Entrevistas

18/08/2006

Guido Mantega diz quais as prioridades de um eventual segundo mandato
Entrevista do Ministro da Fazenda Guido Mantega à Revista Istoé nº. 1922

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já elabora e começa a falar de seus planos para o segundo mandato do presidente Lula. Agora, Mantega acredita que chegou a vez da classe média. O primeiro mandato foi melhorar os indicadores econômicos, garantir a estabilidade e priorizar os miseráveis. O ministro anuncia a ISTOÉ medidas concretas para geração de empregos, redução de tributos e para forçar os bancos privados a baixar os juros. “Se vier um governo irresponsável que não cuide da inflação, vai provocar uma revolta popular.”

André Dusek
Mantega:
“Agora vamos criar emprego
para a classe média”

O que o sr. tem no forno para gerar empregos?

Crescimento a partir de alguns pólos dinâmicos. Um deles é a construção civil. As medidas são: mais créditos, com juros mais baratos e com prazos mais longos para o pagamento.

Este governo só olhou para os miseráveis e para os bancos. E a classe média?

A base da pirâmide social já possuiu uma atenção especial do governo. Vai continuar. Agora vamos criar empregos para os assalariados de renda média.

Como?

Com estímulos à produção. Reduziremos o imposto das micros de 6,5%
para 4%. Microempresa é classe média. Além disso, são responsáveis por
70% dos empregos.

O que o sr. vai fazer para acelerar o crescimento?

Como o investimento industrial está aumentando, vai dar para crescer acima
de 5% a partir de 2007. Ainda é preciso melhorar as condições para determinados setores econômicos baixando juros a um patamar razoável.

O que é razoável?

Razoável é 5% real. Se temos inflação de 4%, então o juro nominal razoável é de 9%.

Os bancos tiveram os maiores lucros de sua história. Isso vai continuar?

Não estou preocupado se o setor financeiro está tendo lucro, pois ninguém trabalha de graça no capitalismo. Pode ter lucro alto, mas pela abundância de crédito, não pelas taxas altas.

E quanto aos juros do cheque especial e o do cartão de crédito?

Estamos trabalhando para que eles cedam. Como? Só com conversa não adianta. Precisa tomar medidas para aumentar a concorrência. Bancos públicos estão tendo muito lucro e receberam a determinação de baixar taxas de empréstimos. Também vão baixar os spreads. E vão avançar nos clientes dos outros bancos. Isso é concorrência.

Dá para baixar a carga tributária?

Não dá para baixar a arrecadação, ao contrário, ela está subindo. Nós queremos baixar são os tributos, as alíquotas. Não se pode confundir volume de arrecadação com tributo.No segundo mandato, continuaremos reduzindo os tributos das micro e pequenas empresas. Só aí teremos uma renúncia fiscal de R$ 5 bilhões. Vamos examinar agora PIS e Cofins para alguns outros setores, como o de serviços.

Como cortar gastos públicos? O candidato Geraldo Alckmin o acusa de ter perdido a austeridade fiscal.

O Alckmin fica falando na necessidade de ajuste fiscal mais severo, em cortar
gastos públicos, cortar funcionários. Não sei do que ele está falando. Ele vai fazer
um corte drástico no Bolsa Família, na Saúde ou na Educação? Os candidatos prometem reduzir a taxa de juros a zero, reduzir o gasto público para não sei quanto. Então me mostrem como.

O sr. prevê alguma turbulência com o crescimento de Heloísa Helena nas pesquisas? 

Nenhum analista vê a Heloísa como vencedora, não acho que essa candidatura vá evoluir. Se vier um governo irresponsável que não cuide da inflação, vai provocar uma revolta popular.

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