Pronunciamentos

05/10/98

Discurso do ministro Pedro Malan na 58º reunião do Comitê de Desenvolvimento

Banco Mundial e BID decidem ajudar Brasil

Reagindo à crise asiática

A crise financeira do Leste da Ásia vem se revelando mais intensa do que se imaginava. O impacto na região tem sido devastador em termos de perdas de produção, eliminação de empregos, declínio dos salários reais, insolvência generalizado do setor privado e deterioração das condições sociais.

As ramificações globais

As ramificações globais e os subsequentes tremores da crise ainda se fazem sentir. Estimativas de comércio e produção mundiais continuam a ser rebaixadas, afetando, por igual, países industrializados e em desenvolvimento. Os países em desenvolvimento mais integrados financeiramente estão sendo penalizados por uma convulsão financeira sem precedentes e fora do seu controle, enfrentando spreads extremamente altos para os seus títulos e alterações de comportamento do mercado que não estão diretamente relacionadas a quaisquer mudanças nas suas próprias condições internas. Países em desenvolvimento dependentes de commodities, especialmente os do contente africano, foram duramente atingidos pelo declínio do preço dos produtos primários e por condições desfavoráveis de comércio.

Desejo reconhecer a pronta ação, o alto volume de recursos financeiros comprometidos e a abrangência e qualidade técnica do programa que o Grupo Banco Mundial preparou em resposta à crise do Leste asiático.

Sem embargo, não me posso furtar a observação de que a efetividade dos esforços empreendidos pela comunidade internacional tem-se mostrado decepcionante, em termos de uma rápida recuperação do crescimento econômico e da prevenção do contágio.

Tal reconhecimento requer que todos os atores analisem cuidadosamente e reexaminem o que vinham fazendo. Muitos países em desenvolvimento vêm seguindo, há quase uma década já, uma bem sucedida trilha de gerenciamento

Macroeconômico saudável e de reforma estrutural. Está claro, contudo, que precisam fazer mais. As economias emergentes deveriam aumentar seus esforços para aprimorar suas posições fiscais, fortalecer seus setores financeiros, aumentar sua competitividade e melhorar sem ambiente doméstico, a fim de restaurar a confiança do investidor e reabrir os fluxos de capital privado para os seus países. Já indicaram que rejeitam soluções unilaterais, tais como a depreciação defensiva da moeda, controles de saída de capitais e interrupção dos pagamentos da dívida. Os países latino-americanos tiveram uma experiência traumática, nos anos 80, de quão traumática são tais soluções unilaterais no médio e longo prazos, estando determinados e confiantes de que o continente não será empurrado para essa posição novamente.

Entretanto, também é extremamente importante que os países desenvolvidos reconheçam todos os problemas criados, num mundo globalmente integrado, pela ausência de uma fonte internacional de empréstimos de último recurso. A integração global fez com que os problemas de informação assimétrica, que há muito caracterizam os mercados financeiros, se tornassem muito mais vastos, especialmente para os atores mais recentes. A provisão de fundos internacionais para a prevenção de crises deveras levanta a possibilidade de problemas de risco moral. Todavia, a ausência de tais fundos igualmente levanta a possibilidade de que países de bom desempenho sejam indevidamente penalizados por um processo de seleção adversa, como ao que estamos assistindo atualmente. A comunidade internacional deve ter a capacidade para alcançar um equilíbrio entre estas duas considerações.

A previdência demonstrada por muitas das principais nações evitou que a atual crise deflagrasse uma deterioração do diálogo internacional e evoluísse para uma recessão mundial. Isto precisa continuar. Encorajam-nos sobremaneira as recentes declarações do Presidente Clinton e outros líderes mundiais. Aguardamos com grande interesse o desenvolver das idéias do Presidente Clinton a respeito de "um novo mecanismo, ancorado no FMI, para proporcionar financiamentos de contingência com vistas a ajudar os países a proteger-se contra o contágio financeiro."

É importante também que se fortaleçam a cooperação e a coordenação de reguladores e supervisores nacionais dos mercados financeiros a fim impedir que práticas prejudiciais ao funcionamento regular dos mercados, tais com a venda altamente especulativa e a curto prazo de títulos, bem como o adiamento de acertos já acordados, que vêm caracterizando ultimamente o comportamento de alguns operadores de fundos hedge e de derivados.

