Pronunciamentos

06/05/99

Transcrição da entrevista do ministro da Fazenda, Pedro Malan, à Rádio CBN

Sem Revisão do Autor

CBN Ministro, bom dia. Aproveitando aqui o fato de ontem à noite. Ontem à noite, o senhor jantou com o Presidente Fernando Henrique Cardoso, acompanhado com a diretoria do Banco Central e eu queria saber se tem alguma decisão, alguma coisa nova que o senhor pode anunciar, que teria resultado dessa reunião com o presidente e a diretoria do Banco Central.

Pedro Malan – Não. Não foi uma reunião formal no sentido que se atribui à palavra. Todo mundo sentado em uma mesa com uma agenda. Foi um jantar no Alvorada. Na verdade o presidente já havia me solicitado há algum tempo que gostaria de convidar toda a diretoria do Banco Central para um almoço ou um jantar no Alvorada, e por acaso, foi ontem. Não havia nenhum item na agenda, nenhuma decisão a ser tomada. Foi uma reunião em que o Presidente pudesse aprofundar os seus conhecimentos da situação atual da economia, conhecer melhor os novos diretores, como você sabe, ele está viajando agora a Washington, onde fará dois importantes pronunciamentos na reunião anual do Eximbank, no clube econômico de Nova York, que é uma instituição muito importante, e queria ter a oportunidade de um debate sobre a situação atual da economia e suas perspectivas, não havia nada específico a ser decidido nem uma agenda pré-determinada.

CBN O senhor sabe que quando a gente anunciou aqui que haveria entrevista com o senhor hoje, às 8:30h, eu já recebi ligação aqui de pessoas do meio econômico pedindo para perguntar para o senhor se havia tomada alguma decisão a respeito de taxa de juros. Eu, obviamente, não vou perguntar, porque o ministro da Fazenda nunca pode antecipar...

Pedro Malan – Eu agradeço a oportunidade que seus inúmeros ouvintes e que você me dá e me permite dar uma simples explicação: não se toma decisões sobre taxas de juros em almoços ou em jantares sociais ou onde quer que seja. Nós temos uma prática e um procedimento já estabelecido de longa data. Essas decisões são tomadas nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que tem lugar depois que o mercado encerrou as suas atividades, são anunciadas tão logo termina a reunião. Não são decididas de antemão, previamente a essa reunião. Isso é uma prática que existe e que nós manteremos. A nova diretoria fez essa inovação e que tem todo o meu apoio, o Comitê tomou a decisão de baixar uma determinada taxa, como fez recentemente, e dá ao presidente do Banco Central a indicação da tendência de baixa decidida na reunião e o presidente do Banco Central pode ou não utilizar a decisão de tendência de baixa indicada pelo COPOM. Mas eu posso lhe assegurar que decisões desse tipo ou mesmo discussões desse tipo não são feitas em jantares ou almoço com grande número de pessoas.

CBN – É que o Presidente tem dito a toda hora que ele vai derrubar a taxa de juros, então as pessoas...

Pedro Malan – Essas coisas vêm acontecendo no Brasil. As taxas de juros nominais caíram 13 pontos percentuais em dois meses no Brasil e continuaram com uma clara indicação de baixa refletida nos mercados de juros futuros. Nós estamos recentemente, pela primeira vez depois de muitos meses, com uma taxa que é declinante, que é descendente, indicando a tendência de continuidade de queda das taxas de juros, tanto nominais, quanto reais. Eu já disse de público, mais de uma vez, que acho que nós temos que estar dentro das nossas possibilidades, nós temos taxas de juros reais de um dígito, vale dizer inferior a 10%, ainda antes de terminar o ano de 1999.

CBN – Agora, ministro, mudando um pouco de assunto, a questão da ajuda aos governos estaduais, eu acho que está saindo aí um novo pacote de ajuda, de alívio às contas dos governos estaduais, entre eles a extinção do Fundo de Estabilização Fiscal, que está sendo anunciado hoje. A área econômica do governo passou cinco anos dizendo que precisava do Fundo de Estabilização Fiscal para equilibrar as contas públicas, de repente não precisa mais do Fundo, ministro?

