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Entrevistas
13/08/2009
''CUSTO COM A CRISE FOI BAIXO''
"Nosso custo foi baixíssimo, entre R$ 30 bi a R$ 40 bi", diz ministro, que não descarta
prorrogar redução do IPI
Entrevista
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o Estado de S. Paulo
Defensor no G-20 da manutenção por mais tempo das políticas de estímulo
anticrise, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que o governo não esgotou
o arsenal de medidas e promete reduzir ainda mais as taxas de juros para as
empresas que quiserem investir. Passado um ano da fase aguda da crise
financeira, Mantega calcula um gasto de cerca de R$ 40 bilhões neste ano com o
programa de estímulo à economia. "Foi barato", afirma. Ele não
descarta a possibilidade de prorrogação das isenções do IPI.
"Desoneração é algo que não se fala. Se você pensa em fazer, você
não deve dizer." O ministro quer manter a pressão sobre o G-20 para
fortalecer a regulação dos mercados e impedir que prevaleça a posição dos
bancos. "As grandes instituições financeiras não querem
regulação."
Como,
na sua visão, a crise afetou o Brasil?
A
crise foi provocada por uma bolha no setor financeiro e imobiliário americano.
Emprestava-se para quem
não podia tomar emprestado e estimulava-se um consumo exagerado nos EUA. Houve
uma paralisação
do crédito internacional e disso ninguém escapa. Alguns ficaram metidos na
crise até o pescoço,
outros até cintura e o Brasil, até o tornozelo.
Houve
irresponsabilidade dos governos?
Houve.
Não dos que estão aí, mas dos que liberalizaram em demasia o setor
financeiro. (Nos bancos)
havia problemas de solvência, mas eles estavam escondendo ativos podres,
micados.
O
que foi fundamental para o País sair da crise?
O
crescimento, o mercado interno forte e uma situação fiscal favorável. Pela
primeira vez, não houve fuga
de capital.
Um
estudo da Unctad diz que o Brasil teve um custo fiscal elevado de 5,6%.
O
estudo está equivocado. Devemos gastar até o fim do ano entre 1% a 1,5% do
PIB. Nosso custo foi
baixíssimo, entre R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões. Foi barato e eficiente. A
China vai gastar uma fortuna
de 13% do PIB. Os EUA vão gastar 5,6% do PIB. O México 4,7%, a Argentina,
3,9%.
Qual
foi o momento mais difícil?
Quando
os grandes bancos internacionais começaram a quebrar. Em outubro, a reunião do
FMI parecia
um velório.
Temeu
por uma corrida bancária?
Não.
O nosso sistema financeiro estava sólido, mas houve saques em bancos pequenos e
médios. Estimulamos
a compra de carteiras, mas nunca chegamos a estimular a compra de bancos.
A
participação de empresas brasileiras em derivativos cambiais surpreendeu?
Não
tínhamos conhecimento das operações de balcão. Apesar de termos um sistema
financeiro e de mercado
futuro bastante regulados, essas operações não eram conhecidas.A liquidação
dessas operações
chegou a cerca de US$ 40 bilhões. Foram três grandes operações.
Alguns
países não estão convencidos da necessidade de regulação dos mercados.
Em
princípio, todo mundo aceita. As grandes instituições financeiras não querem
a regulação, querem ficar
livres para fazer o que quiserem. Temos de continuar com a pressão no G-20.
Quando
o sr. percebeu que a crise estava passando no Brasil?
Quando
começaram os efeitos da redução do IPI de automóveis e a liberação de
crédito para bancos
e montadoras venderem os carros. O nosso fundo do poço foi bem mais raso do que
os dos outros.
Na virada do semestre, a crise estava superada no Brasil. A economia saiu do
vermelho e está
no azul.
Não
vai ter um efeito rebote da crise internacional?
Poderá
acontecer, se as políticas de estímulo forem abandonadas pelos governos. Esse
desmonte é prematuro.
A economia mundial não está sólida.
O
governo vai manter o incentivo com IPI?
Os
incentivos têm regras estabelecidas. Não serão mudadas. O que não quer dizer
que o governo não
possa tomar outras medidas, como a redução das taxas de juros para
investimentos.
O
sr. está fechando as portas para uma prorrogação do IPI?
Desoneração
é algo que não se fala. Se você pensa em fazer, você não deve dizer. Neste
momento, estou
satisfeito com os programas e prazos em vigor. O governo vai continuar fazendo
uma política anticíclica,
mas com modalidades diferentes. Do ponto de vista tributário, não temos mais
muito espaço.
São medidas de caráter financeiro, como oferecer crédito mais barato. Não
esgotamos o arsenal.
O
País está em situação confortável para fazer um superávit maior em 2010?
Não
digo confortável. Sentar nesta cadeira nunca é confortável. Sempre se depara
com desafios e problemas
a resolver. Vamos ter de conter gastos e frustrar alguns ministérios.
Em
ano de eleição?
Nós
aqui não nos pautamos pelo ano eleitoral. Uma bandeira eleitoral excelente é
entregar o governo com
as contas públicas equilibradas. E eu sou o responsável.
Como
o sr. vai fazer a transição para um superávit maior?
Em
2006, as pessoas diziam que eu não conseguiria cumprir as metas fiscais. Cumpri
com folga. Agora,
os analistas descrentes vão cair do burro novamente. Não tenho nenhum
preconceito contra os
pobres dos burros.
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