Pronunciamentos

22/09/99

Transcrição do pronunciamento do ministro Pedro Malan após a reunião do CMN

Eu queria dizer a razão que nos traz aqui logo após a reunião do CMN. É uma satisfação ter aqui o ministro Alcides Tápias, o ministro Martus Tavares, o presidente do BNDES, Andrea Callabi, e o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. O objetivo dessa conversa rápida é mais um anúncio, que dada a sua importância nós resolvemos fazer agora, e diz respeito à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Esse tema vem sendo discutido, foi discutido no âmbito da Câmara de Desenvolvimento e hoje na Câmara de Política Econômica, presidida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Houve uma discussão no âmbito do Conselho Monetário Nacional, concluída, e nós gostaríamos de anunciar que a decisão a que chegou o governo envolve uma mudança na metodologia de cálculo na TJLP. Como vocês sabem, ela é definida para cada período de doze meses, mas para cada trimestre. Nós precisaríamos definir agora a TJLP que vai de 1º de outubro de 1999 até 31 de dezembro de 1999. Decidimos aproveitar a oportunidade para fazer uma mudança na metodologia de cálculo que incorpora fundamentalmente dois elementos. Um deles é a expectativa de inflação. O resultado do juro é sempre olhando à frente, e nós vamos trabalhar agora com a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, na definição ao final de cada trimestre da TJLP. Nesse sentido, para os próximos 12 meses, nós vamos utilizar o nosso regime de metas inflacionárias, que é 8% para este ano, do qual ainda restam três meses por decorrer, e 6% no ano 2000. Isso significa que, em termos ponderados - três meses de 8% e nove meses de 6% -, a expectativa de inflação para os próximos 12 meses que está sendo utilizada é de 6,5%, que é exatamente a média ponderada de 3 vezes 8, mais 9 vezes 6, dividido por 12. 6,5%. Este é, então, um componente da TJLP, volto a dizer: a expectativa inflacionária para os próximos 12 meses, consistente com o regime de metas inflacionárias que anunciamos formalmente no dia 30 de junho. O outro componente da TJLP, na verdade, incorpora o Risco Brasil, na perspectiva de médio e longo prazo, tal como visto hoje, e a taxa de juro real internacional. A nossa avaliação é que esse componente de Risco Brasil e taxa de juros real internacional é um número da ordem de seis pontos percentuais. O que nós estamos fazendo hoje, portanto, é anunciar a TJLP para os próximos 12 meses, como sendo a soma desses dois componentes – 6,5 de expectativa de inflação e 6,0 fundamentalmente de Risco Brasil, tal como percebido hoje, o que dá 12,5% que será a TJLP, com a qual o BNDES estará operando a partir de 1º de outubro de 1999.

Eu queria fazer dois comentários importantes a esse respeito. Isso coloca ao nosso alcance uma trajetória declinante para a TJLP, se nós caminharmos na direção, na qual estamos confiantes que faremos, do ajuste fiscal no qual estamos empenhados com três trimestres consecutivos de cumprimento dos objetivos fiscais - e estamos seguros de que vamos cumprir o quarto trimestre também. E tão importante quanto o ajuste é a mudança do regime fiscal que está em curso no Brasil hoje. Refiro-me às várias leis que estão no Congresso, o qual vem respondendo a elas: a nova Lei de Previdência, que está no Congresso com pedido de urgência urgentíssima, deve ser votada nas próximas semanas; a Reforma Tributária e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estivemos ontem, vários de nós do Ministério da Fazenda, do Orçamento e Gestão e do Banco Central, com o presidente da comissão, deputado Joaquim Francisco, com o relator, deputado Pedro Novaes. Estamos confiantes em que avançaremos na Lei de Responsabilidade Fiscal. À medida que o façamos, com a continuidade do esforço de ajuste, mudança de regime fiscal e com a gradual retomada do crescimento da economia brasileira, que será visível já no ano 2000, com a inflação numa trajetória de queda, nós vemos uma clara possibilidade de redução do Risco Brasil, por ocasião das decisões que se tomam no final de cada trimestre na definição da TJLP.

Portanto, está claramente ao nosso alcance uma trajetória declinante da TJLP, e está ao nosso alcance também - à medida que esse processo que descrevi avance, como estamos confiantes de que seremos capazes de fazê-lo, trabalhando junto com o Congresso e a sociedade - uma TJLP de um dígito no final do próximo ano. Um dígito, vale dizer, inferior a 10% antes do final do ano 2000.

Era isso que eu gostaria de anunciar. Repetindo: TJLP, a partir de 1º de outubro, de 12,5%, com os componentes que mencionei. Serão esses os critérios que nós utilizaremos, por exemplo, em dezembro deste ano, quando fixaremos a TJLP para o período que vige a partir de 1º de janeiro do ano 2000. Será a mesma metodologia: à medida que a inflação se mantenha na trajetória declinante, prevista no sistema de metas, e que o Risco Brasil se reduza, a tendência declinante da TJLP estará claramente ao nosso alcance.

 

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