|
Artigo
06/02/2012
O PLANO DE MANTEGA PARA GARANTIR O CRESCIMENTO
O ministro da Fazenda conta à DINHEIRO como pretende proteger a economia
brasileira e assegurar um aumento de 4,5% do PIB em 2012, ano em que as
incertezas ainda dominam o cenário mundial.
Denize
BACOCCINA, Carla JIMENEZ e Guilherme BARROS
Nem
mesmo a pane no jato que o levaria de volta a Brasília, na manhã da terça-feira
31, foi capaz de abalar o bom humor de Guido Mantega. Ao final de uma longa
conversa com a DINHEIRO na Base Aérea de Congonhas, em São Paulo, o ministro da
Fazenda olhou para a parafernália eletrônica da reportagem sobre a mesa à sua
frente e brincou: "Cuidado para não levar o meu iPad por engano. Aqui tem
segredos de Estado". Um dos segredos mais bem guardados no tablet do ministro é
a natureza dos cortes que o governo irá fazer no Orçamento de 2012 para garantir
o equilíbrio das contas públicas. A decisão, que tomou boa parte do seu tempo na
semana passada, é essencial para garantir a relativa tranquilidade com que o
Brasil tem atravessado a crise dos países ricos.
Ele não
comenta as estimativas de analistas que apontam para uma redução de até R$ 60
bilhões nas despesas da União. Mas ressalta que não abre mão de manter o
superávit primário (economia para pagar juros) em 3,1% do PIB, uma das
principais armas em seu plano de voo para proteger o País das turbulências
externas. Nesse ponto, nada muda na política econômica. "O Brasil faz superávit
primário há 12 anos consecutivos", afirma. "É uma situação consolidada. Nunca
fomos tão respeitados." Mas Mantega quer ir além e fortalecer ainda mais a
economia neste ano. A ordem da presidenta Dilma Rousseff, que Mantega seguirá à
risca, é garantir o crescimento do PIB entre 4% e 5% neste segundo ano de
mandato. Em 2011, a soma das riquezas produzidas no País aumentou 3%.
Isso
depois de atingir 7,5% em 2010. Acertar o passo em torno de 4,5% é uma meta
ousada, num momento em que a Europa enfrenta a perspectiva de recessão, os
Estados Unidos tendem a andar de lado e a Ásia, especialmente a China, deverá
desacelerar, segundo as previsões da maioria dos economistas do mercado
financeiro. Mesmo com a crise lá fora, Mantega acredita que o Brasil conseguirá
evitar a contaminação e tem os instrumentos para ditar a velocidade do
crescimento da atividade econômica. "Não há uma blindagem, porque a economia
mundial é toda interconectada", diz ele. "Mas nós temos um domínio maior do
ritmo de crescimento que queremos imprimir. Nós ganhamos essa autonomia." A
fórmula dessa calibragem é continuar a redução dos juros para um dígito, de um
lado, e acelerar os investimentos, de outro.
O Banco
Central reduziu a taxa básica Selic em mais meio ponto percentual em janeiro,
para 10,5% ao ano, e deve promover novos cortes nos próximos meses. E a Fazenda
deve coordenar as medidas para estimular os investimentos públicos e privados.
"2012 será o ano do investimento", afirma Mantega. Nos últimos três anos, o
estímulo ao consumo e o fortalecimento do mercado interno foram vitais para o
Brasil driblar os efeitos da crise internacional. O País incluiu 50 milhões de
pessoas no mercado consumidor e, em dezembro passado, o desemprego já havia
caído para 4,7%, a menor taxa da história. Agora, o governo aposta no
investimento como o motor do desenvolvimento. São os recursos produtivos, tanto
públicos quanto privados, que vão modernizar a infraestrutura e preparar o
parque industrial para o crescimento dos próximos anos.
