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Meirelles anuncia nova estimativa do PIB para 1,1% em 2017 e 3% em 2018

Controle fiscal, redução do endividamento das empresas e das famílias e aumento da confiança impulsionaram revisão
publicado: 14/12/2017 15h51 última modificação: 15/12/2017 11h51
Gabriella Collodetti/MF

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o secretário de Política Econômica, Fábio Kanczuk, apresentaram nesta quinta-feira (14/12), a revisão dos parâmetros macroeconômicos. A projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018 passou de 2% para 3%, o IPCA de 4,2% para 4% e o câmbio ficou mantido em R$ 3,3.

Segundo Meirelles, a projeção do PIB para 2018 de 3% é bastante conservadora e  sólida, e é produto do controle fiscal, como a implementação do teto dos gastos, e das reformas em geral. “Houve aumento da confiança, do investimento e do consumo das famílias”.

Na avaliação do ministro o principal fator de impulsão na taxa de crescimento em comparação com as expectativas anteriores foi a desalavancagem das empresas, que reduziram seu endividamento, assim como as famílias.

“Durante a recessão elas estavam alavancadas, com dívidas elevadas, e no segundo semestre do ano passado começaram a desalavancar e as famílias também”, lembrou o ministro.

Paralelamente a esse movimento, acrescentou Meirelles, houve a descompressão da política monetária, que passou de restritiva  para expansiva, com taxas de juros reais mais baixas. “As companhias também começaram a investir, a comprar e repor capital de giro”, completou.

A equipe econômica também revisou os parâmetros para 2017. O crescimento previsto para 2017 passou de 0,5% para 1,1%. O ministro esclareceu que a projeção leva em conta média contra média, ou seja,  começo do ano de 2017 e final do ano de 2016. 

“Mesmo que tenha uma ascensão grande do PIB durante esse ano, a média contra média, pela grande queda do ano passado, leva em conta o carregamento estatístico, que influencia a média para baixo”, observou Meirelles.

O IPCA de 2017 passou de 3,2% na revisão anterior para 2,9%, segundo o boletim Focus do Banco Central. Meirelles indicou que a mudança da política monetária do Banco Central também impulsionou o processo de crescimento considerando-se a evolução da inflação.

“O Banco Central está hoje com uma política absolutamente correta, possivelmente usando a taxa neutra como referência para uma taxa real abaixo da neutra porque a projeção da inflação está abaixo da meta”, apontou.

O ministro ainda destacou que as reformas em andamento contribuem para reduzir a taxa de juros estrutural, que é o risco país: saiu de 360 para o nível atual, acima de 160. “Tudo isso facilitando o investimento, o financiamento e o consumo”, concluiu.

Impactos

O secretário de Política Econômica, Fábio Kanczuk,  destacou os componentes considerados para a nova projeção do PIB de 2% para 3% em 2018: o crescimento tendencial da economia (quanto a economia cresce no longo prazo) e os efeitos das políticas fiscal e monetária.

De acordo com o secretário, o impacto da política fiscal é zero, enquanto a expectativa de crescimento tendencial (sem reformas) é de 2 pontos percentuais e a política monetária é de 1 ponto.

“O impacto da política fiscal do setor público sobre o PIB foi zero em 2017 e será zero em 2018, enquanto a política monetária é importante, pois quando foi contracionista reduziu a atividade”, considerou.

Kanczuk ainda estimou afirmou que com a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso Nacional a previsão de alta do PIB do governo sobe de 3% para 3,3% em 2018. Sem a aprovação a estimativa cai de 3% para 2,85%.

“A probabilidade do choque positivo é maior do que o choque negativo. Se não aprovar a reforma da Previdência, vão mudar as condições financeiras e dá tempo de afetar o crescimento", explicou o secretário.

Reforma da Previdência

O ministro da Fazenda disse ter a expectativa de ver aprovada a reforma da Previdência, seja esse ainda esse ano ou no começo no ano legislativo  - fevereiro ou março de 2018.

Ele acrescentou que, na revisão do PIB, é necessário separar as condições específicas de mercado das reformas em andamento. “Temos que olhar o índice de confiança,  taxa de juros de longo prazo, câmbio, mercado de capitais, consumo”.

A expectativa de aprovação da reforma tem efeito positivo nas projeções, disse Meirelles. “Na hipótese extrema de não ser aprovada terá um impacto negativo difícil de ser medido. Não acredito que esteja tudo precificado. Mas sem a aprovação o próximo governo enfrentará um desafio enorme”, acrescentou.


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