Pronunciamentos

02/04/98

Malan encerra visita à Europa

O ministro Pedro Malan volta a despachar amanhã (03.04), no Brasil, depois de uma viagem à Europa onde conversou com os ministros da área econômica da Inglaterra, Alemanha e França. Hoje (02.04), pela manhã, Malan concedeu uma entrevista ao Bom Dia Brasil quando discutiu política de emprego e a estabilização da economia. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Sem revisão do autor

Bom Dia Brasil - Ministro, o desemprego é uma questão que preocupa não só o Brasil mas a Europa também. O que foi discutido na área de política de emprego com os ministros europeus?

Ministro – Bom, realmente eu estive com vários ministros da fazenda e presidentes do Banco Central aqui. Nós falamos sobre Ásia, sobre a moeda única européia, sobre a situação da economia brasileira, economias européias, onde o desemprego é um problema. A taxa de desemprego na França, na Alemanha, na Itália é superior a 12%. Esse é um tema central no debate político e econômico e com toda razão, é um dos grandes problemas nessa virada de século. Obviamente, nós tratamos deste assunto também. Na verdade, o problema do emprego é um dos três grandes temas da reunião de cúpula do G7, que terá lugar em Birmingham, no mês de maio, e o interessante é que a maneira pela qual eles estão considerando esse problema é como eu venho sugerindo há algum tempo que ele seja discutido no Brasil: não com uma excessiva preocupação com a taxa mensal de emprego ou semanal de desemprego, mas transformar essa discussão sobre empregabilidade, sobre emprego, como aumentar a empregabilidade do trabalhador brasileiro, como introduzir questões de médio de longo prazo, como entender melhor a natureza do problema do desemprego.

Por exemplo, os franceses me disseram que a taxa de desemprego de mulheres na França é mais de 4 vezes superior à taxa de desemprego das mulheres na Inglaterra. É preciso entender porquê. Isso aparentemente nos remete à questão da legislação trabalhista na França comparada com a legislação trabalhista na Inglaterra. Há países em que o problema do desemprego é em jovens sem qualificação entrando no mercado de trabalho, há outros em que o problema é com pessoas de idade mais avançada, cujas qualificações não encontram mais demanda no mercado. Em suma, o que eu estou propondo, para resumir, é que, a exemplo do que eles estão fazendo aqui na Europa, nós também procuremos aprofundar a discussão sob aspectos estruturais e possamos discutir soluções de curto, médio e longo prazo para o problema. Nós devíamos aprender muito com a discussão que tem lugar aqui.

Bom Dia Brasil – O Renato tem uma pergunta a lhe fazer do Rio de Janeiro.

Renato – Ministro, o economista Paul Krugman disse que a taxa de câmbio está correta, é isto mesmo que o governo brasileiro deve fazer nessa questão conjuntural e nessa questão de ameaça na crise dos países asiáticos. Por que ele disse que países desenvolvidos têm problemas de acreditar nos países emergentes e que essa credibilidade é tão fundamental? Será que já mudou essa mentalidade em relação ao Brasil?

Ministro – Olha, Renato, eu trabalho há doze anos, de alguma maneira representando o Brasil, em particular no exterior. Vários anos na diretoria executiva do Banco Mundial, no BID, vários anos como negociador da dívida externa, como presidente do Banco Central e agora como ministro da Fazenda. Eu diria que o momento atual é o momento em que o Brasil é visto de uma maneira mais positiva e favorável pelo resto do mundo. Isto vale para governos, empresas e setor financeiro também. Nós temos a diferença de alguns anos no passado: já quatro anos e meio de experiência de inflação sob controle, de crescimento sustentado e de um país que tem um projeto, uma visão do futuro que vem sendo reconhecida como tal. As visitas de chefe de estado que o presidente Fernando Henrique fez à Inglaterra, França e Alemanha aumentaram em muito o prestígio e a credibilidade com que o Brasil é hoje percebido no cenário internacional. É óbvio que temos muito a caminhar mas eu acho que avançamos bastante em termos de angariar uma credibilidade que é difícil de conseguir conquistar ao longo do tempo e que é muito fácil perder.

 

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