Boa tarde. Quero, em primeiro lugar, dizer ao povo do
Brasil que hoje é um dia, para mim, de muita satisfação, como
Presidente e como brasileiro. Porque conversei com os principais
candidatos à sucessão presidencial. E conversamos com espírito
público, pensando no país.
Em primeiro lugar, os Ministros que me acompanharam, e
que estão aqui presentes, também, me ajudaram a transmitir, a cada um
dos candidatos, tudo o que sabemos a respeito do que estamos fazendo – e
sabemos, naturalmente, o que está acontecendo – nas negociações com o
Fundo Monetário Internacional, com o Banco Interamericano de
Desenvolvimento e com o Banco Mundial.
Pedi, sobretudo, àqueles que participaram mais
diretamente das negociações, o Ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o
Doutor Armínio Fraga, Presidente do Banco Central, que não poupassem
detalhes, para mostrar que este Governo está preocupado com o bem do
Brasil e não apenas com os seus interesses de Governo. E, menos ainda,
com quaisquer interesses exclusivamente partidários.
Os acordos que estão sendo elaborados são acordos que
prevêem a possibilidade de uma transição tranqüila, venha a ganhar
quem vier. Uma transição que não apenas permita, o que eu dou por
descontado, que vai ser assim, que este Governo vai até o fim do ano, com
condições de controlar o processo financeiro e o processo econômico, e
de manter o Brasil no seu rumo, mas que o próximo Governo, também,
encontre condições positivas. Condições positivas para que eles possam
tomar os rumos que melhor entenderem serem os convenientes para o Brasil,
que virão, nesse caso, respaldados pelo apoio popular.
Qualquer mandato novo é um mandato novo. Fosse eu num
novo mandato, o que não é o caso, mudaria também alguma coisa, porque
as circunstâncias mudam. E, naturalmente, aqueles que estão numa
posição de crítica não têm por que abandonar a sua posição de
crítica porque conversaram com o Presidente da República, nem foi para
isso que os chamei aqui. Foi para dizer-lhes que estamos pavimentando o
caminho para que, com segurança para o Brasil, sejam aplicadas as
políticas que parecerem a eles as mais convenientes, no ano que vem.
No que diz respeito àquilo que é, com segurança,
para o Brasil, a primeira questão era demonstrar, como mostramos, que
fizemos um acordo nas melhores condições possíveis.
De toda maneira, a comunidade internacional reafirmou a
sua confiança no país. E reafirmou de modo tal, que é possível dizer
que o grande desembolso dos recursos vai ser no ano que vem. Praticamente,
são 30 bilhões do Fundo Monetário, mais 7 bilhões do Banco Mundial e
do BID. Destes nós, no máximo, esse ano, receberíamos 7 bilhões. E 30
bilhões são para fazer frente aos nossos compromissos no próximo ano.
Fazer frente aos compromissos não significa que esses
recursos sejam necessários, na sua integralidade. A situação da
economia brasileira é uma situação de controle. Nós temos absoluta
confiança que continuaremos honrando os nossos compromissos.
Isso foi transmitido, com detalhes. Inclusive quanto
às taxas de juros, que são as mais favoráveis que era possível
alcançar, entre 4 e 5%, dependendo do tipo de empréstimo. Com relação
ao modo pelo qual será feito esse desembolso. Com relação aos nossos
compromissos.
Explicamos, com detalhe, o que significa um voto de
apoio adicional a nós, o fato do piso das reservas ter baixado de 15 para
5 bilhões de dólares. O que não significa que nós tenhamos que gastar,
mas mostrar que temos mais recursos à nossa disposição. É como se
fosse, até, um empréstimo adicional.
Mostramos tudo isso, e que não há nenhum outro
argumento, ou nenhuma outra exigência embutida no acordo, a não ser o
compromisso, que já era nosso, que já foi votado pelo Congresso, de
termos um superávit primário de 3,75% no próximo ano, que se
prolongará nos próximos anos, dependendo, naturalmente, de
circunstâncias – taxa de juros, taxa de crescimento, etc., etc – que
serão revistas no decorrer do tempo, a cada 4 meses. E nenhuma outra
condicionalidade.
