Pronunciamentos

25/04/97

Novo salário-mínimo será de 120 reais


O ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou hoje (25/4) em cadeia de rádio e televisão que o novo salário-mínimo, a vigorar a partir de primeiro de maio, será de R$ 120,00. Gravado à tarde pela Radiobrás, o anúncio do novo salário foi ao ar às 19h57m.

A íntegra da fala do ministro Pedro Malan é a seguinte:

"Boa noite,

Como você lembra, há quase três anos lançamos o Real. Naquele dia, 1º de julho de 1994, o salário-mínimo era de 64 reais e 79 centavos. O preço da cesta básica era de 106 reais e 95 centavos.

Ontem, a mesma cesta básica custava 114 reais e 21 centavos, um aumento de 7 reais e pouco em dois anos, nove meses e 24 dias.

O anúncio, que hoje quero fazer, é que o salário-mínimo, a partir de 1º de maio próximo, será de 120 reais. Veja bem, este aumento do mínimo, de quase 65 para 120 reais, é um aumento de 85%, em quase três anos. Neste mesmo período, o aumento da cesta básica foi inferior a 7%.

Faço referência ao valor da cesta básica, mas qualquer outro índice mostrará a mesma coisa: o poder de compra do salário-mínimo vem aumentando em termos reais desde o lançamento da nova moeda.

Isto quer dizer que nós estamos satisfeitos, achando bom, um salário de 120 reais? A resposta é não, não estamos satisfeitos.

E por não estar satisfeito é que o Governo trabalha para que o mínimo, além de aumentar, compre cada vez mais coisas e que um número cada vez menor de trabalhadores dele dependa para sobreviver.

Hoje, de cada cem trabalhadores que têm carteira assinada, apenas cinco recebem o mínimo. Negociações coletivas, nos últimos dois anos, mostram que os pisos salariais já são bem superiores ao mínimo, mesmo para os trabalhadores não qualificados.

Talvez você já não se lembre, mas o salário mínimo no Brasil, no mês de julho de 1993, era de 4 milhões, 639 mil e 800 cruzeiros, que era a moeda da época.

Parece um grande salário, não é verdade?

Pois bem, como a inflação naquela época era de mais de 2.000% ao ano, o poder de compra daqueles milhões de cruzeiros era praticamente igual aos 65 reais que mencionei antes.

Vale dizer que o que importa para o trabalhador é o que ele realmente pode comprar com seu salário e não o número de algarismos que este tenha.

O Governo reconhece que é pequeno o aumento dos atuais 112 para 120 reais. No entanto, é o aumento que pode conceder no momento, porque é o aumento compatível com o peso e o impacto que o mínimo tem, não sobre o conjunto da economia brasileira, mas sobre as contas do Governo, em particular da Previdência, dos Estados e dos Municípios.

Em uma situação em que preços e salários se acham desindexados e a taxa da inflação é decrescente, o reajuste do salário-mínimo deve se basear também nas expectativas futuras e não apenas na simples reposição de perdas passadas, como ocorria antigamente, alimentando o processo que nenhum trabalhador brasileiro pode mais desejar, que é o de ter a inflação corroendo boa parte de seu salário ao longo do mês.

Este Governo quer e vai dar a um número cada vez maior de trabalhadores melhores condições de vida e maior acesso à educação e à saúde. Para continuar avançando, o Brasil não pode ceder em sua luta contra a inflação.

Esta luta não é um fim em si mesmo. É apenas uma condição indispensável para alcançarmos o desenvolvimento com maior justiça social, objetivo principal do Governo e de todos nós brasileiros.

Muito obrigado."

 

 

 

 

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