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Pronunciamentos
28/10/98
Transcrição da fala
do ministro Pedro Malan durante apresentação do Programa de Estabilidade
Fiscal
Sem Revisão do Autor
u queria pedir desculpas pelo atraso,
mas o fato é que hoje pela manhã nós tivemos um café da manhã com o
presidente Fernando Henrique Cardoso e os líderes dos partidos que apoiam o
governo, com os quais estive no Centro de Treinamento do Banco do Brasil e pude
ver que as reações iniciais são bastante encorajadoras em relação à
reforma fiscal que o governo Fernando Henrique Cardoso está apresentando hoje
ao Congresso e à sociedade brasileira.
Esse programa tem dois grandes
componentes. O primeiro é um componente de natureza estrutural, institucional,
de mudança do regime fiscal brasileiro, de alteração da maneira pela qual nós
conduzimos, conduziremos o processo de elaboração e execução do orçamento a
partir do ano que vem, e se enquadra num contexto de processo de mudança na
qual o governo Fernando Henrique Cardoso esteve empenhado durante esse primeiro
mandato que ora se encerra. Eu devo lembrá-los que dois meses e dez, onze dias
atrás nós tivemos a moratória russa que, no bojo de uma crise asiática que já
se prolongava por mais de um ano, levou em uma semana a um aumento de quatro ou
cinco vezes os prêmios de risco cobrados de países emergentes em geral e a uma
contração expressiva da liquidez e do acesso ao mercado financeiro
internacional, que passa hoje por uma crise que já foi denominada a pior crise
dos últimos cinqüenta anos, estará conosco por algum tempo. Essa crise
significa para nós e todos os países em desenvolvimento, e muitos
desenvolvidos, algo fundamental: o tempo do gradualismo, do espaço para
realizar mudanças de forma mais diferida ao longo do tempo se encurtou
enormemente e nós precisamos agora dar uma resposta à altura aos desafios do
momento presente. Nós o faremos e o que faremos está expresso neste Programa
de Estabilidade Fiscal nos seu dois componentes. O componente estrutural,
institucional de mudanças do regime fiscal, e o plano de ação 99, 2000 e
2001.
Eu gostaria de fazer um comentário
sobre esses dois componentes, mostrando a sua integração, o porquê da decisão
de fazê-lo agora, não de surpresa. Devo lembrá-los que como resposta à
deterioração da situação internacional que se seguiu à moratória russa, no
início de setembro, nós tomamos medidas drásticas no que diz respeito a
cortes para 1998, corte concentrado nos últimos três meses e três semanas do
ano e na decisão de encaminhar - e o presidente Fernando Henrique Cardoso
determinou isso no início de setembro - a elaboração deste Programa de
Estabilidade Fiscal e um programa para o próximo triênio que não fosse apenas
um programa para o próximo triênio, mas que incorporasse superávits primários
crescentes que permitissem a estabilização da relação dívida/Produto
Interno Bruto da economia brasileira. É isso que está proposto aqui e é isso
que vamos apresentar. A informação que tenho é que o texto foi distribuído a
todos, de modo que eu gostaria de fazer comentários, não ler o texto, mas em
algumas das tabelas básicas do texto para organizar esta apresentação.
A primeira que eu gostaria de fazer
referência é a tabela da página três do texto distribuído, necessidades de
financiamento do setor público do período 1991/1998. Aqui é importante chamar
a atenção para duas ou três questões básicas. A primeira delas é que fica
patente na observação dos números dessa tabela a diferença que existe, fenômeno
para o qual venho chamando a atenção há muito tempo, entre a gestão de finanças
públicas em condições de inflação alta, crônica, crescente e vergonhosa
que tivemos até o lançamento do Real e a administração de finanças públicas
no âmbito federal, estadual e municipal em condições de inflação civilizada
como a que temos agora. A segunda observação é que as nossas estatísticas,
à diferença das estatísticas de muitos países em desenvolvimento, tem um
grau de cobertura que é raramente encontrado. Nós temos estatísticas para o
Governo Central, que incluem Tesouro, Banco Central e Previdência; nós temos
as estatísticas de Estados e Municípios; temos as estatísticas das empresas
estatais nos três níveis de governo. Além disso esses dados se referem às
estatísticas do Banco Central que são, para usar o jargão, abaixo da linha,
em termos de necessidade de financiamento; e nós, numa política de transparência
para um debate democrático, estivemos ao longo dos últimos anos introduzindo
no conceito de dívida, passivos do governo, do setor público, antes não
reconhecidos como tais, não explicitados. E o processo de sua explicitação,
obviamente, significa um aumento da dívida total do setor público, não porque
tenha havido um processo de gastos excessivos naquele período, mas porque nós
estamos numa maneira transparente e democrática reconhecendo obrigações que
antes não eram explicitamente reconhecidas.
São poucos os países do mundo que
apresentam as estatísticas de déficit público tal como o Brasil as apresenta.
É um tanto paradoxal que por vezes o Brasil, por não entendimento desse fenômeno
aqui dentro e principalmente lá fora, seja penalizado por comparações
apressadas e indevidas com outros países que apresentam estatísticas com grau
de cobertura muito inferior ao nosso.