Nada a ver com questões comerciais; nada a ver com
privatizações, como nunca houve. Nunca fizemos nenhum acordo que
trouxesse embutido qualquer condicionalidade dessa natureza. Um acordo
puramente bancário e favorável.
E tenho a satisfação de lhes dizer que a reação de
todos eles foi de compreensão. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva
reiterou o que já havia dito antes. Posso até ler dois trechos. No
programa do PT, disse assim: "Nosso Governo vai preservar o
superávit primário o quanto for necessário, de maneira a não permitir
que ocorra um aumento da dívida interna em relação ao PIB, o que
poderia destruir a confiança na capacidade do Governo de cumprir seus
compromissos." Mais adiante, na carta ao povo brasileiro: "Vamos
preservar o superávit primário o quanto for necessário, para impedir
que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do
Governo de honrar seus compromissos."
Essa foi a posição manifestada a nós três pelo PT e
por seu candidato, ali presente, de que não há dúvida nenhuma quanto a
que entenderam o acordo. Nós nos comprometemos a enviar os memorandos de
entendimento, assim que os tenhamos, porque não há nada a esconder. E
que a disposição é a de manter os contratos e os compromissos.
Não foi diferente a atitude do candidato Ciro Gomes,
que também já tinha dito, de maneira muito explícita, o seguinte:
"Sempre tive – e os renovo agora, projetando-os para um eventual
Governo futuro que eu venha a presidir, por vontade soberana do povo
brasileiro – sempre tive compromisso com a austeridade fiscal, com a
estabilidade da moeda e com o respeito aos contratos." Isso foi
reafirmado, diante de todos nós.
Mais ainda: "A saída não é dar calote, nem
desrespeitar de qualquer outra maneira os contratos da dívida. As
condições práticas vão permitir que se reduza a taxa de juros",
etc., etc.
O candidato José Serra, da mesma forma, tem sido
bastante explícito em mostrar que apóia o acordo e que cumprirá as
condições do acordo.
De tal maneira, também o candidato Garotinho não fez
nenhuma observação. No final, deixou aos cuidados do Ministro da Fazenda
um envelope fechado, com uma carta, que eu não li. Mas, na conversa, os
esclarecimentos foram prestados e ele me disse que parte do que estava
naquela carta já estava esclarecido. E ele disse também: "Já era
uma previsão antes do acordo quanto ao superávit primário de
3,75." Portanto, não há problemas quanto a isso.
Todos reafirmaram esta mesma linha, esta mesma
posição.
Tampouco, li o texto que me foi deixado, só no final,
pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva que, na verdade, reafirma o que
já tinha dado nessas notas que acabei de ler e faz outras considerações
sobre questões que não são pertinentes à nossa conversa, porque não
diziam respeito à questão do Fundo Monetário Internacional.
De modo que acho que foi uma prova de maturidade.
Maturidade política, de compreensão, de clareza, de transparência.
Aqui, não há cartas escondidas na manga. Aqui, há a vontade de ajudar o
Brasil.
De modo que eu queria transmitir isso ao povo
brasileiro e dizer que estou muito contente por ter sido possível
realizar, com alto nível de civilidade, esse acordo.
Jornalista: Presidente, em algum momento da
conversa do senhor, houve algum momento de, digamos assim, descortesia,
por parte de algum candidato?
Presidente: Não, de forma alguma.
Jornalista: No encontro do senhor com o candidato
Ciro Gomes, os senhores estavam, ali, muito sérios. Houve algum...
Presidente: Não, absolutamente. Pelo contrário,
as palavras que ele dirigiu a mim, aqui estão os presentes, foram de
respeito. E, também, da mesma forma, eu o tratei com toda a
consideração. Não houve, mas nem de leve, o menor amuo nas nossas
conversas. Pelo contrário, foi conversa séria porque o assunto é
sério. Mas, com muito respeito.
Jornalista: Se o mercado não reagir, como o senhor
espera, Presidente, há alguma iniciativa de ordem prática, operacional,
econômica que o senhor já preveja, que pode ser tomada, ou o senhor
espera, já, uma reação positiva?
