Entrevistas

26/10/2007


Ministros enfatizam importância da CPMF para a área social
Entrevista concedida pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, José Gomes Temporão, da Saúde, Luiz Marinho, da Previdência e Paulo Bernardo, do Planejamento ao jornal Em Questão, editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edição nº44.

Os R$ 36 bilhões que serão arrecadados até o fim do ano com Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) são fundamentais para a garantia de direitos elementares da população. Alimentação, saúde, previdência e renda são alguns itens financiados pelo imposto. Em entrevista, os ministros da Fazenda, Saúde, Previdência Social, Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Planejamento reforçam a necessidade da CPMF para a continuidade de programas essenciais, como o Bolsa Família e os procedimentos do Sistema Único de Saúde. Os ministros apontam números para enfatizar a importância desses recursos, dentre eles, a realização de 134 milhões de atendimentos ambulatoriais e de 268 milhões de consultas, a garantia de aposentaria rural para 7,3 milhões de trabalhadores e a renda mensal para 45 milhões de brasileiros pobres, além do equilíbrio das contas do governo.

Em Questão  - O país cresce com a inflação sob controle e em condições para crescer nos próximos dez anos a taxas de 5% ao ano, com inflação baixa, com ou sem turbulência internacional. Em um cenário tão bom para a economia, por que é necessário prorrogar a CPMF?

Guido Mantega (Ministro da Fazenda) - A CPMF é muito importante para o equilíbrio fiscal. Além dos recursos para a Saúde e para a  Previdência Social, garante verbas necessárias para o programa Bolsa Família. Vale lembrar que o crescimento da arrecadação previsto no Orçamento de 2008 ocorre, em sua maior parte, pelo aumento da formalização do emprego e da massa salarial, bem como ao crescimento dos impostos vinculados ao lucro das empresas. O governo também faz um grande esforço para viabilizar as obras de infra-estrutura que constam do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o aumento dos recursos para Educação com Fundeb e o Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE), elevação dos gastos com Segurança (Pronasci), entre outros. Por todos esses motivos, é fundamental que o Senado aprove a prorrogação da CPMF.

Em Questão - O governo destina apenas um terço dos R$ 36 bilhões arrecadados com o imposto para a saúde. Por que a arrecadação com a CPMF hoje vai para outros programas e não apenas para a saúde, objetivo pelo qual foi criada?

GM - O percentual para saúde é de 42%. Para 2006, a DRU (Desvinculação de Receitas da União) foi de cerca de R$ 6 bilhões e boa parte dela também se destina à saúde. A decisão de dividir a CPMF para outras áreas é prerrogativa do Congresso Nacional.  O Orçamento da Saúde de 2006 superou os R$ 44 bilhões e a arrecadação da CPMF foi de R$ 36 bilhões.

Em Questão - Ministro, 40% do orçamento da sua Pasta para 2007 vem da CPMF.  Recentemente, o senhor declarou à imprensa que sem os recursos do tributo não haveria como o Ministério da Saúde manter suas atividades de atendimento à população na parceria com estados e municípios. O senhor poderia explicar melhor este impacto financeiro?

José Gomes Temporão (Ministro da Saúde) - Hoje, mais de 144 milhões de pessoas têm no SUS o seu único acesso a serviços de saúde. São realizados por ano mais de 11 milhões de internações e 1,3 bilhão de atendimentos ambulatoriais na rede pública. Isso somente para apresentar alguns números. Posso citar outros, como 27.454 equipes de saúde da família em ação em todo o país e outros 221.381 agentes comunitários de saúde trabalhando pela população. Uma rede de tamanha magnitude enfrenta diversos desafios, sendo um deles a questão do financiamento. Hoje, a CPMF corresponde a 40% dos recursos do Ministério da Saúde. Vale ressaltar que esse dinheiro é repassado integralmente para os estados e municípios que são os executores das ações de saúde. Não há como negar a importância desta contribuição. E trata-se de uma fonte segura e regular de financiamento. O sistema de saúde não pode ficar refém de previsões se haverá ou não recursos para as suas ações. Isso tem que estar assegurado para o sistema funcionar.

Em Questão - Caso a prorrogação da CPMF não seja aprovada, quais os procedimentos que serão comprometidos?

JGT - Em 2006, com os recursos da CPMF realizamos 268 milhões de consultas especializadas, 348,8 milhões de exames laboratoriais, 48,6 milhões de exames radiognósticos, 10,9 milhões exames de ultra-som, 7,8 milhões de cirurgias ambulatoriais, 20,3 milhões de atendimentos de hemoterapia, 8,7 milhões de procedimentos de oncologia, 9,3 milhões de hemodiálises, outros 134,4 milhões de procedimentos ambulatoriais, 3,1 milhões de cirurgias, 2,2 milhões de partos, 1,6 milhões de internações pediátricas, 3,7 milhões de internações clínicas de adultos e 1,1 milhão de outras internações. O mais interessante é observar que outra importante parcela da CPMF vai para o Bolsa Família. Veja que aliando esse programa com o Saúde da Família, em menos de três anos, reduzimos em 52% a desnutrição infantil em regiões onde os programas estão ativos, em menos de três anos. Essa, portanto, é a dimensão da contribuição dentro do Sistema Único de Saúde. Sem a CPMF, teremos de discutir se devemos cortar essas ações ou retirar recursos de outras áreas, também vitais para a população e desenvolvimento do País.

Em Questão - Caso a prorrogação da CPMF não seja aprovada, quais são as providências que terão de ser ajustadas pela sua Pasta?