Mas o que eu gostaria de lhes dizer
é que os superávits primários que se observam aqui no período anterior ao
lançamento do Real eram superávits primários obtidos com o concurso perverso
e paradoxal da inflação. O orçamento era apenas autorizativo, com freqüência
uma peça de ficção, num país com uma taxa de inflação superior a 1000% ao
ano, o controle era feito na boca do caixa do Tesouro e bastava o Secretário do
Tesouro retardar a liberação de um recurso por 30 dias que uma inflação de
20, 30% ao mês reduzia em termos reais o valor daquela liberação e essa era a
maneira pela qual nós obtínhamos os superávits primários: utilizando a inflação
como um perverso e paradoxal mecanismo de ajuste e enviando a conta, na verdade,
para os mais pobres através do imposto inflacionário.
O desequilíbrio ex-ante do
setor público lá estava, ele não aparecia apenas devido ao fenômeno da inflação.
Quando a inflação cai a níveis civilizados, o problema de gestão assume
outra natureza e exige um entendimento da natureza dos desafios a enfrentar. Era
o comentário que eu gostaria de fazer sobre esse quadro, lembrando que qualquer
discussão informada sobre déficit público no Brasil, seu passado, seu
presente e principalmente seu futuro depende de uma análise dos seus principais
componentes.
Deixe-me começar com o Governo
Central. Há uma tabela na página quatro, que mostra que os quatro grandes
blocos de despesa no âmbito do Governo Central, pessoal/encargos, benefícios
previdenciários, as principais vinculações, a principal delas sendo a
transferência a estados e municípios e outras despesas de custeio e capital.
Os gastos com pessoal/ encargos e benefícios da previdência no ano de 98
chegarão a R$ 101 bilhões. Se nós consideramos o que representam esses R$ 101
bilhões em termos da receita líquida da transferência a estados e municípios
do Governo Central como um todo, nós veremos que dois de cada três reais da
receita líquida total são gastos em pessoal/encargos e benefícios da Previdência.
Se tivéssemos um primário zerado e equilibrado, sobraria um terço de cada
real arrecadado em termos de renda líquida para o custeio de toda a máquina do
governo, investimento e custeio. E esse é um dos problemas que temos a
enfrentar em qualquer discussão séria de ajuste fiscal no Brasil, dadas as
restrições e óbices legais à atuação mais decidida na área de pessoal/encargos
e benefícios previdenciários. O que precisamos e estamos mudando, e o programa
de estabilidade fiscal é um componente importante dele, é exatamente dotar o
setor público nos três níveis de governo de uma capacidade de lidar com esses
outros componentes do gasto para que todo o ajuste não tenha que ser feito única
e exclusivamente no custeio e no investimento, porque na verdade é daí que
resultam não só a quantidade como a qualidade dos bens e serviços públicos
oferecidos à população, que é a contrapartida dos impostos que entregam ao
governo ou a governos. No que diz respeito ao Governo Central, eu gostaria de
falar sobre o tema básico da crise fiscal brasileira que é o tema da previdência.
Antes porém, para comentar a questão
de estados e municípios, gostaria de chamar a atenção para o gráfico da página
cinco sobre a proporção crescente, era 5 e 10% de imposto de renda e imposto
IPI que eram transferidos a estados e municípios no final dos anos 60. Essa
proporção vem crescendo e chega aos 44% atuais. Isso explica a crescente
transferência de recursos para estados e municípios expressa neste gráfico
nesse exercício. O crescimento da arrecadação e as transferências derivadas
de percentagens crescentes do Imposto de Renda e do IPI para estados e municípios.
O ponto que eu gostaria de enfatizar no governo central é a Previdência. Dada
a importância do tema e do que nós fizemos e estamos fazendo hoje, e
continuaremos a fazer nos próximos dias, semanas e meses, eu gostaria de pedir
a atenção especial dos senhores e daqueles que nos vêem para a tabela 3 do
texto distribuído e que já se encontra na Internet à disposição dos
interessados. Eu me refiro a esta tabela sobre os regime da previdência; e os
comentários que eu gostaria de fazer primeiro sobre o primeiro item
"regime geral do INSS", os senhores e senhoras poderão ver que neste
ano 1998 o total de benefícios previdenciários a serem pagos será de R$ 53,7
bilhões e o total de contribuições, a arrecadação líquida da previdência
INSS, será de R$ 45,9 - um déficit de 7,8 bilhões de reais. Notem que, quando
se olha o período 95 até 98, existia um virtual equilíbrio em 95, um déficit
de R$ 656 milhões em 96, um déficit de R$ 2,69 bilhões em 97, R$ 7,8 bilhões
previsto para este ano e R$ 10,9 bilhões previstos para 1999.