Presidente: Veja, o mercado evolui. E muitas
medidas já estão sendo tomadas. Algumas das medidas que foram
mencionadas, nos documentos que foram entregues posteriormente, já estão
em prática. Por exemplo, hoje o Banco Central anunciou que terá 2
bilhões de dólares para as linhas de comércio exterior. Amanhã,
provavelmente, haverá a definição, a regulamentação disso, detalhes
sobre essa matéria. Mais ainda, é possível que se agregue mais algum
recurso, através do BNDES, para o mesmo propósito.
De modo que o Governo está agindo o tempo todo. O
Ministro Malan e o Doutor Armínio Fraga deverão viajar, para conversar.
Há, naturalmente, muita pressão, no sentido de que os bancos que
financiam a exportação voltem a financiá-la, com naturalidade, porque
eles estão perdendo dinheiro – eles, bancos. Aqui, a situação é de
tranqüilidade quanto à possibilidade de pagar as dívidas feitas,
sobretudo no caso da exportação e não há nenhuma razão para que haja
uma tão pouca liquidez.
Isso que foi pedido por alguns candidatos, até de
público, eles têm razão, mas já estamos atuando.
Jornalista: (...) licitação da FAB?
Presidente: Não, não. Vamos esclarecer muito bem
essa questão. Não envolve para nada a licitação da FAB. Eu não
aceitaria nunca uma coisa desse tipo. E nem nunca nenhum acordo feito por
nós com o FMI implicou outra coisa que não fosse negociação puramente
financeira, bancária. Não tem implicação quanto a qualquer tipo de
contrato, não tem implicação quanto a qualquer atitude com relação a
comércio exterior, a Alca, a Mercosul.
Isto – me perdoem – é subdesenvolvimento
intelectual e colonialismo mental imaginar que um país como o Brasil vá
se submeter a imposições de ingerências dessa natureza, que eu repilo,
de cara.
Jornalista: Presidente, dois candidatos fizeram
propostas de curto prazo – o Serra e o Lula. O que o senhor tem a dizer
com relação a essas propostas? No caso do Serra, por exemplo, o controle
do preço do pão. No caso do Lula, questões com relação à FAB, à
Petrobrás. Como o senhor vê isso?
Presidente: Pois não. Com relação à questão de
preço de pão, é um assunto que o Ministro da Fazenda tem que examinar,
se há algum mecanismo a ser, enfim, implementado.
Com relação à questão de plataforma, isso não é
uma questão do Governo. É da Petrobrás. Acho que tem que ser examinado
lá. Quanto eu saiba, a Petrobrás fez uma licitação, ganhou uma
empresa, perdeu outra. A Petrobrás pediu à empresa vencedora que
ampliasse a parte do trabalho a ser executado por esta empresa aqui, no
Brasil, para que ela possa funcionar melhor. Todas as duas empresas
produzem uma parte aqui e outra parte lá fora, uma questão de balancear.
Quanto às plataformas futuras, eu disse que não estou
informado a respeito. A Petrobrás dará, naturalmente, no momento
adequado, as explicações, mas se trata de plataformas de alta
complexidade, porque precisamos explorar petróleo em maior profundidade,
e um petróleo que é difícil de ser extraído e que precisa de
plataformas complexas.
A questão é saber, em termos de tempo, o que que
convém mais ao país, ao emprego, no Brasil. É importar petróleo ou
produzir mais depressa o petróleo. Nós teremos, efetivamente,
condições de fazer uma plataforma complexa aqui, ou não? Se tivermos,
é melhor que seja feita aqui, se não tivermos, é como o caso de um
avião. Nós somos capazes, hoje, de produzir aviões, mas alguns já não
somos. Nem por isso deixamos de comprar lá fora. É uma questão que tem
que examinar com objetividade.
E, no que diz respeito à questão de aviões, da
Embraer, para ser mais preciso, eu não tenho nenhum resultado ainda. Quer
dizer, este Governo é um Governo sério e transparente. Quando se faz uma
licitação internacional, cumpre as regras do edital. Quer dizer, quem
fizer uma proposta melhor e, nesse melhor se inclui transferência de
tecnologia, se inclui o que vai ter de efeito lateral favorável ao
conjunto da economia, se inclui uma porção de itens importantes e, quem
ganhar, ganhou. Não vão pedir a mim que dê uma decisão política,
porque isso eu não faria. Eu não sei qual é o resultado, mas a favor de
A ou de B. Ou, então, não se faria nenhuma licitação, tomar-se-ia a
decisão política e, depois, responderia perante o país, se a decisão
for equivocada.