Pedro Malan – Não, veja bem, o Fundo de Estabilização Fiscal, tal como está hoje, termina em 31 de dezembro de 1999. Prorrogá-lo significa uma nova emenda constitucional com dois turnos na Câmara, 60% a mais de votos dos deputados presentes, dos senadores presentes, dois turnos no Senado também. Deveria acontecer uma nova mudança constitucional, caso fosse prorrogado o Fundo de Estabilização Fiscal tal como ele existe hoje. Nós vamos encaminhar uma proposta ao Congresso em que vamos insistir na importância da desvinculação para gestão orçamentária federal. Vamos propor, e vamos continuar insistindo nela, desde que não afete as finanças dos estados. Na verdade, havia apenas duas coisas que afetavam as finanças dos estados. Eram lá de 1994, aqueles 5,36% e a questão da retenção do imposto de renda na fonte de funcionários públicos federais. Portanto, nós vamos insistir na importância do princípio da desvinculação com propostas que encaminharemos ao Senado. Agora, para responder à sua pergunta, prorrogar o FEF significaria ter uma nova emenda constitucional votada nos próximos oito meses.

CBN – Ministro Pedro Malan, a Fundação e Instituto de Pesquisas Econômicas da USP está prevendo que o Índice de Preços do Consumidor deve encerrar esse ano com uma variação cumular em torno de 7%. E o resultado, como o senhor sabe, é bastante inferior àqueles 12% que foram projetados pela Fundação em janeiro e ficou abaixo dos nove previsto na últimas semanas. Ministro, o senhor é surpreendido por esse índice de uma inflação projetada em 7% ao longo do ano de 1999 ou é esse o índice que o senhor esperava?

Pedro Malan – Não. Nós dissemos, desde o início, que no que diz respeito a índices de preços ao consumidor, nós discordamos radicalmente das estimativas, eu as tenho aqui, de certo tipo de analistas e consultores que em janeiro deste ano, no início do ano, projetaram taxas de inflação de 50%, 60%, 70%, 80% ao ano para 1999. Nós dissemos desde o início que aquilo era ridículo, que aquilo não se materializaria, e que a taxa de inflação esse ano ficaria para os índices de preços ao consumidor, achamos que ficaria, talvez, ligeiramente superior a 10, 11, 12% . Para este preço por atacado, que captou o efeito daquele flagrante exagero da desvalorização do real logo nos dias que se seguiram à flutuação, ficaria um pouco mais alto, mais para perto de 15. Eu vejo com satisfação, aliás, essa revisão para melhor de todas as estimativas iniciais de inflação, o índice da FIP, anunciado, acho que ontem, 0,47 em abril. Significa que a inflação nos 12 meses terminados em 30 de abril, segundo a FIP, um ano, terminado em 30 de abril, ficou abaixo de 0,8% em um ano. No INPC, está 3,8% em um ano. Olha aqui, se me permite um comentário, acabaram de me mostrar aqui um texto que eu não tinha aqui na minha frente, mas as projeções de cinco grandes bancos e de seus departamentos de pesquisa para a inflação brasileira em janeiro de 1999, um deles era 85%, o outro 70, o outro 30%, o outro 33, o outro 25, o outro 17. Eu acho que essas revisões para baixo que vêm tendo lugar são positivas e mostra uma coisa da maior importância, a maioria da população brasileira não deseja o retorno do descalabro inflacionário, não deseja o retorno da inflação e espera que o governo tome as medidas necessárias pra permitir que a inflação permaneça sob controle, com a retomada gradual do crescimento sustentado.

CBN – Agora, ministro, como é que a população pode colaborar uma vez que, por exemplo, os remédios tiveram aí um aumento significativo, 40% depois da desvalorização do real. Isso tem sido repassado para o consumidor, o consumidor tem deixado de comprar esse remédio e por esse motivo não contribui para uma inflação mais alta.

Pedro Malan – Olha, tem uma parte desses aumentos transitórios e temporários de preços, nós dissemos desde janeiro, que infelizmente seriam afetados pela desvalorização cambial efetivamente ocorrida, mas seria um efeito transitório, passageiro, não permanente, que está se mostrando agora claramente com a redução das expectativas iniciais da inflação e com a própria acomodação do câmbio. Lembre-se que o câmbio chegou a 2,23 reais por dólar, nos piores momentos, nos últimos dias estava 1,67, 1,68, no máximo. Isso representa, como nós dissemos, que o câmbio não ficaria naqueles níveis que atingiu em janeiro, fevereiro, que foram os piores momentos da incerteza. Sobre a questão de preços de medicamentos e remédios em particular, como você sabe, tem uma constante interação, um diálogo entre o governo, tanto o ministério da Fazenda, quanto o ministério da Saúde e as principais indústrias. Estamos obrigando, desde o ano passado, a publicação da relação dos preços dos medicamentos e as razões que levaram a aumentos. Tivemos negociações sobre esses aumentos e eu acho que essa situação deve se normalizar com a maior brevidade possível.

