesas federais
que deverão ter prioridade na alocação de recursos orçamentários
durante os próximos quatro anos
refletindo os principais objetivos
governamentais nas áreas social e de infraestrutura
dentre outras. Esta
proposta procura explorar as sinergias regionais e as sinergias obtidas
com o cruzamento dos objetivos dos diversos projetos
assim como atrair
parcerias com outros níveis de governo
empresas públicas
bancos
multilaterais de desenvolvimento e setor privado
a fim de promover o
desenvolvimento regionalmente equilibrado e sustentado do país. Deverá
ser dada maior ênfase à avaliação dos resultados destes programas e à
responsabilidade e prestação de contas dos gestores públicos
encarregados da implementação dos resultados.
22. A recente decisão do
Supremo Tribunal Federal a respeito da inconstitucionalidade das mudanças
nas contribuições da seguridade social dos servidores públicos que
tinham sido aprovadas pelo Congresso em fevereiro de 1999 significa uma
perda de receita para o governo federal estimada em R$ 2
4 bilhões (0
2 %
do PIB) no ano 2000. Esta perda gerou
mais uma vez
uma rápida resposta
do Governo
que envolveu um conjunto de novas medidas tributárias e de
cortes de gastos na proposta orçamentária para o ano de 2000
com valor
equiparável à referida perda. Algumas destas medidas – particularmente
a não dedutibilidade do adicional de 1% da COFINS na contribuição sobre
o lucro das empresas (CSLL) – deverão ser temporárias
até que o
governo obtenha sucesso na implementação das mudanças necessárias no
regime de seguridade social dos servidores públicos. Os fortes aumentos
nos preços internacionais do petróleo
assim como a depreciação da
taxa de câmbio nos meses mais recentes
causaram a erosão do superávit
acumulado da conta petróleo. O Governo pretende manter esta conta sob
constante escrutínio e ajustar os preços internos do petróleo no ano
2000 de acordo com as necessidades
de modo a cumprir a meta fiscal primária.
A liberalização do mercado interno de combustíveis
prevista para
agosto do ano 2000
exigirá a redefinição da tributação de derivados
de petróleo a fim de recompor as receitas da conta petróleo.
23. Refletindo a melhora
adicional do saldo primário e a estabilização projetada da taxa de câmbio
além do gradual declínio das taxas de juros da dívida pública
as NFSP
deverão reduzir-se substancialmente a partir do início do ano 2000
para
o equivalente a 3
5% do PIB no ano como um todo
em contraste com os 10
8%
do PIB projetados para 1999. Projeta-se também uma queda da dívida líquida
do setor público de um patamar de cerca de 52% do PIB em 1999 para cerca
de 49% do PIB em 2000
tendo em conta receitas líquidas de privatização
equivalentes a 1
7% do PIB.
24. Nas principais áreas
da reforma fiscal estrutural continuam a ser obtidos progressos que o
governo considera essenciais para assegurar um ajuste das finanças públicas
sustentado e de alta qualidade. No Congresso
estão em tramitação a lei
de responsabilidade fiscal e a última peça legislativa para a implementação
da reforma administrativa
cujas principais características foram
descritas no MPE de julho de 1999.
25. Em agosto
o governo
apresentou ao Congresso
em regime de tramitação urgente
uma minuta de
lei que reforma o sistema de seguridade social dos trabalhadores do setor
privado. Ao vincular o nível de benefícios das aposentadorias à idade e
ao histórico contributivo do trabalhador e
dessa forma
incentivar os
trabalhadores a contribuírem durante um período mais longo
espera-se
que a reforma produza uma economia crescente de recursos no médio-prazo
o que deverá ajudar a estabilizar o déficit do sistema do INSS em torno
de 1% do PIB. Esta lei já foi aprovada na Câmara dos Deputados e
após
aprovação no Senado
poderá ser promulgada antes do fim do ano. Também
já foi aprovada pela Câmara dos Deputados parte da legislação que
trata da reforma dos fundos privados de pensão
enviada ao Congresso no
início do ano.
26. O governo também
submeteu ao Congresso duas novas emendas constitucionais
que objetivam a
redução dos desequilíbrios financeiros
melhorando a eqüidade no
sistema de seguridade social dos funcionários públicos. A aprovação
destas emendas deverá remover os obstáculos constitucionais à aprovação
das contribuições da previdência social dos servidores aposentados em
todos os níveis do governo
iguais àquelas cobradas dos servidores da
ativa. As alíquotas iniciais destas contribuições poderiam ser
posteriormente modificadas por lei ordinária. O Governo assegurou o apoio
de muitos governadores estaduais a esta reforma
pois
para muitos deles
o ônus financeiro decorrente das aposentadorias dos servidores públicos
estaduais está se tornando crescentemente insustentável
especialmente
depois da decisão tomada pelo STF
mencionada anteriormente.
