Pronunciamentos

03/06/98

Entrevista do ministro Pedro Malan à rádio Bandeirantes

Sem Revisão do Autor

Bandeirantes – Com a queda dos índices mostrados pelas pesquisas eleitorais do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que maneira essa pressão que se sente sobre os ministros, tanto é que houve reuniões de ministérios, de que maneira isso tudo chega a um ministério eminentemente técnico como é o Ministério da Fazenda?

Ministro - Eu acho que pesquisas eleitorais ou tentativas de avaliação de sentimento da opinião pública, que estão sempre em constante estado de mutação, fazem parte do processo eleitoral, do jogo democrático de qualquer economia moderna e uma democracia de massas como é o Brasil hoje. Eu acho que nós não nos pautamos, na condução da política macroeconômica do governo, por essas flutuações, por essas pesquisas diárias que nós teremos agora ao longo de quatro meses. Nós temos um rumo, uma direção e um sentido de propósito, no que diz respeito à condução da política, e nós não pretendemos nos afastar disso. Eu acho que pesquisas eleitorais ou tentativas de avaliação de sentimento da opinião pública, que estão sempre em constante estado de mutação, fazem parte do processo eleitoral, do jogo democrático de qualquer economia moderna e uma democracia de massas como é o Brasil hoje. Eu acho que nós não nos pautamos, na condução da política macroeconômica do governo, por essas flutuações, por essas pesquisas diárias que nós teremos agora ao longo de quatro meses. Nós temos um rumo, uma direção e um sentido de propósito, no que diz respeito à condução da política, e nós não pretendemos nos afastar disso.

Bandeirantes – Ministro Malan, ainda na esteira da primeira pergunta, o governador de São Paulo, reaparecendo no cenário político, está sugerindo a instituição de um programa habitacional pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e fala em gastos de R$ 2 bilhões por ano para construção de 500 mil casas em quatro anos, representando uma ação social e também a oferta de novos empregos. Como a Fazenda reage a essa proposta?

Ministro – Nós achamos que existe já um programa nessa área de estímulo à construção civil, que vem sendo executado há algum tempo, através da Caixa Econômica Federal, e que terá continuidade. Não achamos que seja necessária a criação de um programa de emergência nessa área, a qual o governo já vem dedicando uma atenção importante exatamente por essa razão a qual você se referiu: a importância da indústria da construção civil na geração do emprego, além de atender necessidades de moradia da maioria da população brasileira.

Bandeirantes – Nós sabemos também, ministro Malan, que principalmente a sua área, a equipe econômica, está preocupada com os gastos dos estados, com os gastos dos governadores. E o governo até estuda mecanismos para que os governadores usem uma parcela maior dos recursos obtidos com a privatização de empresas na redução de suas dívidas. Parece que a prioridade dos governadores não tem sido essa...

Ministro – Eu acho que existe um consenso amplo e generalizado entre os economistas sérios e responsáveis deste país que um governo, qualquer que seja o seu âmbito, federal, estadual ou municipal, não deveria utilizar recursos provenientes da venda de ativos e privatizações para gastos correntes. Eu acho que isso é uma quase unanimidade entre os economistas sérios e responsáveis. Existe uma questão um pouco controvertida sobre a extensão em que os recursos provenientes da venda de um ativo podem ser usados em certo tipo de investimento que tem uma maior taxa de retorno do que o ativo que foi vendido, que depende de uma descrição caso a caso, não se pode generalizar. Existe uma preferência, que é a nossa, em particular no contexto de situações de alto estoque de dívidas, que receitas de privatização sejam usadas não para pagar juros, como se diz tolamente por aí, mas para reduzir o estoque total da dívida. E ao reduzir o estoque da dívida, se ganha em termos permanentes, com encargos menores sobre um estoque menor. Agora, se você me permite um comentário, não é que nós temos preocupações com gastos por gastos. Nós temos preocupação com gastos que não são financiados pelas receitas ou que não implicam aumento de dívida. Se um estado aumentou a eficiência da sua máquina arrecadadora e, portanto, passou a ter maior volume de recursos à sua disposição, o gasto sempre tem que ser visto em função da receita e da eficiência da máquina arrecadadora, seja do estado, seja do município. O que nos preocupa é quando há um descompasso muito grande e essa tentativa de gasto maior que a receita é financiada através do aumento da dívida, o que significa maiores gastos no futuro e maior ônus para a população no futuro.

Bandeirantes – Agora, recorrente a essa questão social, dá a impressão de que consultores do governo se assustaram com a queda de prestígio do presidente nas últimas pesquisas e agora saem para recuperar o tempo perdido em poucos meses, querendo recuperar o que ele não teria feito em três anos e meio. E o deputado Michel Temer, presidente da Câmara e um dos principais aliados do governo, defendeu ontem a volta da inflação em índices controlados pelo governo, como se isso fosse possível, desde que permita investimentos na área social. É o tipo de proposta que deve arrepiar o ministro da Fazenda, ou não, ministro?