A agenda do desenvolvimento é desafiadora e resta muito trabalho a realizar a fim de mitigar as consequências da crise, de modo que ninguém deve subestimar a magnitude da tarefa que nos confronta.

Colaboração Banco-Fundo

A fim de melhor assistir seus países membros a alcançar crescimento e desenvolvimento sustentável, que é o propósito precípuo do Banco e do Fundo, faz-se necessária uma estreita colaboração entre as duas instituições. É de especial importância a implementação coordenada de seus mandatos, principalmente se levarmos em conta a crescente complexidade da economia global.

As áreas de responsabilidade primordial de cada instituição, como delineadas na Concordata de 1989 ainda prevalecem, mas persiste uma sobreposição de algumas delas. Além desta sobreposição, os governos membros, bem como o Fundo e o Banco, estão ambos preocupados com a estabilidade e o crescimento. A busca do crescimento não deveria solapar a estabilidade, porém, tampouco, deve a busca da estabilidade estorvar as perspectivas do desenvolvimento a longo prazo. A interação destes dois objetivos depende da situação específica de cada pais. Tais problemas deveriam se tratados pelo fortalecimento da colaboração entre o Banco e o Fundo.

Outra questão que merece alta consideração é a necessidade de salvaguardar a confidencialidade das informações dos países membros. Devido à sensibilidade do mercado às informações tanto do Banco como do Fundo, há a necessidade de estabelecer procedimentos confiáveis para lidar com dados confidenciais.

Apoiamos as providências que se estão tomando para aprimorar a colaboração entre as duas instituições, porém recomendamos, vigorosamente, que se evite a condicionalidade cruzada.

Dinâmica de Receita do Banco Mundial

A força financeira do Banco para cumprir seu mandato de desenvolvimento e manutenção de sua integridade financeira são da mais alta importância e constituem uma responsabilidade coletiva de todos os acionistas.

Tomaram-se difíceis decisões referentes às dotações de receita líquida do Ano Fiscal 98 e à política de preços do Banco. Grande parcela dessa dificuldade resultou da percepção dos tomadores quanto a uma inadequada partilha do ônus entre os acionistas.

Pese tais decisões sobre preços, persiste o problema da inadequada base de capital do Banco, e gostaríamos de convocar todos os acionistas a que considerem um aumento geral do capital, capaz de permitir ao Banco continuar a expandir sua capacidade de empréstimo, embora preservando uma prudente tolerância de risco,

Outrossim, gostaríamos de continuar os debates sobre duas questões que emergiram durante estas discussões: (i) a criação de novos instrumentos de empréstimo que combinem um tempo menor de processamento, preço mais elevado, maior confiança no desempenho prévio dos potenciais tomadores, bem como menos condicionalidades, a serem oferecidos de maneira seletiva a tomadores habilitados, conforme critérios pré-estabelecidos; e (ii) a mobilização de um fundo fiduciário contribuído pelos países industrializados, a fim de ampliar o financiamento de atividades atualmente financiadas através da receita líquida do Banco.

Lidando com os Problemas dos Países Pobres Altamente Endividados

Reconhecemos o continuado progresso na implementação da Iniciativa HIPC (Heavily Indebted Poor Countries). Embora apoiemos a extensão da cláusula Sunset da HIPC, de fins de setembro de 1998 até o fim do ano 2000, a Iniciativa não pode ser vista como característica permanente do sistema. Ademais, conclamamos vigorosamente os países a tratar de sua eligibilidade junto à Iniciativa HIPC. Isto exigirá vontade e compromisso políticos no sentido de adotar medidas estruturais e sustentá-las. A Iniciativa HIPC deveria ser responsabilidade tanto dos países credores quanto receptores de modo a tornar a iniciativa um esforço cada vez mais bem sucedido.

 

 Pesquisa no sítio:

Serviços

 Carta de Serviços
 Cidadão
 Empresa
 Aduana
 Consulta Processo
 Custo Efetivo Total

Temas de Interesse

 Resultado do Tesouro
 Dívida Pública
 Responsabilidade Fiscal
 Invista no Tesouro Direto

 Concorrência

 Exportações
 Governo
 PNAFM

Invista no Tesouro Direto!





E-CAC: Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte.
Resenha Eletrônica

 

Ministério da Fazenda Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 70048-900 - Brasília - DF - Pabx: (61)412-2000/3000 - Fax: (061)226-9084