Projetos de logística, energia e habitação encabeçam a lista de prioridades
desse pacote de crescimento, que inclui as obras do PAC e medidas de desoneração
tributária (veja mais detalhes nos quadros). Na semana passada, a agenda de
Mantega começou com uma reunião em São Paulo – onde mora a família e ele tem
despachado às segundas e sexta-feiras. Na tarde da segunda-feira, ele reuniu-se
com representantes da Caixa, do Banco do Brasil e de construtoras para pedir o
empenho de todo o setor para acelerar a construção das unidades do programa
habitacional "Minha Casa Minha Vida". O setor de construção civil é um dos que
mais cresceram nos últimos anos, mas o governo acha que as obras do programa que
pretende construir e entregar 2,5 milhões de residências até 2014 podem andar
mais depressa.
No
esforço para distanciar o Brasil da crise que já reduziu as exportações para a
Europa, os dias do ministro da Fazenda têm sido divididos entre medidas para
estimular a economia brasileira, proteger as empresas nacionais da concorrência
dos importados e cortar as despesas. Na primeira tarefa, a parceria é com o
ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. No difícil trabalho de cortar
gastos, a parceira é a ministra do Planejamento, Miriam Belchior – que na
quarta-feira 1º deixou Brasília para fazer exames em São Paulo por causa de uma
crise de hipertensão. O governo tem até o dia 17 de fevereiro para apresentar os
números. Até lá, as equipes de Mantega, Pimentel e Miriam Belchior negociam
incentivos e cortes. Mantega já decidiu que o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) terá um novo aporte do Tesouro, mas o volume será
menor do que o do ano passado, de R$ 45 bilhões.
O BNDES
é fundamental na estratégia de crescer 4,5% em 2012. O banco foi um dos grandes
financiadores de fusões entre empresas, como a BRFoods, na política de criação
de "campeões nacionais" do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, vai
privilegiar os financiamentos para melhorar a infraestrutura do País, uma das
condições básicas para se garantir um crescimento sustentado. No ano passado,
esses financiamentos representaram 40% dos desembolsos de R$ 139,7 bilhões.
Somente os projetos de energia elétrica e logística (as grandes obras de
transportes) somaram R$ 18,7 bilhões, num total de 155 empreendimentos. Para
este ano, o diretor da área, Roberto Zurli Machado, prevê que o segmento terá
financiamentos de R$ 23,4 bilhões e uma fatia maior do bolo, que não deve
crescer.
A
novidade é que o BNDES quer entrar também como sócio nas obras de
infraestrutura, e não apenas como financiador. "Os projetos precisam de
financiamento e de capital também. Por isso vamos entrar mais nisso, olhando as
necessidades de cada projeto", afirmou Machado. Projetos não faltam. O que
faltou, nos últimos anos, foi mais velocidade para tirá-los do papel. No ano
passado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só conseguiu gastar R$ 28
bilhões. Neste ano, o governo garante que vai executar todo o orçamento,
superior a R$ 40 bilhões. São obras importantes, como novas usinas
hidrelétricas, rodovias, ferrovias, projetos de saneamento básico, portos e
aeroportos. Em todos esses setores, a parceria com o setor privado é
fundamental.
Nos
planos do governo, os investimentos privados devem chegar a 17% do PIB, enquanto
os do setor público, incluindo as estatais, aumentariam de 2,8% do PIB em 2011
para algo entre 3% e 3,5% em 2012. É o bom e velho desenvolvimentismo, mas com
uma ênfase diferente na participação dos agentes econômicos. "No passado era só
o Estado que investia, e o setor privado era um coadjuvante", diz o ministro.
"Agora nós queremos que o setor privado seja o protagonista." Há muito espaço a
ser ocupado pelos empresários. Um levantamento do economista Carlos Campos, do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que a maioria das obras
do PAC realizadas no ano passado estava apoiada em três frentes: os projetos
patrocinados pela Petrobras, pela Caixa (para financiar os mutuários do "Minha
Casa Minha Vida") e pelo do BNDES.
