Pronunciamentos

27/08/98

Crise mundial não pega Brasil desprevenido

Comentando a crise internacional, o Ministro da Fazenda, Pedro Malan, concedeu à agência de notícia Investnews a seguinte entrevista:

Sem revisão do autor

Pergunta - As bolsas hoje voltaram a cair, a Bovespa já tem uma queda de 7,5%, as bolsas da Rússia voltaram a cair, ...

Ministro - Se vocês forem analisar, hoje caíram as bolsas da Europa, Milão, Paris, Frankfurt. O Dow-Jones até pouco tempo atrás estava com uma queda de 240 pontos, que é uma queda expressiva, metade da maior queda da história desde os 550 pontos em vinte e sete de outubro do ano passado. O importante é entender que essa crise, essa turbulência de que nós estamos falando não é algo restrito à Rússia ou aos países emergentes. Nós estamos lidando com uma turbulência de dimensão mais ampla. Só para a gente situar isso no contexto, porque tem pessoas que consideram que o problema é Rússia e Brasil. Nós estamos lidando com um fenômeno mais abrangente. - Se vocês forem analisar, hoje caíram as bolsas da Europa, Milão, Paris, Frankfurt. O Dow-Jones até pouco tempo atrás estava com uma queda de 240 pontos, que é uma queda expressiva, metade da maior queda da história desde os 550 pontos em vinte e sete de outubro do ano passado. O importante é entender que essa crise, essa turbulência de que nós estamos falando não é algo restrito à Rússia ou aos países emergentes. Nós estamos lidando com uma turbulência de dimensão mais ampla. Só para a gente situar isso no contexto, porque tem pessoas que consideram que o problema é Rússia e Brasil. Nós estamos lidando com um fenômeno mais abrangente.

Pergunta - Diante dessa preocupação mundial, tem a reunião da semana que vem com o FMI, que parece que o senhor recebeu o convite para participar. O que o senhor espera dessa reunião? O senhor vai a essa reunião?

Ministro - Olha, isso chegou realmente um convite-consulta do Fundo dirigida aos principais países da América Latina, principais em relação a peso de transações no mercado internacional; em termos de o que o ministro acharia de uma conversa na semana que vem para trocar idéias, sobre a situação internacional. Eu acho uma coisa útil comparecer sim. - Olha, isso chegou realmente um convite-consulta do Fundo dirigida aos principais países da América Latina, principais em relação a peso de transações no mercado internacional; em termos de o que o ministro acharia de uma conversa na semana que vem para trocar idéias, sobre a situação internacional. Eu acho uma coisa útil comparecer sim.

Pergunta - O senhor pretende apresentar para o FMI medidas recentemente adotadas no âmbito do Banco Central, até para poder mostrar para o mercado internacional que o Brasil adotou essas medidas, que está consolidado, que não vai sofrer nenhum tipo de influência, mas que está mais firme. Se for preciso vocês vão tomar novas medidas? Vocês pretendem mostrar isso também lá?

Ministro - Olha, nós vivemos num mundo em tempo real. O que nós fazemos aqui está imediatamente nas telinhas de todo o mundo, inclusive o do Fundo. Então não vamos chegar lá e contar o que nós fizemos, porque eles já sabem. Eu acho que a nossa participação numa reunião como essa é, em primeiro lugar, expressar confiança na nossa capacidade de enfrentar essas turbulências. Nós demonstramos uma vez no passado, estamos seguros de que temos condições de demonstrá-lo mais uma vez, se necessário for, espero que não seja. E a razão é a seguinte: nós olhamos essa questão, em primeiro lugar, como uma questão que é global. Não há nada nessa turbulência que tem algo a ver com a situação específica da economia brasileira ou com percepções de que nós conferimos algum peso de analistas e investidores sobre a situação específica do Brasil. Nós estamos vivendo uma questão mais ampla e temos total confiança na capacidade que o país tem de superar essa turbulência, a qual não estamos imunes. Porque nenhum país está imune. - Olha, nós vivemos num mundo em tempo real. O que nós fazemos aqui está imediatamente nas telinhas de todo o mundo, inclusive o do Fundo. Então não vamos chegar lá e contar o que nós fizemos, porque eles já sabem. Eu acho que a nossa participação numa reunião como essa é, em primeiro lugar, expressar confiança na nossa capacidade de enfrentar essas turbulências. Nós demonstramos uma vez no passado, estamos seguros de que temos condições de demonstrá-lo mais uma vez, se necessário for, espero que não seja. E a razão é a seguinte: nós olhamos essa questão, em primeiro lugar, como uma questão que é global. Não há nada nessa turbulência que tem algo a ver com a situação específica da economia brasileira ou com percepções de que nós conferimos algum peso de analistas e investidores sobre a situação específica do Brasil. Nós estamos vivendo uma questão mais ampla e temos total confiança na capacidade que o país tem de superar essa turbulência, a qual não estamos imunes. Porque nenhum país está imune.

Pergunta - De que forma, Ministro?

