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Como forte demanda nos leilões, estoque da Dívida Pública Federal cresce 2,66% em fevereiro

Dívida Pública

Percentual da DPF com vencimento em 12 meses cai para 15,22%, o menor da história; fatia da Previdência também é recorde
publicado: 28/03/2017 13h08 última modificação: 28/03/2017 14h03

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 2,66% em fevereiro na comparação com janeiro, passando de R$ 3,053 trilhões para R$ 3,134 trilhões. O estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cresceu 2,80% entre os dois meses, para R$ 3,020 trilhões, enquanto o da Dívida Pública Federal externa (DPFe) recuou 0,76%, para R$ 113,93 bilhões. 

O Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê estoque da DPF entre R$ 3,45 bilhões e R$ 3,65 bilhões até o fim do ano, e a expectativa do Tesouro Nacional é encerrar 2017 dentro desse intervalo. 

O aumento do estoque da DPF resultou da emissão líquida de R$ 57,99 bilhões – diferença entra uma emissão bruta de R$ 75,64 bilhões e resgates de R$ 17,65 bilhões – e da apropriação positiva de juros no valor de R$ 23,42 bilhões. A queda da DPFe ocorreu principalmente por causa da valorização do real frente às moedas que compõem o estoque dessa dívida. 

“Foi um mês positivo, com bastante demanda nos leilões, principalmente em se tratando de fevereiro”, disse o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, Leandro Secunho. Ele explicou que em fevereiro ocorre sempre o rearranjo no sistema de dealers, que é o conjunto de instituições financeiras credenciadas com o objetivo de promover o desenvolvimento dos mercados primário e secundário de títulos públicos. 

Por causa dessa revisão, nos dez primeiros dias do mês o sistema fica interrompido e a participação dos dealers não é contada, o que em tese diminui o incentivo à entrada dessas instituições nos leilões. “E mesmo assim foram emitidos mais de R$ 75 bilhões em leilões, o maior volume para fevereiro desde 2012”, afirmou Secunho. 

Segundo ele, essa demanda forte é explicada por um movimento de realização de ganhos em meio à precificação de novos cortes de juros mais à frente e à queda nas projeções para a inflação, além do aumento da confiança. “Tem havido muita demanda, por todos os tipos de títulos, e o Tesouro tem aproveitado para captá-la sem adicionar risco ou volatilidade ao mercado”, afirmou o coordenador. 

Outro sinal de liquidez destacado por Secunho veio do volume financeiro médio diário de títulos negociados no mercado secundário, que subiu de R$ 25,22 bilhões em janeiro para R$ 31,53 bilhões no mês passado. “Isso mostra um mercado secundário bastante líquido e com apetite por títulos públicos, especialmente por se tratar de fevereiro”, disse Secunho. 

Participação recorde da Previdência

O grupo Previdência, que há alguns meses passou a ocupar o topo da divisão por grupos de detentores, viu sua participação na DPMFi crescer em fevereiro tanto em termos relativos – de 25,58% para 26,12%, um percentual recorde – quanto absolutos, com um avanço de R$ 37 bilhões, para R$ 788,97 bilhões.   

A parcela de instituições financeiras também cresceu, de 21,30% em janeiro para 22,29%, enquanto a de fundos de investimento recuou de 23,23% para 22,42%. A participação de não residentes diminuiu de 14,22% para 13,66%, mas em termos absolutos esse recuo foi de cerca de R$ 5 bilhões, volume que Secunho afirmou ser pouco significativo. 

“De fato, tem havido uma saída [de estrangeiros], mas é um movimento organizado, em títulos de curtíssimo prazo, e os não residentes têm mantido e até aumentado sua participação em títulos de longo prazo”, afirmou o coordenador. Ele chamou atenção para a presença maior, mês a mês, desse grupo de investidores nas NTN-Fs, que têm apresentado um volume de negociação superior à média. Secunho citou que na semana passada, por exemplo, os dealers relataram volta de estrangeiros e alongamento de prazos, em meio ao aumento da confiança no mercado.  

Vencimentos, prazos e custo

Outro destaque positivo no Relatório Mensal da Dívida de fevereiro foi a queda do percentual de vencimentos da DPF nos próximos 12 meses de 15,44% em janeiro para 15,22% em fevereiro, o menor nível da história. “Nunca tivemos tão pouca dívida vencendo em curtíssimo prazo”, disse Secunho. 

O prazo médio da DPF, por sua vez, diminuiu de 4,68 anos em janeiro para 4,63 anos em fevereiro. O PAF prevê intervalo de 4,20 a 4,40 anos para o prazo médio. “Estamos fora do intervalo, mas pelo lado positivo”, disse o coordenador. “A expectativa é que haja uma redução adicional até o fim do ano, mas ainda dentro de um patamar historicamente elevado”, acrescentou. 

O custo médio da DPF acumulado nos últimos 12 meses, enquanto isso, recuou de 11,57% ao ano em janeiro para 11,34% em fevereiro, o menor nível desde agosto de 2014. “Estamos dento de um processo de queda de juros, não apenas da Selic, mas a curva vem mostrando quedas adicionais. Esse indicador reflete esse movimento”, explicou Secunho. 

Indexadores dentro do PAF

Na divisão por indexadores, a parcela de títulos prefixados na DPF aumentou de 33,37% em janeiro para 34,15% em fevereiro, enquanto a de títulos indexados a índices de preços recuou de 33,08% para 32,39% e a de papéis a taxa flutuante passou de 29,66% para 29,70% do estoque. Os títulos atrelados à taxa de câmbio recuaram de 3,89% para 3,76% do total da DPF. 

Todos esses indicadores ficaram dentro dos limites estabelecidos pelo PAF. “Não necessariamente permaneceremos assim ao longo de todos os meses, mas a expectativa é que em dezembro esses percentuais estejam dentro do intervalo indicativo do PAF”, disse Secunho. 

Emissão externa

Embora o relatório de fevereiro não traga o efeito da emissão externa de US$ 1 bilhão em Global 2026, já que esta operação ocorreu em 7 março, Secunho destacou que, com ela, o Tesouro Nacional possui agora todos os dólares suficientes para pagar a dívida externa em 2017 e 2018.  

Por causa dessa situação confortável, explicou o coordenador, se o Tesouro acessar novamente o mercado externo neste ano será apenas com o objetivo de diversificar a base de investidores, prover referências de preços para empresas e aproveitar oportunidades de custo. “Será uma emissão qualitativa, sem necessidade ou pressa”, afirmou ele.

Tesouro Direto

O estoque do programa de venda de títulos da dívida pública para pessoas físicas cresceu 2,98% em fevereiro na comparação com janeiro, para R$ 42,936 bilhões. O total de investidores cadastrados atingiu 1,249 milhão, um aumento de 85% em relação a fevereiro do ano passado.


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