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Estoque da dívida totaliza R$ 3,493 bilhões em novembro e entra no intervalo do PAF

STN

Custo médio das emissões é o menor desde março de 2014 e tem 14ª queda consecutiva
publicado: 20/12/2017 15h46 última modificação: 20/12/2017 15h49
MF

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) registrou aumento, em termos nominais, de 1,60%, passando de R$ 3,438 bilhões em outubro para R$ 3,493 bilhões em novembro. A variação deveu-se à emissão líquida no valor de R$ 29,48 bilhões e à apropriação positiva de juros no valor de R$ 25,70 bilhões, conforme divulgado nesta quarta-feira (20/12) pela Secretaria do Tesouro Nacional. “O estoque já está dentro do intervalado do Plano Anual de Financiamento (PAF) e assim permaneceremos até o fim do exercício”, comentou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Leandro Secunho. 

Em relação às operações no mercado interno, no mês de novembro as emissões da DPF corresponderam a R$ 48,6 bilhões, enquanto os resgates alcançaram R$ 19,13 bilhões. Do total da emissão líquida de R$ 29,48 bilhões, R$ 35,74 bilhões são referentes à emissão líquida da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), compensado pelo resgate líquido da Dívida Pública Federal externa (DPFe) no valor de R$ 6,26 bilhões. “Novembro é um mês de baixo vencimento e no caso dos leilões cumprimos o que era esperado. Como teve um aumento da taxa de juros mais longos, em torno de 50 base points, o Tesouro optou por fazer menos leilões”, esclareceu Secunho.

Ele acrescentou  que devido a esse movimento de alta das taxas de juros, o Tesouro foi mais cauteloso nos volumes emitidos.”O PAF estava bem encaminhado, chegando em novembro com percentual de rolagem próximo a 120%. O que nós emitimos em novembro e dezembro impactaria pouco as estatísticas do plano anual”.

Composição e perfil

Além do estoque, o coordenador destacou que a composição também está dentro do intervalo do PAF. Houve aumento na participação da DPMFi, passando de 96,30%, em outubro, para 96,52%, em novembro. Em contrapartida, a DPFe teve sua participação reduzida de 3,70% para 3,48%. A parcela dos títulos com remuneração prefixada da DPF passou de 34,62%, em outubro, para 35,16%, em novembro. Já a participação dos títulos indexados a índice de preços diminuiu de 29,97% para 29,66%, enquanto a parcela dos títulos remunerados por taxa flutuante manteve-se em 31,60% do estoque de outubro para novembro.

No caso do perfil de vencimentos da  DPF para os próximos 12 meses, o indicador permaneceu estável, passando de 16,99%, em outubro, para 17%, em novembro. “Estamos mais próximo da banda inferior, o que é positivo, já que reduzi o risco de refinanciamento e isso é um avanço em relação ao que tínhamos em anos anteriores“. Secunho ainda enfatizou que enquanto o percentual da dívida que vence em até um ano está em 17%, o que vence acima de cinco anos ultrapassou 25% “Isso significa que temos menos de 20% da dívida vencendo em um ano e mais de ¼ da dívida vencendo num prazo superior a cinco anos”.

Dívida interna

Do montante de R$ 48,6 bilhões de emissões da dívida interna, R$ 27,34 bilhões (56,25%) são de títulos com remuneração prefixada; R$ 9,05 bilhões (18,62%) por índice de preços e R$ 12,15 bilhões (24,99%) em indexados a taxa flutuante. O coordenador destacou que dos R$ 27,34 bilhões de prefixados, além de ser um volume total inferior à média do ano, a maior parte, R$ 23 bilhões, são títulos de curto e médio prazo (LTNs) e R$ 4,2 bilhões de longo prazo (NTNFs), sendo este último com uma participação maior de estrangeiros. “Essa emissão das NTNFs está abaixo da média do ano, que foi de R$ 6,5 bilhões. Isso não significa que não existe demanda, mas reflete o movimento da taxa de juros longa e o Tesouro optou por ser mais conservador”, reforçou.

Dívida externa

No mês de novembro, os ingressos da dívida contratual totalizaram R$ 3,31 milhões. Já os resgates da Dívida Pública Federal externa (DPFe) somaram R$ 6,27 bilhões. Leandro Secunho destacou que em novembro o Tesouro exerceu opção de recompra antecipada do Global 2019 N. “Foi a primeira vez que o Tesouro exerceu essa opção de recompra antecipada a qualquer tempo (Make Whole Call), que resultou no resgate de US$ 1,7 bilhão”. Entre as razões a recompra antecipada, o coordenador destacou: “Financeiramente fazia sentido, já que o preço era atrativo; o papel é de curtíssimo prazo; e trata-se de títulos muito antigos e ineficientes  do ponto de vista da taxa e do cupom de juros”.

Detententores

Leandro Secunho destacou que todos os grupos de detentores da DPF tiveram aumento no valor absoluto, mas não de forma linear. O grupo Previdência continua sendo o segundo maior grupo. Apresentou variação positiva em seu estoque, passando de R$ 840,17 bilhões para R$ 855,60 bilhões, entre outubro e novembro. Sua participação relativa manteve-se em 25,37%.

A categoria Instituições Financeiras apresentou elevação em seu estoque, passando de R$ 711,98 bilhões para R$ 736,31 bilhões. Sua participação relativa passou de 21,50% para 21,84%. Os Fundos de Investimento permaneceram sendo os maiores detentores e apresentaram aumento em seu estoque de R$ 15,50 bilhões, totalizando R$ 875,30 bilhões em novembro. Sua participação relativa manteve-se em 25,96%.

A participação dos Não-residentes na DPMFi caiu  de 12,78% para 12,67%, apesar de seu estoque ter apresentado acréscimo de R$ 3,89 bilhões. O coordenador chamou a atenção para o fato do valor financeiro desta carteira ter permanecido estável em novembro de 2016 e no mesmo período deste ano "Embora ao longo do ano a participação relativa dos estrangeiros tenha caindo, o volume financeiro permaneceu estável. Isso significa que não houve saída ou a saída foi muito contida” disse Leandro Secunho. Em dezembro de 2015, a carteira era de R$ 497 bilhões, em dezembro de 2016, R$ 427 bilhões e encerrou novembro também com R$ 427 bilhões.

Prazo médio e Custo médio

O prazo médio da DPF apresentou redução, passando de 4,37 anos, em outubro, para 4,31 anos, em novembro. O prazo médio da DPMFi também diminuiu, ao passar de 4,26 anos para 4,19 anos, enquanto o prazo médio da DPFe passou de 7,34 anos para 7,55 anos. O custo médio acumulado nos últimos doze meses do estoque DPF passou de 10,59% a.a., em outubro, para 10,24% a.a., em novembro e o custo médio das emissões da dívida interna passou de 10,43% a.a. para 10,21% a.a. no mesmo período.

“O custo médio das emissões é o menor desde março de 2014 e essa é a 14ª queda consecutiva. Tem 14 meses em que o custo de emissão da dívida vem se reduzindo”, observou. Já o custo médio acumulado em doze meses da DPMFi apresentou redução, passando de 10,62% a.a., em outubro, para 10,50% a.a., em novembro.

Leandro Secunho apontou, por fim, que o custo da dívida (tanto interna quanto da dívida total) “tem andado” abaixo da taxa básica de juros “Ou seja, a dívida, nos últimos meses, custou para o Tesouro abaixo do acumulado da Selic”.


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