Entrevistas

17/01/2011

"O Brasil saiu da retaguarda e passou para a vanguarda”

Entrevista do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a Revista ISTOÉ Dinheiro

Em entrevista à DINHEIRO, o ministro Guido Mantega diz que o Brasil continuará como um importante player mundial no governo Dilma. Ele vê com otimismo as perspectivas para a economia mundial em 2011.

O sr. sempre teve fama de gastador, mas agora anuncia a redução de gastos. O que mudou?

Essa fama é um absurdo. É só olhar a trajetória fiscal desde que eu entrei. Cumprimos o superávit em 2006 e em 2007. Isso mostra que não sou um gastador, sou um poupador. As pessoas esquecem que houve uma tremenda crise mundial, que exigiu que aumentássemos os gastos para manter a economia em funcionamento. Ainda assim, fechamos 2010 com a relação dívida/PIB perto de 40% e queremos chegar a 30% no último ano do governo Dilma.

Qual é o tamanho do corte?

Este ano, o corte será maior do que nos anteriores, mas não temos o número fechado. Não estamos fazendo uma redução linear de despesas. Vamos pegar ministério por ministério e ver projeto por projeto. Só teremos o tamanho dessa restrição lá pelo final de janeiro.

É possível aumentar os investimentos num momento de corte de gastos?

Os investimentos que já estavam em curso continuarão. Os que ainda não começaram poderão começar um pouco depois. Vamos tentar não diminuir investimento, mas só terei uma decisão definitiva depois de olhar todos os números.

A presidente falou sobre a reforma tributária no discurso de posse. Como será essa reforma?

A reforma seguirá o modelo desenvolvido no governo anterior e que já foi discutido com o Congresso, com o setor produtivo. Priorizaremos a parte dos tributos estaduais e municipais, que são os que causam mais problemas. Temos de homogeneizar mais as tarifas estaduais. O problema do ICMS, além da guerra fiscal, é a disparidade regional.

A carga tributária aumentou nos últimos anos. Isso vai continuar?

O total de impostos arrecadados cresceu porque houve um movimento forte de formalização e de aumento da atividade econômica. Mas o montante pago por cada empresa e por cada cidadão diminuiu.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que gostaria de revisar para baixo a meta de inflação de 4,5%. O sr. concorda?

Acho que a gente sempre deveria perseguir uma inflação menor para o País. Mas é preciso que haja condições concretas para que isso ocorra, sem prejudicar a economia. Inflação menor não é um mero exercício de desejo.

O Brasil continuará sendo um importante ator no cenário internacional com a presidente Dilma?

O Brasil foi se tornando um importante player mundial à medida que sua economia foi ficando maior e mais sólida. Isso não muda com a presidente Dilma. O País deixou de ser o patinho feio dos BRICs e passou a ser um dos líderes dos emergentes. O Brasil saiu da retaguarda e passou para a vanguarda.

Qual é o cenário internacional para 2011?

Parece melhor do que no ano passado. Agora, a Alemanha está indo muito bem e há sinais de recuperação da economia americana, que para alguns pode crescer até 4,5%. Assim, teríamos um cenário mais favorável para 2011, o que é bom, inclusive, para a nossa balança comercial.

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