Pronunciamentos

24/09/98

Presidente manda acelerar a programação fiscal 99/2001

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, informou que recebeu instruções do Presidente Fernando Henrique Cardoso para acelerar os trabalhos de preparação da programação fiscal para o triênio 1999/2001.

Falando à TV Record, o ministro disse que pretende apresentar esta programação antes da data originalmente determinada, que era 15 de novembro.

Leia abaixo a íntegra da entrevista à TV Record.

Sem Revisão do Autor

Record – Boa noite ministro, o senhor ouviu Lula afirmando na reportagem que fizemos no Rio Grande do Sul que o Brasil já fechou, ele acredita que o Brasil já fechou um acordo com o FMI, isso é verdade?

Ministro – Olha, cada um é livre para especular o que bem entender. O Presidente Fernando Henrique deixou claro e determinou que a equipe econômica, e não foi agora no discurso de ontem, na Medida Provisória de 08 de setembro, que nós elaborássemos um programa fiscal para o triênio 99/2000 e 2001 e é o que estamos fazendo. Ontem ele nos pediu que acelerássemos os trabalhos, é um programa nosso, é um programa brasileiro, que será apresentado à sociedade brasileira. É o que eu tenho a dizer à respeito.

Record – Ministro, haverá recessão com as medidas que o governo está preparando?

Ministro – Olha, Boris, seguramente nós teremos, devido à crise internacional e à necessidade de nossa resposta a ela, uma taxa de crescimento inferior àquela que estávamos prevendo antes que a crise internacional assumisse as proporções que vêm assumindo e não é restrito a países chamados emergentes. Você vê que o Japão é a segunda maior economia do mundo e está em recessão há três trimestres, cresceu apenas 1% nos últimos anos, tem problemas não resolvidos no seu sistema financeiro, há dúvidas e incertezas no mundo de hoje que se tornou seguramente menos favorável, mas nós temos capacidade de responder, vamos fazê-lo e o Brasil haverá de superar essas turbulências, como já fizemos no passado.

Record – Ministro, as pessoas gostariam de saber, eu sei que o senhor não tem bola de cristal, essa tempestade demora muito na sua opinião?

Ministro – Olha, eu acho que vai depender em grande medida de algo para o qual o Presidente Fernando Henrique Cardoso vem chamando a atenção desde 1995, na crise do México, de uma ação mais coordenada dos principais países do mundo e dos principais países em desenvolvimento, e nós não pedimos desculpas a ninguém por considerar o Brasil um dos principais países em desenvolvimento do mundo que esteve, está e estará participando de qualquer discussão neste contexto, como agora, nas próximas duas semanas em Washington, na reunião do G7 ampliado com cerca de 12 a 15 países em desenvolvimento dentre os quais, obviamente, o Brasil.

Record – Ministro, e o aumento que o Presidente Fernando Henrique disse possível, até admite que ele possa acontecer, nós conversamos ontem por telefone e eu dizia para o senhor que eu achava injusto que a sociedade arcasse, e disse isso agora em um comentário, com a leniência do Estado, às vezes até por incompetência, isso não é questão desse governo, esse déficit vem há muito tempo e penalizasse a população com aumento de impostos. Ministro, como é essa história de aumento de impostos?

Ministro – Olha, eu acho que você tem toda razão, o que nós temos dito e que o Presidente Fernando Henrique reafirmou, ontem, no seu importante discurso foi o seguinte: o governo, os governos têm que viver dentro dos limites dos recursos disponíveis que são aqueles que a própria sociedade nos entrega através de impostos, portanto, nós vamos sim, disse o Presidente com clareza , estamos mostrando isso nas ações da Comissão de Controle e Gestão Fiscal, nós vamos cortar gastos do governo. Além disso, tão importante quanto a quantidade, o volume dos gastos do governo, é a qualidade do gasto do governo, a eficiência no uso de recursos públicos e um combate, que você vem chamando a atenção corretamente, à corrupção, à fraude, ao desperdício. Isso é uma questão de respeito para com a sociedade que paga impostos ao governo: ter gastos eficientemente conduzidos pelos governos nos três níveis. Além disso, o Presidente deixou claro que quando falou de aumento de arrecadação seria sobretudo aumento da eficiência da máquina arrecadadora, vale dizer: combate à sonegação, ampliação do universo de contribuintes e cobrança da dívida da união e quarto e último, não menos importante, o trabalho que estamos fazendo junto ao Presidente do Senado, ao Presidente da Câmara dos Deputados e às principais lideranças dos partidos que apoiam o governo no sentido de acelerar o processo de votação das reformas estruturais que se encontram no Congresso, da Previdência, da regulamentação da administração pública, a Reforma Fiscal que nós pretendemos apresentar ainda este ano da legislação trabalhista. Precisamos, e concluo aqui com mensagem básica do Presidente. Essa não é uma tarefa de governo e de governos apenas, vale dizer que a sociedade, a sociedade que paga impostos e que tem toda razão de exigir do governo quantidade e qualidade dos serviços que recebem, e que são a contrapartida dos impostos que entregam ao governo.

Record – Ministro, o senhor não acredita que haja resistências de caráter político, na área dos municípios e de governadores, inclusive no Congresso Nacional, para implantação de um programa com essa austeridade?

Ministro – Olha, isso eu acho uma exigência do momento presente. Nós vivemos neste país nos iludindo durante décadas e utilizando a inflação como mecanismo de fingir que nós estamos equacionando o problema das contas públicas, nós tínhamos um grande desequilíbrio que não aparecia como tal porque a inflação crônica, alta, crescente, aquela vergonha que nós tínhamos, para usar sua expressão, na verdade ruía, em termos reais, os gastos nominais do governo. Então, parecia que o problema estava sendo resolvido, quando, na verdade, nós estávamos fingindo que estávamos resolvendo e mandando a conta para os mais pobres através do imposto inflacionário. Quando a inflação acabou, a natureza do desafio a enfrentar aparece claramente e ele significa, como bem disse o Presidente Fernando Henrique Cardoso, fazer com que os governos tenham que viver dentro dos recursos disponíveis que são aqueles que a sociedade está disposta a lhes entregar sob a forma de impostos. Este é o grande desafio que nós temos e que só é possível encará-lo de frente agora com o fim da inflação.

Record – Ministro, muito obrigado por sua presença no Jornal da Record, dando uma satisfação à população e ao contribuinte sobre a posição do governo com relação à crise que o país e o mundo estão passando. Boa noite e obrigado mais uma vez.

Ministro – Muito obrigado à você e a todos telespectadores. – Muito obrigado à você e a todos telespectadores.

 

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