O setor
privado participou com 18% dos recursos necessários para o PAC, mas também com
grande suporte do BNDES. Para alterar esse quadro, o governo vem estimulando,
desde o fim de 2010, a criação de instrumentos financeiros que garantam o
crédito ao setor de infraestrutura. "Os bancos privados já levantaram R$ 150
bilhões em letras financeiras e estão se preparando para financiar projetos de
infraestrutura", diz Mantega. Apetite para entrar no jogo não falta ao setor,
garante Silvania Del Barrio, superintendente de Project Finance do Itaú BBA. Que
venham as grandes obras. "Ainda não estamos vendo o número de projetos que
gostaríamos de ver", diz Silvania. Alguns fatores explicam esse desencontro
entre oferta e demanda de recursos.
E um
deles é a falta de cultura do País de investir em empreendimentos de longo
prazo, como os de infraestrutura. "O governo pode dar o norte, mas quem dá o
ritmo dos negócios são as agências reguladoras", diz Robertson Emerenciano,
advogado especializado em infraestrutura. Licenças ambientais e autorizações de
uso de solo ou de espaço dependem de uma coordenação nos órgãos públicos, que
ainda está se acomodando na economia brasileira. "É preciso destravar a
burocracia para emitir licenças ambientais", diz Wagner Cardoso,
secretário-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Para liberar
autorizações, pedem até a foto do Pelé", dramatiza. Muitos projetos dependem,
ainda, de concessões, ou marcos regulatórios que estão em fase de ajuste, como
no caso de saneamento básico ou do setor ferroviário.
"Entrar
no setor de ferrovias ainda é difícil, pois os projetos têm maturação de 30
anos. Mas o mercado quer retorno de dez anos", diz Renato Mazzola, diretor da
divisão de Investimentos em Infraestrutura do BTG Pactual. Se por um lado a
carência brasileira desanima, ela é também sinônimo de oportunidades de negócios
para quem busca alternativas de lucro, principalmente quando a economia global
está patinando. Mazzola conta que já conversou com 160 investidores
estrangeiros, interessados em projetos na área. "Se compararmos o Brasil com os
demais Brics, ainda somos a Suíça em termos de regulação", afirma o executivo.
Um bom termômetro da atração pelo País será o leilão dos primeiros aeroportos,
que acontece na segunda-feira 6. Onze consórcios disputam o controle dos
terminais de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, e o aeroporto Juscelino
Kubitschek, em Brasília.
"Teremos um ágio interessante para o governo, que tornará as próximas rodadas de
concessão ainda mais atraentes", diz Renato Mazzola. O BNDES também vai
financiar parte dos investimentos – até 80% do que for gasto no Brasil. Mas o
plano do ministro Mantega não é apenas de investimentos em obras de
infraestrutura. Ele lembra que as montadoras de veículos instaladas no País vão
investir U$S 20 bilhões na ampliação de suas atividades até 2014. "Graças aos
cuidados que nós tomamos, senão eles iriam investir em outro lugar", afirmou o
ministro. No dia 15 de dezembro do ano passado, o governo aumentou em 30 pontos
percentuais o IPI sobre carros importados. Embora polêmica, a medida foi
celebrada por outros segmentos da economia, que compõem a cadeia de fornecedores
do setor automobilístico.
"Se
querem vender aos brasileiros, então que venham produzir aqui", diz Carlos
Fadigas, presidente da petroquímica Braskem. Fadigas acredita que a boa fase da
economia brasileira deve ser aproveitada internamente, principalmente depois do
crescimento de apenas 0,3% no setor industrial em 2011. "É legítimo investir
numa cadeia nacional de veículos, assim como numa rede de fornecedores locais da
Petrobras", diz ele. As decisões de investimento da Braskem também levaram em
conta essas prioridades do governo. Com US$ 5 bilhões em caixa para os projetos
dos próximos cinco anos, a petroquímica deve inaugurar, em 2012, duas fábricas,
uma de PVC, em Alagoas, e outras de intermediário de borracha (butadieno), no
Rio Grande do Sul – esta última visa a atender ao crescimento do mercado
automotivo brasileiro. A empresa de logística Ceva também se beneficia da
expansão da indústria automotiva e já prevê crescimento de dois dígitos em 2012,
ancorado, em parte, na expansão das plantas da Ford e da Volkswagen, no
Nordeste.