Ministro - Dois comentários. Primeiro sobre a questão dos gastos do governo na área social. Não é correto essa percepção de que o governo não tenha feito gastos expressivos ao longo dos últimos anos nessa área social. Os números estão aí disponíveis para quem quer que deseje analisá-los de uma forma desapaixonada. Por exemplo, saúde representa praticamente a metade de todo o gasto de custeio e investimento do governo, em relação a todos os outros vinte e tantos ministérios, a saúde representa quase a metade. O mesmo se pode dizer de várias outras áreas, como reforma agrária, área da previdência, área da educação, que são gastos expressivos do governo na área social. O problema é o seguinte: há dois tipos de problemas. O Brasil é um país de carências sociais gritantes. Nós temos infelizmente grandes mazelas sociais, desequilíbrios na desigualdade da distribuição de renda e riqueza, que são legados da nossa história e que não são passíveis de ser resolvidos a curtíssimo prazo através de canetadas presidenciais. Isso demanda persistência, paciência e qualidade do gasto. Isso é o que eu queria dizer: o importante não é só o volume do gasto, que não é desprezível, mas é também a eficiência e a qualidade do gasto nessa área, dos mecanismos de fiscalização e de controle, não só do governo, como também da própria sociedade sobre a qualidade e a eficácia dos gastos dos governos federal, estadual e municipal na área social. Isso eu acho que deveria ser a grande discussão. Nós gastamos razoavelmente bem nessa área. Sobre a questão da relação entre isso e a inflação, eu queria dizer o seguinte: nós não pretendemos abrir mão do nosso compromisso de manter a inflação sob controle; acho um equívoco essa idéia de que nós podemos aceitar taxas de inflação maiores, porque nós fomos durante 30 anos o recordista mundial da inflação. Do início dos anos 60 ao início dos anos 90, nenhum país do mundo bateu o Brasil em termos de inflação, que chegou aos 2.700% em 93, caminhando para 5.000, 7.000% em 94. Portanto, a cultura indexatória, a cultura inflacionária ainda está um pouco viva em alguns corações e mentes no Brasil e a possibilidade de volta da indexação generalizada e de nós voltarmos a ver um filme que nós já vimos num passado não muito distante não deveria nos entusiasmar. Não é possível estabilizar a taxa de inflação em níveis altos. Nós já vimos esse filme, sabemos que não é possível. Eu acho que a inflação deve ser mantida sob controle por quatro razões: primeiro por razões de eficiência econômica; a segunda, por razão política, porque a maioria da população deseja estabilidade do poder aquisitivo do seu salário; a terceira, por razão social, porque a inflação é um imposto compulsório que incide desproporcionalmente sobre os mais pobres, portanto, é um ato anti-social ter taxas de inflação altas, crônicas e crescentes; e a última razão é de natureza ética e moral, porque a inflação alta afeta padrões éticos e morais no setor público, no setor privado e no relacionamento entre os dois. Dois comentários. Primeiro sobre a questão dos gastos do governo na área social. Não é correto essa percepção de que o governo não tenha feito gastos expressivos ao longo dos últimos anos nessa área social. Os números estão aí disponíveis para quem quer que deseje analisá-los de uma forma desapaixonada. Por exemplo, saúde representa praticamente a metade de todo o gasto de custeio e investimento do governo, em relação a todos os outros vinte e tantos ministérios, a saúde representa quase a metade. O mesmo se pode dizer de várias outras áreas, como reforma agrária, área da previdência, área da educação, que são gastos expressivos do governo na área social. O problema é o seguinte: há dois tipos de problemas. O Brasil é um país de carências sociais gritantes. Nós temos infelizmente grandes mazelas sociais, desequilíbrios na desigualdade da distribuição de renda e riqueza, que são legados da nossa história e que não são passíveis de ser resolvidos a curtíssimo prazo através de canetadas presidenciais. Isso demanda persistência, paciência e qualidade do gasto. Isso é o que eu queria dizer: o importante não é só o volume do gasto, que não é desprezível, mas é também a eficiência e a qualidade do gasto nessa área, dos mecanismos de fiscalização e de controle, não só do governo, como também da própria sociedade sobre a qualidade e a eficácia dos gastos dos governos federal, estadual e municipal na área social. Isso eu acho que deveria ser a grande discussão. Nós gastamos razoavelmente bem nessa área. Sobre a questão da relação entre isso e a inflação, eu queria dizer o seguinte: nós não pretendemos abrir mão do nosso compromisso de manter a inflação sob controle; acho um equívoco essa idéia de que nós podemos aceitar taxas de inflação maiores, porque nós fomos durante 30 anos o recordista mundial da inflação. Do início dos anos 60 ao início dos anos 90, nenhum país do mundo bateu o Brasil em termos de inflação, que chegou aos 2.700% em 93, caminhando para 5.000, 7.000% em 94. Portanto, a cultura indexatória, a cultura inflacionária ainda está um pouco viva em alguns corações e mentes no Brasil e a possibilidade de volta da indexação generalizada e de nós voltarmos a ver um filme que nós já vimos num passado não muito distante não deveria nos entusiasmar. Não é possível estabilizar a taxa de inflação em níveis altos. Nós já vimos esse filme, sabemos que não é possível. Eu acho que a inflação deve ser mantida sob controle por quatro razões: primeiro por razões de eficiência econômica; a segunda, por razão política, porque a maioria da população deseja estabilidade do poder aquisitivo do seu salário; a terceira, por razão social, porque a inflação é um imposto compulsório que incide desproporcionalmente sobre os mais pobres, portanto, é um ato anti-social ter taxas de inflação altas, crônicas e crescentes; e a última razão é de natureza ética e moral, porque a inflação alta afeta padrões éticos e morais no setor público, no setor privado e no relacionamento entre os dois.