CBN – Agora ministro, nessa questão da política econômica depois da desvalorização, o que não está funcionando é a exportação. A exportação ainda não decolou e há críticas, reclamações de empresários do setor brasileiro, de que o governo não está dando a devida sustentação ao esforço de exportação. Eu queria saber o que o senhor tem a dizer sobre isso, se há medidas para, de algum modo, apoiar a exportação.

Pedro Malan – Olha, você tem razão. Esse é um ponto, é uma fonte de perguntas com freqüência de preocupação devido à expectativa que havia de alguns de uma enorme e imediata resposta das exportações. Agora, alguns comentários: primeiro lugar, como você sabe, nós estamos com uma queda de preços internacionais de commodities extremamente significativa, afetando não o Brasil, mas vários outros países. Estamos com uma taxa de crescimento tanto do comércio internacional quanto do produto internacional mais baixas do que se contemplava anteriormente. Tivemos, nos primeiros meses do ano, problemas de linhas de crédito, aquela questão da retomada gradual de linhas de crédito para financiamento da exportação que estão sendo gradualmente retomadas. De modo que eu acho que tem elementos assim, além da sazonalidade, que dizer, as exportações agrícolas começam a entrar agora. Vamos ver como essa coisa evolui agora, a partir de maio. Agora eu queria aproveitar a oportunidade para, mais uma vez, reiterar que se era antes, continua sendo, talvez com mais significado ainda, absoluta prioridade para o governo a questão do crescimento sustentado das exportações brasileiras a curto, médio e longo prazo, tanto exportações do agribusiness quanto da indústria quanto de serviços. Eu acho que nós temos todas as condições de fazê-lo. O Brasil é, talvez hoje, a última grande fronteira agrícola pro agribusiness do mundo. Nossa potencialidade está aí. Quem já teve a oportunidade de viajar na região do centro-oeste, em Barreiras, na região de grãos, movimentando pro centro-oeste, norte, interior da Bahia, sabe do potencial enorme dessas regiões com as melhorias de transportes que vai tendo lugar. Acho que nossa indústria vem mostrando, com o desenvolvimento tecnológico dos últimos anos, sua capacidade de competir internacionalmente, e acho que o Brasil tem todas as condições de entrar também em parte dos mercados de serviços. De modo que eu tenho confiança na nossa capacidade de, a médio e longo prazo, ter algo que é fundamental para o nosso país, que é nossas exportações crescendo de forma sustentada.

CBN – Ministro, recentemente o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um pronunciamento dizendo que a recuperação econômica do país iria ser mais rápida do que muitas pessoas poderiam imaginar. Eu gostaria de perguntar ao senhor o seguinte: Isso significa que a crise acabou?

Pedro Malan – Não tenha dúvida de que a recuperação do Brasil não só será, está sendo mais rápida do que muitos imaginavam. Se me permitem citar esses cinco departamentos de pesquisa de cinco grandes bancos, a expectativa que tinham em janeiro de 1999 para a queda do produto da economia brasileira, um deles era menos seis por cento, o outro menos cinco, o outro menos quatro vírgula seis, o outro menos seis e o outro menos sete por cento em 1999. Isso em janeiro, e essas projeções eram comuns àquela época. Hoje já se sabe que a queda do Produto Interno Bruto da economia brasileira será uma fração dessas estimativas mais pessimistas e que nós estaremos já retomando o crescimento em meados de 99, no segundo semestre de 99, e vamos entrar já crescendo na virada de 99 para 2000, e continuará assim em 2000, 2001, e adiante. Comparado com as retrações que tiveram, por exemplo, na Indonésia, menos 15% no primeiro ano depois da crise, na Coréia menos sete, no México em 95 menos sete, o Brasil terá demonstrado que nós sairemos mais rapidamente e melhor e eu diria, que se fizermos o que tiver que ser feito na área fiscal, fortalecidos dessa turbulência recente.