A projeção, se nada for feito em
termos de reforma da previdência no Brasil, é de um gasto com benefícios
superior a R$ 100 bilhões por volta de 2006, 2007, um déficit de quase R$ 40
bilhões. Neste regime estão os cerca de 18 milhões de trabalhadores
brasileiros. Eu quero deixar claro que nós não estamos fazendo nada neste
programa de estabilidade fiscal que afete estes 18 milhões de trabalhadores
brasileiros; não há nenhum aumento de contribuição aqui sendo proposto. Nós
só chamamos a atenção para a importância desse crescente desequilíbrio
atuarial;
Os grandes desequilíbrios, distorções,
privilégios e abusos não estão em definitivo no INSS. Aqui há um limite -
mil e poucos reais - uma remuneração média superior a dois salários mínimos;
portanto não é aqui que residem as grandes iniquidades. Residem no item 2. Eu
gostaria de chamar a atenção dos senhores para a previdência dos servidores públicos,
categoria à qual com muita honra pertenço, mas é fundamental em qualquer
discussão séria, objetiva, serena, não-emotiva e não-demagógica do problema
chamar a atenção para a natureza do crescente desequilíbrio.
Neste ano de 1998, nós vamos pagar
encargos previdenciários - me refiro à União - de R$ 20,9 bilhões. As
contribuições dos servidores serão R$ 2,6 bilhões, cerca de quase sete vezes
e meia inferior ao total da despesa com inativos e pensionistas. O déficit de
R$ 18,3 bilhões é uma conta que é enviada para o conjunto da sociedade. Vocês
e o telespectador que por ventura me ouvem agora pagam esta conta e pagarão uma
conta crescente, porque a projeção já para o ano que vem é R$ 22,1 bilhões
e vai assim exponencialmente se medidas não forem adotadas - medidas de
natureza estrutural e medidas de curto prazo para lidar com o agravamento deste
quadro. Essa é uma conta em aberto, crescente. Vejam que em 1995 esses gastos
representavam R$ 15,4 bilhões e vão subir no ano que vem para R$ 24,9 bilhões
- um aumento de mais de R$ 9 bilhões em 4 anos, enquanto que as contribuições
aumentaram de R$ 2,1 para 2,7 bilhões. Esta conta em aberto é paga por todos
sob a forma de ou mais impostos ou aumento do individamento público, que
significam maiores gastos no futuro e obviamente pressões altistas sobre taxas
de juros ou dificuldades de assegurar a sua redução.
A situação nos estados não é
menos desanimadora. Os dados disponíveis dizem respeito apenas ao período de
97 para cá, mas neste ano de 98 serão gastos R$ 17,2 bilhões e as contribuições
serão de R$ 3,6 bilhões: um déficit de R$ 13,5 bilhões. De novo uma conta
que é mandada para o conjunto das populações dos estados em questão, e municípios
a mesma diferença. O déficit da previdência dos servidores públicos, nos três
níveis de governo, neste ano é estimado em R$ 34,4 bilhões. Se somarmos os R$
7,8 bilhões do regime geral do INSS, temos na última linha R$ 42,2 bilhões,
isso é mais do dobro do que se gasta em saúde no Brasil e é praticamente o
total do orçamento de custeio e investimento do governo. Portanto esta é uma
questão que não pode e não deve de forma alguma ser minimizada, e eu gostaria
de dizer o que nós precisamos fazer para lidar com ela.
A primeira e mais imperativa é a
votação, no âmbito do Congresso Nacional, eu espero que a partir da próxima
semana, dos três últimos DVS que são necessários à aprovação final da
reforma da previdência. Tão logo concluída esta votação, nós estaremos
apresentando a sua regulamentação com mudanças expressivas, que estão
descritas no documento que vocês receberam a partir da página 19, pelo menos
na minha versão, e que mostram a profundidade da mudança estrutural necessária
para lidar com o problema. Além disso, estamos encaminhando nesta parte de
dimensão estrutural do problema uma lei geral da previdência pública que
preenche uma ausência quase que total de normas gerais que regulam as instituições
e funcionamento de regimes e fundos previdenciários das três esferas de
governo, além de crimes contra a seguridade social.
Há um conjunto de medidas de
natureza estrutural, portanto, sem prejuízos das que estamos decidindo hoje
adotar, que caminham para tentar equacionar com este problema que é por larga
margem o mais grave problema estrutural que temos na crise fiscal do estado
brasileiro. Os desequilíbrios estão apontados com clareza no texto e dizem
respeito a esta diversidade de regimes, à completa e total ausência de proporção
entre benefícios e contribuições, principalmente no setor público,
aposentadorias precoces por tempo de serviço, aposentadorias especiais e certas
distorções da previdência complementar. Sobre estados e municípios já
mencionei a necessidade de ajuste.
Devo dizer que olho com enorme
satisfação o fato de que o eleitorado de um número muito expressivo tenha
recompensado nas urnas os governadores que mostraram seus compromissos com
austeridade fiscal e a necessidade de responder aos desafios do momento, fazendo
o estado viver dentro dos seus limites, vale dizer, fazendo o estado não gastar
mais do que aquilo que a coletividade está disposta a lhe entregar sob a forma
de impostos e contribuições. Caso contrário, entra-se num processo de
individamento que tem conseqüências como é conhecido de todos. Eu vejo com
satisfação o compromisso firmado por 24 governadores que comprometem os
futuros governadores também eleitos e que caminham na direção dessa
modernidade fiscal e responsabilidade fiscal, que na verdade é o respeito a
restrição orçamentária - que é um respeito ao cidadão, que é um respeito
ao contribuinte. É a idéia que o contribuinte tem o direito de exigir
quantidade e qualidade de serviços públicos como contrapartida dos impostos
que entrega ao governo. Eu acho que esta percepção vem se generalizando não só
no Governo Federal em suas várias agências e entidades, como também o número
crescente de governos estaduais e municipais.