Ministro - A forma é com a continuidade do esforço no qual nós estamos empenhados há alguns anos. Basicamente, nosso esforço de reestruturação produtiva, que vem tendo lugar. Tem aumentado a produtividade média da economia brasileira, tanto na produção exportável quanto na produção doméstica, eficientemente competitiva com importações. Isso é básico: essa transformação estrutural e aumento de produtividade, que é a base do crescimento futuro. Vem tendo lugar há alguns anos e continuará tendo lugar. Eu acho que a continuidade do processo de privatização, o sinal que nós demos com a venda da Telebrás e com a continuidade das privatizações agora no setor elétrico, no setor bancário, vem agora as privatizações do Bemge, do Bandepe, do Banespa, programa que vem sendo implementado e continuará sendo implementado, porque ele é do interesse do país; não vejo razão para que ele seja interrompido por conta dessas situações. Muito pelo contrário, trata-se de reafirmar o nosso compromisso de continuar caminhando nessa direção. O ajuste fiscal vem tendo lugar. É importante olhar essa questão não do ponto de vista muito do curto prazo, ou seja, a estatística do mês, do mês anterior, mas olhar meses e anos à frente, e entender os componentes do déficit público brasileiro. Vocês conhecem o meu discurso. É preciso, para fazer uma análise séria, responsável, portanto, relevante do problema do déficit fiscal no Brasil, é preciso olhar o que nós fizemos, estamos fazendo e estamos nos propondo a fazer nas suas cinco dimensões relevantes. Que são as cinco? Empresas públicas, três níveis de governo, a continuidade do que já estamos fazendo há alguns anos, continuidade do processo de privatização. Não tenham dúvida. Na medida que tenham continuidade vai reduzir ao longo do tempo, entendido corretamente não como o próximo dia nem a próxima semana, ou o próximo mês, a redução da contribuição do conjunto das empresas públicas para o déficit fiscal consolidado. Acho que a direção está muito claramente definida. Qual é a segunda dimensão? É estados e municípios. Aí nós, depois de dois anos de negociação, assinamos contratos com estados e não com governadores, portanto ele compromete os futuros governadores também. O programa de ajuste fiscal se desdobra em vários anos à frente e com o qual nós temos contratos e obrigações mútuas com 24 dos 27 estados brasileiros. Só ficaram de fora o Amapá, Tocantins, e com o governo do Distrito Federal nós não temos um contrato como os outros, mas nós temos um protocolo que tem que ser cumprido. Portanto, de fora só tem o Amapá e o Tocantins. Então, eu digo assim, com tranqüila e serena confiança, que nós ao longo do tempo - de novo, não nos próximos 15 dias, nas próximas semanas, nos próximos três meses, mas nos próximos meses e anos -, nós vamos reduzir a contribuição do conjunto dos estados e municípios para o déficit público consolidado. A terceira que é o Executivo Federal, o Tesouro Nacional, que vem mostrando superávits primários em 1998. A quarta dimensão - é aqui que residem os grandes desafios, olhando para frente - é a previdência social. E aqui não depende de uma decisão isolada do Presidente da República ou do ministro da Fazenda, não. Isso é uma discussão que remete à continuidade e esforço de reforma estrutural de mudança constitucional. Essa é que é a grande incógnita quando se olha o problema fiscal brasileiro a médio prazo, que é como essas coisas devem ser olhadas. Esses quatro componentes, empresas públicas, estados e municípios, Tesouro Nacional e Previdência, eu reforcei porque são importantes para o resultado primário. E, se me permite fazer uma observação que eu faço com freqüência, as nossas estatísticas são apresentadas de uma maneira que poucos outros países do mundo apresentam. A maioria das estatísticas do resto do mundo dizem respeito só ao governo central - executivo federal e previdência. Nós colocamos além disso as contribuições para o déficit dos 27 estados e 5.520 municípios e mais todas as empresas públicas nos três níveis de governo. Há muitos países do mundo em que empresas públicas estão fora do déficit, as estatísticas estão apresentadas fora. E há muitos países organizados como o nosso sob a forma de república federativa em que as contas dessas unidades da federação não estão na estatística que é apresentada para análise internacional. - A forma é com a continuidade do esforço no qual nós estamos empenhados há alguns anos. Basicamente, nosso esforço de reestruturação produtiva, que vem tendo lugar. Tem aumentado a produtividade média da economia brasileira, tanto na produção exportável quanto na produção doméstica, eficientemente competitiva com importações. Isso é básico: essa transformação estrutural e aumento de produtividade, que é a base do crescimento futuro. Vem tendo lugar há alguns anos e continuará tendo lugar. Eu acho que a continuidade do processo de privatização, o sinal que nós demos com a venda da Telebrás e com a continuidade das privatizações agora no setor elétrico, no setor bancário, vem agora as privatizações do Bemge, do Bandepe, do Banespa, programa que vem sendo implementado e continuará sendo implementado, porque ele é do interesse do país; não vejo razão para que ele seja interrompido por conta dessas situações. Muito pelo contrário, trata-se de reafirmar o nosso compromisso de continuar caminhando nessa direção. O ajuste fiscal vem tendo lugar. É importante olhar essa questão não do ponto de vista muito do curto prazo, ou seja, a estatística do mês, do mês anterior, mas olhar meses e anos à frente, e entender os componentes do déficit público brasileiro. Vocês conhecem o meu discurso. É preciso, para fazer uma análise séria, responsável, portanto, relevante do problema do déficit fiscal no Brasil, é preciso olhar o que nós fizemos, estamos fazendo e estamos nos propondo a fazer nas suas cinco dimensões relevantes. Que são as cinco? Empresas públicas, três níveis de governo, a continuidade do que já estamos fazendo há alguns anos, continuidade do processo de privatização. Não tenham dúvida. Na medida que tenham continuidade vai reduzir ao longo do tempo, entendido corretamente não como o próximo dia nem a próxima semana, ou o próximo mês, a redução da contribuição do conjunto das empresas públicas para o déficit fiscal consolidado. Acho que a direção está muito claramente definida. Qual é a segunda dimensão? É estados e municípios. Aí nós, depois de dois anos de negociação, assinamos contratos com estados e não com governadores, portanto ele compromete os futuros governadores também. O programa de ajuste fiscal se desdobra em vários anos à frente e com o qual nós temos contratos e obrigações mútuas com 24 dos 27 estados brasileiros. Só ficaram de fora o Amapá, Tocantins, e com o governo do Distrito Federal nós não temos um contrato como os outros, mas nós temos um protocolo que tem que ser cumprido. Portanto, de fora só tem o Amapá e o Tocantins. Então, eu digo assim, com tranqüila e serena confiança, que nós ao longo do tempo - de novo, não nos próximos 15 dias, nas próximas semanas, nos próximos três meses, mas nos próximos meses e anos -, nós vamos reduzir a contribuição do conjunto dos estados e municípios para o déficit público consolidado. A terceira que é o Executivo Federal, o Tesouro Nacional, que vem mostrando superávits primários em 1998. A quarta dimensão - é aqui que residem os grandes desafios, olhando para frente - é a previdência social. E aqui não depende de uma decisão isolada do Presidente da República ou do ministro da Fazenda, não. Isso é uma discussão que remete à continuidade e esforço de reforma estrutural de mudança constitucional. Essa é que é a grande incógnita quando se olha o problema fiscal brasileiro a médio prazo, que é como essas coisas devem ser olhadas. Esses quatro componentes, empresas públicas, estados e municípios, Tesouro Nacional e Previdência, eu reforcei porque são importantes para o resultado primário. E, se me permite fazer uma observação que eu faço com freqüência, as nossas estatísticas são apresentadas de uma maneira que poucos outros países do mundo apresentam. A maioria das estatísticas do resto do mundo dizem respeito só ao governo central - executivo federal e previdência. Nós colocamos além disso as contribuições para o déficit dos 27 estados e 5.520 municípios e mais todas as empresas públicas nos três níveis de governo. Há muitos países do mundo em que empresas públicas estão fora do déficit, as estatísticas estão apresentadas fora. E há muitos países organizados como o nosso sob a forma de república federativa em que as contas dessas unidades da federação não estão na estatística que é apresentada para análise internacional.