CBN – Ministro, nós queremos ouvir também o senhor falar alguma coisa a respeito da CPI dos bancos que está em desenvolvimento no Senado e principalmente depois do pronunciamento feito ontem pelo deputado Aloísio Mercadante, dizendo que no período de 2 de janeiro a 2 de fevereiro, às vésperas da desvalorização do real, vinte e quatro bancos ganharam dez bilhões nas operações de compra e venda de dólares do mercado futuro e câmbio da bolsa e mercadorias de futuros e essas instituições, esse conjunto de bancos, representaria uns 95% do lucro obtido por 62 bancos privados no câmbio futuro que totalizou 10,6 bilhões e cita aqui, entre eles, o Citibank, o Morgan Garanty Trust e outros. Ministro, esses ganhos foram considerados absolutamente normais ou não?

Pedro Malan – Bom, deixa eu fazer dois comentários: um sobre o depoimento do deputado ontem e outro sobre a questão da CPI, que foi, em geral, como você iniciou. Eu não tive a oportunidade de assistir o depoimento do deputado ontem, com quem, aliás, tenho uma relação correta e tenho por ele apreço pessoal, mas ouvi alguns comentários, li parte da imprensa hoje pela manhã. Eu acho o seguinte: o que o deputado fez foi mostrar algo que 62 bancos tinham posições compradas nesse período, 50 bancos tinham posições vendidas. Isso, convenhamos, não é uma informação de enorme novidade. Se o deputado tivesse lido ou tivesse pedido àqueles que fizeram o trabalho para ele que detalhassem informações que já se encontram disponíveis, há muito, no âmbito do Senado, onde o Banco Central mostrou detalhadamente que essas mudanças, primeiro lugar que sempre existem comprados e vendidos nos mercados. O conteúdo de novidade disso é zero. E é difícil imaginar que dos 62 que tinham posições compradas, todos tinham ou tiveram informações privilegiadas e os outros 50 não o tiveram.

O fato é o seguinte: o trabalho que o Banco Central encaminhou ao Senado mostra claramente que essas mudanças de posições compradas para vendidas significativas tiveram lugar por ocasião da crise do México, final de 94, em março de 95, quando houve substituição no Banco Central de Pérsio Arida por Loyola, quando saiu Cavallo no ministério da economia argentina, por ocasião da crise asiática, por ocasião da crise russa do ano passado, em quase todas essas ocasiões, essas mudanças, algumas delas foram muito mais significativas do que essa que ocorreu agora. As pessoas que apostaram em uma desvalorização do real perderam dinheiro e o Banco Central ganhou dinheiro.

Não me ocorre que alguém tenha dito que naquelas ocasiões, aqueles que fizeram essa mudança e apostaram contra o real tivessem tido acesso a informação privilegiada. O fizeram porque a análise da situação que faziam sugeriu que tomassem posturas defensivas para se precaver de essa eventualidade. Alguns o fizeram, 62, como notou o deputado, uma informação que o Congresso já tinha, e 50 não o fizeram. Isso é normal. Não existe nenhuma novidade no fato de que existem pessoas que têm posições compradas, outras que têm posições vendidas, que às vezes uns ganham, às vezes uns perdem. Os que tinham posições compradas perderam em todos aqueles outros episódios que eu mencionei anteriormente. Ganharam agora, porque as circunstâncias forçaram o Banco Central a adotar um regime de flutuação.

É impossível depreender daí a existência de informações privilegiadas como se fosse uma conseqüência lógica, que é o passo político que o deputado gostaria de dar e eu acho que é muito difícil fazê-lo. Se você me permite um comentário rápido sobre a CPI em seu conjunto, eu acho que ela cumpre um papel importante, investigativo, de permitir que haja mais transparência aos debates públicos, nessas questões, e nesse sentido eu não vejo nenhum problema. O que eu acho que é importante é que em algum momento esses trabalhos, como tem lugar em outros países do mundo, caminhem na direção propositiva, de propostas construtivas, de mudanças, de práticas, procedimentos, de legislação, que permitam minimizar, no futuro, certos tipos de eventos que a CPI tenha chegado à conclusão que podem ser minimizados ou sua ocorrência possa ser reduzida no futuro. Quer dizer, eu olho com enorme interesse os dois componentes, mas devo confessar, com maior interesse a fase construtiva, propositiva, de mudança, de prática, de legislações, e eu posso lhe assegurar que o Executivo estará trabalhando junto com o Congresso, em particular nessa fase construtiva, como vem trabalhando através de uma enorme entrega ao Senado de informações detalhadas. Muito dessas coisas que têm saído na imprensa como sendo grandes revelações têm sido fatos que o próprio Banco Central vem encaminhando à CPI desde o primeiro relatório encaminhado pelo Dr. Armínio Fraga, como o relatório da sindicância realizada no âmbito do Banco Central e continuaremos trabalhando junto com o Congresso. A nós interessa, também, a transparência e, em particular, essa fase construtiva e propositiva dos trabalhos da CPI, que tenho certeza chegaremos a ela.