"Vamos
fazer o maior investimento dos últimos três anos em gestão de pessoas", diz Caio
Najm, diretor-geral da Ceva, que pretende ampliar em 10% o quadro de
funcionários para atender à demanda. O economista-chefe do Banco Bradesco,
Octávio de Barros, observa que, na prática, o ciclo de investimentos privados no
País nunca foi de fato interrompido desde 2005. "O cenário global adverso apenas
gerou uma recalibragem dos projetos de investimento, mas eles não foram
abandonados", diz Barros, que acredita na recuperação do setor industrial este
ano, apesar da sobreoferta dos produtos manufaturados no mundo. Para ele, a meta
de crescer 4,5% não é impossível, pois o "fundo do poço" da desaceleração da
economia ficou em outubro. A pesquisa do Banco Central com economistas de bancos
e consultorias mostra que o mercado prevê um crescimento de 3,27% para este ano.
A meta
de crescimento do governo também parece factível para o presidente da DHL
Express Brasil, Joakim Thrane. "Mas não devemos olhar o mercado doméstico como
único foco", diz Thrane. "É preciso trabalhar uma estratégia de comércio
exterior mais aberta e agressiva." O ministro Guido Mantega lembra que o País
conseguiu diversificar os destinos de suas exportações, o que reduziu a
dependência da Europa, por exemplo. Com o dólar desvalorizado, no entanto, o
problema ganhou força. Em janeiro, a balança comercial teve um déficit de US$
1,29 bilhão, o maior para um mês de janeiro. Por isso, o governo quer tomar
providências para proteger o mercado brasileiro. Uma das medidas em análise é
uma salvaguarda temporária que vai instituir a cobrança do imposto de importação
de produtos têxteis por peça e não por valor, e pode impedir a entrada de
mercadorias subfaturadas.
O
governo também quer romper o acordo automotivo com o México, por causa do
déficit comercial neste setor e de suspeitas de que peças e partes que entram
como mexicanas sejam na verdade produzidas em outros países. Apesar das
reclamações da indústria, o nível de utilização da capacidade instalada aumentou
para 83,7% em janeiro, próximo ao patamar histórico de 84,1% de julho do ano
passado. Neste cenário de plena utilização da indústria, são muito bem-vindos
novos investimentos no aumento da capacidade produtiva da indústria brasileira,
para que o governo não seja obrigado a esfriar de novo a economia quando ela
voltar a aquecer. Se o plano de Mantega der certo, quem sabe seu próximo iPad
será fabricado no Brasil.
"O
brasil Será um caso à parte em 2012"
O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, fala sobre as medidas que o governo já
adotou para garantir o crescimento de 4,5% na economia neste ano e destaca a
importância do setor privado para aumentar o volume de investimentos no País.
Confira os principais trechos da entrevista:
Como o
sr. pretende blindar a economia brasileira da crise global?
Não há
uma blindagem, mas estamos protegendo a economia brasileira. No passado, ela foi
muito dependente dos Estados Unidos e da Europa, mas diversificamos muito os
parceiros comerciais. Hoje, dependemos muito mais do mercado interno. Enquanto a
Europa vai ficar próxima da recessão, os Estados Unidos vão crescer no máximo 2%
e a Ásia vai desacelerar, nós vamos crescer mais do que no ano passado. Estou
prevendo 4,5%. Seremos um caso à parte. No ano passado, queríamos desacelerar,
porque havia um fenômeno mundial de inflação que poderia contagiar o Brasil.
Fizemos política monetária e fiscal restritivas. Neste ano, revertemos essas
medidas, soltamos o crédito, baixamos o IOF e reduzimos o IPI para alguns
produtos.
O nível
de tributação no Brasil ainda é muito elevado. Não está na hora de uma mudança?
O turista brasileiro que vai para Miami paga um décimo do valor cobrado aqui nos
produtos que compra.
