Pronunciamentos
02/02/99
Transcrição
da fala do ministro Pedro Malan sobre as mudanças na diretoria do
Banco Central
Sem Revisão
do Autor
Supondo que todos tiveram
a oportunidade de ler a Nota
à Imprensa que foi distribuída há pouco, eu gostaria de tecer
algumas considerações adicionais antes de responder a perguntas
sobre o tema. Eu acho que a Nota deixa claro que o governo decidiu
fazer uma reformulação na diretoria do Banco Central, e isso inclui
a presidência e algumas diretorias. Eu gostaria de explicar o que nos
levou a isso.
Há vários dias, tanto eu
quanto o presidente do Banco Central colocamos os nossos cargos à
disposição do Presidente da República à luz do clima de tensão,
turbulências e incertezas. Primeiro do regime ter vigor de apenas
dois dias, dias 13 e 14 de janeiro, e depois durante os primeiros dias
com toda a inquietação, turbulência e incerteza do regime de flutuação.
Como todos sabem, quem quer que tenha acompanhado a experiência de
flutuação em qualquer outro país, sabe que os primeiros dias de
operação são marcados por incertezas, por turbulências, por
flagrantes exageros. Na depreciação da moeda, o que ocorreu no
Brasil com particular intensidade, na sexta-feira passada, nós
dissemos que aqueles níveis não se sustentariam, que eles cairiam,
como de fato vêm caindo desde então. Mas o fato é que dias atrás,
tanto o ministro da Fazenda quanto o presidente do Banco Central
deixaram o Presidente da República inteiramente à vontade para que
decidisse, pensando naquilo que nos interessa a todos: o país e o seu
futuro. Se era o caso dele substituir duas pessoas chave da sua equipe,
eu formalizei esse pedido mais recentemente, mas o Presidente da República
não aceitou e insistiu na minha permanência no cargo de ministro da
Fazenda. Como vocês sabem, eu sou um servidor público de carreira,
nunca fui outra coisa e nem pretendo ser. Minha função é servir ao
país e às decisões do Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
No que diz respeito ao Banco Central, o Presidente me pediu indicação
de um nome e eu lhe sugeri o nome do doutor Armínio Fraga Neto. O
Presidente aceitou a indicação e estará encaminhando o nome do
doutor Armínio ao Senado Federal, para argüição pública como
determina o preceito constitucional.
Eu queria fazer um comentário
sobre cada um desses nomes. Em primeiro lugar, quero expressar a nossa
profunda admiração intelectual pelo professor Francisco Lafaiete de
Pádua Lopes – falo em meu nome, porque eu o conheço há décadas,
e estou seguro de que falo em nome de todos do governo. É um dos mais
competentes economistas deste país; teve um excepcional desempenho ao
longo dos últimos quatro anos, tanto na diretoria de Política Monetária
e de Política Econômica, que ele acumulou com brilhantismo no Banco
Central; constituiu uma reputação nacional e internacional invejável.
Eu lamento, dadas as qualidades do professor, que ele tenha optado não
só por colocar o cargo à disposição, como aceitar a substituição
que foi encaminhada ao Presidente da República.
O doutor Armínio Fraga
Neto é um dos melhores economistas brasileiros: PhD pela Universidade
de Princeton; professor em pelo menos duas grandes universidades
americanas ao longo dos últimos anos; um dos mais respeitados
operadores, tanto aqui, quando ocupou a diretoria de Assuntos
Internacionais do Banco Central, onde fez um trabalho admirável. Ele
já havia decidido, como eu tive a oportunidade de dizer a alguns de
vocês, voltar ao Brasil com toda a sua família nos próximos quatro
meses. E, na verdade, já havia se decidido que o doutor Armínio
Fraga Neto se incorporaria à equipe econômica tão logo voltasse. O
que nós estamos fazendo é anteciparmos em alguns meses a vinda do
doutor Armínio Fraga, a sua integração à equipe econômica, com a
qual – estou seguro – tem total e absoluta afinidade, tanto no que
diz respeito à decisão de adoção do regime de taxas flutuantes de
câmbio, quanto na orientação geral da política econômica do
governo Fernando Henrique Cardoso, que será mantida com determinação,
como dissemos na Nota. Portanto, o pesar que sentimos todos, com a saída
do professor Francisco Lopes, é em parte compensado pelo ingresso de
um profissional do calibre, da competência, da experiência
internacional e doméstica e do espírito público do doutor Armínio
Fraga Neto.
Além da mudança na
presidência do Banco Central – que estará sendo interinamente
ocupada pelo diretor de Assuntos Internacionais, Demosthenes Madureira
do Pinho Neto, até que o nome do doutor Armínio seja considerado
pelo Senado Federal como determina a Constituição –, nós teremos
mudanças em algumas diretorias que eu não pretendo anunciar aqui,
porque isso já será objeto de conversações que terão lugar a
partir de hoje entre o doutor Armínio Fraga e o doutor Francisco
Lopes. O doutor Armínio Fraga, como vocês sabem, deve ter saído no
Diário Oficial de hoje, neste período ocupará a posição de
assessor especial do ministro da Fazenda e estará juntamente com os
atuais integrantes da diretoria do Banco Central, sugerindo a mim e ao
Presidente da República nomes de diretores a serem encaminhados ao
Senado Federal. Há vagas a serem preenchidas e há algumas substituições
a serem feitas, e eu não pretendo e não tenho condições, e não
seria cabível, procurar antecipar agora. Era o que eu tinha a dizer
à guisa de introdução e eu gostaria de me colocar a disposição
dos senhores para responder a perguntas que porventura possam ter.
Muito obrigado a todos.
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