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Ministério da Fazenda revisa projeção de alta do PIB em 2017 de 1,6% para 1,0%

Indicadores macroeconômicos

Nova estimativa reflete quadro mais claro sobre endividamento das empresas, explicou secretário
publicado: 21/11/2016 19h36 última modificação: 01/12/2016 16h17
Gustavo Raniere/GMF

O Ministério da Fazenda revisou a projeção para o crescimento do PIB do Brasil em 2017 de 1,6% para 1,0%. A nova estimativa resulta principalmente de um quadro mais claro sobre o endividamento das empresas e foi anunciada nesta segunda-feira (21) pelo novo secretário de Política Econômica, Fabio Kanczuk. 

“Estamos projetando o PIB um pouco menor porque o endividamento das empresas está se tornando mais claro. Isso está puxando os spreads de crédito para cima, o que reduz o crescimento”, disse o secretário, em sua primeira entrevista coletiva à frente do cargo. 

Kanczuk explicou que é natural, numa recessão, que a lucratividade das empresas caia e o tamanho de sua dívida em relação ao lucro aumente. Isso eleva percepção de risco e os spreads do crédito. “Mas sua dimensão está ficando clara agora. É isso que está por trás da nossa revisão de PIB”, disse ele. 

A nova projeção, segundo o secretário, apresenta equilíbrio no balanço de riscos, está em linha com o estimado por diversos analistas do mercado financeiro e é a melhor previsão que pode ser anunciada com base nas informações que estão disponíveis atualmente. 

Questionado sobre o impacto do novo número sobre a arrecadação, Kanczuk ponderou que essa relação não é simples e sofre a influência de outros fatores, como câmbio, inflação e massa salarial. “A projeção de receita não é simplesmente função de crescimento do PIB”, disse ele. 

O secretário reiterou que o governo cumprirá as metas do resultado primário em 2016 e 2017 - déficit fiscal de R$ 170,5 e R$ 139 bilhões, respectivamente. “Levamos a meta a sério porque ela é a essência, é que o está por detrás da recuperação econômica”, afirmou. 

Confiança e produtividade

Kanczuk destacou que a queda da confiança, causada pela deterioração fiscal, provocou a retração do investimento e da produção industrial e, consequentemente, a recessão que o país enfrenta. “O mais importante a resolver é a questão fiscal. Esse é o âmago de tudo. Resolvendo a questão fiscal, resolvemos a questão de confiança e a economia retoma”, afirmou. 

Na tentativa de enfrentar o endividamento das empresas, o secretário observou que o Ministério da Fazenda trabalha em medidas para aumentar a produtividade, tornando mais fácil e menos burocrático o processo de produção. “Essa medida estrutural é na qual estamos trabalhando intensamente”, afirmou. 

EUA

O secretário comentou que a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos traz incerteza para o cenário. “Estamos numa fase de entender o que vai ser implementado na economia”, disse ele. Ainda assim, observou, é possível antecipar duas linhas básicas para a economia americana – um aumento menor do comércio internacional e um plano de investimento em infraestrutura. 

A retração comercial, explicou, resultaria em competição menor com produtos importados baratos vindos de fora e em maior inflação dentro dos Estados Unidos, além de um crescimento econômico um pouco menor. O investimento em infraestrutura, por sua vez, também resultaria em maior inflação, mas também em maior crescimento, ao menos no curto prazo. 

“Somando os dois efeitos, a resultante é: a inflação americana deve ser um pouco maior. O crescimento econômico não dá para saber, porque os efeitos têm sentidos opostos”, avaliou Kanczuk. 

O secretário complementou que a inflação maior levaria a juros maiores nos Estados Unidos e a uma depreciação do real. “Mas os projetos de infraestrutura de Trump poderiam causar uma eventual melhora dos preços do minério de ferro, o que mitigaria esse efeito cambial. Portanto, o impacto da eleição americana sobre o crescimento econômico brasileiro é ambíguo”, disse ele.  

Novas projeções

Além da diminuição da projeção para o crescimento do PIB do ano que vem, de 1,6% para 1,0%, o Ministério da Fazenda revisou a estimativa de queda do PIB neste ano de 3,0% para 3,5%. O IPCA esperado para 2016 passou de 7,2% para 6,8%; para 2017, cedeu de 4,8% para 4,7%. A projeção de dólar a R$ 3,4, na média para 2017, anunciada em agosto, foi mantida.


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