Então, eu não vejo outro procedimento, a não ser o
procedimento normal, de fazer uma licitação. Quem ganhou? Ganhou? Teve
uma Comissão? Foi em várias Comissões? Perdeu? Por que ganhou? Por que
perdeu? Se analisa e se implementa. Fora disso, é "tempestade em
copo d’água".
Jornalista: Quando o senhor pretende definir essa
questão, Presidente?
Presidente: Qual?
Jornalista: Essa questão da...
Presidente: Mas não sou eu quem define. Essa
questão depende...
Jornalista: Não, da convocação do Conselho.
Presidente: Quando estiver todo o material
preparado, eu convoco o Conselho.
Jornalista: Mas já está, Presidente.
Presidente: Você sabe mais que eu.
Jornalista: Presidente, o candidato Anthony
Garotinho, aproveitando que o senhor disse que reagiu com satisfação a
todos os encontros, não falou com a imprensa, mas deixou uma nota em que
diz, claramente, que combate qualquer tipo de acordo com o FMI. Foi essa a
manifestação que ele fez com o senhor?
Presidente: Não, absolutamente. Como nós estamos
em campanha, vocês conhecem os hábitos nacionais.
Jornalista: Era isso que eu queria perguntar.
Presidente, o seguinte: o senhor falou que eles explicitaram o apoio ao
acordo com o FMI. Mas o Lula saiu falando que precisa do Senado e não
quis falar, explicar... O Ciro também disse que tem que acontecer, mesmo,
o acordo, mas que a equipe econômica ia mandar para ele o...
Presidente: É. O Memorando de Entendimento.
Jornalista: O senhor acha que houve um apoio
explícito dos candidatos ao...
Presidente: Veja, quem tem que dar o apoio
explícito sou eu, porque quem vai assinar sou eu. Não é isso? O que eu
preciso deles é saber: Olha...
Jornalista: (ininteligível)
Presidente: Pois é, mas o que eu preciso deles é
o seguinte: feito um acordo, feito um contrato,vão honrar? Todos disseram
que vão honrar.
Agora, é natural que eles perguntem no Senado, onde
seja. E o Ministro Pedro Malan está disposto a ir ao Senado. Como é que
é o Memorando de Entendimento? Nós ficamos de mandar a eles o Memorando
de Entendimento.
Jornalista: A todos os candidatos?
Presidente: A todos. O candidato Ciro Gomes disse
que ele gostaria até de poder, vendo o Memorando, ter uma declaração
por escrito. Acho muito natural isso. Não vamos ler uma precaução
correta como se fosse uma restrição, que não é. Foi muito positiva.
Não tenha dúvida nenhuma.
Agora, como estamos em campanha, um tem uma posição,
outro tem outra. Mas, no fundamental, ou seja, o acordo para a transição
é necessário. É necessário para que, no ano que vem, haja calma. Não
estou cuidando só do meu Governo. Estou cuidando do Brasil, para que haja
calma. E todos acham que é preciso melhor funcionar com um lastro de
recursos do que sem esse lastro de recursos. O compromisso com o 3,75 é
do Congresso e foi explícito. Dissemos como era e ninguém – já li,
aqui – ninguém se opõe a ele. E todos têm o compromisso democrático
de honrar contratos. Lula foi explícito: "Os compromissos que o
Presidente do Brasil assinar são compromissos do Brasil. Eu cumpro."
Disse a nós, lá.
Jornalista: Presidente, essa iniciativa do senhor,
em algum momento, prejudicou o candidato José Serra?
Presidente: Em nenhum momento. Acho que só pode
ter prejudicado a quem fosse contra o país. E ele não é contra o país.
Não pensei em função de A, B ou C. Pelo contrário.
Jornalista: É uma admissão de que o candidato do
senhor pode não ganhar?
Presidente: Não. É uma admissão de que qualquer
Presidente da República sensato faz. Numa eleição, embora eu tenha o
meu candidato e todo mundo saiba, numa eleição, não posso presumir, de
antemão, quem ganhou. E, como estou no processo eleitoral, tenho que
discutir um assunto dessa envergadura do Brasil com todos, com os quatro.