Na linha das reformas estruturais,
ainda, eu gostaria de mencionar que nós estaremos encaminhando leis que
consideramos de fundamental importância para mudar a cultura do país nessa
dimensão de introduzir no debate político e econômico a idéia de restrição
orçamentária e limitação dos estados aos recursos que dispõem. Uma delas é
a regulamentação da reforma constitucional da administração pública, já
aprovada pelo Congresso Nacional. Nós estaremos encaminhando essa regulamentação
nos próximos dias e semanas ao Congresso que diz respeito à instituição de
limites aplicáveis aos gastos com folha de pagamento no conjunto dos gastos do
governo, e isso estará sendo encaminhado em breve e é da maior importância;
é a aplicação efetiva do disposto na chamada Lei Camata.
Estamos apresentando também sugestões
para que se lide com caso de insuficiência de desempenho e excesso de quadros
do setor público. Estamos apresentando também regime especial do setor público.
Todos têm o objetivo de, não só no âmbito federal como também no estadual e
no municipal, reconhecer o servidor público dedicado ao seu trabalho com espírito
público, desejo de servir ao público, que é o objetivo fundamental do
servidor nos três níveis de governo e permitir remuneração adequadas àqueles
que têm estas características e que o setor público possa dispor daqueles que
não as têm através obviamente de um processo adequado que está especificado
nessa regulamentação.
Além disso, e este é um ponto
absolutamente central do programa de estabilidade fiscal, estamos encaminhando -
de novo uma determinação do Congresso e uma regulamentação do artigo 163 da
Constituição - uma lei de responsabilidade fiscal. O prazo é quatro de
dezembro, prazo dado pela emenda constitucional que aprovou a reforma
administrativa, nós o faremos antes, é uma lei de responsabilidade fiscal que
será aplicada aos três níveis de governo. Hoje inexiste uma lei geral de
finanças públicas no país, mas nós vamos apresentar uma lei que disciplina
de modo efetivo e dê maior transparência às decisões de gastos e
individamento do setor público nos três níveis de governo em bases mais
permanentes. É uma mudança fundamental no regime fiscal no Brasil e um
componente básico na introdução da idéia de restrição orçamentária
efetiva na gestão da coisa pública neste país. Estaremos apresentando também,
nas próximas semanas ao congresso, a reforma tributária que substitui os
atuais ICMS, IPI, ISS, Cofins e PIS por um imposto sobre o valor agregado de
competência normativa da União e que representará um passo importante no
sentido de eliminar este caótico sistema tributário que temos hoje no país e
fonte de todo tipo de sonegação fiscal. Exatamente porque teremos que
assegurar uma transição até que seja concluído o processo de rediscussão
das atribuições dos diferentes níveis de governo, em termos de provisão de
encargos públicos, que é a parte fiscal do programa, o executivo proporá a
prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal ao Congresso Nacional. Além
disso, estamos apresentando também um decreto e legislação que estará
incorporada já na LDO de abril de 1999, em que mudamos e vamos mudar de maneira
muito expressiva o processo de elaboração e execução orçamentária no país.
Além disso, estamos apresentando
também um decreto e legislação que estará incorporada já na LDO de abril de
1999, em que mudamos e vamos mudar de maneira muito expressiva o processo de
elaboração e execução orçamentária no país. Por último, estaremos
apresentando também a proposta de reforma na legislação trabalhista nas
linhas que vêm sendo discutidas extensamente com a sociedade civil pelo
ministro Edward Amadeo. Eu não vou falar sobre o que já fizemos no primeiro
mandato em termos de mudanças estruturais. Eu quero enfatizar estas que estamos
encaminhando ao Congresso e propondo a discussão, e dizendo o que fazemos agora
com o renovado sentido de urgência. Se era possível nos últimos quatro anos
adotar uma postura gradualista de caminhar no que fosse possível no
encaminhamento dessas questões, o contexto internacional, após a moratória
russa, o fechamento de mercados, a liquidez estreita, que estará conosco por
algum tempo, trouxe a percepção de uma crise sistêmica que não é apenas de
países em desenvolvimento.