CBN – Ministro, nós sabemos, hoje, inclusive por depoimento do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ele estava cogitando da substituição de Gustavo Franco por Francisco Lopes já há algum tempo, quer dizer, desde final do ano passado e, obviamente, todo mundo imaginava que um dia que o Gustavo Franco deixasse a Presidência do Banco Central provavelmente haveria uma mudança cambial porque Gustavo Franco estava carimbado com a política anterior. A questão é: não terá sido o governo digamos, pouco cuidadoso nessas manobras internas de substituição a tal ponto que elas acabaram vazando e isso é que teria levado os bancos, ou muitos bancos, empresas e pessoas, a passarem a comprar dólares, porque anteciparam a saída de Gustavo Franco?

Pedro Malan – Bom, como é de conhecimento de todos os analistas da cena brasileira que já há algum tempo, eu nem diria que nem há alguns meses, há algum tempo, existe um número expressivo de participantes da cena nacional, digamos assim, que gostariam que o Dr. Gustavo Franco deixasse o Banco Central. Isso é um fato. Era público, era notório, as movimentações de natureza política que se faziam nessa direção. E você tem toda razão ao dizer que muitos analistas da cena brasileira, principalmente na área de mercado, interpretariam ou interpretavam essa mudança como um sinal, um indicação de mudança na política. É só o que eu posso comentar a esse respeito. Mudanças de política cambial são eventos problemáticos em qualquer parte do mundo e especialmente quando acopladas simultaneamente com mudanças na presidência do Banco Central, mas eu me reservo o direito de não entrar em detalhes sobre decisões presidenciais.

CBN – Uma outra coisa, ministro: depois de feita a desvalorização do real, depois de feita a flutuação do câmbio, de 15 de janeiro em diante, até o dia 29 de janeiro, aquela sexta-feira fatídica, sexta-feira negra, dos boatos, etc., o Banco Central não entrou no mercado. O Banco Central não vendeu dólares, enfim, não operou no mercado. Há uma grande discussão sobre esse ponto, inclusive foi levantado, em entrevista com o Presidente, naquele último programa do Roda Viva, e a questão é: o Banco Central, havia uma restrição, uma limitação do FMI para que o Banco Central vendesse dólares naquele período?

Pedro Malan – A regra que nós acordamos, em fevereiro foi anunciada no programa de Memorando de Política Econômica e no Memorando Técnico de Entendimentos, está lá explicitado o volume de recursos, oito ou nove bilhões de dólares pra vendas líquidas de moeda estrangeira no período março, abril, maio, junho. Isso está lá explicitado. Para responder à sua pergunta, quando desses eventos de janeiro, não havia explicitada e acordada uma regra como nós fizemos depois, em fevereiro.

CBN – Ok. Ministro Pedro Malan. Ministro, nós queremos agradecer a sua gentileza, a sua participação aqui no jornal da CBN. Só para encerrar, ministro, a questão de convocação do senhor na CPI, existe uma articulação do governo para que o senhor não vá ou não?

Pedro Malan – Olha, mais uma vez eu agradeço a oportunidade para dizer que acho um tanto quanto surrealista esta discussão porque desde o início, do primeiro momento, eu disse que se convocado não teria qualquer problema, aliás, seria o meu dever, não teria escolha, de comparecer à comissão para dar os esclarecimentos que se fizessem necessários, como, aliás, nunca neguei nenhum convite de comparecer a qualquer comissão ou plenários, tanto da Câmara ou do Senado, onde passei dezenas e dezenas de horas ao longo dos últimos meses e anos, e voltarei lá tantas vezes quantas forem necessárias. De modo que eu acho que é um tanto surrealista essa discussão se o ministro da Fazenda vai ou não vai. Se a comissão achar por bem que o ministro deve ir, obviamente eu irei. É isso que eu tinha a dizer.

CBN – Ministro, muito obrigado, muito bom dia.

Pedro Malan – Muito obrigado a todos. Um bom dia também.

 

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