Bandeirantes – Ministro Malan, o Banco Central voltará a vender amanhã títulos com juros pós-fixados. A Folha de hoje sai com uma manchete de que o governo cedeu à pressão do mercado e que o governo estava com dificuldades de vender títulos sem correção pelo dólar. Nós gostaríamos do seu comentário sobre esse assunto e essa decisão.

Ministro - Eu acho que ela reflete apenas a necessidade de o Banco Central, aqui como em qualquer país, levar em conta as circunstâncias em que está se relacionando com a economia e o mercado. É uma decisão correta à luz de circunstâncias passageiras, e portanto nada de especial. Isso já foi feito no passado, não é a primeira que foi feito, é transitório, é apenas uma ponte até que se recupere algumas incertezas que, no momento, estão passando por razões externas, parte por não entendimento da natureza do processo doméstico no Brasil, mas nada que mereça uma atenção especial e nem manchete no jornal. Eu acho que ela reflete apenas a necessidade de o Banco Central, aqui como em qualquer país, levar em conta as circunstâncias em que está se relacionando com a economia e o mercado. É uma decisão correta à luz de circunstâncias passageiras, e portanto nada de especial. Isso já foi feito no passado, não é a primeira que foi feito, é transitório, é apenas uma ponte até que se recupere algumas incertezas que, no momento, estão passando por razões externas, parte por não entendimento da natureza do processo doméstico no Brasil, mas nada que mereça uma atenção especial e nem manchete no jornal.

Bandeirantes – O Ministério da Fazenda resistiu bravamente a sugestões de desvalorizar a moeda brasileira, o real, diante do dólar. Pressões fortes que o ministério resistiu. Agora, o próprio economista do PT diz que para mexer na política cambial é preciso ir com muita cautela e dar apoio até à política que está sendo seguida. Ministro Malan, nesse momento de globalização em que nós estamos vivendo, para o bem e para o mal, o que é que preocupa mais a área econômica do governo? A crise asiática, que parece que está aí ainda, com aquela brasa por baixo das cinzas e qualquer coisa pode reativar esse incêndio, ou o que vem acontecendo na Rússia? Qual desses mercados tem mais influência hoje sobre a economia brasileira?

Ministro – Existe uma grande interdependência em todas essas questões. Você mencionou a crise asiática. A crise asiática, na verdade, é uma série de problemas. Nós temos a questão da Tailândia, Indonésia e Coréia, que foram países que tiveram grandes pacotes de assistência financeira interna, dezenas de milhões de dólares; temos o problema da economia japonesa, segunda maior economia do mundo, que está num estado de semi-estagnação há oito anos. A taxa média de crescimento da economia japonesa, do início da dessa década até hoje, é ligeiramente superior a 1% a.a., uma economia que todos nos habituamos a ver crescendo a 7 ou 8% durante décadas passadas. Está com problema sério no seu sistema financeiro ainda não equacionado. Há incertezas em relação a Hong-Kong, a China, embora em menor escala. A Rússia, você mencionou, uma bolsa que caiu expressivamente há uma semana, causa preocupação porque é um país de porte, e tudo que acontece lá tem repercussões. Não porque as pessoas achem que os outros países estão vivendo situações semelhantes, como às vezes acontece em algumas análises apressadas. Uma queda expressiva, como por exemplo na bolsa da Rússia, tem um efeito porque ele afeta papéis de países, dentre os quais o Brasil, que têm peso, têm volume, têm liquidez no mercado internacional. Então, alguém que está querendo compensar uma perda que teve na bolsa russa, a forma de adquirir liquidez para compensar isso é dispondo de papéis brasileiros, que têm alto volume, alta negociabilidade e alta liquidez no mercado internacional. Então isso parece refletir uma preocupação com a situação interna da economia brasileira, o que não quer dizer que nós não tenhamos problemas, mas na verdade, é o funcionamento do sistema. Mas nós vivemos num mundo mais perigoso do que no passado e temos que estar sempre atentos a isso, para responder sua pergunta. Já que você começou com o câmbio, deixe-me aproveitar para dizer que nós não vamos mudar a política cambial brasileira como vimos dizendo há algum tempo. É uma política flexível, nós estamos dando mostra dessa flexibilidade já há algum tempo e não teremos nem maxi nem midi desvalorizações.