Luiz Marinho  (Previdência Social) - Não contamos com a possibilidade de não-aprovação da CPMF, até porque nossos parlamentares sabem que a prorrogação é necessária. Creio que manter a CPMF é uma questão de responsabilidade. É importante lembrar, também, que sem o imposto não dá sequer para falar em desoneração da folha. Defender a CPMF é defender milhões de brasileiros que dependem desses recursos, como é o caso dos aposentados da área rural - mais de 7,3 milhões de pessoas que trabalharam no campo recebem pelo menos um salário mínimo da Previdência Social mensalmente. E boa parcela desses recursos vem da CMPF.

Em Questão - A CPMF financia 79% do Bolsa-Família, principal programa do Fome Zero. Como ficaria o programa sem esta arrecadação?

Patrus Ananias (Ministério do Desenvolvimento Social) - Neste ano, a participação dos recursos da CPMF chega a 87% do total da dotação orçamentária do Bolsa Família. Dos R$ 8,6 bilhões que serão investidos até o fim do ano, R$ 7,5 bilhões vêm do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, cuja fonte é a CPMF. Além do Bolsa Família, outros nove programas do nosso Ministério utilizam recursos do Fundo, como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), a rede de Restaurantes Populares, a distribuição de cestas de alimentos e a construção de cisternas de captação de água de chuva no Semi-Árido. Se não houver a prorrogação da CPMF. como é um programa prioritário, nós buscaríamos certamente outros recursos, mas com visível prejuízo para o Bolsa Família e para os programas sociais que estamos consolidando e ampliando no Brasil nesta perspectiva de uma rede nacional de proteção e promoção dos pobres. A construção dessa rede faz parte de um vigoroso projeto de inclusão que tem como objetivo tornar realidade no Brasil o Estado do Bem-Estar Social, até que tenhamos alcançado uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos e oportunidades. A criação e consolidação de uma ampla rede de serviços públicos que crie essas condições que almejamos tem um custo, mas temos de saber que esses custos retornam para a sociedade em forma de mais justiça social, segurança, desenvolvimento integral e integrado do país.

Em Questão - O que representa hoje para o País o Bolsa Família?

Patrus Ananias - É muito importante destacar que o Bolsa Família não é um programa isolado; ele se articula com outros programas sociais do governo na perspectiva de promover as bases para o desenvolvimento sustentável, integral e integrado. A transferência de renda com condicionalidades, como é o Bolsa Família, tem um impacto bastante positivo nas economias locais e sobretudo no resgate de acesso a direitos elementares, começando com o direito sagrado à alimentação, que é o primeiro degrau constitutivo da dignidade humana. Uma pesquisa feita, a nosso pedido, pela UFBA/UFF mostrou que o dinheiro recebido pelas famílias beneficiadas é utilizado principalmente para comprar alimentos. Nas famílias atendidas e analisadas pela pesquisa, 93% das crianças fazem pelo menos três refeições por dia e 73% dos entrevistados disseram que a variedade de alimentos consumidos aumentou depois de entrarem no programa. A própria exigência da condicionalidade - as famílias têm de manter os filhos na escola e observar calendário de vacinação infantil e acompanhamento de saúde para mulheres grávidas e em período de amamentação - também representa abertura de portas a outros direitos básicos. Essa exigência, mais do que uma contrapartida dos beneficiários, é uma maneira de cobrar do Estado as condições para que sejam observadas. O programa também tem comprovado impacto na redução da desigualdade, como demonstram os estudos sobre as últimas edições da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que indicaram uma redução considerável na pobreza: 14 milhões de pessoas saíram dessa condição nos últimos quatro anos. Cumprimos, com antecedência, o primeiro dos Oito Objetivos do Milênio, fixados pela ONU: reduzir a extrema pobreza à metade até 2015. Além disso, o Bolsa Família incide também na preservação de vínculos familiares e no estímulo de economias locais, pois proporciona o aumento do consumo.

Em Questão - A hipótese de rejeição da CPMF pode provocar um remanejamnto das contas do governo? 

Paulo Bernardo (Ministério do Planejamento) - Sim, esta é uma questão constitucional. Temos previsão de receitas e despesas no orçamento. Portanto, se eu tiro uma receita, terei que compensar com corte de despesa ou conseguir receita equivalente.

Em Questão - Seria viável para as contas do governo a isenção para pessoas que ganham até R$ 1.700,00? É possível redução do imposto gradativamente?

PB  -  Sim, é possível nos dois casos. O que não há condição de suportar é um corte imediato de um imposto que representa uma arrecadação de R$ 40 bilhões o próximo ano. É fundamental estabelecer negociação com os parlamentares. Veremos se o melhor é reduzir alíquota, dar isenção para alguns setores ou realocar recursos em programas que precisam de reforço, como é claramente o caso da saúde.


 Pesquisa no sítio:

Serviços

 Carta de Serviços
 Cidadão
 Empresa
 Aduana
 Consulta Processo
 Custo Efetivo Total

Temas de Interesse

 Resultado do Tesouro
 Dívida Pública
 Responsabilidade Fiscal
 Invista no Tesouro Direto

 Concorrência

 Exportações
 Governo
 PNAFM

Invista no Tesouro Direto!





E-CAC: Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte.
Resenha Eletrônica

 

Ministério da Fazenda Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 70048-900 - Brasília - DF - Pabx: (61)3412-2000/3000 - Fax: (061)3226-9084