Portanto, a comparabilidade internacional é absolutamente fundamental para isso. Eu vejo com freqüência as nossas estatísticas, que incluem tudo isso mais a quinta dimensão global, que é o componente nominal de juros, contribuição do déficit total consolidado nominal, às vezes são comparadas com as estatísticas de outros países que não estão refletindo a mesma coisa. Por exemplo, o déficit da Rússia é um déficit federal. Você tem várias, chama-se Russian Federation, tem várias entidades federativas que as informações não estão agregadas a esse número que aparece, ao qual nós somos muitas vezes comparados equivocadamente. Eu deixei para o final o componente de juros nominais, porque aqui está havendo um problema de interpretação. Eu acho que nós divulgamos informações que permitem a qualquer analista calcular aquilo que lhe pareça mais apropriado. Nós temos dito que nós achamos que o relevante é o déficit acumulado do ano. É assim que nós sempre apresentamos as estatísticas do Tesouro Nacional. O resultado mensal do Tesouro é o acumulado do ano; as estatísticas do governo central também é o acumulado do ano. É assim que todos os países do mundo apresentam o seu resultado, porque é um problema orçamentário. Na maioria dos países, o ano fiscal é igual ao ano calendário. Agora, eu admito que alguém ache que o déficit relevante é o acumulado nos últimos doze meses terminados no mês corrente; outros podem achar que é o acumulado nos últimos 18, 24 ou 36 meses. E cada analista faça o que lhe pareça apropriado, desde que diga exatamente qual é a estatística que está usando. Eu digo que esse componente nominal dos juros, juros nominais para o déficit fiscal consolidado vai cair. Vai cair não porque os juros terão no futuro a continuidade e a trajetória de queda, como eu espero que tenhamos, mas pelo que eles já caíram. Os juros, como você sabe, chegaram lá aos 43,4%, quando nós o elevamos em 30 de outubro do ano passado, e vem desde novembro declinando: 41, 38, 34,5%. Então, quando nós olhamos as estatísticas dos doze meses terminados no mês que nós estamos, nós estamos observando aí o efeito do carry over estatístico do passado, com o aumento das taxas de juros do passado. Como se nós estivéssemos analisando uma situação fiscal, que deve ser feita olhando para frente, olhando pelo espelho retrovisor. Esses números estão capturando os 43,4, os 38, do ano passado. Quando chegar outubro desse ano, esses juros vão ser substituídos pelos juros que já declinaram. Portanto, vai cair o componente nominal dos juros nominais do déficit fiscal total consolidado do Brasil. Não é nem que vão cair, é que já caíram. É uma questão de carry over estatístico que está aí, que alguém está olhando e projetando para o futuro de uma maneira, ao meu ver, indevida. Dito isto, não é segredo para ninguém, nós dissemos isso desde junho de 1993, que este é um grande desafio que nós temos para consolidar o processo de estabilização com crescimento e com menor injustiça social no Brasil, que é essa modernização do Estado, aumento da sua eficiência operacional na área social e regulatória, a redução do déficit fiscal total consolidado, que envolve o trabalho nessas várias dimensões. Não adianta ficar repetindo dado agregado sem saber o que ele está medindo. Para reduzi-lo ao longo do tempo nós temos que trabalhar na continuidade das privatizações, na implementação do acordo com os estados, no trabalho aqui do Executivo federal, na mudança da previdência, na trajetória declinante das taxas de juros. E precisamos ter um horizonte de tempo que não seja um horizonte de tempo excessivamente de curto prazo. Porque a razão pela qual eu tenho dito que não haverá um pacote fiscal nem antes, nem depois das eleições por duas razões. Primeiro porque não acreditamos em pacotes. Segundo porque não tem mágicas nestas questões, nem um conjunto de medidas que o governo adote num dia e, a partir do dia seguinte, o problema fiscal brasileiro esteja equacionado em caráter definitivo e duradouro. Essas coisas precisam de persistência, de continuidade, de um sentido de rumo, de direção e de propósito e uma clara visão da meta a ser alcançada, que é um déficit bastante menor do que nós temos e a busca de uma estabilização da relação entre dívida total do setor público e PIB. Esse é o nosso objetivo. Agora, para alcançá-lo nós precisamos de mais dois ou três anos. É o horizonte de tempo em que essas várias medidas estruturais vão se desdobrando.

