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Meirelles diz a economistas que ajuste fiscal é condição para país sair da crise

Ajuste fiscal

Durante seminário no RJ, ministro diz que economia brasileira tem que estar forte para enfrentar mudanças no cenário internacional
publicado: 11/11/2016 18h20 última modificação: 17/11/2016 18h51
Vinícius Magalhães/FIRJAN

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, detalhou nesta sexta-feira (11/11) as medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo federal para que o país possa estabilizar a economia e retomar o crescimento. Após reunião com um grupo de economistas na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em evento promovido pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ), Meirelles resumiu a principal mensagem do seminário: o ajuste fiscal é a condição necessária para que o país possa sair da crise gerada pelo aumento descontrolado dos gastos públicos. 

Aos especialistas, o ministro reforçou que limitar o crescimento dos gastos é a principal solução. “O que nós temos que fazer é eliminar a raiz da crise. O aumento descontrolado dos gastos públicos federais nos últimos anos levou ao aumento da incerteza, a uma queda da atividade e ao aumento da dívida pública”, disse a jornalistas após o evento. 

Meirelles acrescentou que o desequilíbrio das contas públicas também gerou desemprego e impactou nas demais engrenagens da economia. “O aumento do desemprego fez com que a atividade caísse mais, as vendas caíssem mais e a arrecadação dos Estados, dos municípios e da União também. Caíram também as vendas das empresas e a capacidade de compra de muitas famílias em virtude do aumento a inflação”, resumiu. 

EUA 

Questionado sobre os efeitos da eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos nos mercados globais, o ministro comentou que a atual volatilidade é reflexo do discurso do candidato durante a campanha. Entre as promessas, Mereilles citou o corte drástico dos impostos e aumento forte das despesas, o que elevaria a dívida pública americana e os juros futuros nos mercados internacionais. 

O ministro ponderou que é preciso aguardar Trump assumir o cargo. “Nós temos que, primeiro, aguardar o que o presidente eleito vai fazer. Por enquanto, essa volatilidade toda diz respeito a um discurso de campanha. Nós temos que ver exatamente qual vai ser a linha de ação, de fato, do governo. Mas os Estados Unidos é um país forte, tem instituições muito fortes e certamente vamos ver como é que é essa interação entre o presidente eleito e o Congresso e as instituições americanas no geral vão fazer com o que isso evolua”, concluiu. 

Meirelles acrescentou que o Brasil deve estar com a economia forte o suficiente para enfrentar essas mudanças no cenário internacional. E comemorou o avanço  da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o crescimento dos gastos à inflação do ano anterior no Congresso Nacional. 

Reformas 

A PEC já foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. “Nós já estamos fazendo nosso dever de casa. O que nós não podemos é estar numa situação vulnerável. Para isso, nós precisamos fazer as reformas fundamentais que estamos fazendo. Esta é a boa notícia”, observou o ministro. 

Citou ainda que o governo está concluindo o projeto de reforma da Previdência, que integra o rol de medidas estruturantes propostas pelo governo para equilibrar as contas. “O Brasil tem é que terminar o seu dever de casa e estar com a economia preparada para qualquer mudança de cenário da economia internacional”, reafirmou.