27. O Governo está também
buscando uma reforma da tributação indireta destinada a consolidar os
impostos federais
estaduais e municipais distorcivos
e que incidem em
cascata num imposto nacional sobre o valor agregado (IVA)
a ser
compartilhado por todos os níveis de governo e complementado por um
imposto sobre vendas a varejo de alíquota baixa em nível municipal
além
de impostos ad-valorem selecionados sobre o consumo
em nível estadual. A
reforma proposta visa a eliminar a margem para "guerras fiscais"
entre os Estados
reduzir a evasão
alargar a base tributária e
minimizar as distorções decorrentes da tributação em cascata. Além
disso
o governo acaba de enviar ao Congresso as propostas de mudanças no
código tributário
além de novas medidas sobre tributação da renda
com vistas a
entre outras coisas
reduzir a possibilidade de elisão e
sonegação fiscais e limitar as perdas de receita decorrentes de
excessivos litígios tributários.
28. A política monetária
no ano 2000 continuará sendo orientada no sentido de assegurar a consecução
da meta inflacionária. O BCB espera que
na ausência de choques externos
imprevistos e com contínuos progressos no ajuste fiscal e nas reformas
a
consecução desta meta será consistente com uma gradual e contínua
queda das taxas de juros até o final do próximo ano. Esta expectativa é
sustentada pelo ainda considerável hiato de produção e pelas
perspectivas de melhora do balanço de pagamentos e da taxa de câmbio no
ano 2000. O Banco Central continua totalmente comprometido com uma condução
flexível da política monetária e de taxa de juros
e com uma resposta
ágil às indicações de excesso da demanda ou pressões de custos que
possam ameaçar a consecução da meta inflacionária.
29. Conforme indicado no
MPE de julho
a estrutura da programação monetária para o ano 2000
deverá ser adaptada ao quadro das metas inflacionárias do BCB. A
Diretoria Executiva do Fundo deverá revisar ao final deste ano as
condicionalidades dos programas do Fundo com países que utilizam o
esquema formal de metas inflacionárias. Enquanto esta revisão não é
feita
foram acordados os tetos indicativos para os ADL no BCB para março
e junho do ano 2000. Pretende-se que eles sejam substituídos por
indicadores apropriados de inflação
no decorrer da quinta revisão do
programa
durante o primeiro trimestre do ano 2000. Como uma providência
nesta direção
já foram acertadas metas indicativas trimestrais para a
taxa de inflação de 12 meses do IPCA para o final de 1999 e durante o
ano 2000
consistentes com a meta do governo de 6% para o final do ano
com uma banda (intervalo de tolerância de desvio em relação à meta)
estreita de 1% e uma banda larga de 2% em relação a cada meta. As
autoridades deverão discutir com os técnicos do Fundo a resposta de política
apropriada
na eventualidade de um excesso da taxa de inflação de 12
meses em relação à banda estreita. No evento de excesso sobre a banda
larga as autoridades completarão as consultas sobre a resposta política
com a Diretoria Executiva do Fundo
antes de solicitar recursos adicionais
dentro do programa.
30. Houve significativo
progresso no que diz respeito à regulamentação prudencial. Depois de
ter definido
em maio de 1999
a regulamentação destinada a limitar as
posições em aberto em moeda estrangeira dos bancos
o BCB está
elaborando nova regulamentação sobre o risco de taxas de juros e um
sistema prospectivo de classificação de empréstimos
a ser divulgado no
final de novembro de 1999. O Banco Central exigirá que os bancos cumpram
estas regulamentações já no primeiro trimestre do ano 2000. No decorrer
do próximo ano
o BCB deverá também completar a elaboração e publicar
regulamentações relativas a outros aspectos do mercado de risco
(particularmente ações e commodities).
31. O BCB tem trabalhado
com o apoio técnico e financeiro do Banco Mundial
na melhoria da
supervisão bancária
o que inclui maior freqüência de inspeções in
loco e contínuo monitoramento à distância de instituições
financeiras. O BCB continua a fazer esforços para resolver tão
rapidamente como possível as atuais restrições do quadro de pessoal
através de novas contratações e treinamento do pessoal existente.
Progresso significativo foi também alcançado pelo BCB nas auditorias dos
bancos federais
que devem estar concluídas antes do término de 1999. Em
seguida o BCB deverá apresentar ao governo uma abrangente estratégia com
vistas ao fortalecimento destes bancos.
32. Na área de privatização
de bancos estatais estaduais
também há avanços
embora tenha havido
alguma demora no maior destes bancos
o BANESPA - Banco do Estado de São
Paulo
o qual
com uma base de ativos de cerca de R$ 25 bilhões
representa mais da metade dos ativos totais dos bancos estatais estatuais.
Apesar da privatização do BANESPA ter sido originalmente concebida para
estar concluída em novembro de 1999
ela teve que ser postergada para o
primeiro semestre do próximo ano (junho de 2000)
por causa de uma
disputa judicial com as autoridades tributárias federais. Em conseqüência
na listagem de parâmetros estruturais
a privatização do BANESPA está
sendo transferida de novembro de 1999 para junho de 2000. A reestruturação
e/ou privatização de outros bancos estaduais menores permaneceram
basicamente no curso projetado e deverão ser completadas
em grande
medida
até o final do ano 2000.
