Entrevistas

02/08/2004


Entrevista à revista Época: "O Desabafo de Palocci"

Ministro revela as pressões que sofreu no cargo, conta que o governo já deu autonomia informal ao Banco Central e avisa que o aperto fiscal continuará

GUSTAVO KRIEGER e RICARDO GRINBAUM


Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, lançou um desafio a um de seus assessores mais próximos, o secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa. O médico Palocci propôs ao economista Lisboa a parceria em um livro. Eles fariam um estudo científico, comparando os ciclos da economia com os do corpo humano. ''Vou comparar os gráficos do risco Brasil com os do meu peso'', provocou o ministro, que mantém um rigoroso registro de cada alteração na balança. Palocci não revela o peso, mas diz que a curva está sob controle há alguns meses. A cintura do ministro encolhe na medida inversa em que a economia do país cresce. Outra briga, contra os cabelos brancos, é mais inglória. O ministro atribui os fios grisalhos que passou a ostentar à tensão dos primeiros meses de governo.

Poucas horas depois de lançar o desafio do ''risco balança'' a Lisboa, Palocci recebeu a reportagem de ÉPOCA. A conversa aconteceu no mesmo momento em que o diretor do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, anunciava seu pedido de demissão. Embora lamentasse a saída de Candiota (''Pedi para ele ficar no governo''), Palocci estava bem-humorado. Era nítida sua sensação de alívio com os recentes indicadores da economia. Relaxado, Palocci aceitou falar sobre os tempos difíceis que lhe renderam os cabelos brancos e fez revelações sobre o governo. Contou que, mesmo antes da posse, ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam que 2003 seria um ano perdido. Sabiam que a economia encolheria, embora a previsão oficial fosse de um crescimento de 2,8%.

''Estou cheio de cicatrizes nas costas, nos braços. A pressão para que o Banco Central reduzisse os juros foi uma guerra''

Palocci revelou que teve o apoio do presidente Lula para conduzir, em silêncio, uma ''experiência de autonomia do Banco Central''. Costurado no Palácio do Planalto, o acordo deu à diretoria do BC o poder absoluto de decidir as taxas de juros. Ao ministro Palocci sobrou o papel inglório de defender a autonomia informal do BC das pressões do próprio governo. 'Eu segurava o rojão', contou Palocci. O ministro defendeu o BC, mesmo quando foi surpreendido pelo tom ''salgado'' de algumas atas do Comitê de Política Monetária sobre inflação e juros.

Desses combates ficaram várias cicatrizes, comentou Palocci. As mais graves foram sofridas em abril e maio do ano passado. ''Foi o meu pior momento no governo'', disse. Naquela altura, os juros estavam altos e os resultados da política econômica teimavam em não aparecer. A inflação não caía e até o presidente Lula questionava quando as coisas iriam melhorar. Hoje, a situação é bem diferente. Palocci disse que a economia passa por seu melhor momento em décadas e fala em ''dez anos de crescimento''. Mas que ninguém se engane. A carga tributária não vai cair nem o aperto fiscal vai diminuir. ''Não vamos afrouxar'', advertiu Palocci.

Antônio Palocci
43 anos, ministro da Fazenda

Trajetória
Formado em Medicina, foi vereador e prefeito de Ribeirão Preto. Elegeu-se deputado estadual e federal

Perfil 
Ex-militante trotskista da corrente Libelu, de extrema esquerda, Palocci coordenou a campanha de Lula à Presidência

ÉPOCA - O que branqueou seus cabelos? A economia brasileira?
Antônio Palocci
- Bom, aqui se trabalha muito. O dia vai além das horas normais de trabalho... Estamos vivendo um momento positivo, e as coisas acontecem. Difícil foi no início do ano passado, quando houve muita demora para os indicadores econômicos melhorarem, apesar das medidas duras que tomamos. Cortamos R$ 14 bilhões de orçamento, aumentamos juros, superávit e até abril nada reagia. Os cabelos brancos apareceram naquela época.

ÉPOCA - Qual o pior momento que o senhor viveu no governo?
Palocci
- Foi o primeiro semestre do ano passado. Especialmente até maio. Tomamos as medidas mais duras possíveis, mas os indicadores demoraram muito a reagir. Havia uma situação externa desfavorável. O debate interno no governo se tornou conflituoso. As pessoas queriam que o Banco Central reduzisse os juros, mas a inflação não tinha reagido. Nós seguramos o bastão, contra tudo e contra todos.