Não
acho que a carga tributária seja elevada. Ela tem caído. O que aconteceu é que
as empresas estão pagando mais Imposto de Renda porque tanto a formalização
quanto a fiscalização da Receita aumentaram. Quem já pagava, agora paga menos. O
investidor e o empresário estão pagando menos. Há menos IPI, menos PIS/Cofins,
para alguns setores. Reduzimos o prazo de depreciação dos equipamentos. Também
reduzimos a apropriação do prazo do PIS/Cofins. Temos desonerado bastante.
Qual é
o efeito cambial?
A
desvalorização do dólar é de mais de 50%. Então, lá fora tudo fica mais barato.
Há um desespero dos produtores. O pavor de Ben Bernanke, presidente do Fed, é a
deflação. Além do mais, os Estados Unidos não produzem mais nada, trazem tudo de
fora. Por isso fica barato. Foi assim que desestruturaram a indústria. Não
queremos isso aqui. O câmbio é a maior arma comercial que nós temos hoje.
E o que
o governo pode fazer para atacar esse problema?
O
governo tem de atuar no câmbio, e estamos fazendo isso. Não dá para fazer
milagre. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa estão com a moeda
desvalorizada. Vários países têm juro real negativo. Estamos com o câmbio melhor
do que antes, porque tomamos medidas eficazes, como o IOF. Tomamos medidas de
defesa comercial, como o IPI dos carros. A importação já está caindo.
As
montadoras podem subir o preço? Há acordo para evitar isso?
Quando
aumentamos o IPI, fizemos um acordo para não subir os preços. Se subir, a gente
reverte. Não permitiremos que o consumidor brasileiro seja prejudicado.
Os
preços não cairiam mais para o consumidor se o mercado fosse livre?
Se o
mercado fosse livre, iria acabar com a indústria nacional. Só haveria produção
na China, na Coreia, e o Brasil se tornaria só um grande importador. Voltaríamos
ao Brasil da Primeira República.
O sr.
acha natural a remessa dos lucros das montadoras? Não deveria haver uma maior
contrapartida, com investimento delas no Brasil?
O
Brasil é um país que tem regras do jogo bem claras em relação ao investimento
externo. Não podemos impedir a remessa de lucros e dividendos. As remessas no
ano passado foram de US$ 38 bilhões, mas entraram US$ 66,6 bilhões de
investimentos externos A indústria automobilística tem um plano de investimento
de US$ 20 bilhões até 2014, graças a essas medidas que nós tomamos.
Qual é
a sua visão sobre o futuro do capitalismo?
O
capitalismo precisa ser sempre reinventado. Onde está dando mais certo? Nos
países que adotaram o capitalismo de Estado. Não vamos comparar o Brasil com a
China, onde 80% da economia está sob controle do Estado. Mas o Brasil tem bancos
públicos também, o Brasil tem financiamento público. O que está em crise é o
capitalismo liberal clássico, o capitalismo da desregulamentação financeira, que
nos levou a esta crise toda. Modestamente, acho que uma das formas mais
eficientes de capitalismo é a do Brasil. É um capitalismo que traz diretamente
benefícios à população. Estamos longe do modelo europeu de desenvolvimento, mas
estamos a caminho de alcançá-lo.
O sr.
está feliz no cargo? É bom ser ministro da Fazenda neste momento?
É bom.
E sabe por quê? Porque gosto de desafios. Eu não tenho me entediado no cargo. Os
resultados são muito satisfatórios. A classe E diminuiu sensivelmente e estamos
conseguindo dar emprego para todo mundo que quer emprego. Me dá uma grande
satisfação ser ministro de uma economia que não está arrochando salário, não
está desempregando gente, que paga dívida.
O que
falta?
Muita
coisa. Falta termos todo mundo na classe B, na classe A. Falta a renda per
capita ser de US$ 40 mil, e não de US$ 12 mil. Não temos o padrão da população
japonesa, da população americana. Mas a vida está melhorando.
Diante
disso, a reeleição da presidenta Dilma está garantida?
Ninguém
está pensando em eleição. Temos um ano de governo e temos de pensar em
consolidar essa situação. Estamos na rota do desenvolvimento sustentável.
|