O The Economist, que circula
hoje, tem como capa se será a China a próxima economia a sofrer os efeitos da
turbulência que estamos passando. Eu quero reafirmar aqui que nós temos todas
as condições de enfrentar a turbulência atual através da nossa ação doméstica,
da qual este Programa de Estabilidade Fiscal é um componente absolutamente
essencial, porque o fato é que éramos e somos percebidos como vulneráveis por
conta de uma certa dificuldade em perceber o que fizemos e estamos fazendo para
encaminhar soluções duradouras e definitivas de nosso desequilíbrio fiscal. O
objetivo principal desse programa é mostrar a nós mesmos, porque se não
formos capazes de mostrar a nós mesmos, brasileiros, que temos capacidade de
fazê-lo, não conseguiremos convencer aqueles que nos olham do resto do mundo,
que nós temos, sim, todas as condições e a capacidade de encaminhar soluções
de curto, médio e longo prazos para esses desequilíbrios fiscais que fazem com
que, em momentos de maior turbulência, o Brasil seja percebido como portador de
certas vulnerabilidades em relação a outras economias, às vezes, como notei
no início, nem sempre de forma justa, com entendimento inadequado da natureza
de nossas estatísticas.
Eu não vou mencionar aqui a parte
do documento que trata de tudo que foi feito, e não foi pouca coisa o que foi
feito nos últimos anos em termos de tratar esses problemas estruturais. Eu
queria me reportar ao que nós estamos propondo fazer em termos do plano de ação
para o triênio 99/2000/2001, o que nos motivou a isso e a relação umbilical
entre essas questões e o processo de mudança estrutural que estamos propondo e
ao qual atribuímos uma grande e fundamental importância.
O plano de ação 99/2001, parte
quatro do documento distribuído, é ininteligível fora do contexto do processo
de mudança estrutural que acabei de mencionar. O que é este programa? Em
primeiro lugar, não deveria ser uma surpresa para ninguém. No início de
setembro, já numa resposta a uma percepção de um agravamento da situação
internacional, o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou os cortes
expressivos, devo dizer, embora lamentavelmente não tenham sido percebidos
adequadamente à época, para 1998, mas determinou também que para 1999, para o
triênio 1999/2001, o governo elaborasse um programa para esse triênio que
contemplasse os superávits primários crescentes o bastante para estabilizar a
dívida/PIB no triênio.
É isso que nós fizemos. Chegamos a
um entendimento da magnitude desses superávits primários requeridos e eles estão
apresentados na tabela 4, página 27, para o setor público consolidado e ele
demanda um superávit primário de 2,6% do PIB em 1999 com a seguinte composição:
1,8% no Governo Central, que significa que o Tesouro Nacional tem que fazer um
superávit expressivo para compensar o déficit expressivo da Previdência, dos
encargos previdenciários da União e do INSS, um superávit de 0,4% nos estados
e municípios e de 0,4% em empresas estatais, e a mesma previsão para 2000/2001
- 2,8 e 3% do PIB. Esse é um esforço fiscal muito expressivo, e eu gostaria de
apresentar isso chamando a atenção dos senhores e das senhoras, por favor,
para a tabela 5 na página 28. A Tabela 5 na página 28, na sua linha 1, mostra
o que seria o resultado primário que nós teríamos se nós não tivéssemos
tomado nenhuma medida de ajuste, excluídas as que já tomamos em setembro/98 em
resposta às conseqüências da moratória russa. Seria um déficit primário de
R$ 11,6 bilhões, 1,28% do PIB. O superávit requerido para atingir a meta
expresso na tabela anterior é da ordem de R$ 16,38 bilhões, 1,80%.
O que significa isso? Nós temos que
passar de um déficit previsto na ausência de políticas de R$ 11,6 bilhões
para um superávit de R$ 16,3 bilhões. Isso significa, isso é muito importante,
um esforço fiscal que faça a passagem de -11,6 para +16,3 bilhões. Portanto,
um esforço, linha 3 da tabela, primeira coluna, de R$ 28 bilhões, 3,08% do PIB,
em 1999. Esse esforço será feito através de medidas que são a 1 e a 3 de
natureza estrutural, que vou mencionar em seguida. Nas medidas de natureza
estrutural estão as conseqüências que vocês verão que são crescentes no
tempo: R$ 3,5 bilhões em 1999, R$ 9,2 bilhões em 2000 e R$ 12,5 bilhões no
ano 2001. A redução do déficit previdenciário também: 2,5 no ano que vem,
4,3 no ano 2000 e 4,4 no ano 2001. E assim, isso sem contar os efeitos da mudança
mais profunda que estaremos encaminhando breve. No que diz respeito à redução
de gastos, temos uma redução de R$ 8,67 bilhões no orçamento de custeio e
investimento. Isso é uma redução de cerca de 20% no orçamento de custeio e
investimento. É uma expressiva e fundamental redução que será feita.
Na verdade alguns dos aqui presentes
talvez se lembrem que na Medida Provisória de 08 de setembro a determinação
do presidente foi que nós bloqueássemos 20% do OCK de 1999 e que a liberação
só tivesse lugar se nós tivéssemos a garantia de reação de um superávit
primário mínimo para o Governo Central no ano de 99. Pois bem, nós decidimos
transformar neste Programa de Estabilidade Fiscal o que seria um bloqueio flexível
a ser decidido ao longo do ano, num corte efetivo de gastos desde já anunciado
e que, importante, estará refletido já na reformulação do orçamento a ser
encaminhado ao Congresso Nacional nos próximos dias. Esse orçamento já
incorporará esses 20% de gastos no custeio e no investimento, que é conseqüência
da decisão tomada.
