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Ministério da Fazenda prevê crescimento de 0,5% para o PIB em 2017 e de 2,7% no quarto trimestre

Forte diminuição do endividamento das empresas no fim de 2016 abre espaço para expansão mais robusta daqui para a frente, disse o secretário de Política Econômica
publicado: 22/03/2017 20h25 última modificação: 22/03/2017 20h25
Gustavo Raniere/MF

O Ministério da Fazenda revisou nesta quarta-feira (22/03) sua projeção para o crescimento do PIB do Brasil em 2017 para 0,5%. Apesar da diminuição em relação ao número de 1,0% anunciado em novembro, a estimativa para a expansão do PIB no quarto trimestre de 2017 em comparação com o quarto trimestre de 2016 é de 2,7%. No quarto trimestre em comparação com o terceiro, o PIB deve expandir-se 3,2% em termos anualizados. 

Ao apresentar os números, o secretário de Política Econômica do MF, Fabio Kanczuk, explicou que a queda do endividamento das empresas – ou, como denominam os economistas, a desalavancagem – ocorrida no quarto trimestre de 2016 foi acentuada e mais forte do que o esperado, e provocou uma mudança no ritmo da expansão econômica. Por causa desse fenômeno, o PIB contraiu-se fortemente no período, mas isso indica que haverá espaço para um crescimento mais vigoroso daqui para a frente, apontou ele. 

“No quarto trimestre do ano passado, as empresas se desalavancaram muito. Ao pagar suas dívidas, elas investiram pouco”, disse. “Isso explica por que o quarto trimestre do ano passado teve um número [de PIB] negativo expressivo”, acrescentou. “Conforme a desalavancagem ficou para trás, agora o crescimento é mais robusto para a frente.” 

Kanczuk acrescentou que a estimativa de crescimento de 0,5% do PIB em 2017 contempla essa mudança no ritmo da retomada, já que compara a média dos crescimentos trimestrais deste ano com a média do ano passado. “Surpreendeu a velocidade da desalavancagem, e isso puxa o crescimento médio para baixo. Mas não vejo isso como notícia ruim, não vejo como frustração. Vejo como algo positivo. A  economia se desalavancou e está pronta para crescer mais.” 

Segundo o secretário, a projeção de expansão de 2,7% do PIB no quarto trimestre deste ano ante igual período do ano passado, por isso, representa uma medida melhor do ambiente de crescimento. “É esse número que dá a ‘sensação térmica’ de como estará a economia naquele ponto”, afirmou o secretário. “É uma economia crescendo de forma robusta, apesar da projeção do 0,5% anual”, acrescentou. 

Kanczuk destacou também que a Fazenda prevê crescimento do PIB em todos os trimestres deste ano em comparação com o trimestre imediatamente anterior, começando pela expansão de 0,49% esperada para o primeiro trimestre. 

“O grau de confiança é bastante alto de termos o primeiro trimestre positivo”, disse o secretário, citando o desempenho positivo de indicadores antecedentes, como consumo de energia, produção de papel ondulado e dados da indústria automotiva. A recuperação da confiança fiscal, avaliou, é o principal fator para essa retomada. 

Balanço de riscos

O secretário chamou atenção ainda para o fato de que, se houver algum tipo de surpresa em relação a esse cenário de projeções apresentado hoje, é maior a probabilidade de que essa surpresa seja positiva do que negativa. 

“Os balanços de risco são positivos. Há uma assimetria positiva na distribuição de probabilidades de cenários alternativos”, afirmou. “Estamos vendo uma aceleração do crescimento, e a possibilidade de termos cenários melhores que 0,5% é maior que de cenários piores que 0,5%”, explicou ele. 

Kanczuk acrescentou que essa assimetria positiva é ainda mais forte para 2018. A Fazenda projeta aumento de 2,5% do PIB no ano que vem. “Há uma probabilidade razoável de o cenário ser [de crescimento] acima de 3% em 2018”, disse.

PIB potencial

Estudos da SPE apontam que medidas microeconômicas de facilitação de abertura de negócios, desburocratização e de simplificação no pagamento de impostos – os itens que constam do projeto “Doing Business”, do Banco Mundial – podem acrescentar cerca de 0,7 ponto percentual ao PIB potencial brasileiro, disse o secretário. 

Já as reformas fiscais – como a limitação do crescimento dos gastos públicos e a reforma da Previdência – vão provocar a diminuição da despesa do governo como proporção do PIB, segundo ele, e estimular o aumento da participação do setor privado, que tem um grau de produtividade mais elevado. Esse movimento, chamado pelos economistas de “crowding in”, somaria outro 0,7 ponto percentual ao PIB potencial. 

“Ou seja, saímos de um crescimento potencial de 2,3% ou 2,5% e chegamos a um número como 3,7%, 3,8%”, disse Kanczuk. “Esse é um número pensando em crescimento médio durante os próximos dez anos.” 


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