|
Entrevistas
15/08/2011
"EM ENTREVISTA PARA A ISTOÉ, O MINISTRO DA FAZENDA, GUIDO MANTEGA, DIZ QUE
O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR A CRISE MUNDIAL”
“Não há motivo para
desespero"
Entrevista
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a revista ISTO É
Adriana Nicacio
Istoé – A crise internacional deve preocupar o
Brasil?
Guido Mantega – O Brasil está hoje mais bem
preparado do que no passado para suportar um agravamento da crise mundial.
Possuímos expressivas reservas internacionais e temos uma situação fiscal
sólida. Não vamos subestimar a crise, mais também não é motivo para desespero.
Istoé – As medidas anunciadas pelo governo
brasileiro em defesa da indústria, do emprego, e da renda são suficientes?
Guido Mantega – Certamente são medidas na direção
correta, pois buscam estimular os investimentos na economia e garantir que o
nosso vasto mercado doméstico seja usufruído por brasileiros. A indústria
nacional não focará sozinha, à mercê de práticas desleais no comercio
internacional. Somos um país privilegiado pelo imenso e dinâmico mercado
interno. E o governo brasileiro tem se empenhado fortemente na busca de soluções
que compensem práticas predatórias de comércio.
Istoé – De que forma o governo agirá contra a guerra
cambial e a competição comercial predatória?
Guido Mantega – Adotamos uma série de medidas para
conter a valorização expressiva do câmbio e evitar a perda de competitividade
relativa dos nossos produtos. O Plano Brasil Maior, por exemplo, atende a uma
demanda antiga dos exportadores, com a restituição de créditos tributários para
estimular ainda mais as exportações e as desonerações na folha de pagamentos de
setores que sofrem com práticas desleais. Não deixaremos que determinados países
se aproveitem de nossos mercados para solucionar suas crises internas.
Istoé – O que o Sr. acha da decisão do Federal
Reserve de manter sua taxa básica de juros “excepcionalmente baixa” até meados
de 2013?
Guido Mantega – A decisão do FED reflete a
conscientização do governo americano de que a superação da crise será mais
demorada do que se imaginava, pelos sinais de estagnação da atividade econômica
do país. Estamos acompanhando com atenção a evolução dessas medidas e os
prováveis impactos no Brasil. |