Pronunciamentos

26/06/2003


Pronunciamento do Ministro Antonio Palocci em cadeia de rádio e TV

Sem revisão do autor

Boa noite,

Para os que ainda não me conhecem, eu sou Antonio Palocci, ministro da Fazenda do governo Lula. Estou aqui hoje para falar um pouco sobre a nossa economia.

Como todos sabem, a área econômica é o coração de um país. E quando o coração está forte e sadio, tudo funciona bem. Mas quando não está, as coisas ficam complicadas.

Há seis meses, o presidente Lula assumiu o comando do Brasil. Recebeu um país economicamente frágil e altamente vulnerável. Foi um momento extremamente delicado para a nossa economia. Extremamente delicado! O dólar a quase 4 reais, o crédito externo para as nossas empresas praticamente a zero. E o pior: a inflação voltando a crescer, numa progressão espantosa. O momento não podia ser pior para um governo novo, que chegava com muita vontade de mostrar resultados e dar boas notícias. Fomos obrigados, da noite para o dia, a adiar nossos planos e a tomar medidas duras, amargas, para estancar a crise.

Mas mostramos ao mundo que aqui estava um governo sério, responsável, comprometido com a mudança, sim! Mas, uma mudança segura, construída em bases sólidas e, sobretudo, verdadeiras. A pressa e a precipitação, no passado, já levaram o nosso país a grandes prejuízos e a grandes sacrifícios. E isso não queremos que volte a acontecer.

Hoje, seis meses depois, posso dizer que a situação já é outra. O risco Brasil, que chegou a 2400 pontos, caiu para menos de 800. Com isso, o crédito para as nossas empresas no exterior voltou. O dólar está equilibrado. Tudo isso porque a inflação brasileira, que em dezembro do ano passado era projetada a 40% ao ano, hoje está projetada na faixa dos 7% ao ano para os próximos 12 meses. O nosso primeiro grande desafio, portanto, foi vencido.

Ao mesmo tempo, vitórias importantes na agricultura e nas exportações, com recorde de produção e de vendas no exterior, estão contribuindo também, e muito, para fortalecer a nossa economia. Sei que temos ainda muitos problemas no crescimento econômico, mas o esforço feito pelo governo e por toda a sociedade para controlar a crise pela qual passamos, começa a produzir resultados. Por isso mesmo, o governo, neste momento, já está em condições de tomar medidas que levem o país ao crescimento.

Ontem mesmo, um pacote de medidas anunciadas pelo Presidente deixa isso muito claro. A partir de agora, todas as pessoas terão direito a ter uma conta bancária, bastando para isso apenas a carteira de identidade. E mais: o presidente autorizou, entre outras medidas, a criação de uma rede nacional de cooperativas de crédito e uma grande linha de crédito popular, a juros de 2% ao mês.

O governo também está empenhado em reduzir o preço das tarifas públicas e dos combustíveis. Quantas vezes, neste país, já se viu o preço da gasolina cair, como agora? E isso estamos, também, fazendo com o gás de cozinha.

A trajetória da inflação é de queda, volto a afirmar. E na última terça-feira, o governo deixou isso muito claro, ao fixar metas de inflação mais baixas para os próximos dois anos. Para conseguirmos isso, foi preciso muito sacrifício de todo o povo nesses primeiros seis meses. Mas foi exatamente esse sacrifício que fez a inflação recuar, criando as condições para que o Banco Central começasse a reduzir a taxa básica de juros. E é isso que é importante que todos entendam: para que os juros continuem caindo, não depende da vontade do Banco Central. Depende do esforço de todos, do governo e de toda a sociedade. Os empresários, em especial os grandes, têm muita responsabilidade nesse processo. Ao planejarem seus negócios, ao decidirem seus preços, devem olhar para a inflação futura, que está em queda, e não para o passado. Quanto mais rapidamente os índices de preço recuarem, mais veloz será a queda da taxa de juros.

Enfim, se esse é um país de todos, é importante que todos, nesse momento, participem desse esforço. Este governo, reafirmo, cumprirá a sua tarefa, mantendo a economia estável, a inflação sob controle e usando todos os mecanismos possíveis para retomar o crescimento econômico, única forma de voltar a gerar os empregos que o Brasil tanto precisa.

Boa noite e muito obrigado.

 

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