Pergunta - Só interrompendo, já que o senhor falou nesse horizonte de tempo de dois ou três anos, a análise de vários economistas e analistas é de que o Plano Real também não teria mais sustentação se a questão do déficit não for resolvida em dois anos. Esse horizonte estaria dentro dessa previsão?

Ministro - Eu acho que nós temos que mostrar claramente, de maneira crível, a nossa capacidade, e eu tenho total confiança de que temos condições de fazê-lo, que nós temos condições de ter o déficit numa trajetória declinante ao longo dos próximos anos. E é isso que importa. Aquela idéia de que precisa estar abaixo de x% até o dia sete do mês tal, não é assim. Eu acho que estamos caminhando na direção correta quando se analisa o que foi feito, o que está sendo feito e o nosso compromisso com a continuidade desse esforço. - Eu acho que nós temos que mostrar claramente, de maneira crível, a nossa capacidade, e eu tenho total confiança de que temos condições de fazê-lo, que nós temos condições de ter o déficit numa trajetória declinante ao longo dos próximos anos. E é isso que importa. Aquela idéia de que precisa estar abaixo de x% até o dia sete do mês tal, não é assim. Eu acho que estamos caminhando na direção correta quando se analisa o que foi feito, o que está sendo feito e o nosso compromisso com a continuidade desse esforço.

Pergunta - Alguns analistas estão dizendo que essa combinação de déficit público de 7% e déficit em transações correntes de quase 4% tornaria o Brasil, então, mais suscetível a um ataque especulativo. A gente sabe que o senhor sempre descarta a possibilidade de o Brasil sofrer um ataque especulativo, mas eu queria que o senhor fizesse um comentário diante desse cenário internacional que tem se agravado nos últimos dias. Realmente o Brasil está livre de um ataque especulativo na sua moeda, as reservas internacionais que nós temos são suficientes para poder abastecer o nosso mercado, não deixar ter fuga de capital, como o senhor avalia isso?

Ministro - Não há nenhuma razão para que nós tenhamos um ataque especulativo contra o Real. Eu acho que são simplórias essas análises que acham que esses percentuais, seja do déficit público, seja do déficit em conta corrente, que uma vez atingido de uma maneira mecânica e automática imediatamente levaria a um ataque. Se fosse assim você não teria tido um ataque contra a Tailândia, a Indonésia, ou Coréia, que eram países que não tinham déficit público expressivos. E teria já um ataque contra países como Grécia, por exemplo, que tem um déficit público há dez anos na faixa dos dez ou 15% do PIB. Já deveria, por esse conceito simplório, ter sido objeto de análise. Vários países tiveram déficit em torno de 10% do PIB durante anos, desenvolvidos e em desenvolvimento, e não foram objeto de ataques especulativos por conta disso. Porque as pessoas foram capazes de fazer uma análise mais complexa. O mesmo se aplica ao déficit em conta corrente. O nosso chegou a quase 4,2% no ano passado. Vocês viram a estatística que nós divulgamos ontem, não sei se já leram, ela está na Internet, atualmente está em 3,6% e com uma coisa importante: 61% do nosso déficit em conta corrente esse ano é financiado por investimento direto estrangeiro. Foram US$ 19,3 bilhões nos doze meses terminados em 31 de julho de 1998 e US$ 11,1 bilhões nos sete meses acumulados no ano. Isso aqui financiou mais de 60% do déficit em conta corrente. Investimento direto não é capital volátil, não é capital de curto prazo, não é capital que veio para ficar por causa do diferencial da taxa de juros. São apostas no futuro do Brasil, olhando anos à frente, já no século 21. Se você for olhar o déficit em conta corrente, o do Brasil, este ano, na América Latina, é um dos baixos que tem entre os países americanos. Você olha as estatísticas em geral, eu não gosto de mencionar outros países, mas que vocês verão que nós temos países na América Latina que têm déficit de 6, 7, 4, 4,5%. O nosso ficará abaixo de quatro este ano. Quer dizer, é uma análise simplória essa de que o percentual determina o ataque. O mundo é mais complexo e as pessoas não são tão simplórias assim quando estão analisando essa questão. Não há nenhuma razão para que nós tenhamos um ataque especulativo contra o Real. Eu acho que são simplórias essas análises que acham que esses percentuais, seja do déficit público, seja do déficit em conta corrente, que uma vez atingido de uma maneira mecânica e automática imediatamente levaria a um ataque. Se fosse assim você não teria tido um ataque contra a Tailândia, a Indonésia, ou Coréia, que eram países que não tinham déficit público expressivos. E teria já um ataque contra países como Grécia, por exemplo, que tem um déficit público há dez anos na faixa dos dez ou 15% do PIB. Já deveria, por esse conceito simplório, ter sido objeto de análise. Vários países tiveram déficit em torno de 10% do PIB durante anos, desenvolvidos e em desenvolvimento, e não foram objeto de ataques especulativos por conta disso. Porque as pessoas foram capazes de fazer uma análise mais complexa. O mesmo se aplica ao déficit em conta corrente. O nosso chegou a quase 4,2% no ano passado. Vocês viram a estatística que nós divulgamos ontem, não sei se já leram, ela está na Internet, atualmente está em 3,6% e com uma coisa importante: 61% do nosso déficit em conta corrente esse ano é financiado por investimento direto estrangeiro. Foram US$ 19,3 bilhões nos doze meses terminados em 31 de julho de 1998 e US$ 11,1 bilhões nos sete meses acumulados no ano. Isso aqui financiou mais de 60% do déficit em conta corrente. Investimento direto não é capital volátil, não é capital de curto prazo, não é capital que veio para ficar por causa do diferencial da taxa de juros. São apostas no futuro do Brasil, olhando anos à frente, já no século 21. Se você for olhar o déficit em conta corrente, o do Brasil, este ano, na América Latina, é um dos baixos que tem entre os países americanos. Você olha as estatísticas em geral, eu não gosto de mencionar outros países, mas que vocês verão que nós temos países na América Latina que têm déficit de 6, 7, 4, 4,5%. O nosso ficará abaixo de quatro este ano. Quer dizer, é uma análise simplória essa de que o percentual determina o ataque. O mundo é mais complexo e as pessoas não são tão simplórias assim quando estão analisando essa questão.