Bandeirantes – Quem está dando apoio, e nós por dever profissional, temos que dar nome, é o Guido Mantega, que é o estrategista econômico do candidato do PT à presidência, Luís Inácio Lula da Silva. Ele disse que a correção da defasagem cambial deve ser feita da forma mais prudente possível...

Ministro – Eu li a entrevista, notei esse aspecto, acho que é uma postura...não sei se ele fala em nome do conjunto do partido a que está vinculado, mas o que eu gostaria neste momento é que nós tivéssemos um claro compromisso de todos, acho que deveria ser um compromisso do país, com a preservação da estabilidade do poder de compra da moeda nacional, que é a preservação do poder de compra do salário do trabalhador brasileiro. Quer dizer, vale tudo em termos de proposta, mas não deveria valer propor a volta da inflação, que é um imposto compulsório, volto a insistir, e que pode nos levar de novo a um processo de gradual reindexação da economia e a uma experiência que nós tivemos e gostaríamos de não repetir.

Bandeirantes – O ministro Pedro Malan se referiu aos gastos com a saúde. Enfatizou até que nós temos gastos expressivos, o que nos leva a perguntar se o imposto provisório para socorrer a saúde será mesmo definitivo. Qual a sua posição?

Ministro – Presumo que você esteja se referindo à CPMF. Eu acho que olhando realisticamente a situação para o ano que vem, a necessidade de financiamento da saúde, é bem provável que nós tenhamos que fazer uma prorrogação. Eu acho que não deveríamos transformá-la numa contribuição de natureza permanente, é uma contribuição enquanto nós avançamos na discussão, que eu espero que não seja excessivamente prolongada, da imperativa reforma do sistema fiscal desse país, onde teremos oportunidade, então, de tratar dessa questão de forma integrada. Portanto, eu acho que deveria ser em caráter transitório até que nós possamos alterar de maneira duradoura o regime fiscal do país com o qual nós gostaríamos de entrar no século XXI.

Bandeirantes – Quer dizer, é um pecado falar em imposto, vamos continuar falando em contribuição mesmo: CPMF.

Ministro - Eu agradeço a sua pergunta porque ela me dá oportunidade de responder uma coisa que eu acho que deveria estar no centro da nossa discussão hoje. O Brasil, como eu disse, é um país que tem um enorme problema social, enorme demanda por gastos adicionais nessa área. É muito importante que a sociedade entenda que esses gastos adicionais só podem vir de duas fontes: ou de maiores impostos, ou contribuições, não importa como chamemos porque são ônus para o conjunto da sociedade, ou de aumento do endividamento, interno ou externo. Ainda não nasceu um gênio que fosse capaz de descobrir uma nova maneira de expandir gastos que não seja através de aumento dos impostos ou de aumento de dívidas, que são gastos futuros. A terceira forma de financiamento é uma que nós não gostaríamos de retornar: é o rodar da maquininha, é a volta da inflação, é a volta do imposto inflacionário – que era um imposto como os outros, só que ele é sub-reptício, ele não é transparente, ninguém precisa votar por ele, as pessoas votam sem o saber, às vezes inconscientemente, mas ele tem o mesmo efeito também de fingir que se está gastando mais quando, na verdade, em termos reais, não se está gastando porque a inflação reduz em termos reais o gasto nominal. Essa discussão, a meu ver, deveria estar no centro do debate, com uma percepção, as pessoas fazem as suas demandas sobre o governo federal. O governo federal não é um ente de razão. O que o governo federal faz, ele não gera recurso. Todo recurso que o governo federal gasta ou aloca de alguma maneira vem ou de impostos ou de dívida. Portanto, são contas que a própria sociedade tem que pagar. Então é importante que se a sociedade quer aumentar gastos na área X, deveria dizer onde vai cortar para aumentar gastos daquela natureza ou se está disposta a pagar mais impostos, ou se endividar ainda mais para gerar aquilo. Isso deveria, a meu juízo, estar no centro da discussão no momento no Brasil.

Bandeirantes – Agradecemos ao ministro Pedro Malan por sua participação no jornal da Rádio Bandeirantes. Bom dia, ministro.

Ministro – Muito obrigado a todos vocês e a todos os ouvintes.

 

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