Jornalista: O senhor tem esperança de que o Serra
reverta esse quadro?
Presidente: Mas, hoje, estou discutindo o Fundo
Monetário Internacional. Não estou discutindo essas questões.
Jornalista: Presidente, a questão do PIS e COFINS,
Presidente. Hoje, o senhor esteve com os Presidentes do PSDB, do PMDB. O
PT está apoiando abertamente a questão do PIS e COFINS. Mas, no próprio
Congresso, se admite que vai ser muito difícil votar essa matéria na
semana que vem. O senhor já tem uma data para editar a medida
provisória?
Presidente: Não. Não tenho. Estou ainda na
expectativa do Congresso. Aliás, isto foi mencionado também, lá, nas
nossas conversas, da importância de dar um passo na reforma tributária.
E também reafirmei o que tenho dito recentemente e já antes dizia: se
não se avança, não é porque o Presidente não queira. Não falta
vontade política. O que é, é que é um tema muito difícil, em que há
interesses que são, às vezes, contraditórios. E, como são
contraditórios e são poderosos e são legítimos, há uma negociação
difícil no Congresso. É esse o caso: o Governo quer fazer a reforma,
quer desonerar, já deu vários passos, está convencido de que é
possível dar outros e vai dar. E mais ainda: eleito um novo Presidente,
seja quem venha a ser o eleito, o Governo estará disposto a conversar com
esse novo Presidente sobre as condições fiscais do Brasil e sobre as
medidas a serem encaminhadas ao Congresso.
Nós, aqui, não estamos trabalhando senão pelo
Brasil. Então, estamos com essa convicção de que é possível e faremos
isso. Se for possível votar agora – o Presidente Aécio Neves
conversou, ontem, comigo, pelo telefone – ele vai insistir. Vamos ver.
Se os parlamentares vierem a Brasília e se houver possibilidade de uma
solução que viabilize um apoio majoritário, não só no Congresso, mas
na sociedade, porque sempre tem um setor que se sente prejudicado e o
Governo está tentando ver se há fórmulas que contornem essas
dificuldades, melhor para todo o país, e votaremos o PIS – COFINS.
Senão, verei, depois, o que posso fazer.
Jornalista: Entre as questões apresentadas pelo
Lula, Presidente, porque ele conversou com o senhor e, depois, leu um
documento para a gente, ele deu a entender que não apenas o crédito lá
fora, como o crédito aqui dentro para o empresário de uma maneira geral,
para o exportador, poderia ser melhor. O senhor concorda com isso?
Presidente: Olhem aqui, ele, lá, não disse isso a
mim. Ele até poderá ter escrito. Não disse isso a mim. Acho, sempre,
que pode ser melhor. Estou aberto. Se ele tiver uma sugestão concreta,
aceito, na hora. Não há nenhuma discussão quanto a isso. Estamos
fazendo o que podemos para melhorar o crédito. Se houver alguma sugestão
nova, por que eu seria contra aumentar o crédito? Agora, precisa ser
concreto. Estamos dizendo: nós estamos lhes dando 2 bilhões de dólares,
via Banco Central, para facilitar a linha de crédito. Daremos mais, via
BNDES. Se mais necessário, veremos como operar. Mas estamos atuando. E
vamos continuar atuando.
Última questão.
Jornalista: Presidente, que resultado o senhor
espera do mercado financeiro, desse encontro?
Jornalista: E tem prazo para redução de juros,
por agora...
Presidente: Não, veja, o mercado financeiro não
é uma pessoa. São muitas pessoas e, no momento, tomando decisões em
vários lugares do mundo, vários países.
Eu não posso dizer que espero isso ou espero aquilo.
Eu acho que nós vamos, com o tempo, demonstrando a todos que o Brasil é
um país, primeiro, que tem comando; segundo, que tem coragem, que toma
decisões; terceiro, que tem recursos; quarto, que está jogando esses
recursos para criar um clima positivo.
E quem não entender isso, vai perder oportunidades de
participar mais intensamente do desenvolvimento do Brasil.
Então, acho que vai ser... O próprio mercado terá a
compreensão de que é bom negócio continuar financiando o Brasil.
Muito obrigado a vocês.