Pergunta - Sobre as declarações do economista do Deustch Bank falando que o Brasil poderia dar um calote na dívida, como fez a Rússia, etc, foram interpretadas por alguns analistas como uma tentativa de o Deustch Bank tentar repartir o prejuízo deles com títulos russos. Seria razoável pensar que isso pode se repetir por parte de outros investidores? E no caso de ser, qual é o impacto disso para o Brasil? Existe algum impacto relevante ou não?

Ministro - Eu pedi para ver o teor exato do economista ligado ao Deustch Bank. Eu não gostaria de comentar com base em rumores do que ele teria dito. Eu quero ver exatamente as palavras que foram utilizadas para fazer algum comentário. Agora, se ele disse que o Brasil era um candidato a reeditar a experiência russa de, para usar a expressão que você usou, de dar um calote na dívida, se ele disse isso é de uma enorme irresponsabilidade. Principalmente de uma pessoa que não conhece o Brasil. E eu queria aproveitar a oportunidade para dizer que não existe a menor possibilidade do Brasil seguir a experiência russa a esse respeito de tomar decisões unilaterais sobre moratória ou calote de qualquer natureza. Quem diz isso é um irresponsável total.

Pergunta - Esse tipo de comentário pode trazer alguma turbulência, principalmente nos mercados dos títulos da dívida, que seja preocupante. E se começarem a vir comentários de outros investidores também preocupados em não ter um prejuízo tão grande?

