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Reformas estruturais e estímulo ao emprego são o principal desafio do Brasil, diz Meirelles

Em entrevista coletiva no Fórum Econômico Mundial, ministro também destacou que país tem muito a ganhar com a globalização
publicado: 18/01/2017 16h19 última modificação: 05/06/2017 16h31

Implementar reformas estruturais que permitam a volta do crescimento sustentável e a geração de emprego é o principal desafio do Brasil neste momento, disse nesta quarta-feira (18/01) o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Em entrevista coletiva do Fórum Econômico Mundial, o ministro destacou também a importância de o país promover uma abertura maior de sua economia para beneficiar-se mais da globalização.

“O desafio para o Brasil, agora, é implementar as reformas básicas e fazer com que o país cresça mais rapidamente e então criar empregos, que é o mais importante”, disse o ministro, ao lado do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. “Temos de assegurar que faremos de tudo para a criação de empregos, principalmente para os trabalhadores de menor renda”, acrescentou.

Meirelles reiterou que, ainda que na média o crescimento do PIB em 2017 possa ser baixo, já que o país está saindo de uma recessão profunda, a retomada vai se acelerar ao longo deste ano. A criação de empregos virá junto e a população, segundo Meirelles, sentirá claramente o efeito da melhora econômica, principalmente a partir do segundo semestre.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, chamou a atenção para o sucesso do combate à inflação, que recuou de quase 11% em 2015 para 6,3% em 2016 e que, neste ano,converge para a meta de 4,5%. “Estamos hoje numa posição muito melhor do que no ano passado”, afirmou.

Globalização

Meirelles comentou que uma questão bastante discutida no Fórum de Davos foi a percepção, principalmente entre alguns segmentos da classe média de países desenvolvidos, de que a globalização os prejudica. O ministro reiterou, no entanto, que aglobalização é benéfica para todas as nações, principalmente as emergentes. O Brasil, no entanto, tem obtido poucas vantagens desse processo, já que seu crescimento, historicamente, tem sido muito focado no mercado doméstico, segundo o ministro.

“No caso do Brasil, especificamente o que temos que fazer é reformar a economia para obter mais vantagens da globalização”, argumentou Meirelles. “Podemos e devemos ter um custo de produção menor, assim que tivermos a reforma trabalhista implementada e todas as outras reformas de aumento de produtividade”.

Câmbio, juros nos EUA e investimento

Na entrevista conjunta, Meirelles e Ilan apontaram que fatores como a recuperação econômica do Brasil e o aumento do preço global das commodities têm contribuindo para fortalecer o real, o que em parte contrabalança o efeito da alta global do dólar. “Não estamos muito preocupados com a taxa de câmbio, pelo fato de que temos um regime de taxa flutuante, do qual gostamos e que acreditamos ser o melhor para gerenciar a economia”, disse o ministro.

Ilan afirmou que a elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos faz parte de um esperado processo de normalização monetária. Meirelles apontou que isso não é causa de preocupação, já que o Brasil possui uma conta corrente equilibrada e tende a tornar-se ainda mais atraente para o investidor estrangeiro à medida que a recuperação econômica ganha força.

“Nas conversas nesses últimos dias no Fórum tivemos a indicação de que grandes corporações, algumas com investimentos no Brasil, agora estão pensando em investir substancialmente mais”, disse o ministro. 


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