No que diz respeito à elevação de
receitas, o que eu gostaria de chamar a atenção dos presentes é o declínio
relativo do papel de receitas em relação ao efeito de medidas de natureza
estrutural, redução do déficit previdenciário e redução de gastos no
resultado geral alcançado. Por exemplo, dos R$ 28 bilhões do esforço fiscal
necessário em 1999, cerca de R$ 15 bilhões serão derivados das medidas de
efeito estrutural, redução de gastos e redução do déficit previdenciário e
R$ 13,2 bilhões da elevação de receita. Vocês verão que no ano 2000, dos R$
33 bilhões de esforço fiscal necessário, a elevação de receitas representa
cerca de um terço, enquanto dois terços já são representados por efeitos das
medidas de natureza estrutural, redução de gastos e redução do déficit
previdenciário. E no ano de 2001, dos R$ 39 bilhões de esforço fiscal necessário,
R$ 11,9 bilhões representam aumento de receita e a diferença, R$ 27 bilhões,
é efeito das medidas de natureza estrutural, da redução de gastos e da redução
do déficit previdenciário.
Esta é a razão pela qual eu volto
a insistir, isto não é um pacote, isto é um programa de estabilização
fiscal com forte componente estrutural, institucional, de mudança do regime
fiscal que estará conosco por muitos e muitos anos, eu espero décadas à
frente, e que representam, ao meu ver, uma solução duradoura para a falta de
incorporação da cultura da restrição orçamentária que é corriqueira no
mundo desenvolvido há décadas. É parte integrante do debate político e econômico
e tem lugar nos três níveis de governo uma percepção de que não há mágica.
Maiores gastos só podem ser obtidos através de ou maiores impostos ou maior dívida,
com todas as implicações que a maior dívida tem sobre taxa de juros e sobre
pressões de gastos futuros, porque dívidas devem ser pagas em algum momento do
futuro. O detalhamento das medidas, se me permitem, eu vou mencionar.
Na área de medidas de natureza
estrutural, para o ano que vem, 1999, as medidas são o impacto da reforma da
previdência, que nós esperamos aprovar a partir da semana que vem, no
Congresso, em termos de seu impacto sobre o regime jurídico único e sobre o
INSS. Mas ela é crescente a partir dos anos de 2000 e 2001
Na redução de gastos o que temos
é essa redução do orçamento de custeios e investimentos, porque temos no
momento limitações legais e rigidez à operação sobre os outros três
componentes básicos dos gastos do Governo Central, que são, volto a insistir,
pessoal/encargos, benefícios da previdência e transferências constitucionais
ou vinculações que não podem ser alteradas a curtíssimo prazo. Na redução
do déficit previdenciário, eu quero voltar a explicar a razão da medida,
aparentemente violenta, na verdade não o é, é uma medida que responde a um
problema claramente identificado como tal. Se eu me permito voltar aqui a tabela
chave, que é a tabela 3, página 7 do texto diante dos senhores e senhoras, vocês
verão que essa diferença que existe aqui na União entre despesas com inativos
e pensionistas e contribuições para servidores, que aparecem aqui pela 1ª vez,
antes de 1995, era zero as contribuições para isso. A conta era totalmente
enviada ao conjunto da coletividade. Passou a haver uma certa cobrança de
contribuição sobre servidores nos últimos anos, mas vocês vêm que o resto
da sociedade tem que aportar a esse custo é 7,5 vezes em 98, que é o resto da
coletividade, você que me ouve telespectador, tem que aportar para compensar
essa diferença.
Portanto, vocês sabem, eu gostaria
de dizer qual é o quantitativo de que estamos falando aqui. Eu mencionei que no
que diz respeito ao regime do INSS nós temos cerca de 18 milhões de
brasileiros e nós não estamos afetando nenhum trabalhador do INSS. Eu queria
mais uma vez deixar isso claro. No que diz respeito aos servidores da União,
categoria à qual volto a insistir, com muita honra pertenço, existem 905 mil
pessoas. No que diz respeito a servidores de Estados 1,3 milhões, nos municípios
não existem dados disponíveis, mas o total é inferior a 3 milhões. O Brasil
é um país de 163 milhões de habitantes e gasta com menos de 3 milhões, este
ano, R$ 34,4 bilhões, quase o dobro do total dos gastos com saúde, no ano que
vem, serão 38,7 e assim por diante.
Portanto, a escolha que nós teríamos
que fazer aqui, ao tratar dessa questão, era impor um imposto adicional sobre o
conjunto da sociedade, sobre os 163 bilhões de habitantes, para lidar com esse
problema, ou procurar equacionar a questão no âmbito daqueles que de alguma
maneira são os beneficiários naturais dessa conta em aberto que é paga pelo
conjunto da sociedade.
Esta é a razão pela qual estamos
propondo que a contribuição geral de ativos seja uniformizada em 11% e que
aqueles que recebem acima de 1.200 reais, que é o teto do INSS, tenha um
adicional de contribuição, que é temporário, são só 5 anos mais, e que
incide só sobre a parcela do rendimento que excede 1.200 reais, como forma de
contribuição daqueles que se beneficiam dessa distorção de contribuir para
minorá-la.