Ministro - Bom, é difícil prever o que pode acontecer. O que nós estamos dizendo é que nós temos confiança na nossa capacidade de enfrentar essa turbulência e não tomaremos medidas desse tipo. Desconsideramos, não pretendemos considerá-las. Quem viveu as conseqüências da moratória de 87, que se prolongaram por anos e anos em termos de risco soberano do Brasil, sabe que esse tipo de coisa deve ser evitado. Agora, eu volto à questão que eu acho que é fundamental . Você tem razão no seguinte sentido: para aqueles que não capacidade de diferenciação, aqueles que acham que países em desenvolvimento, uma vez que você conheceu um conheceu a todos porque são todos exatamente iguais, exatamente os mesmos problemas, essa moratória russa poderá ter esse efeito. Para quem generaliza e uniformiza tudo, pode ter o efeito de fazer com que esse conjunto de países que se convencionou chamar de mercados emergentes possa ser afetado como estão dizendo no momento, à medida que se generaliza. O que eu tenho dito, em vários encontros internacionais há algum tempo, é que desde a Tailândia é um exercício absolutamente estéril esse exercício a que alguns se dedicam que, uma vez que um país experimentou uma crise que exigiu uma enorme ajuda financeira externa, como no caso da Tailândia, Indonésia e Coréia, dezenas de bilhões de dólares, existem alguns que se dedicam a esse não muito proveitoso exercício de procurar adivinhar qual é o próximo país que pode ser objeto daquela mesma situação. Eu acho que isso é absolutamente histérico, principalmente porque o tempo, a energia e o talento deveriam estar sendo dirigidos, como fazem as pessoas competentes, no aprofundamento da discussão sobre o que foi que aconteceu, o que fez com que Tailândia tivesse experimentado aquela situação. O que foi que aconteceu com Coréia, Indonésia, porque havia um efeito contágio na região. Da mesma maneira na Rússia agora. Qualquer pessoa que tiver se dado ao trabalho de acompanhar eventos na Rússia, desde a queda do Rublo, saberia que há problemas sérios, muito profundos de reconstrução político-institucional de um país cujo regime entrou em colapso e ainda não foi substituído por outro adequado. É um problema de reconstrução político-institucional, eles têm problemas sérios de coleta de impostos, a carga tributária proposta é de 10% do PIB. Uma pessoa que é capaz de dizer que aconteceu na Rússia e portanto nós aqui no Brasil estamos fadados a repetir a mesma experiência, porque somos exatamente iguais, isso é próprio de uma pessoa que não conhece o que diz. Eu acho que é fundamental criar uma capacidade de aprofundar um entendimento das diferentes situações, embora todos estejamos sujeitos ao mesmo contexto internacional, portanto nenhum país é imune a essas turbulências, mas existem diferenças que deveriam estar sendo melhor entendidas em vez dessa simplória busca de generalizações. Bom, é difícil prever o que pode acontecer. O que nós estamos dizendo é que nós temos confiança na nossa capacidade de enfrentar essa turbulência e não tomaremos medidas desse tipo. Desconsideramos, não pretendemos considerá-las. Quem viveu as conseqüências da moratória de 87, que se prolongaram por anos e anos em termos de risco soberano do Brasil, sabe que esse tipo de coisa deve ser evitado. Agora, eu volto à questão que eu acho que é fundamental . Você tem razão no seguinte sentido: para aqueles que não capacidade de diferenciação, aqueles que acham que países em desenvolvimento, uma vez que você conheceu um conheceu a todos porque são todos exatamente iguais, exatamente os mesmos problemas, essa moratória russa poderá ter esse efeito. Para quem generaliza e uniformiza tudo, pode ter o efeito de fazer com que esse conjunto de países que se convencionou chamar de mercados emergentes possa ser afetado como estão dizendo no momento, à medida que se generaliza. O que eu tenho dito, em vários encontros internacionais há algum tempo, é que desde a Tailândia é um exercício absolutamente estéril esse exercício a que alguns se dedicam que, uma vez que um país experimentou uma crise que exigiu uma enorme ajuda financeira externa, como no caso da Tailândia, Indonésia e Coréia, dezenas de bilhões de dólares, existem alguns que se dedicam a esse não muito proveitoso exercício de procurar adivinhar qual é o próximo país que pode ser objeto daquela mesma situação. Eu acho que isso é absolutamente histérico, principalmente porque o tempo, a energia e o talento deveriam estar sendo dirigidos, como fazem as pessoas competentes, no aprofundamento da discussão sobre o que foi que aconteceu, o que fez com que Tailândia tivesse experimentado aquela situação. O que foi que aconteceu com Coréia, Indonésia, porque havia um efeito contágio na região. Da mesma maneira na Rússia agora. Qualquer pessoa que tiver se dado ao trabalho de acompanhar eventos na Rússia, desde a queda do Rublo, saberia que há problemas sérios, muito profundos de reconstrução político-institucional de um país cujo regime entrou em colapso e ainda não foi substituído por outro adequado. É um problema de reconstrução político-institucional, eles têm problemas sérios de coleta de impostos, a carga tributária proposta é de 10% do PIB. Uma pessoa que é capaz de dizer que aconteceu na Rússia e portanto nós aqui no Brasil estamos fadados a repetir a mesma experiência, porque somos exatamente iguais, isso é próprio de uma pessoa que não conhece o que diz. Eu acho que é fundamental criar uma capacidade de aprofundar um entendimento das diferentes situações, embora todos estejamos sujeitos ao mesmo contexto internacional, portanto nenhum país é imune a essas turbulências, mas existem diferenças que deveriam estar sendo melhor entendidas em vez dessa simplória busca de generalizações.

Pergunta - Voltando à reunião do FMI na semana que vem: o Sr. acha que dá para levar uma mensagem de tranqüilidade para os países que estão participando da reunião. O que o Brasil pode sinalizar? E mais, nós não tínhamos ninguém em Montevidéu, pelo menos o Investnews não tinha, quando o Sr. falou das medidas. O que se pode esperar do governo esse ano para continuar essa trajetória de declínio.....