ÉPOCA - Em algum momento, o senhor teve medo?
Palocci
- Tive receio de que o ajuste fosse mais custoso que o planejado. Demos uma dose forte de corte de gastos, juros e superávit primário. Foram três medidas fortes, ao mesmo tempo. Sabíamos que isso produziria uma queda no PIB. Se a receita tivesse de ser acentuada, essa perda de produto seria maior, e mais longa. Nesse primeiro semestre, houve, sim, receios e dúvidas. Hoje, os ganhos da política econômica começam a chegar aos trabalhadores e às famílias. Até o início deste ano, isso não era sentido. Estávamos corrigindo o rumo das coisas, mas o cidadão não tinha emprego nem renda. O povo entendeu, mas era difícil para ele dizer que estava sendo beneficiado.

''O mundo dá voltas e a gente aprende. Para quem já foi trotskista... o governo traz lições importantes''

ÉPOCA - Qual foi o papel de Lula na sustentação da política econômica?
Palocci
- Foi fundamental. Mais do que possa parecer. O presidente Lula é muito racional, embora sempre tenha os olhos voltados para a parcela mais pobre da população. Nas decisões mais duras, sempre consultei o presidente. Não daria certo sem a participação dele.

ÉPOCA - Logo depois de eleito e com tantas promessas, como foi para o presidente apoiar essas decisões duras de cortes nos investimentos?
Palocci
- Não foi fácil. Imagine um partido que foi construído na demanda social assumir o governo e ter de fazer um forte ajuste. Não era o que sonhávamos, mas era o necessário.

ÉPOCA - O principal objetivo do Plano Real foi acabar com a inflação. Mas nossa inflação, embora tenha caído muito, ainda é uma das maiores.
Palocci
- De fato, os países desenvolvidos têm inflação entre 1% e 2% ao ano, enquanto no Brasil ela deverá terminar 2004 em torno de 7%. Embora tenha caído bastante nesta década, ainda é possível reduzi-la mais. O ideal é que o país cresça mais de 3,5% ao ano, por um período prolongado, sem inflação. Ainda há trabalho para fazê-la cair mais.

ÉPOCA - Quando o governo era criticado por não ter 'a cara do PT', o senhor e o presidente sabiam que era verdade.
Palocci
- Estava claro para nós. Nossa dúvida era saber por quanto tempo o governo não teria a cara do emprego, do crescimento... Que não teria de início, era certo. Na transição, conversei muito com o presidente Lula sobre o tamanho do ajuste que teríamos de fazer e o custo que esse ajuste teria. A recessão do primeiro semestre de governo estava dada pela crise de 2002. O presidente viu que faria um primeiro período de governo, que para nós variava entre um e dois anos, de forte ajuste e perda de PIB. Para nós, era certo que o PIB de 2003 seria muito pequeno ou negativo.

ÉPOCA - Mesmo antes de tomar posse?
Palocci
- Antes de tomar posse. Assumimos com uma previsão de ajuste forte e de crescimento de 2,8% no PIB, que herdamos do governo passado. Disseram que nós tínhamos prometido um PIB de 2,8%. Não prometemos nada. Isso foi colocado no Orçamento pelo governo passado, antes da crise de 2002. A cada mês, precisávamos ajustar a expectativa: 'Olha, esses 2,8% de crescimento no PIB talvez sejam 2%, talvez seja 1,5%, talvez seja 1%, talvez não seja nada....'. Nossa conta, desde o início, variava entre uma queda de 0,3% no PIB e um crescimento de, no máximo, 0,3%.

''O presidente sabia claramente que teria um ou dois anos de forte ajuste e perda de PIB''

ÉPOCA - O senhor estava preparado para passar um ano apanhando?
Palocci
- A única dúvida é se seria só um ano...

ÉPOCA - Qual foi o episódio mais difícil que o senhor já enfrentou à frente do ministério?
Palocci
- Foram vários.... Tenho as cicatrizes para provar. Nas costas, nos braços (mostra marcas imaginárias)... O pior foi em maio do ano passado. A pressão para que o Banco Central reduzisse os juros foi uma guerra. Henrique Meirelles (presidente do BC) e eu, com o apoio do presidente Lula, tínhamos decidido fazer uma experiência de autonomia do Banco Central. Desde janeiro do ano passado o BC é autônomo, embora isso não esteja na lei. Foi uma tentativa, com autorização do presidente, para mostrar ao país que isso funciona. Em maio, metade do governo pedia a queda dos juros, sem falar nos parlamentares. Era o governo cobrando do governo a queda nos juros. Conversei com o Meirelles. Ele se sentia muito pressionado, mas tinha convicção de que não poderia baixar as taxas naquele momento. Eu disse: 'Faça o que tiver de ser feito e eu vou segurar o rojão aqui'. Foi o mês de uma pressão enorme.

ÉPOCA - O senhor foi surpreendido quando o Copom parou de baixar os juros no fim do ano passado?
Palocci
- Eu não sabia. Esperava que baixasse um pouco mais. E as atas do Copom vieram salgadas. Quando li, pensei: 'Infelizmente, vamos ter mais algum tempo de dificuldades, segurando as pressões'. Mas o pior foi em maio do ano passado. Porque ali, não havia ainda queda na inflação e a pressão era brutal.

