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CMN fixa meta para a inflação em 4,25% para 2019 e em 4% para 2020

Sistema de metas de inflação

Horizonte do anúncio passa a ser de três anos; decisão representa convergência para padrões internacionais, diz Meirelles
publicado: 29/06/2017 16h27 última modificação: 30/06/2017 17h36

O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou nesta quinta-feira (29/6), em reunião extraordinária, a meta para a inflação para 2019 em 4,25% e, para 2020, em 4%. A margem de tolerância foi mantida, para os dois anos, em 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

É a primeira vez, desde 2003, que o governo reduz o centro da meta para o IPCA. Naquele ano, a meta que foi anunciada para dois anos à frente, ou seja, 2005, foi de 4,5%, e assim permanece até 2018.

A decisão tomada nesta quinta-feira (29) também representa uma mudança no horizonte do anúncio. De agora em diante, o CMN apresentará o alvo para a inflação de três anos à frente, e não mais dois anos, como vinha sendo feito desde a implantação do regime, em 1999. Em nota, o Banco Central afirmou que, com essa medida, “amplia-se a capacidade de a política monetária balizar as expectativas de inflação para prazos mais longos, o que reduz incertezas e melhora a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo”.

“Estamos fixando (hoje) a meta para dois anos (2019 e 2020) exatamente porque este é o momento da transição”, disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista coletiva para anunciar a decisão, na qual foi acompanhado pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.  “O assunto foi debatido de maneira intensa e profunda pelos integrantes do CMN e as decisões anunciadas hoje receberam a plena concordância de todos”, destacou Meirelles.

“Estamos gradualmente iniciando um processo de convergência para padrões internacionais, que tendem a ter horizontes relevantes mais longos. A ideia é que os horizontes agora se ampliem para três anos, dentro de uma trajetória gradual de maior ancoragem das expectativas de inflação e de uma otimização da convergência da meta para padrões internacionais e ao mesmo tempo assegurando o crescimento da economia e do emprego”, afirmou Meirelles.  

O ministro da Fazenda destacou que o momento atual é propício para a redução do centro da meta de inflação. Do pico de 10,7% registrado no início de 2016, o IPCA em 12 meses caiu para 3,6% em maio deste ano, o menor patamar desde junho de 2007. A expectativa dos analistas do mercado financeiro já é de 4,25% para o índice no encerramento de 2019.

“A mensagem é de firmeza, de convergência gradual das metas de inflação para índices internacionais consagrados e estabelecidos, ao mesmo tempo ancorando as expectativas e assegurando uma trajetória cada vez maior de crescimento do produto potencial”, destacou Meirelles.

Ilan Goldfajn apontou que a fixação da meta para três anos à frente permite balizar melhor as expectativas de inflação, reduzindo incertezas e melhorando o planejamento e a tomada de decisões. Além disso, segundo ele, com expectativas de inflação no longo prazo ancoradas em níveis baixos, a economia pode almejar juros de longo prazo mais baixos de forma sustentável.

O presidente do Banco Central ressaltou ainda que, se as expectativas de inflação estão ancoradas no longo prazo, a política monetária pode acomodar mais facilmente os choques de curto prazo.  “A política econômica tem hoje condições inflacionárias, transparência e credibilidade necessárias para se comprometer com essas metas de inflação. São metas que levam à redução gradual, consistente e sustentável da inflação ao longo do tempo”, disse Ilan.

O ministro Dyogo Oliveira afirmou que a medida faz parte de um conjunto de ações que o governo tem tomado para adotar metodologias, regras e padrões de nível internacional. “Todas essas ações visam ao objetivo de garantir para o Brasil a retomada do crescimento em nível sustentável a longo prazo e permitir que haja em decorrência disso a geração de emprego, renda e melhoria da qualidade de vida da população”, disse ele.

Histórico

O regime de metas de inflação foi instituído no Brasil em 1999 e é um dos pilares da estabilidade macroeconômica do país. A meta fixada para aquele ano foi de 8%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Desde 2005, o centro da meta estava em 4,5%. Naquele ano, a margem de tolerância era de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. Para 2006, esse intervalo caiu para 2 pontos e assim ficou até 2016. Para 2017 e 2018, o centro da meta foi fixado em 4,5%, mas a banda de tolerância diminuiu para 1,5 ponto.

Conforme apontou o BC, “o sistema de metas se consolidou e ganhou maturidade que permite avançar na obtenção de taxas de inflação mais baixas de forma consolidada. Esse processo, entretanto, deve ser conduzido de forma gradual e consistente, de forma a minimizar riscos e ser sustentável ao longo do tempo. A fixação das metas para a inflação em 4,25% para 2019 e em 4,00% para 2020, com margem de tolerância de um e meio ponto percentual para mais ou para menos, é um passo nessa direção”.