Ministro - Eu não usei a expressão pacote, pelo contrário. Eu disse claramente que não teríamos pacotes nem antes e depois das eleições. E não falei em conjunto de medidas que alguns vêem como sinônimo de pacote. Eu falei que nós temos que ter uma espécie de plano de rumo, de programação para os próximos 3 anos, que nós mostremos de maneira crível porque nós estamos convencidos da nossa capacidade de, ao longo desse período, reduzir de maneira expressiva o déficit fiscal consolidado e a estabilidade da relação dívida/PIB. Isso envolve, não é assim de repente você juntar um conjunto de medidas e anunciá-las num dia só. Isso envolve a expressão de um compromisso que tenha elementos de natureza quantitativa, mas tem também qualitativa, que talvez seja tão importante ou mais de assegurar a continuidade desse processo de mudança do regime fiscal que nós estamos empenhados há algum tempo. O que eu chamo de mudança do regime fiscal: mudança da natureza do nosso relacionamento entre governo federal e estados. São mudanças de regime que nós estamos construindo juntos, que demanda tempo, mas que também vem tendo lugar e estará se consolidando ao longo dos próximos meses e anos. O que é mudança do regime fiscal nessa área? Privatização é uma mudança importante de regime na medida em que nós estamos retirando do setor público atividades que nós achamos serem melhor exercidas pelo setor privado, nesse processo aumentando a eficiência média da economia que é a base do crescimento futuro, contribuindo para resolver o problema fiscal restrito não só às empresas mas também às dívidas que eram de responsabilidade do setor público que passam para a responsabilidade do setor privado e permitindo canalizar recursos públicos escassos para a área social. A mudança do regime fiscal que nós estamos fazendo aqui em termos de fazer com que haja um a relação muito clara entre o orçamentário e o financeiro que é algo totalmente dissociado no passado. Você tinha o orçamento que era uma peça de exposição e tinha o controle na boca do caixa do Tesouro Nacional que era o financeiro. Nós estamos há alguns anos nós aproximando o controle fazendo com que cada vez mais a relação entre o orçamentário e o financeiro seja a mesma coisa. Isso é mudança de regime, para não falar nos gasto enormes que nós estamos fazendo com o financiamento do BID e do Banco Mundial, no sentido de melhorar a capacidade do controle de qualidade de gastos dos estados, a eficiência da máquina arrecadadora dos estados, estamos começando agora trabalhar com equipes também da natureza das relações entre o Tesouro Nacional e os secretários de fazenda dos estados e municípios. Essas são mudanças institucionais que não se fazem num estalar de dedos. Só é possível fazê-las agora porque nós temos inflação. Quando havia a inflação era impossível se começar a tratar de maneira séria esse tipo de questão de natureza institucional. - Eu não usei a expressão pacote, pelo contrário. Eu disse claramente que não teríamos pacotes nem antes e depois das eleições. E não falei em conjunto de medidas que alguns vêem como sinônimo de pacote. Eu falei que nós temos que ter uma espécie de plano de rumo, de programação para os próximos 3 anos, que nós mostremos de maneira crível porque nós estamos convencidos da nossa capacidade de, ao longo desse período, reduzir de maneira expressiva o déficit fiscal consolidado e a estabilidade da relação dívida/PIB. Isso envolve, não é assim de repente você juntar um conjunto de medidas e anunciá-las num dia só. Isso envolve a expressão de um compromisso que tenha elementos de natureza quantitativa, mas tem também qualitativa, que talvez seja tão importante ou mais de assegurar a continuidade desse processo de mudança do regime fiscal que nós estamos empenhados há algum tempo. O que eu chamo de mudança do regime fiscal: mudança da natureza do nosso relacionamento entre governo federal e estados. São mudanças de regime que nós estamos construindo juntos, que demanda tempo, mas que também vem tendo lugar e estará se consolidando ao longo dos próximos meses e anos. O que é mudança do regime fiscal nessa área? Privatização é uma mudança importante de regime na medida em que nós estamos retirando do setor público atividades que nós achamos serem melhor exercidas pelo setor privado, nesse processo aumentando a eficiência média da economia que é a base do crescimento futuro, contribuindo para resolver o problema fiscal restrito não só às empresas mas também às dívidas que eram de responsabilidade do setor público que passam para a responsabilidade do setor privado e permitindo canalizar recursos públicos escassos para a área social. A mudança do regime fiscal que nós estamos fazendo aqui em termos de fazer com que haja um a relação muito clara entre o orçamentário e o financeiro que é algo totalmente dissociado no passado. Você tinha o orçamento que era uma peça de exposição e tinha o controle na boca do caixa do Tesouro Nacional que era o financeiro. Nós estamos há alguns anos nós aproximando o controle fazendo com que cada vez mais a relação entre o orçamentário e o financeiro seja a mesma coisa. Isso é mudança de regime, para não falar nos gasto enormes que nós estamos fazendo com o financiamento do BID e do Banco Mundial, no sentido de melhorar a capacidade do controle de qualidade de gastos dos estados, a eficiência da máquina arrecadadora dos estados, estamos começando agora trabalhar com equipes também da natureza das relações entre o Tesouro Nacional e os secretários de fazenda dos estados e municípios. Essas são mudanças institucionais que não se fazem num estalar de dedos. Só é possível fazê-las agora porque nós temos inflação. Quando havia a inflação era impossível se começar a tratar de maneira séria esse tipo de questão de natureza institucional.

Pergunta - Eu queria saber o seguinte: ontem, tomou posse o novo presidente da Fiesp/Ciesp, Horácio Piva, e ele fala justamente que há uma tranqüilidade dos empresários e sobre aquela contribuição que eles possam vir a dar ao governo desde que o governo não sinalize novamente com aumento das taxas de juros, que é uma das preocupações deles. E outra, diante de um ano eleitoral, se o governo tiver que elevar as taxas de juros, o senhor tomaria agora antes das eleições?

Ministro - Essa pergunta é muito trick, como se diz em inglês. Já que a pergunta é trick, deixa eu responder de uma maneira trick também. A pergunta já me foi feita por jornalistas brasileiros em mais de uma ocasião, ao longo desses últimos meses: ministro, se o Japão, que é um país que tem uma chave da recuperação da região asiática, não tem possibilidade de recuperação das economias da região asiática sem uma recuperação sustentada da economia japonesa, que até o momento não conseguiu ainda se organizar para tal nem para lidar com o problema de seu sistema financeiro e a queda do iene em relação ao dólar é uma expressão disso. Todas as inquietações que ela leva a Hong Kong e a China sobre as suas próprias taxas de câmbio em relação ao dólar. Mas a pergunta me foi feita assim: se o Japão quebrar, arrastando consigo todos os países da Ásia; se Hong Kong não sustentar o seu Council Board; se a China resolver fazer uma máxi-desvalorização; se a Rússia entrar em colapso; se aquilo afetar a Europa, os bancos europeus e colocar em dúvida o lançamento do Euro e seu futuro a partir de 1º de janeiro de 1999; se a bolsa de Nova York tiver a maior queda da sua história superior à maior queda, que foi em 27 de outubro de 1997; exatamente o que faria o Brasil? Eu prefiro esperar que isso aconteça para pensar, em vez de ficar anunciando o que nós faríamos, caso esse cenário catastrófico se realizasse.

Pergunta - Mas, Ministro, a pergunta era bem objetiva. A gente pode esperar para esse ano medidas pontuais em função da crise internacional?