Da mesma forma, como nós tivemos
uma situação de que por anos os funcionários inativos, embora na inatividade,
recebessem todo e qualquer benefício recebido por funcionários na atividade,
de maneira automática, é natural que por razões de simetria, quando se está
pedindo uma contribuição adicional dos funcionários ativos que o mesmo tenha
lugar quando se pede uma contribuição para lidar com o déficit, que na
verdade é um déficit desta importante, fundamental categoria de brasileiros e
brasileiras. Isto estará sendo proposto, sabemos que é uma questão delicada,
mas é importante aqui que nós olhemos a árvore, não só a árvore mas
olhemos também a floresta, e a floresta é a dimensão da crise fiscal
brasileira da qual este componente, os encargos previdenciários da União, dos
estados e dos municípios, é um componente de fundamental importância não só
pelo seu valor de hoje, mas pelo crescente valor que assumirá no futuro se nós
não tivermos a coragem, a determinação, de adotar as medidas adequadas e não
penalizando o conjunto da sociedade, seja através de um posto inflacionário,
que seria a volta da inflação, seja através de um imposto que incida sobre o
conjunto da coletividade.
Eu gostaria de pedir uma certa
reflexão e um entendimento, no primeiro momento talvez não seja fácil sobre
este singelo fenômeno e mecanismo. No que diz respeito a elevação de receitas,
o que nos estamos propondo aqui é um adicional de 0,1% em relação a alíquota
atual em termos de prorrogação da CPMF. Para 1999 apenas, exclusivamente para
1999, um adicional de 0,08% sobre esta alíquota. Além disso, estamos propondo
a equalização do Cofins e uma elevação em um ponto de percentagem da alíquota
do Cofins compensável do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Da mesma maneira
que esta equalização do Cofins não será seguida subseqüentemente de
mecanismos compensatórios, em relação a contribuição social sobre lucro líquido
de instituições financeiras. O terceiro componente dessa área de receitas é
uma incorporação de depósitos judiciais, a receita tributária corrente.
Portanto o que está sendo feito na
área de receita é uma operação que não afeta em nada o Imposto de Renda de
Pessoas Físicas; de pessoas jurídicas existe a compensação de 1/3 do Cofins
quando se equalizado pelo Congresso e a elevação temporária da CMPF, temporária
quero crer no duplo sentido da palavra. Em termos adicional de 0,08% em 99 e
temporária em termos da própria natureza da contribuição que estou seguro
será rediscutida por ocasião da discussão do projeto de reforma tributária
que encaminharemos em breve ao Congresso Nacional. Isso dá o resultado primário
requerido com essa característica que eu mencionei: é um esforço fiscal da
ordem de R$ 28 bilhões em 1999, porque nós estamos saindo de um déficit
previsto na ausência de políticas do tipo que adotamos recentemente e estamos
propondo adotar, sairemos de um déficit de R$ 11,6 bilhões para um superávit
de R$ 16,3 bilhões. Essa passagem de -11 para + 16 representa um esforço
fiscal de R$ 28 bilhões, cerca de 3,08% do PIB, já em 1999.
Aquilo o que nós estamos fazendo é
responder uma determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso feita em
seu discurso de 23 de setembro, cerca de 10 dias antes das eleições, quando
deixou claro que interpretaria uma eventual recondução, a um eventual segundo
mandato, decisão soberana do povo brasileiro, como claramente uma sinalização,
um apoio, um esforço determinado para colocar o problema da mudança do regime
fiscal brasileiro no centro da discussão do seu eventual segundo mandato.
É isso que nós estamos fazendo
aqui, é isso que nós continuaremos fazendo ao longo dos próximos quatro anos,
não só no Governo Federal. Volto a dizer, temos sinais encorajadores da
maioria dos governadores de estado e de um número extremamente expressivo de
nossos cinco mil quinhentos e tantos prefeitos de que chegou a hora de tratar
com clareza, consciência e determinação do problema de fazer com que o setor
público viva dentro de seus limites. Acabou o tempo do gradualismo, acabou o
momento de esperar que os problemas se resolveriam com o tempo, alguns apostando
que a inflação talvez voltasse a equacioná-los da maneira como havia feito no
passado. No que depender de nós a inflação não voltará e, ao não voltar,
ela nos obriga a todos, governo nos três níveis, a sociedade em seu conjunto,
a enfrentar de cara, tratar os problemas pela raiz, esse desafio do equilíbrio
fiscal, que é um desafio que não é ou não deveria ser desconhecido de
qualquer brasileiro ou brasileira que administre o seu próprio orçamento,
pessoal ou familiar. Há limites para o que se pode fazer e esses limites são
dados pelas suas rendas, receitas (no caso público), capacidade de
endividamento interno ou externo.
Em situações difíceis como
teremos nos próximos meses e anos: endividamento externo, financiamento de déficits
em conta corrente, através de poupança externa. Eu tenho dito isso há tempos,
não é novidade, nós temos que elevar a poupança doméstica na economia
brasileira e ela tem dois componentes: um é a poupança privada, que está
crescendo e continuará crescendo; a outra é a poupança pública que no nosso
caso é uma despoupança, uma poupança negativa que é o déficit consolidado
do setor público.