ÉPOCA - O presidente devia estar mais pressionado que ninguém, não?
Palocci
- Ele manifestava preocupação, mas nunca cobrou uma mudança na política econômica. Vinha e perguntava: 'Quando vai melhorar?'. Havia uma tensão nessas horas.

ÉPOCA - O debate interno no governo e no PT foi muito forte?
Palocci
- Foi duro. Eu não esperava mesmo que a bancada de 90 deputados do PT olhasse com satisfação iniciar o governo cortando gastos sociais na dimensão em que foram cortados ou aumentando os juros.

ÉPOCA - Hoje, o senhor recebe convites para estar em palanques eleitorais?
Palocci
- Muitos.

''Meirelles e eu, com apoio do presidente, decidimos fazer uma experiência de autonomia do Banco Central''

ÉPOCA - Mas há um ano...
Palocci
- Há um ano? Ainda bem que não houve eleição....

ÉPOCA - O ministro José Dirceu aparece como um contraponto seu no governo, defendendo o desenvolvimento e a queda nos juros. Essa oposição existe?
Palocci
- Uma coisa é certa: este governo não tem uma divisão entre monetaristas e desenvolvimentistas. As políticas monetárias e de desenvolvimento estão sendo feitas em conjunto. É natural que existam tensões entre a área econômica e a área política. A área política tem de aprovar reformas no Congresso. Lá, encontra um conjunto de demandas. A área econômica tem de reduzir as demandas, especialmente em tempos de restrição no Orçamento. Foi esse equilíbrio entre a demanda política e a restrição orçamentária que provocou algumas dificuldades. Mas isso nunca dividiu o governo ou fez com que tivéssemos uma corrente monetarista e outra desenvolvimentista. Eu não sou fiscalista, não sou monetarista. Não sou nem economista.

ÉPOCA - Mas, e quando o assunto é a taxa de juros?
Palocci
- A questão dos juros não agrada a ninguém. Nunca ouvi falar que juro alto é legal. Havia uma tensão maior nisso, até porque o PT, no passado, focou muito nesse debate. Mas o importante é o resultado na inflação e no crescimento. O Brasil cresce fortemente, controla a inflação, mas com os juros ainda altos. Esse é o desafio. Precisamos desvendar algo além do aparente na política monetária para poder baixar um pouco mais os juros. Sem fazer algumas reformas essenciais, sem mudar a tributação, vai ser difícil. É preciso avançar. Os tributos, por exemplo. Há algumas perversidades no sistema tributário, mas é preciso cautela para desmontá-las. Senão, o custo de curto prazo é muito perigoso. Agora, temos espaço para fazer mudanças. Antes, tínhamos de segurar o rojão. O pavio estava ligado e tínhamos de segurar na ponta.

ÉPOCA - Que efeitos terá o pacote de desoneração, a ser anunciado nos próximos dias?
Palocci
- Estamos aproveitando o bom momento em que o crescimento está trazendo um aumento na arrecadação para fazer alguma redução. Não na própria Cofins ou nos impostos em geral, mas em itens que fazem diferença. Se não podemos reduzir a carga tributária, como seria desejável, vamos pelo menos mexer na qualidade do imposto.

ÉPOCA - Mas é possível prever uma queda no volume da carga tributária?
Palocci
- Não acho possível no curto prazo, por dois motivos. O primeiro é a pressão dos gastos sociais, que são grandes. O outro é a pressão fiscal. No médio e longo prazo, é possível, mas acho difícil que este governo reduza a carga tributária.

ÉPOCA - O crescimento da economia é real ou o país está apenas se recuperando do desastre de 2003?
Palocci
- Já temos indicadores superiores a 2003 e até melhores que os da última retomada na economia, entre 2000 e 2001. O Brasil conseguiu reunir três fundamentos que raramente são agrupados. O fiscal de boa qualidade, inflação sob controle e boas contas externas. Nos últimos 30 anos não tivemos a conjunção desses três fundamentos fortes ao mesmo tempo. Todas as crises que o país enfrentou nos últimos dez anos tiveram conseqüências graves porque não tínhamos contas externas sólidas. Em abril, sofremos uma pressão externa, mas, como as contas externas estavam favoráveis, o país passou por ela.

ÉPOCA - O que colocaria este crescimento em risco?
Palocci
- Não ter perseverança. O maior erro que o Brasil cometeu em outros momentos foi achar que tudo está bem, então pode gastar e não é preciso mais esforço fiscal. Afrouxa os controles, aí a inflação volta.