Ministro - Medidas pontuais significam coisas diferentes para diferentes pessoas, em diferentes momentos. Eu acho que você pode esperar o seguinte: nós faremos o que nós acharmos que deve ser feito para preservar o Real, a estabilidade macroeconômica e as possibilidades de crescimento sustentado no Brasil a médio prazo. É só isso que eu posso dizer. Agora, a natureza da resposta, a forma que ela vai assumir, obviamente tem que se levar em conta a natureza do contexto internacional. Nós não podemos ficar especulando se acontecer isso, eu faço isso; se acontecer aquilo, eu faço aquilo; e anunciar o que será feito especulando sobre possibilidades de materialização de diferentes cenários. Nós não vamos abrir mão do nosso compromisso de defender o Real e a estabilidade da moeda. - Medidas pontuais significam coisas diferentes para diferentes pessoas, em diferentes momentos. Eu acho que você pode esperar o seguinte: nós faremos o que nós acharmos que deve ser feito para preservar o Real, a estabilidade macroeconômica e as possibilidades de crescimento sustentado no Brasil a médio prazo. É só isso que eu posso dizer. Agora, a natureza da resposta, a forma que ela vai assumir, obviamente tem que se levar em conta a natureza do contexto internacional. Nós não podemos ficar especulando se acontecer isso, eu faço isso; se acontecer aquilo, eu faço aquilo; e anunciar o que será feito especulando sobre possibilidades de materialização de diferentes cenários. Nós não vamos abrir mão do nosso compromisso de defender o Real e a estabilidade da moeda.

Pergunta - Além dessa exposição que o senhor acabou de fazer, para a reunião do FMI a gente pode esperar mais o quê? A linha de defesa do Brasil vai ser essa?

Ministro - Eu acho que não é só do Brasil. Eu sinto que, conversando sistematicamente com vários deles - nos encontramos com freqüência -, que existe uma percepção que vem tomando corpo, ainda que de maneira muito lenta - e é bom porque é assim que as coisas acontecem, não tem abruptas mudanças -, de que esta região aqui tem características que são vantagens e ativos nossos. Eles comparam com outras regiões em desenvolvimento no mundo e dizem: olha, é uma região que é desnuclearizada; desmilitarizada; não tem conflitos étnicos; não tem fundamentalismos religiosos e toda a instabilidade política potencial que ele propicia; não tem enormes dialetos oficiais nas diversas regiões, é praticamente a mesma língua; uma enorme estabilidade política; democracias ou consolidadas ou em processo de consolidação; uma cultura da estabilidade que está progressivamente deitando raízes em termos de respeito à restrição orçamentária, à seriedade na gestão da coisa pública; a estabilidade macroeconômica que nós temos no Mercosul é vista como uma coisa extremamente positiva; os investidores diretos estrangeiros estão demonstrando isso com o volume de investimentos diretos que não é afetado pela manchete do dia, pela cotação da bolsa do momento, é afetado por variações sobre as potencialidades da região. Eu acho que, na América Latina, o Brasil, aqui o sul da América Latina tem todas as condições de fazer um discurso de confiança em si mesmo e no seu futuro. É esse o discurso que eu tenho feito e vou continuar fazendo porque acredito nele. Isso não significa negar problemas, pelo contrário, significa reconhecê-los e, exatamente porque nós os reconhecemos, expressar nossa capacidade e compromisso de enfrentá-los. É isso. Eu acho que vários do meus colegas têm discurso na mesma linha, na mesma direção. - Eu acho que não é só do Brasil. Eu sinto que, conversando sistematicamente com vários deles - nos encontramos com freqüência -, que existe uma percepção que vem tomando corpo, ainda que de maneira muito lenta - e é bom porque é assim que as coisas acontecem, não tem abruptas mudanças -, de que esta região aqui tem características que são vantagens e ativos nossos. Eles comparam com outras regiões em desenvolvimento no mundo e dizem: olha, é uma região que é desnuclearizada; desmilitarizada; não tem conflitos étnicos; não tem fundamentalismos religiosos e toda a instabilidade política potencial que ele propicia; não tem enormes dialetos oficiais nas diversas regiões, é praticamente a mesma língua; uma enorme estabilidade política; democracias ou consolidadas ou em processo de consolidação; uma cultura da estabilidade que está progressivamente deitando raízes em termos de respeito à restrição orçamentária, à seriedade na gestão da coisa pública; a estabilidade macroeconômica que nós temos no Mercosul é vista como uma coisa extremamente positiva; os investidores diretos estrangeiros estão demonstrando isso com o volume de investimentos diretos que não é afetado pela manchete do dia, pela cotação da bolsa do momento, é afetado por variações sobre as potencialidades da região. Eu acho que, na América Latina, o Brasil, aqui o sul da América Latina tem todas as condições de fazer um discurso de confiança em si mesmo e no seu futuro. É esse o discurso que eu tenho feito e vou continuar fazendo porque acredito nele. Isso não significa negar problemas, pelo contrário, significa reconhecê-los e, exatamente porque nós os reconhecemos, expressar nossa capacidade e compromisso de enfrentá-los. É isso. Eu acho que vários do meus colegas têm discurso na mesma linha, na mesma direção.

Pergunta - Chegou uma informação de São Paulo de que estaria tendo de novo uma retenção de importações...O Presidente soltou um decreto proibindo a greve, a Receita adotou uma série de medidas, mas parece que eles não estão obedecendo. Isso já está prejudicando o fluxo do comércio exterior...

Ministro - Olha, isso é algo temporário, transitório, passageiro. - Olha, isso é algo temporário, transitório, passageiro.

 

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