Em vez de nós estarmos obcecados
com o agregado, com a linha de baixo e fazendo comparações internacionais
apressadas com países que não apresentam as suas estatísticas da mesma
maneira pela qual nós apresentamos. Nós devíamos aproveitar essa oportunidade
histórica que não podemos, não devemos e não iremos desperdiçar de encarar
de frente o desafio do equilíbrio fiscal e enfrentar agora na raiz, na natureza
do problema do desequilíbrio fiscal brasileiro. Isso é condição indispensável
para que nós possamos caminhar na direção de uma redução significativa da
taxa de juros, porque todo esse desequilíbrio e a projeção desse desequilíbrio
para frente, na previdência, em alguns estados, em algumas estatais, é todo
trazido ao valor presente pelo mercado, fica no preço. Leva dúvidas e
incertezas sobre o futuro, sobre a nossa capacidade como país, sociedade e
governo de equacionar nossos problemas, impede uma redução significativa das
taxas de juros e uma retomada sustentada do crescimento que é o nosso objetivo.
Pretender fazer essa retomada e essa
redução das taxas de juros esquecendo a imperiosa necessidade de fazer o
estado viver dentro de seus limites e de realizar um ajuste fiscal, não
passageiro, temporário, mas mudar as instituições, as estruturas que
configuram esse processo é o desafio desse momento.
Não é segredo para muitos de vocês.
O que mudou, se me perguntarem, é o seguinte: o tempo que nós tínhamos no
passado encurtou-se e é preciso acelerar o processo e não há mais escopo, nem
espaço, para gradualismos nessa e em outras áreas que não constituem objeto
da conversa de hoje. É o que eu teria a dizer.
Eu não poderia concluir sem
mencionar, como já o fiz em outras conversas que já tive com o presidente do
Senado, da Câmara, líderes do partido que apoiam o governo, com grupo
expressivo de parlamentares reunidos no centro de treinamento do Banco do Brasil
onde estavam até há pouco outros ministros e secretários gerais dos ministérios
envolvidos. As perguntas e questões são legítimas, compreensíveis, numa
sociedade democrática como a brasileira, tem mostrado um entendimento e um
apoio ao espírito que norteou a apresentação do Programa de Estabilidade
Fiscal que tive a oportunidade de fazê-lo agora.
Quero reiterar que o Brasil, não só
o Executivo, mas o Executivo, Judiciário, Legislativo, a opinião pública, a mídia
e a sociedade brasileira, saberá entender o momento presente e a necessidade de
uma resposta firme e determinada do Brasil, no curto, médio, longo prazo, e de
uma expressão de nossa confiança em nós mesmos, de lidar com o nosso destino
através de um conjunto de medidas que são estruturais, institucionais e que têm
por objetivo equacionar de maneira duradoura o problema do desequilíbrio fiscal
do país, em seus três níveis de governo.
Eu queria concluir de minha maneira
habitual: expressando a minha convicção tranqüila e serena que apesar dos
enormes desafios do momento presente para o mundo, eu mencionei alguns estiveram
presentes à conversa no dia final da reunião do FMI, encontro anual em
Washington, há algumas semanas. Eu assisto a essas reuniões há 14 anos, desde
1985 em Seul, na Coréia, foi a primeira vez que os países do G7 e do G10
reconheceram expressamente o fato de que estamos lidando com um problema de
natureza sistêmica, não mais com problemas isolados de economias em
desenvolvimento, em algumas partes do mundo, mas com problemas no funcionamento
do sistema financeiro internacional e que exigiria um grau de concertação e
coordenação que teria necessariamente que envolver os principais países em
desenvolvimento dentre os quais o Brasil. Inevitavelmente se inclui o Brasil em
qualquer foro dessa natureza.Quando se pensa em convidar alguns dos países em
desenvolvimento relevantes o Brasil lá estará entre eles. Essa percepção
emergiu claramente assim como a percepção da necessidade de termos em vigência,
com a brevidade possível, mecanismos de natureza preventiva, contingente, de
precaução para evitar crises do tipo que observamos em países como Tailândia,
Indonésia, Coréia e Rússia em período recente.
A propósito devo notar que a taxa
de crescimento do PIB na Indonésia nesse ano, 1998, deverá ser da ordem de
-15%, as taxa de crescimento do PIB de Coréia, Tailândia, Malásia deverá ser
entre -6 e -8%, a Rússia terá uma expressiva queda de crescimento e tem uma
inflação de 45% nos primeiro 15 dias de setembro apenas.
Nós vamos garantir a estabilidade
do poder de compra do Real. Aproveito mais uma vez para dizer que nós não
vamos alterar o nosso regime cambial como dizem esses boatos estapafúrdios que
alguns operadores plantam no mercado. Nós vamos enfrentar e superar essa turbulência
e sairemos fortalecidos dela com apoio internacional e reconhecimento da nossa
capacidade do Brasil e brasileiros de responder aos desafios do momento presente.
Obrigado a todos pela atenção.
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