ÉPOCA - Então, mesmo com crescimento, o aperto continua?
Palocci
- O aperto vai ser menor. Sou criticado quando digo que nosso compromisso com o aperto fiscal tem de ser um compromisso de dez anos. Isso não quer dizer que teremos sempre o mesmo nível de restrição. A cada ano, a restrição será menor, mas vai continuar forte. Não dá para relaxar e fazer déficit fiscal.

ÉPOCA - Se o ajuste fiscal vai continuar, como cumprir as promessas de investimentos na área social?
Palocci
- Há uma combinação de fatores. As necessidades sociais de um país em recessão são diferentes das necessidades de um país que esteja crescendo 5% ao ano. O crescimento alivia a demanda social. Além disso, o crescimento aumenta a arrecadação.

''Eu falei para o presidente do BC: faça o que tiver de ser feito que eu vou segurar o rojão aqui''

ÉPOCA - Mas há promessas que não serão cumpridas, como dobrar o valor do salário mínimo.
Palocci
- Não sei se a questão fundamental de um governo é cumprir, ponto a ponto, tudo aquilo a que ele se propôs para o país. O importante é criar um desenho novo para o Brasil. Nós tivemos uma média de 2,3% ao ano de crescimento do PIB nos últimos dez anos. Se dobrarmos essa média, com melhor distribuição de renda, já teremos um país mudando.

ÉPOCA - Depois do governo Lula, o PT nunca mais fará campanha do mesmo jeito, não?
Palocci
- Se o PT evoluir nos seus programas, será bom para o país. Lembro que, nas primeiras campanhas que fizemos para prefeituras, a gente propunha estatizar o transporte coletivo até em cidades onde não havia transporte coletivo. Há uma distância entre o partido que se iniciou no processo de luta e o que foi governando, aprendendo.

ÉPOCA - Diante dessa evolução, o senhor consegue imaginar o que teria acontecido se o PT tivesse chegado ao poder já nas eleições de 1989?
Palocci
- Certamente Lula teria sido um presidente melhor do que o que tivemos então (Fernando Collor). Mas, sem dúvida nenhuma, em 2002 o partido estava mais preparado para assumir o poder. O PT é um partido de forte oposição. Mesmo no governo... Mas a polêmica tem sempre um lado sadio. Até quando é contra mim. Quando os setores mais radicais do PT me atacavam, era pedindo crescimento econômico. Não vamos combater isso. Vamos combater quem propõe maluquices.

ÉPOCA - Por falar em maluquices, como o senhor se sentiu ao ver resgatadas pela imprensa antigas fotos do tempo de deputado, protestando com gestos contra o pequeno aumento no salário mínimo?
Palocci
- Bom, para quem já foi trotskista... o mundo dá voltas e a gente aprende. O governo traz lições importantes, como não perder o compromisso com o emprego, a renda. Se isso acontecer, teremos perdido tudo. Mas a forma de desenvolver esse trabalho teve de passar por alta de juros, por cortes orçamentários. Essa é a realidade.

ÉPOCA - E fazer o papel de vilão, dentro e fora do governo, não o incomoda?
Palocci
- Incomodava bastante, até que o presidente Lula começou a me comparar com a mãe dele, o que me deixou muito honrado. Muitas vezes, o debate no governo está animado, todo o mundo planejando gastos e eu falo: 'Desculpem, mas vou estragar a festa'. Nas últimas vezes que falei, o presidente disse: 'Você faz o que a minha mãe fazia. A meninada pedia tudo e ela dizia o que era possível'. Não é uma missão das mais agradáveis, mas era necessária. Quando o presidente me chamou para ser ministro da Fazenda, eu disse: 'Por favor, então, me tire de qualquer lista de candidaturas para os próximos dez anos'.

A trajetória de Palocci
GUSTAVO KRIEGER e RICARDO GRINBAUM

Rumo ao poder
Do grupo escolar Cônego Barros
à Esplanada dos Ministérios
Reprodução
1966
Diploma de conclusão do jardim-de-infância do aluno Antônio Palocci Filho
Reprodução
1977 
Comemoração modesta no aniversário de 17 anos
Fernando Calzzanni
1982
Santinho da campanha para vereador de Ribeirão Preto
Fernando Calzzanni
1983
Depois de eleito, na porta da Câmara de Ribeirão, mas com um jaleco nas mãos. Quando assumiu o cargo, Palocci ainda estudava Medicina
Reprodução
1985
Na formatura, com o diploma de médico sanitarista
Reprodução
1989
Com José Dirceu e o candidato Lula, na campanha para presidente
1995
Estava no segundo mandato como prefeito de Ribeirão Preto
1999
Em protesto contra o baixo salário mínimo, o então deputado federal empurrou um carrinho com o pouco que se podia comprar com R$ 136
2000
No Congresso, ainda na oposição, ironizou o aumento de R$ 15 no salário mínimo



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