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Entrevistas
23/08/2006
Mantega prevê crescimento de até 4,5% em 2006 e queda da carga tributária para o empresário
Entrevista do
Ministro da Fazenda Guido Mantega à Radiobrás
Brasília
- A aposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para este ano é de um
crescimento entre 4% e 4,5% do Produto Interno Bruto – a soma de todas
as riquezas produzidas no país. Para ele, a economia está crescendo mais
do que os índices projetados por especialistas em pesquisas semanais.
"Já temos todos os indicadores de que a economia está crescendo
acima de quatro por cento. São pessimistas as previsões que falam em
3,5%”. Na
última parte da entrevista exclusiva à Radiobrás, Mantega fala
sobre perspectivas de crescimento, do seu compromisso de manter a carga
tributária nos níveis de 2002 e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Agência
Brasil: Alguns analistas e instituições estão revendo para baixo as
suas expectativas para o crescimento econômico este ano. A pesquisa
semanal do Banco Central aponta para 3,53%. O senhor mantém as suas projeções? Guido
Mantega: Em primeiro lugar, queria dizer que a economia está
crescendo mais do que 3,5%. Essas pesquisas mudam a cada semana, vão ao
sabor do vento. Em junho tivemos uma redução da atividade econômica por
alguns fatores. Tivemos a Copa do Mundo, algumas greves, ataques do
Primeiro Comando da Capital e até o inverno, que não chegou. Em julho já
há uma aceleração da economia brasileira. A indústria automobilística
acelerou, a indústria de papelão também. Há um consumo maior de
energia elétrica. Já temos todos os indicadores de que a economia está
crescendo acima de quatro por cento. São pessimistas as previsões que
falam em 3,5%. ABr:
Qual é a sua aposta para o final do ano? Mantega:
A minha aposta é entre 4% e 4,5% de crescimento. No segundo semestre
teremos um aquecimento maior da economia. A população tem maior poder
aquisitivo. A massa salarial cresceu, o salário real cresceu. Todos os
dissídios do primeiro semestre foram acima da inflação. Soma salário
maior e o crédito, o cidadão tem o poder aquisitivo. ABr:
O seu antecessor, ministro Antonio Palocci, estabeleceu aquilo que
chamou de “compromisso de ouro”, que era a manutenção da carga
tributária nos mesmos níveis de 2002. Naquele ano, a carga bruta de
responsabilidade da União chegou a 24,84% do PIB. O senhor mantém esse
compromisso? Mantega:
Mantenho. Mais do que manter o compromisso vou mostrar já o resultado
disso. De fato a carga tributária no Brasil cresceu muito. De 1995 a
2002, ela cresceu 10 pontos percentuais do PIB, que não é pouca coisa.
É como falar hoje em R$ 200 bilhões. A partir de 2003, o nosso governo
começou a desonerar tributos, a reduzir alíquotas. O IPI caiu sobre bens
de capital de um modo geral. Caiu sobre cesta básica, Pis e Cofins caíram
sobre vários produtos. De 2003 a 2006 nós desoneramos o equivalente a R$
19 bilhões. Então, por que a arrecadação não cai? Porque a economia
brasileira está crescendo e está gerando mais renda e mais lucro. As
empresas estão tendo mais lucros e ao ter mais lucro, pagam imposto de
renda. Além disso, está diminuindo a sonegação. Estamos combatendo a
sonegação e com isso estamos arrecadando mais, mas com imposto caindo. A
promessa está sendo cumprida. ABr:
Mas qual é a carga que o senhor espera para 2005 e para 2006? Será acima
ou abaixo dos 24,84% do PIB? Mantega:
Como existe o aumento da formalização e do crescimento econômico,
esses 25% não vão cair, mas por causa da formalização. Mas do ponto de
vista individual, do cidadão, do ponto de vista do empresário, a carga
vai cair. O sujeito vai pagar menos tributos emcima do faturamento dele.
Além do que nós estamos apoiando e promovendo a Lei Geral da Micro e
Pequena Empresa, que vai desonerar as micro e pequenas empresas
brasileiras. Vamos ter R$ 5 bilhões a menos de tributos em cima desse
segmento por ano, que deve valer a partir de 2007, se a gente conseguir
aprovar essa lei assim que terminar o recesso do Congresso. ABr:
No seu discurso de posse o senhor falava de um novo modelo econômico
e falava de um desenvolvimento sustentável, duradouro. Nesses quatro
anos, muita coisa se concretizou, especialmente em relação aos números.
Mas o desenvolvimento não aconteceu. As Parcerias Público-Privadas, por
exemplo, não aconteceram. O que impediu esse desenvolvimento? Mantega:
A primeira PPP está para sair. Já, já vai sair a licitação e as
empresas vão poder se habilitar. ABr:
Mas obras só em 2007. Mantega:
O importante é começar. Você começa e novas parcerias serão
aprovadas. Na verdade, nesses quatro anos nós consolidamos esses
alicerces. A economia brasileira é meio frágil. É insegura, é
desequilibrada. O que nós fizemos nesse período foi equilibrar a
economia, dar segurança para a economia. Torná-la forte e segura. E nós
já aceleramos as taxas de crescimento. Já podemos dizer que já existe
um novo modelo de crescimento sendo aplicado no país. Esse novo modele
gera emprego e gera renda. A produção cresce, a produtividade aumenta.
Ano que vem já podemos falar em 5% ou 5,5¨. ABr:
Os pobres já estão contemplados neste modelo econômico, conforme o
senhor dizia no seu discurso de posse? Mantega:
Estão. Nós estamos reduzindo a concentração de renda no país. A
população de baixa renda está tendo aumentos reais no salário. A
população que não comia já está comendo. Houve um barateamento da
cesta básica de um modo geral. O salário mínimo aumentou. Então, os
pobres estão participando do progresso deste país. Estão participando
da riqueza que estamos construindo. Fonte:
Agência
Brasil
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