Pronunciamento do Ministro Antonio Palocci
em cadeia de rádio e TV
Sem revisão do autor
Boa noite,
Para os que ainda não me conhecem, eu sou
Antonio Palocci, ministro da Fazenda do governo Lula. Estou aqui hoje para falar
um pouco sobre a nossa economia.
Como todos sabem, a área econômica é o
coração de um país. E quando o coração está forte e sadio, tudo funciona
bem. Mas quando não está, as coisas ficam complicadas.
Há seis meses, o presidente Lula assumiu o
comando do Brasil. Recebeu um país economicamente frágil e altamente
vulnerável. Foi um momento extremamente delicado para a nossa economia.
Extremamente delicado! O dólar a quase 4 reais, o crédito externo para as
nossas empresas praticamente a zero. E o pior: a inflação voltando a crescer,
numa progressão espantosa. O momento não podia ser pior para um governo novo,
que chegava com muita vontade de mostrar resultados e dar boas notícias. Fomos
obrigados, da noite para o dia, a adiar nossos planos e a tomar medidas duras,
amargas, para estancar a crise.
Mas mostramos ao mundo que aqui estava um
governo sério, responsável, comprometido com a mudança, sim! Mas, uma
mudança segura, construída em bases sólidas e, sobretudo, verdadeiras. A
pressa e a precipitação, no passado, já levaram o nosso país a grandes
prejuízos e a grandes sacrifícios. E isso não queremos que volte a acontecer.
Hoje, seis meses depois, posso dizer que a
situação já é outra. O risco Brasil, que chegou a 2400 pontos, caiu para
menos de 800. Com isso, o crédito para as nossas empresas no exterior voltou. O
dólar está equilibrado. Tudo isso porque a inflação brasileira, que em
dezembro do ano passado era projetada a 40% ao ano, hoje está projetada na
faixa dos 7% ao ano para os próximos 12 meses. O nosso primeiro grande desafio,
portanto, foi vencido.
Ao mesmo tempo, vitórias importantes na
agricultura e nas exportações, com recorde de produção e de vendas no
exterior, estão contribuindo também, e muito, para fortalecer a nossa
economia. Sei que temos ainda muitos problemas no crescimento econômico, mas o
esforço feito pelo governo e por toda a sociedade para controlar a crise pela
qual passamos, começa a produzir resultados. Por isso mesmo, o governo, neste
momento, já está em condições de tomar medidas que levem o país ao
crescimento.
Ontem mesmo, um pacote de medidas anunciadas
pelo Presidente deixa isso muito claro. A partir de agora, todas as pessoas
terão direito a ter uma conta bancária, bastando para isso apenas a carteira
de identidade. E mais: o presidente autorizou, entre outras medidas, a criação
de uma rede nacional de cooperativas de crédito e uma grande linha de crédito
popular, a juros de 2% ao mês.
O governo também está empenhado em reduzir o
preço das tarifas públicas e dos combustíveis. Quantas vezes, neste país,
já se viu o preço da gasolina cair, como agora? E isso estamos, também,
fazendo com o gás de cozinha.
A trajetória da inflação é de queda, volto
a afirmar. E na última terça-feira, o governo deixou isso muito claro, ao
fixar metas de inflação mais baixas para os próximos dois anos. Para
conseguirmos isso, foi preciso muito sacrifício de todo o povo nesses primeiros
seis meses. Mas foi exatamente esse sacrifício que fez a inflação recuar,
criando as condições para que o Banco Central começasse a reduzir a taxa
básica de juros. E é isso que é importante que todos entendam: para que os
juros continuem caindo, não depende da vontade do Banco Central. Depende do
esforço de todos, do governo e de toda a sociedade. Os empresários, em
especial os grandes, têm muita responsabilidade nesse processo. Ao planejarem
seus negócios, ao decidirem seus preços, devem olhar para a inflação futura,
que está em queda, e não para o passado. Quanto mais rapidamente os índices
de preço recuarem, mais veloz será a queda da taxa de juros.
Enfim, se esse é um país de todos, é
importante que todos, nesse momento, participem desse esforço. Este governo,
reafirmo, cumprirá a sua tarefa, mantendo a economia estável, a inflação sob
controle e usando todos os mecanismos possíveis para retomar o crescimento
econômico, única forma de voltar a gerar os empregos que o Brasil tanto
precisa.
Boa noite e muito obrigado.