Entrevistas

01/10/2006

"Mercado interno pode puxar o crescimento"
Para Mantega, país pode compensa

Entrevista do Ministro da Fazenda ao jornal Folha de São Paulo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que, mesmo em um cenário de menor crescimento da economia mundial, o Brasil poderá expandir sua economia apoiando-se na demanda interna. "Temos um grande mercado doméstico que está em fase de expansão por causa do aumento do emprego, da massa salarial e do crédito", diz Mantega. A seguir, trechos da entrevista de Mantega à Folha, realizada na última quarta-feira, em São Paulo. (SB)

FOLHA - Como a desaceleração da economia americana e o menor crescimento global irão afetar a economia brasileira?

GUIDO MANTEGA - A desaceleração da economia mundial até agora é apenas uma hipótese, não é uma realidade. Já se fala nisso há alguns anos e a desaceleração não acontece. Acredito que a economia internacional vai continuar vigorosa, talvez um pouco menos do lado dos Estados Unidos, mas um pouco mais do lado da União Européia e do Japão, que estão com taxas maiores de crescimento. Dessa forma, o quadro vai continuar favorável para o comércio internacional.

FOLHA - Mas se o Brasil cresceu pouco quando a economia global estava aquecida, o que vai alavancar o PIB agora?

MANTEGA - Mesmo que haja alguma desaceleração gradual da economia internacional, o Brasil está em condições de substituir a demanda externa pelo crescimento do mercado interno. No mercado externo temos crescido 16%, 17% ao ano. Se, em vez disso, viermos a crescer 15%, 13%, 12%, isso não vai fazer muita diferença. Significará um crescimento menor, mas sempre um crescimento. O Brasil tem vantagens comparativas no mercado internacional, está ocupando mercados que antes não eram nossos.

FOLHA - O mercado interno é capaz de compensar essa queda no comércio exterior nos próximos anos?

MANTEGA - O Brasil tem um grande mercado interno, que está em expansão por causa do aumento do emprego e da massa salarial. Isso compensa alguma eventual desaceleração no mercado internacional. Temos uma grande vantagem que os tigres asiáticos não possuem: o mercado deles é pequeno e esses países são totalmente voltados para as exportações. Já o Brasil tem um grande mercado doméstico, que está em fase de expansão. É isso que temos de aproveitar. As empresas orientam parte da produção para o mercado interno e uma parte para o externo -assim elas se complementam. Se cai um pouco o mercado interno, a empresa procura exportar mais, faz um preço melhor. O importante é que os dois mercados estejam sintonizados e isso já está acontecendo. Então, não temo um desaquecimento da economia internacional.

FOLHA - Como o governo deve estimular o crescimento?

MANTEGA - Vamos continuar tomando medidas para baratear o custo dos investimentos, compensar desvantagens cambiais que possam acontecer, reduzir o custo financeiro com a queda dos juros -esse é o caminho que estamos tomando. Hoje a competição no mercado globalizado é mais acirrada e nós temos de compensar a perda de vantagem cambial que tivemos no passado. Há dois ou três anos, a economia brasileira tinha uma vantagem cambial [real menos valorizado em relação ao dólar] e havia custos encobertos. Com o câmbio a R$ 3, você podia ter custo tributário e financeiro maior e pagar energia mais cara. Estamos conscientes dos problemas que alguns setores estão vivendo em conseqüência do câmbio e também de outros problemas, como a concorrência desleal, o produto contrabandeado ou subfaturado. Estamos combatendo isso e vamos continuar reduzindo a taxa de juros, diminuindo o custo financeiro das empresas. Alguns setores ainda têm tributos altos e vamos ter que reduzi-los. Estamos fazendo isso gradualmente. O que fizemos para a construção civil vamos fazer para outros setores, de modo a dar competitividade para a indústria brasileira. Além disso, vamos fomentar a inovação, pois é importante que a indústria renove seus produtos.

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