33. O Governo espera que a
firme implementação das políticas descritas acima para o ano 2000
resulte em contínuos e significativos progressos nas contas externas. O
saldo da balança comercial deverá melhorar significativamente
atingindo
um superávit em torno de US$ 5 bilhões no ano 2000
em função da maior
resposta das exportações à depreciação real da taxa de câmbio
ao
comportamento mais favorável do financiamento
à redução de outras
restrições estruturais e à recuperação dos termos de troca. Esta
recuperação
todavia
deverá ser limitada pelas condições de demanda
ainda relativamente fraca
de alguns dos principais parceiros comerciais
do Brasil
e pelo previsível aumento gradativo das importações
à
medida em que a atividade econômica ganhe impulso. O déficit em conta
corrente do balanço de pagamentos deverá declinar para cerca de US$ 22.5
bilhões (4
0% do PIB) em 2000
refletindo
assim
alguma melhora no saldo
dos serviços não-fatores e uma moderação no crescimento dos pagamentos
de juros da dívida externa.
34. A conta de capitais do
balanço de pagamentos deverá se fortalecer significativamente no ano
2000
refletindo uma contínua e substancial entrada de IED
um expressivo
declínio das amortizações da dívida externa programadas para o médio
e longo prazos
assim como
um aumento do financiamento vinculado ao comércio.
Isto
em conjunto com a esperada melhora na conta corrente
deverá
produzir um considerável superávit no total do balanço de pagamentos
(cerca de US$ 10 bilhões)
além de um aumento das reservas
internacionais líquidas
permitindo a manutenção de um nível confortável
de reservas brutas – equivalente a seis meses de importações de bens e
serviços não-fatores – após os pagamentos programados
referentes aos
reembolsos de créditos feitos ao FMI
e ao pagamento de empréstimos
concedidos pelo Banco Internacional de Liquidações (BIL) e pelo Japão.
Não obstante
em vista das incertezas referentes à conta de capitais
o
piso das reservas internacionais líquidas (RIL) no programa foi fixado
abaixo da linha básica projetada para as RILs
com uma margem de US$ 2
5
bilhões no primeiro trimestre e US$ 2
0 bilhões no resto de 2000. Na
quinta revisão do programa
vai-se reavaliar se essa margem é
apropriada.
35. A dívida externa total
deverá cair significativamente no decorrer do ano 2000
para cerca de US$
235 bilhões (41
3% do PIB)
refletindo especialmente o pagamento dos créditos
oferecidos ao Brasil pelo Fundo dentro do SRF
e por emprestadores
bilaterais no âmbito do BIS e pelo Japão. Os saques feitos pelo Brasil
em dezembro de 1998 e abril de 1999 totalizaram US$ 16
5 bilhões
dos
quais US$ 2
7 bilhões já foram pagos até o momento. Ao procurar
refinanciar parcialmente estes pagamentos recorrendo ao mercado
internacional de capitais
o Governo visa a obter um alongamento adicional
do vencimento do total da dívida pública
o qual
segundo consta em MPEs
anteriores
permanece sendo um importante objetivo de política. O governo
também pretende continuar a reduzir o estoque de bônus do Tesouro
indexados ao câmbio
assim como limitar a possibilidade do BCB de efetuar
emissões líquidas de títulos indexados ao câmbio a circunstâncias
temporárias e excepcionais
visando ainda a reduzir o estoque em circulação
destes títulos
ao longo do tempo
à medida em que a confiança do
mercado for se fortalecendo
e à medida em que se desenvolvam os
mecanismos de proteção ("hedge") do setor privado.
36. No contexto da aceitação
por parte do Brasil das obrigações definidas no Artigo VIII
Seção 2
3
e 4 dos Artigos do acordo do Fundo
assim como do estabelecimento de um
cronograma visando remover as restrições ainda remanescentes - uma referência
estrutural dentro do programa para novembro de 1999 – o governo recebeu
em outubro de 1999
uma missão dos Departamentos de Assuntos Legais
Monetários e Cambiais do Fundo. O governo está revisando as conclusões
daquela missão e deverá propor um cronograma para eliminar as restrições
restantes
preparando o caminho para a aceitação das obrigações sob o
Artigo VIII
Seção 2
3
e 4 até o final de novembro de 1999.
37. Quanto à adoção de
um plano de ação para aprimorar as estatísticas que permitirão ao
Brasil subscrever o Padrão Especial de Disseminação de Dados (PEDD)
as
autoridades informaram recentemente aos técnicos do Fundo que elas
concordam com o núcleo do plano de ação proposto por uma missão
multisetorial do Departamento de Estatística do Fundo
que visitou Brasília
em maio deste ano. De fato
algumas das recomendações daquela missão já
foram atendidas desde maio. O governo deverá ficar em constante contato
com o Departamento de Estatística do Fundo
para resolver questões que
possam surgir no avanço do processo que conduzirá
à subscrição do PEDD pelo Brasil.
Quadro
1 - Critério de Desempenho Quantitativo
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